Blog do Perrone

Palmeiras arrecada quase o dobro do previsto em janeiro, mas tem déficit
Comentários 14

Perrone

O Palmeiras arrecadou em janeiro quase o dobro do que esperava com seu departamento de futebol. Mesmo assim, fechou o primeiro mês do ano no vermelho.

De acordo com dados apresentados pela diretoria do clube ao COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), a receita gerada pela equipe foi de R$ 12,2 milhões no começo de 2015. A previsão feita pela direção era de que entrariam R$ 6,2 milhões nos cofres. O relatório não explica o que motivou a arrecadação maior do clube, que vive momento de euforia com aumento de sócios-torcedores e na venda de ingressos.

Só que a despesa no futebol foi de R$ 15,6 milhões, provocando um déficit de R$ 3,4 milhões no departamento. No clube inteiro, o prejuízo foi de R$ 5,2 milhões.

Também ao apresentar números para o COF, a diretoria afirmou que o Palmeiras deve arrecadar em 2015 cerca R$ 50 milhões com a venda de patrocínios em sua camisa.

 


Ex-presidente do Palmeiras vai à Justiça contra quem o investigou no clube
Comentários 26

Perrone

Investigado por uma comissão de sindicância que pediu sua suspensão no Palmeiras por um ano, Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do clube entre 2010 e 2011, foi à Justiça. Ele ajuizou um pedido de explicações contra Flávio Luiz Amadei, que comandou o grupo responsável pelas investigações. Os trabalhos também analisaram parte da gestão de Arnaldo Tirone.

Belluzzo alega na Justiça que o relatório da comissão de sindicância faz afirmações que podem configurar crime contra a sua honra. Por isso pede explicações. Dependendo do que Amadei responder, o ex-cartola entrará com uma queixa crime.

Na Justiça, o ex-presidente quer saber o nome de todos os integrantes da comissão de sindicância, as normas contábeis que ele é acusado de desrespeitar, os impostos que teriam sido recolhidos na fonte e não pagos, os elementos que levaram a comissão a recomendar o envio do caso para o Ministério Público e o que o relatório entende como gestão temerária, entre outros pedidos.

Durante as investigações, o ex-presidente se recusou a depor na comissão de sindicância, que fala até em supostas irregularidades na contratação de Valdivia, como mostra documento anexado à ação e exibido pelo blog no final do post.

Belluzzo e Amadei foram entrevistados pelo blog. Leia a seguir.

Entrevista com Luiz Gonazaga Belluzzo.

Por que decidiu questionar o presidente da comissão de sindicância na Justiça?

Porque eles resolveram fazer a sindicância sobre algo que já prescreveu. Só poderiam fazer até dois anos depois da minha gestão, fizeram quatro anos depois. Na véspera da eleição (em que Paulo Nobre foi reeleito. Beluzzo era candidato à vice na chapa da oposição). Todos os pontos que eles tocaram são ineptos, coisa típica de clube de futebol. Vamos ver se eles falam alguma coisa ou se vão insistir com isso. Se insistirem, vou entrar com um processo por calúnia e difamação. Claro que não cometi nenhuma irregularidade.

 

O senhor entende que a sindicância teve motivação apenas política?

O (Antônio Augusto) Pompeu resolveu ressuscitar essa comissão depois que o Wlademir Pescarmona me pediu para ser candidato à vice, Não tenho nenhum interesse na política do clube. Já fiz o que tinha que fazer. Não pretendo me promover à custa de nada, muito menos à custa do meu clube. E você não frequenta lá, não sabe como está. Não dá mais para frequentar o clube.

Por quê?

Porque as pessoas não se comportam de maneira civilizada. Não estou falando dos meus amigos, mas da política.

O senhor é ofendido quando vai lá?

Não me ofendem porque não sou o Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda). Com 72 anos, se falarem alguma coisa pra mim vou tomar providência. Nunca xinguei ninguém, não gosto de intrigas. E aí, quando saí candidato, ressuscitaram essa comissão de sindicância.

