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Opinião: Felipão não aprendeu com 7 a 1. Ou finge que não
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A resposta de Felipão em entrevista para a Folha de S.Paulo, neste domingo, sobre os 7 a 1 na semifinal da Copa de 2014 insulta o poder de análise do torcedor brasileiro, dos jornalistas que cobriram a seleção no Mundial e o futebol alemão.

Ao insinuar que a sorte foi importante para os alemães vencerem, Scolari mostra que não aprendeu nada com o massacre ou finge não entender o acontecido.

Entre as pérolas, o técnico insinuou que os alemães foram sortudos com um gol de pé esquerdo de quem chuta de direita (isso não seria mérito, treinamento? Que diferença faz um gol nessa goleada?) e que o Brasil foi azarado por não ter Neymar, contundido, e Thiago Silva, suspenso (com os dois em campo estariam eliminadas todas as falhas técnicas e táticas?). O treinador também esboçou reclamar de erros individuais ao dizer “perdemos umas bolas ali que…”, ignorado problemas de posicionamento que poderiam ter sido corrigidos nos treinos.

Com seu discurso, Scolari não reconhece a melhor preparação alemã, feita na Bahia, com temperaturas semelhantes às enfrentadas nos jogos, enquanto o Brasil saiu do frio de Teresópolis por duas vezes para atuar no calor de Fortaleza, por exemplo.

Felipão não cita a bagunça que foram os treinamentos de seu time, com direito a interrupção para gravação de programa de TV e invasão de torcedores. Não reconhece o erro de insistir com Fred, isolado no ataque ou que seu discurso motivacional para nada serviu. Pelo contrário, sobraram jogadores com nervos em frangalhos.

Quase três anos depois da tragédia, ele também não admite que faltou conhecimento da comissão técnica brasileira sobre os rivais, principalmente em relação aos alemães.

Felipão, seus assistentes e a diretoria da CBF erraram feio durante a Copa toda, e a conta foi paga no Mineirão. Ou seja, não teve nada de sorte ou azar na goleada histórica.

Apesar das falhas grosseiras e da falta de humildade, Scolari, comandante do pentacampeonato em 2002 com um trabalho excelente, como tantos outros feitos por ele em clubes brasileiros, não merece ser lembrado como um idiota por causa do desastre de 2014. Mas também não é justo que ele faça os outros de idiotas contando uma história que não aconteceu.


Relator do Profut instiga clubes a encarar CBF na Justiça, mas falta união
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Relator do Profut, lei responsável por refinanciar as dívidas fiscais dos clubes, o deputado Federal Otávio Leite (PSDB-RJ), instiga os dirigentes a entrarem na Justiça para anular a assembleia que mudou o estatuto da CBF na última quinta. Porém, mesmo indignados por não terem sido chamados para participar do encontro, atitude ilegal segundo o tucano, os cartolas não se mobilizaram até agora para tentar anular nos tribunais o encontro que deu poder maior de voto para as federações em relação às agremiações .

Alguns dos principais cartolas do país são céticos em relação às chances de anular a assembleia, como sugere o deputado, e apontam, reservadamente, falta de união entre os clubes para isso.

“Folha que caiu da árvore não volta mais”, disse ao blog Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, resumindo o sentimento de quem não tem esperanças de ver a decisão da CBF ser modificada, apesar de não ter gostado da atitude da entidade de não convocar os clubes. O blog conversou com ele e outros dirigentes antes da sugestão do deputado para entrarem na Justiça e nenhum deles aventou essa possibilidade.

Daniel Nepomuceno, presidente do Atlético-MG, nem entrou na discussão sobre o fato de os clubes não terem sido convocados. Extremamente descontente com a situação, ele critica duramente o peso diferenciado dado à participação de federações e clubes nas próximas eleições da CBF. O voto delas terá peso três, os das equipes da Série A terão peso dois e os da Série B um. Antes, só votavam entidades estaduais e times da primeira divisão com pesos iguais. Mas o Profut mudou a Lei Pelé e incluiu os clubes da Série B no colégio eleitoral, evitando que as federações fossem maioria. Porém, a confederação manteve o poder nas mãos delas com a reforma estatutária.

