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Após desabafo, Cássio divide opiniões no Corinthians
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Ídolo da torcida, Cássio virou um dos personagens centrais da crise corintiana após dizer que há jogadores que não estão preparados para atuar pelo clube. A declaração dividiu as opiniões sobre o goleiro no Parque São Jorge e gerou diferentes diagnósticos a respeito do vestiário alvinegro.

Parte dos conselheiros do clube alega que Cássio errou ao criticar os companheiros, principalmente por deixar a impressão de que atacou os mais jovens, justamente a turma mais carente de proteção. Mas há também a corrente que defende o goleiro. Esse grupo entende que ele só explodiu porque está cansado de se doar em campo por um time que teria sido mal montado pela diretoria e mal treinado por Mano Menezes.

Já para membros da comissão técnica, Cássio falou a verdade sobre a falta de qualidade de alguns colegas. Embora reprovem a atitude do atleta de lavar roupa suja em público, eles acreditam que o ataque do goleiro a outros atletas serve como defesa para o trabalho do técnico, que estaria fazendo o melhor que pode com o elenco que tem. Essa análise é contestada por uma ala da diretoria. A justificativa é de que de todos os pedidos de Mano só a contratação de Nilmar não foi atendida. Assim, o treinador não pode reclamar, pois escolheu os reforços, ainda que dentro das limitações financeiras do clube.

Além do desabafo de Cássio, as idas do goleiro ao ataque contra o Botafogo e o Atlético-MG também geram interpretações no Parque São Jorge. Para parte dos conselheiros é uma demonstração de que ele não confia mais no técnico, por isso foi desobediente. Mano havia proibido Cássio de atacar na derrota para o Flamengo, no Maracanã.

No entanto, a explicação na comissão técnica é de que não houve desobediência, pois Mano autorizou que ele tentasse o gol nos dois últimos jogos, o que não deu certo.

Apesar da polêmica que gerou, Cássio continua em alta com conselheiros e dirigentes. Só o goleiro e Guerrero do elenco atual recebem elogios, assim como acontece na maior parte da torcida.


Vaga na Libertadores vale prêmio de R$ 1,2 milhão para Mano
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Eliminado da Copa do Brasil e distante do Cruzeiro, líder do Brasileiro, o Corinthians pega o Internacional, domingo, de olho no que sobrou nesta temporada: a vaga na Libertadores. Para Mano Menezes, alcançar esse feito representa engordar sua conta bancária em R$ 1,2 milhão, além de recuperar um pouco do prestígio perdido. Esse é o valor do prêmio oferecido pela diretoria para que ele coloque o time no torneio internacional.

A quantia, acertada quando o treinador foi contratado, corresponde à cerca de dois meses de salário do técnico, que recebe por volta de R$ 600 mil mensais. Dois dirigentes confirmaram ao blog o valor da premiação, apesar de a assessoria de imprensa do Corinthians negar que o treinador tenha assegurado um bônus só para ele em caso de classificação.

O prêmio vale apenas se a equipe conseguir diretamente um lugar na fase de grupos do torneio continental. Ir para a pré-Libertadores não dá direito à bonificação.

Se vencesse a Copa do Brasil, Mano embolsaria R$ 1,2 milhão, pois o título também assegura a participação na principal competição sul-americana. Nesse caso, a cláusula que garante o prêmio pela vaga conquistada durante o Nacional ficaria sem efeito.

Jogar a Libertadores é considerado vital para os dirigentes, não só pelas cotas de TV e prêmios distribuídos, mas muito pela renda dos jogos. A participação na elite sul-americana é vista como a grande chance de, enfim, lotar até os setores mais caros do Itaquerão. Ainda sem vender os naming rights da arena, a bilheteria é fundamental para pagar a conta da obra. Isso explica o caprichado incentivo oferecido a Mano pela conquista da vaga.


Se com Dilma está ruim para a CBF, com Aécio pode piorar
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Caso Dilma Rousseff seja reeleita presidente da República, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero vão continuar como estão: distantes do primeiro escalão do Governo Federal.