O relatório da comissão arranhou sua imagem? Esse foi um dos motivos para o senhor ir à Justiça?

Não acho que minha imagem foi arranhada porque ninguém leva isso a sério. Acham piada, mas se não reage, acham que você admite. Estatutariamente, não cometi nenhuma irregularidade e respondi a todas as acusações deles numa carta, com educação.

Mas por que o senhor não foi depor na comissão?

Não faz sentido ir lá. Não vou ficar me aborrecendo. Respondi que não iria porque estavam praticando difamação. Lá tem gente que falava que o estádio nunca ficaria pronto. Você acha que eu posso ir num lugar desses? Tem gente lá que fala pra mim que o estádio não é nosso. Fizemos uma concessão de uso pra quem botou o dinheiro na obra. Fiz o melhor negócio possível para o clube. Você acha que conseguimos 90 mil sócios porque o time é formidável? Não, é porque gostaram do estádio. Falo para os que falaram que o estádio não sairia do papel: ‘o que estou vendo, é uma miragem?’ Alguns ficam rangendo os dentes pra mim por causa do estádio, só posso me divertir com isso. Não dá para ir num lugar assim.

Entrevista com Luiz Flavio Amadei, presidente da comissão de sindicância.

O senhor já respondeu às perguntas feitas pelo Belluzzo na Justiça?

A ação não é contra mim, não pode ser contra mim. É contra a comissão, então quem está preparando a resposta e pode te dar detalhes é o departamento jurídico do Palmeiras.

Mas só o senhor foi citado na Justiça.

É porque é mais fácil pegar um nome qualquer do que citar o Palmeiras.

Belluzzo alega que a comissão pode ter cometido crime de difamação.

Claro que não cometeu. É uma coisa óbvia. Uma comissão de sindicância nunca vai cometer crime de difamação porque ela age de acordo com documentos. Ele tem todo direito de ir à Justiça, agora que mostre as provas que ele tem. Nós temos documentos, fizemos tudo de acordo com documentos que levantamos. Ele pode ter o entendimento que quiser, e a Justiça vai ter o entendimento dela. Foi uma comissão administrativa, interna, não tem nada a ver com falar da honestidade, da idoneidade dele. Só seguimos o que diz o estatuto do Palmeiras. Recomendamos a suspensão dele por um ano. Agora o conselho vai se reunir e analisar se segue ou não a nossa recomendação.

Para o ex-presidente, a sindicância foi aberta por razões políticas. O que o senhor acha disso?

Ele alega que a motivação foi política, mas a sindicância começou dois anos antes (do período eleitoral). Só teve comissão porque as contas dele foram rejeitas pelo Conselho Deliberativo.

Veja abaixo documentos relativos ao processo.

 

Reprodução

 

Abaixo, o que Belluzzo pede.

reprodução

Reprodução
Reprodução

 

Abaixo, trecho do relatório da sindicância que cita comissão paga na compra de Valdivia.

Trecho de relatório da comissão de sindicância que cita contrato de comissão na compra de Valdivia

 

Trecho em que Belluzzo se defende de suposta irregularidade na contratação de Valdivia em carta enviada à comissão de sindicância.

Reprodução

 

Parte do relatório da comissão de sindicância que aponta gestão temerária.

Reprodução

 

Também em carta à comissão de sindicância, Belluzzo se defende da acusação de ter causado dano ao clube rompendo com a ex-patrocinadora Samsung.

Reprodução

 


Corte de despesas causa demissões nas categorias de base do Corinthians
Comentários 39

Perrone

Agnello Guimarães Gonçalves Coelho calcula que entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2014 ajudou os garotos do Corinthians a conquistarem de 36 a 38 títulos. O currículo vitorioso, no entanto, não impediu a demissão dele do cargo de coordenador técnico das categorias de base do clube. Sua saída foi uma das primeiras atitudes tomadas pelo novo diretor de futebol amador, José Onofre de Souza.