“A CBF criou critérios distintos. Clubes das Séries A e B têm votos com pesos diferentes. E os da C nem votam. Mas federações com times só na Série C ou nem na C têm o mesmo peso das federações com equipes na primeira divisão. Clube pobre não tem voz, mas federação pobre tem”, disparou o presidente do Galo.

Ele também contesta o fato de entidades que não representam agremiações que estejam nas Séries A e B terem voto mais “pesado” do que equipes da elite. “Quem paga o futebol brasileiro tem peso menor”, disse o atleticano.

Outro que está contrariado é Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo. “Não concordo (com a mudança e a maneira como ela foi decidida). O espírito do Profut, que deu poder de voto aos clubes da Série B era no sentido de clubes e federações terem igual poder de voto”, declarou Bandeira.

Se quiserem comprar a briga, os cartolas terão Leite como aliado. “A assembleia foi ilegal e teve o objetivo de manter o status quo que é pré-histórico. O direito dos clubes de participar da assembleia é líquido e certo. No meu entender cabe a eles se insurgir politicamente e juridicamente contra essa situação”, disse Leite ao blog.

Ele afirma já estar se movimentando para tentar anular a assembleia. “Como relator do Profut não vou aceitar esse retrocesso. Estou em contato com a consultoria da Câmara para estudar o que pode ser feito”, afirmou.

O parlamentar sustenta a irregularidade da assembleia com os artigos 22 e 22 A da Lei Pelé modificados pelo Profut. Além de incluir os clubes da Série B no colégio eleitoral, ele diz que a “os votos para deliberação em assembleia e nos demais conselhos das entidades de administração do desporto serão valorados na forma” do artigo que determina a participação dos times das duas principais divisões no colégio eleitoral. Ou seja, com a inclusão dessas agremiações na assembleia que alterou o estatuto na interpretação do relator do projeto de lei.

Outro lado

Procurado, Walter Feldman, secretário-geral da CBF, não respondeu sobre a acusação de irregularidade afirmando que o departamento de comunicação da entidade já estava em contato com o blog. Porém, nenhuma resposta foi enviada até a publicação deste post. Ao Blog do Rodrigo Mattos, Feldman havia defendido a não convocação dos clubes para a assembleia administrativa sustentando que isso não está previsto nas regras.

 


Fundo da Arena Corinthians é advertido ao ferir regra de saúde trabalhista
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O Arena Fundo de Investimento Imobiliário, responsável pelo estádio do Corinthians, foi advertido pela prefeitura por não cumprimento da legislação relativa à saúde do trabalhador e pode ser multado se não regularizar a situação.

Publicação feita no Diário Oficial de São Paulo no último dia 14 fala apenas em omissão sem detalhar a irregularidade identificada pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da região da Zona Leste.

Procurada, a assessoria de imprensa da Secretaria da Saúde enviou nota ao blog explicando que o Arena Fundo foi advertido por não cumprimento de legislação e foi dado prazo de 20 dias para a falha ser sanada.

“O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CRST) Leste esclarece que a advertência aplicada ao Arena Fundo de Investimento se deu por não cumprimento de legislação, o que pode ser relacionado com documentos que não foram entregues, não cumprimento do prazo de entrega ou ainda entrega de documentos em desacordo com o exigido em lei. A advertência não tem relação com riscos aos trabalhadores. A Arena Fundo tem 20 dias, a contar da data de publicação em Diário Oficial, para entregar os documentos sob pena de aplicação de multa a ser calculada”, diz a nota.

Já a assessoria de imprensa do Corinthians responsável pelo estádio não respondeu ao blog até a publicação deste post. Os representantes do fundo não foram localizados para falar sobre o assunto.