E se der Aécio Neves no segundo turno? Marin protagonizou uma homenagem ao senador do PSDB no Mineirão em 2013. E no último sábado o site da CBF divulgou que o candidato tucano à presidência telefonou duas vezes para o cartola. Um telefonema foi para desejar boa sorte à seleção brasileira, e o outro teve o intuito de parabenizar o time pela vitória no amistoso com a Argentina. Tais fatos sugerem que o atual presidente da confederação e Del Nero, seu sucessor a partir de abril, terão mais trânsito no Palácio do Planalto se Aécio bater Dilma. Mas não é bem assim.

Ainda que o candidato de oposição à presidência seja afável com os dois dirigentes, ele é apoiado por um pelotão de críticos e desafetos de Marin e Del Nero. Entre eles estão Ronaldo, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o deputado federal Sílvio Torres (PSDB-SP) e Rodrigo Paiva, ex-diretor de comunicação da CBF. O tucano também tenta o apoio de Romário, um dos principais detratores da cúpula da CBF e eleito senador no Rio de Janeiro.

Parte dessa tropa tratou de minimizar as ligações de Aécio para Marin. O argumento é de que elas foram institucionais, para a seleção brasileira. Além disso, o senador ligava frequentemente com o mesmo intuito durante a Copa das Confederações e o Mundial. Nem sempre falava com Marin. Segundo gente com trânsito na CBF chegou a telefonar para Paiva a fim de falar com Felipão.

O ex-diretor de comunicação é amigo de Aécio há cerca de duas décadas. Ele foi demitido depois da Copa do Mundo após sofrer um longo e doloroso processo de fritura. Saiu magoado com Marin e Del Nero. Certamente não tem coisas boas para falar da dupla a Aécio.

Paiva apresentou Ricardo Teixeira e Ronaldo ao tucano. O ex-jogador mergulhou na campanha do mineiro e há quem aposte que ele seja convidado para participar do governo, em caso de vitória de Aécio. Durante sua participação no COL (Comitê Organizador Local da Copa), o Fenômeno se distanciou de Marin e Del Nero, ficando ao lado de Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa.

Se Ronaldo tem uma longa amizade com Aécio como lastro, Romário conta com o peso de mais de 4,6 milhões de votos que o levaram ao Senado. Seu partido, o PSB, já manifestou apoio ao candidato tucano. O ex-atacante, porém, ainda avalia se segue o mesmo caminho ou opta por ficar neutro.  Uma de suas prioridades é instalar a CPI da CBF.

Não seria a primeira investigação desse tipo enfrentada pela entidade. Em 2001, Sílvio Torres (PSDB-SP) foi relator da CPI da Nike na Câmara. Ele acaba de ser eleito deputado federal pelo partido de Aécio, assim como Álvaro Dias, reeleito para o Senado. Também em 2001, Dias presidiu a CPI do Futebol, que investigou a CBF.

Nesse cenário, caso seja eleito e se aproxime dos chefes da CBF, o mineiro irá desagradar uma legião de aliados.

Enquanto ao lado de Aécio há essa tropa contrária a Marin e Del Nero, no PT de Dilma está o agora deputado federal Andrés Sacnhez, o mais votado pelo partido do governo em São Paulo. Ele saiu da confederação com a certeza de que foi traído pela dupla e já faz forte oposição aos dois cartolas.

Assim, seja o próximo governo tucano ou petista, a previsão é de trovoadas na política para Marin e Del Nero. A bancada da bola, que conta com Vicente Cândido (PT-SP), reeleito deputado federal e sócio de Del Nero num escritório de advocacia, vai precisar de muito para-raio para proteger a dupla.


Comparação de atletas entre Tite e sucessor atrapalhou Mano no Corinthians
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Logo após a eliminação do Corinthians no Campeonato Paulista de 2014, a direção do clube foi informada por um membro fixo da comissão técnica de que um grupo de jogadores não estava se adaptando ao estilo de Mano Menezes. Eram alguns dos atletas remanescentes do time campeão mundial e da Libertadores em 2012. Eles estranhavam as diferenças de comportamento e métodos de trabalho entre o atual treinador e Tite. Assim, o vestiário não estava em harmonia.