O ex-funcionário interpretou o afastamento como uma rotina política: quem assume o poder tira homens de confiança da gestão anterior para colocar os seus. Mas, a explicação de Onofre é outra: corte de despesas.

“É uma situação lamentável, mas acaba acontecendo em todas as equipes quando há mudança de diretoria. As pessoas não se atentam à qualificação profissional, ao que fizemos na base. Conheci o atual diretor-adjunto, André, no ato da minha demissão. Não houve interesse da atual direção de ao menos conhecer o profissional. Disputamos quatro vezes a Copa São Paulo, fizemos três finais e ganhamos dois títulos. Mas entendo e estou muito tranquilo em relação ao que aconteceu. Vida que segue”, disse Agnello ao blog.

Porém, o novo diretor de futebol amador afirma conhecer e admirar o trabalho do ex-coordenador. Só que a degola era inevitável por causa da contenção de gastos, diz o cartola.

“Ele é um baita profissional, foi uma pena a demissão. Fiquei chateado, mas não tem jeito. Temos que fazer uma redução de custos. Não é só o Corinthians, são todos os clubes, a crise financeira é no Brasil inteiro. E nem fui eu que decidi pela demissão. Ela já estava decidida pela diretoria anterior por causa da redução de despesas”, afirmou o Onofre.

Não é bem assim, segundo o ex-diretor de futebol amador, Fernando Alba, que pertence ao mesmo grupo político de seu sucessor. “Estava decidido o corte de despesas, mas eu não tinha tomado a decisão de demitir o Agnello. A redução poderia passar pela saída dele ou não. Eu iria analisar, como fiz nos outros anos também”, declarou Alba.

Por ter assumido o cargo a menos de uma semana, Onofre diz que não sabe de quanto será a redução de custos e nem se acontecerão outras demissões. Porém, as categorias de base já sofreram outras baixas por causa do aperto de cintos.

“Outros profissionais estavam preocupados com isso e procuraram clubes nas férias porque achavam que aconteceriam as demissões. Do Sub-17, saíram o técnico Rodrigo Leitão, o Pablo Bonavieri, argentino que era auxiliar dele, e o Odair Matheus, preparador físico. O Gustavo Moinho, preparador de goleiros do sub-13, também saiu. Eles conseguiram outros clubes e fizeram um acordo para sair”, contou Agnello.

O diretor da base corintiana confirmou que pelo menos um deles, Leitão, seria demitido de qualquer forma para o clube economizar dinheiro.

Mas até que ponto esse corte de despesas pode prejudicar o departamento responsável por formar os jogadores do Corinthians?

Onofre diz que não tem como avaliar porque ainda está tomando pé da situação. Por sua vez, Agnello tem a resposta na ponta da língua: ”Introduzir uma nova política, uma nova filosofia, sempre causa algum prejuízo porque a ideia é interrompida ou conduzida de outra maneira. Nas categorias de base, as mudanças provocam ainda mais prejuízos porque o ciclo de um jogador na base é de cinco anos. Se você muda tudo a cada dois ou três anos, fica difícil formar um jogador com grau de importância no futebol brasileiro”.

As torneiras se fecharam no alvinegro depois de a dívida do clube aumentar em R$ 45,7 milhões no ano passado. O débito chegou a R$ 313,5 milhões de acordo com dados apresentados ao Cori (Conselho de Orientação) do Corinthians.

 


Sem dia do Corinthians, Andrés quer aposentadoria em 20 anos para atletas
Comentários 80

Perrone

Depois de sucumbir às críticas e pedir a retirada do projeto de lei que assinava com o deputado federal Goulart (PSD-SP), Andrés Sanchez (PT-SP) apresentou nesta quinta uma nova ideia. O petista assinou projeto de lei complementar que estabelece critérios para a concessão de aposentadoria especial para atletas profissionais e semiprofissionais de alto rendimento.