Manutenção da Arena Corinthians custa aproximadamente o dobro do previsto
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O custo de manutenção da Arena Corinthians é aproximadamente o dobro do previsto incialmente pelo clube. O blog apurou que no plano original de negócios feito pelo alvinegro a estimativa era de uma despesa anual de R$ 15.400.000. Porém, no ano passado o gasto fixo com manutenção foi por volta de R$ 35 milhões. Foram R$ 2,9 milhões mensais em média.

Só para pagar a Tejofran, empresa que cuida da manutenção, é desembolsado R$ 1,5 milhão por mês, ou R$ 18 milhões anuais. Apenas esse item já supera a projeção feita inicialmente.

Conforme mostrou o UOL Esporte, atualmente o gasto médio mensal é de cerca de R$ 2,5 milhões, o que gera despesa de R$ 30 milhões em um ano.

No plano original, o Corinthians usou como base de comparação o Pacaembu, estádio que alugava e que tem sua manutenção paga pela prefeitura. Anotou na ocasião que o gasto para manter o local era de R$ 10 milhões. Assim, previa uma despesa pouco superior a 50%  para cuidar de uma arena maior e mais complexa.


Em dois meses, Marlone vai de jogador de mais de R$ 10 mi a moeda de troca
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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

No começo do ano, o Atlético-MG ofereceu 3 milhões de euros (cerca de R$ 9,9 milhões na cotação atual) por Marlone com pagamentos em parcelas semestrais. O time paulista bateu o pé para receber o montante à vista e o negócio não foi feito. Os corintianos ficariam com a metade do valor, pois possuem 50% dos direitos econômicos.

Na noite desta segunda, ficou bem encaminhada a troca do meia pelo atacante Clayton, do Galo. Os dois empréstimos serão sem cobrança em dinheiro.

Procurado pelo blog para explicar o motivo de agora o Corinthians aceitar emprestar sem dinheiro na negociação um jogador que não vendeu recentemente por 3 milhões de euros, o diretor de futebol Flávio Adauto não respondeu à mensagem enviada.

Porém, alguns fatos são claros. No começo do ano, a maior parte da Fiel era contrária à saída de Marlone, visto como uma das esperanças da torcida num momento em que o time não tinha contratado nenhum reforço de peso, ficando atrás dos rivais. Os torcedores ainda reclamavam de a equipe não ter conseguido vaga na Libertadores deste ano.

Além disso, o presidente Roberto de Andrade sofria um processo de impeachment. Nesse cenário, tomar uma medida impopular como vender um jogador importante sem conseguir um reforço notável seria arriscado.

O tempo passou, o alvinegro apresentou Jadson como sua principal contratação, aos poucos Marlone perdeu espaço no time e a torcida se esqueceu dele. O Galo continuou interessado no atleta, o Corinthians quer um atacante veloz (característica de Clayton) para dar mais poder de fogo ao seu econômico ataque e para Marlone é uma boa jogar onde terá mais espaço. Clayton também deve ter melhores oportunidades em São Paulo. Esse cenário deixou o negócio perto de ser concretizado.

Do lado mineiro, a negociação envolve um jogador que foi alvo de investimento considerável e agora é usado como moeda. Clayton foi comprado no ano passado junto ao Figueirense por 3 milhões de euros, mas hoje está longe de render o que o Galo esperava.


Diretoria do São Paulo “absolve” Ceni por defesa frágil e time irregular
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Pelo menos no discurso, a diretoria do São Paulo “absolve” Rogério Ceni pelo fato de a equipe exibir a defesa mais vazada do Campeonato Paulista, com 18 gols e por realizar campanha irregular na temporada.

Os argumentos são que o treinador sofre com contusões de jogadores e já acertou o ataque do time, líder de seu grupo no Estadual. O ajuste na defesa virá com o tempo, na opinião de dirigentes. Apesar de alguns tropeços, como o empate em por um gol em casa com o Ituano, os cartolas seguem elogiando o técnico, principalmente pelo que consideram modernos métodos de treinamento.