Na ocasião, a cúpula alvinegra avaliou ser uma situação normal em início de trabalho. Porém, após a eliminação na Copa do Brasil diante do Atlético-MG, cartola que acompanhou aquele episódio disse ao blog que algumas diferenças não foram superadas. Segundo ele, desde aquela época parte dos veteranos se incomoda com o estilo de Mano, mais durão do que Tite, considerado paizão.

Por esse relato, os incomodados identificam doses de soberba e ironia em Mano no trato com atletas que ganharam alguns dos principais títulos da história alvinegra.

Após seus dois primeiros jogos no retorno ao clube, por exemplo, Mano cobrou os jogadores até para mudarem o hábito de começarem a almoçar em momentos diferentes na concentração. Estabeleceu que todos deveriam ir para a mesa simultaneamente.

Além do temperamento de Mano, a carga de treinamento imposta por ele foi considerada mais puxada do que nos tempos do ex-treinador na opinião de alguns dos ex-comandados de Tite. Havia resistência em abandonar o sistema de trabalho que levou o elenco a triunfos históricos, apesar do fracasso no Brasileiro de 2013. Por sua vez, a diretoria avaliava que a maioria dos jogadores estava acomodada, por isso aplaudia o novo técnico.

O blog apurou que Guerrero, autor do gol do título mundial contra o Chelsea, teve uma fase crítica de descontentamento no primeiro semestre por ter sido colocado na reserva.

A análise de que o estilo de Mano ainda é indigesto para alguns dos atletas que triunfaram com Tite não é compartilhada por todos na diretoria. Existem os que confirmam o problema no início, mas entendem que eles foram superados. Principalmente com as saídas de alguns dos atletas com dificuldades para se adaptar ao estilo de Mano, como Douglas e Sheik.

Quem considera o problema resolvido diz que quando as lesões musculares rarearam e o time chegou a brigar pela liderança do Brasileiro os “órfãos” de Tite se desarmaram em relação às práticas de Mano.


Eliminação expõe troca de acusações no Corinthians
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Ao sair do gramado após a derrota por 4 a 1 para o Atlético-MG, Cássio disse que existem jogadores que não estão preparados para defender Corinthians. O desabafo começou a revelar uma troca de acusações que se arrastava internamente no clube por causa da irregularidade do time. Parte da comissão técnica vinha reclamando nos bastidores da qualidade dos jogadores contratados, enquanto uma ala da diretoria se queixava do trabalho de Mano Menezes.

Depois do goleiro, Mano afirmou em entrevista coletiva que não iria transferir responsabilidades se queixando do elenco. Mas não se conteve e declarou que faltam jogadores experientes no banco em alguns setores. Apesar de tomar cuidado para não ferir a diretoria, o treinador deixou no ar uma ponta de insatisfação ao dizer que “tomamos algumas decisões e sabíamos os riscos delas”.

O técnico também afirmou que o time, por sua formação, tinha mais chances de ser campeão num torneio de mata-mata do que em campeonato de pontos corridos em que é exigida maior regularidade. Ou seja, existe fragilidade técnica.

Todas essas justificativas são rebatidas por parte da direção alvinegra, apesar de Mário Gobbi parecer estar disposto a morrer abraçado com o técnico. Para esses dirigentes, Mano teve cerca de dez meses para acertar a equipe e não o fez. Na opinião deles, se o elenco tem carência o treinador deve ser responsabilizado, afinal avalizou os reforços e de tudo que pediu praticamente só não teve Nilmar. A conclusão é que um técnico remunerado com aproximadamente R$ 600 mil mensais tem a obrigação de fazer um grupo no nível do que o Corinthians tem brigar pelos títulos da Copa do Brasil e do Brasileiro.

Os insatisfeitos asseguram que Mano prometeu que arrumaria o time se Jadson fosse contratado. Hoje, o meia é pouco aproveitado. Garantem também que ele afirmou mais tarde que seria Elias o responsável por arrumar a equipe, motivando o clube a gastar o que não tinha pelo jogador. Mesmo com o reforço, o Corinthians não decolou.