O ex-presidente corintiano propõe que os atletas, incluindo jogadores de futebol, é claro, tenham direito à aposentadoria após 20 anos de trabalho e de contribuição previdenciária. Para gozar do benefício, eles precisam ter disputado campeonatos nacionais.

Na justificativa do projeto, Andrés argumenta que a Constituição só permite critérios especiais de aposentadoria para os trabalhadores que atuam em condições que prejudiquem a saúde e integridade física. Ele cita a série de lesões sofridas pelos atletas para pedir o tratamento diferenciado.

O deputado, superintendente de futebol do Corinthians, escreveu que no caso do futebol as contusões ainda trazem prejuízo de ordem financeira, “atingindo também o clube”.

No final de sua justificativa, que contém trechos específicos sobre jogadores de futebol, Andrés diz que o projeto visa corrigir injusta distorção. Alega que a carreira de atleta profissional é curta, o que torna razoável um período de contribuição previdenciária mais curto do que 35 anos para homens e 30 para mulheres.

 


Vitória do São Paulo tem recados velados para diretoria
Comentários 31

Perrone

A vitória por 4 a 0 do São Paulo sobre o Danubio foi marcada por recados dentro e fora do campo. Com dois gols e belas jogadas, Alexandre Pato avisou Muricy Ramalho e seus companheiros que podem confiar mais nele.

Na arquibancada, a torcida gritou o nome de Muricy no final do jogo, como se dissesse pra o presidente Carlos Miguel Aidar que ela vai ficar do lado do treinador se os dois colidirem.

Por sua vez, na beira do gramado, Muricy apontou escudo do clube, além de beijar o distintivo. Parecia mostrar para o atual presidente que ele não está do lado de Juvenal Juvêncio e nem de Aidar. Está com o clube.

Ficou também o recado para Corinthians e San Lorenzo: apesar da derrota na primeira rodada para o rival brasileiro, o São Paulo está vivíssimo na disputa por uma vaga na próxima fase da Libertadores


Família de Jadson salva Corinthians com torcida, agentes e no bolso
Comentários 16

Perrone

A família de Jadson talvez não saiba o tamanho do galho que quebrou para a diretoria do Corinthians ao votar pela permanência do meia no Brasil. A recusa do jogador em atuar na China impediu o enfraquecimento do time, evitou cobranças da torcida aos diretores e não deixou que os cartolas entrassem em atrito com os empresários do boleiro. Para tudo isso acontecer, o Corinthians nem precisou dar aumento para Jadson ou quitar as dívidas que tem com os agentes dele. Pelo menos não por enquanto.

Transferir o jogador para a China era a saída ideal para Bruno Paiva e seus sócios na Think Ball, a empresa que cuida da carreira de Jadson. Numa tacada só, eles ganhariam 70% do valor da transferência por terem essa fatia dos direitos econômicos de Jadson e ainda poderiam descontar do valor pago pelos chineses a quantia que o Corinthians deve a eles por outras operações. Como mostrou o UOL Esporte, dos R$ 16,3 milhões que o Jiangsu Sainty estava disposto a pagar pelo meia, o time paulista ficaria com apenas R$ 1,4 milhão por causa da quitação de impostos e dívidas com os agentes do atleta.

Como os mesmos agentes têm vários jogadores no elenco corintiano (Guerrero em situação de renovação ou saída está entre eles), Roberto de Andrade não quis briga com os empresários. Desde o início deixou claro que não colocaria obstáculos para a saída do meia. Até porque pouco poderia fazer, já que o Corinthians tem apenas 30% dos direitos econômicos e os chineses estavam dispostos a pagar a multa rescisória.