No quesito lesões, Ceni não pode contar na última partida com Sidão, Maicon, Wesley e Rodrigo Caio, que também estava suspenso.

Na contramão dos elogios feitos pela direção, alguns conselheiros situacionistas criticavam levemente o treinador no Morumbi logo após o jogo com o Ituano. Além do fraco futebol apresentado pelo time, apontavam que ele errou ao improvisar Jucilei na zaga no segundo tempo, tirando Douglas.


Como está a fiscalização dos clubes do Profut?
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Formalizada em janeiro de 2016, a Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) fez sua primeira reunião plenária na última segunda-feira. Entre outras medidas, foi analisado o processo de fiscalização dos clubes que aderiram ao Profut, a lei que refinanciou dívidas fiscais das agremiações. Foi criado um grupo de trabalho sobre o tema. A entidade assegura que já trabalha para fiscalizar as agremiações.

“Mapeamos todos os participantes, estamos levantando os dados deles juntos aos órgãos federais e buscando os estatutos de cada um para ver quem está cumprindo ou não (as regras)”, disse em entrevista ao blog o presidente da Apfut, Luiz Mello.

Segundo ele, aderiram ao programa 137 entidades esportivas de 22 Estados. Entre eles estão 17 times da Série A, 12 da B, 11 da C e 5 federações.

Até agora ninguém foi punido por dois motivos: o levantamento de dados não terminou e a ideia neste momento é auxiliar os clubes que têm até o final do ano para se adaptar.

“Nossa intenção é que esse programa seja um sucesso. Mudanças grandes sempre geram dúvidas. Nosso papel é fiscalizar, mas é também ajudar as entidades, principalmente as menores, a se adaptarem. Não adianta começar excluindo (as agremiações). Neste momento temos que colaborar para que a cadeia (esportiva) funcione bem” declarou Mello.

Uma das dificuldades na fiscalização é a falta de padrão nos balanços feitos pelos clubes. Por isso, a Apfut pretende lançar um manual para que todos sejam padronizados.

Outro tema tratado com relevância é definir o que é antecipação de receita. Um grupo de discussão com as presenças de Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, e Modesto Roma Júnior, do Santos, foi criado para abordar o assunto.

As dúvidas principais são se luvas e bônus de contratos e dinheiro de venda de jogador que só é liberado no semestre seguinte podem ser considerados antecipação de receita. O Profut classifica como gestão irregular antecipações de verbas das próximas gestões, a menos que elas não superem 30% do montante referente ao primeiro ano do mandato seguinte ou se o dinheiro for usado para redução de dívida.


Opinião: diretoria corintiana errou na reação às críticas de Cristian
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A diretoria do Corinthians voltou a errar de maneira grosseira na opinião deste blogueiro. Agora no caso Cristian.

O volante não tem mais bola para jogar no clube. Virou peso morto e, no que parece ter sido uma atitude de desespero, atacou a direção em entrevista ao Lance! Pronto. Os cartolas morderam a isca e perderam a razão. Anunciaram o afastamento do jogador após serem criticados publicamente. Tentaram disfarçar muito mal. Flavio Adauto disse que a medida não foi em função de entrevista específica. Afirmou também que a decisão foi tomada depois de uma conversa com o jogador na qual o atleta teria ouvido os motivos e também que não era o momento de relembrar fatos ocorridos há três meses como uma bomba e apontando uma falha do Corinthians que não tinha existido.

Como, então, acreditar que o afastamento não tem a ver com a entrevista? Difícil.

Os argumentos de Cristian de que a diretoria teria demorado para dizer que ele não seria aproveitado e que não colaborou no episódio do sumiço de sua aliança na Flórida eram insignificantes.

Se soubesse antes que não jogaria o Paulista, ele arrumaria outro clube para ganhar o salário espetacular que ganha no alvinegro? Não. O Corinthians tem poder de polícia para solucionar o mistério da joia sumida? Não. Então, a direção só tinha que responder a eventuais perguntas sobre o caso com sobriedade e seguir a vida.

Mas preferiu tomar uma atitude autoritária, fez uma censura que não combina com o currículo de Adauto, jornalista que atuou por muito tempo em veículos renomados. Além de parecer uma ação tomada nos anos 1970 em plena ditadura militar, a decisão dos cartolas transforma em vítima um jogador que a Fiel não tolera mais no elenco. Pior, não será surpresa se Cristian for à Justiça alegando que está sendo impedido de trabalhar por falar o que pensa e tentar uma rescisão mais vantajosa para ele do que se fizesse um acordo para deixar o clube ou se tiver que cumprir rigorosa rotina de treinos até o fim do compromisso. Se bobear, o jogador ainda pede uma indenização por danos morais.

Ou seja, Adauto e Alessandro conseguiram se complicar num caso que estava resolvido. Era só deixar o volante provar nos treinos que merecia nova chance.

Não é a primeira lambança. Lembra do diretor de futebol minando a iniciativa do clube de contratar Drogba? E da negociação desfeita com Pottker após lembrar que se ele jogasse na Copa do Brasil pela Ponte Preta não poderia mais atuar na competição pelo Corinthians? E de Moisés, relacionado para a estreia na Copa do Brasil, mesmo suspenso? Por pouco não atuou de forma irregular.

São vários os indícios de que há dose venenosa de amadorismo na administração do futebol corintiano, mas o presidente Roberto de Andrade nada vê.


Palmeiras vira exemplo para Corinthians ir à Justiça contra Odebrecht
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O Corinthians corre o risco de perder o prazo para reclamar da Odebrecht na Justiça por eventuais problemas em sua arena, segundo o conselheiro e advogado Heroi João Paulo Vicente, crítico da atual administração. O alerta à direção foi feito por ele em forma de cobrança num requerimento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger. No documento, ele indaga à diretoria por qual motivo o clube ainda não entrou com uma ação contra a construtora e pergunta qual o cronograma de ações da direção para resolver problemas no estádio e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos.

Para reforçar a necessidade de rapidez, Heroi cita o exemplo do Palmeiras, que acionou uma câmara de arbitragem e ganhou disputa pelas cadeiras de sua arena contra a construtora WTorre.

“… por infortúnio, largo lapso de tempo vem perpassando sem que qualquer postura judicial seja adotada para resguardo formal dos interesses do Sport Club Corinthians Paulista. Caso não seja essa a situação, queira por gentileza apontar quais medidas obstativas da prescrição e decadência (do prazo para reclamar na Justiça) foram adotadas. Atento à realidade contextualizada do desporto, lamentavelmente consta-se que a rival Sociedade Esportiva Palmeiras não hesitou em buscar solução aos conflitos de sua própria arena na seara adequada, já inclusive tendo obtido resultado favorável!”, escreveu Heroi, dirigindo-se ao presidente do conselho.

Ele também cita post publicado pelo blog sobre a entrega da auditoria relativa à engenharia e arquitetura da arena feita pelo escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva ter sido adiada em mais um mês.  O conselheiro pede para que o clube não espere pelo resultado do trabalho e busque na Justiça uma medida cautelar de produção de provas para comprovar se a Odebrecht não executou serviços previstos no contrato ou se existem obras que precisam ser refeitas. A construtora alega que cumpriu o contrato e que deixou de realizar trabalhos avaliados em cerca de R$ 40 milhões por causa de um estouro no orçamento.

“Como já exposto, há fundado receio de que os prazos de garantia por parte da construtora sejam expirados ou que não seja mais possível a propositura de uma eventual ação estimatória (para reclamar de defeitos) …”, afirma o conselheiro em outro trecho.

Ele não explica qual o prazo para a prescrição. De acordo com a legislação, varia dependendo do problema. Há casos em que vence um ano após a entrega efetiva do imóvel. Porém, enquanto a Odebrecht considera a obra completa e entregue, o Corinthians ainda não assinou o termo de aceite. O clube espera o resultado da auditoria para saber que atitude tomar.