A única alternativa seria oferecer um novo contrato para Jadson, gastando o que o clube não pode. E abrindo precedente. Restou ao presidente alvinegro assumir a sua impotência no episódio e ficar exposto às críticas da torcida.

Porém, quando ele acreditava que Jadson já estava com as malas prontas, o jogador resolveu ficar, numa atitude tomada em boa parte por causa da vontade de sua família.

Assim, Andrade se livrou do problema sem precisar fazer esforço. E ainda pode dizer para os empresários do meia que o Corinthians não tem nada a ver com o fracasso da venda. O negócio só não deu certo porque o cliente dos agentes não quis. Melhor impossível para o presidente corintiano.

 


Liberar jogador por pouco ou nada é rotina no Corinthians. Confira 5 casos
Comentários 19

Perrone

Atualizado às 11h01

Ao anunciar a permanência de Jadson, o Corinthians impediu, ao menos por enquanto, que aumentasse  a coleção de casos em que jogadores vão embora do clube deixando uma pequena porcentagem do valor da venda ou nenhum centavo nos cofres alvinegros. Como mostrou o UOL Esporte, dos R$ 16,3 milhões que o Jiangsu Sainty estava disposto a pagar pelo meia, o time paulista ficaria com apenas R$ 1,4 milhão por causa da quitação de impostos e dívidas com os agentes do atleta.

Cinco episódios semelhantes foram analisados pelo blog. Para adquirir esse quinteto, o clube gastou cerca de R$ 15,7, milhões, contando também comissão a empresários numa das contratações. Só um desses atletas (Guilherme) rendeu dinheiro ao Corinthians: R$ 3,7 milhões. Ou seja, as negociações geraram um déficit de R$ 12 milhões, sem contar gastos com salários.

A situação é reflexo de apostas em atletas que deram errado e da política do clube de contar com empresários para trazer reforços e até pegar dinheiro emprestado com eles em troca de porcentagens de jogadores.  Confira abaixo.

Cléber – O zagueiro custou R$ 6 milhões a um grupo de empresários que comprou 80% dos direitos econômicos do ex-jogador da Ponte Preta, em julho de 2013. Cerca de um ano depois, ele foi vendido ao Hamburgo, da Alemanha, por R$ 9,3 milhões. O Corinthians não levou nenhum centavo. Pelo menos, também não colocou a mão no bolso para contratar o beque.

Douglas – Custou ao alvinegro R$ 3 milhões, no começo de 2012, quando estava no Grêmio. Voltou para o tricolor gaúcho no final do ano passado, de graça, pois seu contrato terminaria no início de 2015. O prejuízo aumenta se entrarem na conta os R$ 150 mil mensais que o time paulista pagava como parte do salário para o meia jogar pelo Vasco.

Élton – A aquisição do ex-vascaíno custou R$ 900 mil. Mas o Corinthians ainda pagou R$ 1,8 milhão de comissão para empresa dos agentes que cuidam também das carreiras de Jadson, Guerreiro e Douglas, entre outros atletas que jogam ou jogaram no alvinegro. Só com salários para o atacante vestir a camisa de outros clubes, o Corinthians gastou mais de R$ 4 milhões até que ele saísse de graça.

Ibson – Foi contrato em junho de 2013, após rescindir com o Flamengo. Ficou livre do contrato com o Corinthians em dezembro de 2014, saindo de graça. O alvinegro gastou pouco menos de R$ 200 mil mensais para o jogador defender o Flamengo.

Guilherme – 60% dos direitos econômicos do ex-jogador da Portuguesa custaram cerca de R$ 10 milhões em 2012. Em julho do ano passado, ele foi negociado com a Udinese, da Itália, por 4 milhões. Mas o Corinthians só teve direito a 1,2 milhão de euros (cera de R$ 3,7 milhões na ocasião). Isso porque a participação do clube nos direitos econômicos do jogador foi reduzida para 30%. Outros 30% tinham sido repassados ao braço esportivo do Banco BMG e à empresa do agente Giulliano Bertolucci. Os 40% restantes continuaram pertencendo a Dut´s Soccer como originalmente. Nem a diretoria de futebol na época da venda sabia da redução da fatia do clube. Os valores e a forma da negociação que diminuiu a participação corintiana não foram reveladas pelo clube.

 


Promotor faz desafio para Corinthians e torcida pagarem Itaquerão
Comentários 370

Perrone

Entrevista com o promotor Marcelo Camargo Milani, do Patrimônio Público de São Paulo e que entrou com ação alegando que foi ilegal a emissão dos Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) pela prefeitura em favor do Corinthians.

No processo, ele afirma que o ex-prefeito Gilberto Kassab feriu o princípio da moralidade ao sancionar a lei pela qual a prefeitura se compromete a emitir R$ 420 milhões em Cids para serem negociados pelo clube. Os compradores podem usar os títulos para quitar parte de seus impostos. Assim, o munícipio deixa de arrecadar R$ 420 milhões para que o Corinthians consiga pagar parte dos gastos pela construção de seu estádio.

Leia abaixo a conversa com o promotor.

O que acha de o Corinthians culpar a sua ação contra a emissão dos Cids pelo fato de ainda não ter conseguido vender esses títulos (falta a emissão de mais R$ 15 milhões)?

Estão me criticando por fazer o meu trabalho? Eles não conseguem vender os Cids? Paciência. Isso é uma cortina de fumaça para distorcer a dificuldade deles de administrar recursos. Tenho uma sugestão. Por que o presidente do Corinthians (Roberto de Andrade) não compra os Cids? Por que ele não chama toda a diretoria dele para comprar? Por que ele não pede pra torcida comprar? Não existe tanto corintiano cheio de dinheiro? Por que eles não compram os Cids?  Não é legal ter estádio? Então que comprem os Cids para pagar o estádio.

Se o senhor falar isso pra o presidente do Corinthians, ele vai dizer que ninguém vai comprar porque sua ação pode tornar os Cids sem valor.

Se ele tem esse medo, é porque reconhece que a minha ação é correta. A emissão dos Cids é ilegal, e acredito que a Justiça vai entender dessa forma.

Quanto tempo deve levar até a decisão final da Justiça?

Impossível dizer. A ação ainda está na fase de contestação. Os réus (entre eles Corinthians, a Odebrecht e o ex-prefeito Gilberto Kassab) têm que apresentar a contestação. Está andando, mas vai demorar porque qualquer que for o resultado cabe recurso. Vai levar anos.

Existe alguma chance de o senhor retirar a ação que contesta a legalidade dos Cids emitidos em favor do Corinthians?

Não existe nenhuma possibilidade de acordo para retirar uma ação de improbidade, não tem como interromper, seria ilegal.

Qual sua opinião sobre o Corinthians sugerir um projeto de lei para permitir que a prefeitura compre os Cids que ela emitiu?

Seria ilegal. O prefeito Fernando Haddad não vai querer fazer isso.

O Corinthians diz que sem o dinheiro dos Cids a dívida com a Odebrecht se torna insustentável e que se a situação não for resolvida pode ter dificuldade até para contratar jogadores.

Paciência. A prefeitura não pode colocar dinheiro público em clube privado. É ilegal, e se ela se preocupar com o time do Corinthians, todos os clubes vão querer ajuda. Vai aparecer clube pedindo dinheiro para reformar a piscina. E que lucro a prefeitura teve até agora com o estádio em Itaquera?

O Corinthians diz que ela lucrou com os jogos da Copa do Mundo na cidade.

Lucrou? Quanto? O que sei é que até agora a prefeitura não teve prejuízo porque eles não conseguiram vender os Cids.