Heroi pede para que o presidente do Conselho pergunte à direção e à diretoria jurídica qual o prazo final considerado para ajuizar eventuais ações indenizatórias, de abatimento de preço ou rescisão e por qual motivo ainda não foi proposta uma ação cautelar antecipatória com pedido de produção de provas e concessão de tutela de urgência contra a Odebrecht.

No requerimento ele também faz um protesto formal contra a diretoria, especialmente em relação ao presidente Roberto de Andrade, por não entregar uma série de documentos pedidos por conselheiros. O blog teve acesso a uma lista de pedidos feitos pelo opositor Romeu Tuma Júnior sem resposta. A não entrega de papéis solicitados por membros do conselho foi um dos argumentos usados para a tentativa frustrada de impeachment de Andrade. A assessoria de imprensa do dirigente não respondeu à pergunta feita pelo blog no último dia 3 sobre documentos requisitados por Tuma Júnior.

“Na verdade é totalmente impossível aferir qual a extensão dos direitos do clube que foram vulnerados, porque, conforme visto alhures, nenhum documento fora disponibilizado aos conselheiros solicitantes”, escreveu Heroi.

Procurado pelo blog, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano afirmou que encaminhará os pedidos do conselheiro para Andrade.


Como Paulo Nobre sumiu do mapa palmeirense
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Como presidente Paulo Nobre ajudou o Palmeiras a conquistar uma Copa do Brasil, a voltar a ser campeão brasileiro após 22 anos, a vencer uma importante disputa com a WTorre relativa ao estádio alviverde e emprestou cerca de R$ 200 milhões ao clube. Mesmo com esse currículo, três meses após deixar o cargo ele está praticamente fora do mapa político alviverde.

O ex-mandatário se licenciou do Conselho Deliberativo e do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) e vê seu grupo, o Academia, perder musculatura.

A rapidez com que o ex-dirigente sumiu do cenário é fruto de uma série de acontecimentos que envolvem o desejo não realizado de continuar envolvido com o departamento de futebol, a pouca bola que ele dava para conselheiros enquanto estava no poder, a eleição do casal dono da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas) para o Conselho Deliberativo, o poder do ex-presidente Mustafá Contursi e a frustrada expectativa em relação à chegada de um novo investidor/patrocinador com mais dinheiro do que os atuais.

A situação de Nobre teria sido diferente se a vontade expressada por ele enquanto ainda estava no poder tivesse sido atendida. O blog apurou que, durante a montagem da chapa que elegeu Maurício Percivalle Gagliotte, ele foi indagado sobre o que gostaria de fazer se participasse da nova gestão. Respondeu que só participaria se fosse para ficar próximo ao departamento de futebol. Não como diretor, mas de maneira ativa. O nome do cargo não foi discutido e nem o convite veio.

Segundo pessoas próximas a ele, o fato de não ter sido chamado é só um pequeno ponto de chateação com o sucessor, eleito após sua indicação. O caminho que levou ao isolamento voluntário de Nobre começou a ser trilhado antes, no início de seus atritos com a Crefisa.

Depois do conflito causado pelo fato de o clube ter autorizado a Adidas a produzir uma camisa comemorativa com a marca da Parmalat sem consultar os patrocinadores atuais, Nobre designou Gagliotte para fazer a ligação com os donos da Crefisa. O então vice-presidente passou a apagar incêndios e a conquistar a confiança dos empresários.

Ao mesmo tempo, Mauricio também era mais atencioso com conselheiros que não se sentiam atendidos pelo presidente. O vice, que já era afinado com o ex-presidente Mustafá Contursi, ganhou tamanha simpatia no clube que ficou inviável a candidatura de outro vice-presidente, Genaro Marino. O segundo nome é considerado mais fiel a Nobre, tanto que ficou ao seu lado no episódio da tentativa de impedir a candidatura de Leila Pereira ao conselho. Se ele tivesse sido eleito, provavelmente o status do ex-presidente hoje seria outro e ele participaria da administração.