E-mails revelam conflito entre cartolas que ameaça futebol do São Paulo
Comentários 17

Perrone

De um lado, o cartola que conduz o departamento de futebol do São Paulo com pulso firme. Do outro, o dirigente mais ouvido pelo presidente do clube, Carlos Miguel Aidar. Essa queda de braço entre Ataíde Gil Guerreiro, vice de futebol, e Douglas Eleutério Schwartzmann, vice de comunicações e marketing, aumenta ainda mais a tensão em volta do time são-paulino.

A dupla já vinha se estranhando até que uma troca de e-mails entre dirigentes e conselheiros do clube no dia 11 de fevereiro se transformou num dos capítulos mais apimentados dessa história.

A lavagem digital de roupa suja começou às 11h53, quando Ataíde enviou e-mail para seis cartolas com o objetivo de marcar uma reunião para tentar selar a paz entre Juvenal Juvêncio e Aidar. Apesar de a mensagem ser intitulada de pacificação, o vice de futebol fez algumas críticas aos colegas, enquanto justificava discurso em que mencionou o sexteto em reunião do Conselho Deliberativo.

Para o vice de  comunicações, sobrou o seguinte disparo: “O Douglas necessita parar com mania de perseguição, quando o menciono é porque todos nós reconhecemos que ele é o dirigente de maior influência com o presidente e pode perfeitamente, com a presença constante, acalmar os ânimos belicosos”.

Às 21h35, Douglas respondeu ao vice de futebol dizendo que “não tenho mania de perseguição, o senhor [Ataíde] é que não entende que o SPFC é uma coisa só, Cotia, Barra Funda e o Morumbi são uma gestão só, não crie republicas!”.

Procurado, Douglas negou que tenha escrito o e-mail ao qual o blog teve acesso. Porém, confirmou que o endereço do destinatário da mensagem citada por este blogueiro é o dele. “Não sei do que você está falando, não recebi e-mail do Ataíde e nem escrevi para ele. Nunca briguei com o Ataíde, e o São Paulo não precisa de pacificação porque não está em guerra”, disse Douglas. Por sua vez, Ataíde não atendeu às ligações feitas entre 17h02 e 21h06.

Porém, outros dois destinatários das mensagens confirmaram a veracidade da troca de correspondências lida pelo blog.

Ataque e contra-ataque registrados nos e-mails escancaram o problema central do relacionamento entre os cartolas graúdos. Ataíde é tido como um dirigente centralizador, que não admite interferências no comando do futebol. Na outra ponta da corda, Douglas é descrito por outros dirigentes como um cartola que gosta de dar sugestões para Aidar em todas as áreas, o que atinge o território de Ataíde.

A ameaça do fogo amigo ao departamento de futebol são-paulino foi citada na resposta de Rui Stefanelli, conselheiro do grupo de Juvenal, também convidado por Ataíde para a reunião. Ele respondeu que aceita o convite e que gostaria de falar a respeito de vários assuntos, como “sobre os rumores de uma eventual tentativa de interferência no setor do futebol profissional e de base. Sobre desavenças e brigas de ego dentro da atual diretoria”.

Na resposta a Ataíde, Douglas afirmou que não tem poder de influenciar as decisões de Aidar. “Não tenho influência nenhuma sobre o presidente, nem eu nem você e nem ninguém. Você o conhece há tempo e sabe, ou deveria saber, que ele não é influenciável. Não achei legal esse seu parágrafo. Tenho, é verdade, a confiança dele, mas por dois motivos simples, pela minha dedicação ao SPFC e responsabilidade aos compromissos que assumi como diretor e agora vice, e pela lealdade e transparência que tenho com ele, que você deveria conhecer pelo meu DNA!”, escreveu Douglas.

Outro motivo para a troca de tiros entre os dois vices é a maneira como cada um encara o duelo entre o atual e o ex-presidente. Ataíde quer que Douglas ajude a pacificar o clube. Enquanto isso, o vice de comunicações pede para seu colega engrossar a tropa de defesa de Aidar.

Em outro trecho de seu e-mail, Douglas diz: “E só para lembrá-lo, estou pedindo a sua ajuda já faz alguns meses para que o senhor use sua credibilidade e firmeza na fala que sempre faz no conselho, não só para falar de futebol, disso e daquilo, mas que realmente assumisse uma postura política e defendesse a gestão que o senhor faz parte”.

Até a contratação do argentino Centurión, com a ajuda de Vinícius Pinotti, empresário e torcedor do clube, entrou na dança. “Estou sempre à sua disposição como amigo, conselheiro e como vice de marketing porque nós dois temos que estar alinhados. Já lhe disse isso várias vezes. Por isso, o Centurión deu certo. Não se esqueça que foi viabilizado pelo marketing e, particularmente, por mim como você bem sabe. Atendi sua ligação no meio do deserto da Califórnia, pus o rapaz direto com você e o presidente e dei a ele a tranquilidade, garantia e confiança que o senhor merece”, escreveu Douglas no mesmo e-mail.

A ideia de Ataíde quando disparou a primeira mensagem era de que os seis cartolas colocassem para fora todas as críticas que um lado tem a fazer do outro numa reunião. Depois, levariam uma proposta de paz para Aidar e Juvenal. Além de Douglas e Stefanelli, o e-mail do vice de futebol foi enviado para Júlio Casares, vice-presidente do clube, Francisco Manssur e Roberto Natel, conselheiros e aliados de Juvenal Juvêncio, e Leonardo Serafim, conselheiro com bom trânsito na diretoria.


Prefeitura de SP se sente pressionada pelo Corinthians a agir fora da lei
Comentários 211

Perrone

A nota emitida na última sexta pelo Corinthians com ataques a Fernando Haddad foi interpretada na prefeitura de São Paulo como uma tentativa de forçar o município a agir fora da lei para ajudar o clube.

O entendimento é de que os cartolas voltaram a pressionar a prefeitura para comprar os Cids (Certificados de Incentivo de desenvolvimento) que ela emitiu para o Corinthians vender e pagar parte dos gastos com a construção de seu estádio. Porém, Haddad e sua equipe consideram que a compra dos documentos seria ilegal, por isso nem querem ouvir falar nessa possibilidade.

O blog procurou a assessoria de imprensa do clube para ouvir o presidente Roberto de Andrade sobre o assunto, mas as ligações não foram atendidas.

De acordo com o Blog do Rodrigo Mattos, no ano passado, o Corinthians chegou a sugerir que fosse feito um projeto de lei autorizando a prefeitura a pagar pelos Cids, mas o prefeito rechaçou a ideia.

O problema acontece porque o clube não consegue vender os certificados. Os compradores teriam direito de usar os papéis para pagar parte dos seus impostos. Porém, na avaliação da direção alvinegra e também da prefeitura, ninguém quer comprar os documentos porque uma ação no Ministério Público questiona a legalidade dos Cids em favor do Corinthians.

No comunicado divulgado na semana passada, Andrade reclamou que o clube ainda não viu a cor do dinheiro dos Cids e culpou o prefeito Fernando Haddad. Só que a prefeitura não tem a obrigação de negociar os papéis. A parte dela é emitir certificados no valor de R$ 420 milhões. Faltam R$ 15 milhões para completar esse montante. Eles devem ser liberados até o fim do mês.

O argumento defendido pelo Corinthians na nota oficial é o mesmo que a Odebrecht, construtora da arena, tem usado para se defender na briga nos bastidores com o clube. Os corintianos reclamam de atrasos na finalização da obra e de que no lugar de usar materiais sofisticados a empresa instalou componentes mais baratos em muitos pontos do estádio.

Nas reuniões entre as partes, a Odebrecht alega que foi atrapalhada pela falta de recursos, principalmente pela não conversão dos Cids em dinheiro. Andrade legitimou o argumento da construtora.