De acordo com três conselheiros e um membro da atual diretoria, o relacionamento frio de Nobre com os integrantes do conselho dificultou sua missão de tentar fazer com que a eleição de Leila fosse impugnada pelo órgão. Enquanto estava sentado na cadeira de presidente, ele praticamente não fazia política. Conselheiros se queixavam que suas sugestões e pedidos eram ignorados pelo presidente. Então, no momento em que ele resolveu peitar Mustafá, que apoiava o casal de patrocinadores, deram o troco deixando de estender a mão ao ex-presidente.

O cheiro de derrota era tão grande que Nobre nem apareceu à votação sobre a impugnação defendida por ele. Leila ganhou com facilidade, e os apoiadores do ex-presidente ficaram chateados por ele não atender ao pedido para comparecer à reunião.

Último a saber?

A candidatura de Leila está no centro do racha de Nobre com seu sucessor e ajuda a explicar o afastamento do ex-presidente.

Segundo gente próxima a Nobre, o ex-dirigente se sentiu traído por que só teria ficado sabendo em novembro que Mustafá protocolou a carta na qual afirmava ter dado em 1996 o título de sócia do Palmeiras para Leila e que assegurava a ela o direito de ser candidata ao Conselho Deliberativo e de votar na última eleição. A mensagem teria sido recebida em fevereiro por José Eduardo Luz Calliari, diretor financeiro e eleito no mês seguinte conselheiro vitalício. Galiotti rapidamente teria sido informado, mas não teria repassado a informação ao presidente.

Por essa versão, Nobre só soube no fim de seu mandato o que sustentava a candidatura de Leila. Por isso, vetou o nome dela como candidata apenas quando se preparava para tirar a faixa presidencial. Antes disso, só teria ouvido de Mustafá sobre o projeto para a dona da Crefisa ser candidata, respondendo que não tinha nada contra, desde que fosse de forma legal. Depois, não teria ouvido mas sobre o assunto.

Também de acordo com o grupo de Nobre, ao tomar conhecimento da carta, ele encomendou um parecer ao departamento jurídico do clube que foi contrário à candidatura da empresária. A alegação é de que o título que teria sido dado em 1996 nunca foi registrado por ela, assim não tem valor. É adicionada a essa sustentação a informação de que a empresária comprou um título em 2015.

Porém, aliados de Mustafá têm versão diferente. Afirmam que em fevereiro Nobre concordou com a candidatura de Leila e que soube da existência da carta pouco depois de ela ser protocolada. Declaram que ele ficou calado para não perder o apoio do ex-presidente e só se manifestou quando estava deixando o cargo.

Mais dinheiro do que a Crefisa?

A missão de barrar a candidatura de Leila se tornou impossível porque ninguém no clube queria pensar na possibilidade de perder os milhões vindos da Crefisa e da FAM. Segundo três conselheiros e dois membros da diretoria, Nobre chegou a acenar com um investidor que seria mais endinheirado do que o casal. Quatro dos ouvidos falam que a estimativa era de que fossem injetados R$ 800 milhões no clube. Um deles, ligado ao ex-presidente, nega o valor, mas admite que havia a possibilidade de o dirigente trazer um patrocinador chinês, só que o negócio não avançou.

Futuro

Hoje, Nobre é descrito por conselheiros como magoado e totalmente avesso à ideia de voltar a fazer parte da política palmeirense, diferentemente de outros presidentes, como Mustafá Contursi, Affonso Della Monica e Arnaldo Tirone. Mas tanto adversários como os poucos aliados que sobraram não descartam que ele retorne no momento em que as condições forem menos adversas.

Procurados pelo blog, Nobre e Maurício não quiseram se manifestar. Calliari não foi localizado pelo blog.