Agora o desastre no Mineirão joga mais lenha na fogueira. E deixa no fogo atletas como Fágner, Felipe e Anderson Martins, além de Ferrugem e Lodeiro, que nem estavam em campo. Eles fazem parte do pacote que vinha sofrendo críticas de defensores de Mano Menezes e da tese de que o treinador não tem culpa se falta qualidade ao elenco.

Assim, a inesperada eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil ameaça despedaçar o grupo numa guerra em que cada um busca defender a sua pele. Mano deu sinais de que quer evitar essa desgraça maior. Mas também demonstrou dificuldade para executar essa missão.


São Paulo descarta investigar mordomia de conselheiros criticada por Aidar
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Em reunião na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo rechaçou a criação de uma comissão de sindicância para investigar as benesses dadas aos conselheiros do clube durante a gestão de Juvenal Juvêncio, segundo Carlos Miguel Aidar. As supostas mordomias foram criticadas pelo atual presidente em entrevista para a Folha de S. Paulo, em setembro.

A investigação foi pedida por um conselheiro e colocada em votação, mas a maioria decidiu que ela não deve acontecer. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do órgão, ainda tentou evitar que o assunto fosse votado.

“Ponderei que não era necessária [a comissão de sindicância]. Não vamos fazer do São Paulo um inferno com essa discussão. E não há o que ser investigado porque não houve ilicitude. São maneiras de administrar o clube. Historicamente, os conselheiros recebem ingressos e são convidados para viajar com o time, isso é normal. Mas quem pediu a sindicância insistiu que o tema fosse votado. De cerca de 170 conselheiros, só 10 ou 12 votaram a favor [da investigação]”, disse Leco ao blog. Ele não quis revelar o nome do conselheiro que propôs a medida.

Na entrevista para a Folha de S.Paulo, além de criticar viagens pagas a conselheiros, Aidar afirmou que vendeu 20 carros que eram usados por diretores com direito a motorista. Juvenal Juvêncio contesta a informação. Afirma que os veículos faziam parte de contrato com um patrocinador e foram devolvidos porque o acordo acabou.

De fato, administrações anteriores também presenteavam conselheiros com passagem e estadia para acompanhar o time, principalmente na Libertadores.


Eleição e até time de Taubaté aumentam ‘fritura’ de Brunoro no Palmeiras
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Na última segunda, o Conselho Deliberativo do Palmeiras definiu Paulo Nobre e Wlademir Pescarmona como candidatos à presidência do clube (Luiz Carlos Granieri não conseguiu aprovar sua chapa) e deu a largada para a fase mais acirrada da campanha eleitoral. O primeiro a sofrer as consequências é o dirigente remunerado do clube José Carlos Brunoro.

Antes mesmo da votação no conselho, aliados de Nobre asseguravam a quem perguntava sobre o assunto que Brunoro não permanecerá no cargo num eventual segundo mandato do atual presidente. O profissional é considerado um dos principais culpados pela má campanha do time no Brasileiro e há quem ameace não votar em Nobre com medo de sua permanência. Por isso o núcleo duro da campanha do presidente trata como certa sua saída no final do ano.

Mas não é o suficiente. Muitos conselheiros insistem para que ele seja demitido já. Afirmam que sua presença pode enfraquecer a campanha de Nobre e que eventuais ataques da oposição a ele podem atingir o time. Se atletas contratados por Brunoro forem criticados, por exemplo. Por isso, a pressão por sua saída imediata já aumentou nas primeiras horas da nova fase da campanha. No dia 29 de novembro, os associados do Palmeiras escolherão o presidente do clube.

A ação mais contundente contra Brunoro foi do conselheiro Mauro Marques. Ele enviou um e-mail ao presidente do Conselho Deliberativo, Antônio Augusto Pompeu de Toledo, com perguntas sobre o contrato do dirigente. Marques indaga se a Brunoro Sports pode assinar contrato com outro clube e se a mesma assinou com o Taubaté, da Série A-3 do Campeonato Paulista. Pergunta ainda se isso não configuraria conflito de interesses.

“Eu não trabalho para o Taubaté. A minha empresa é que está desenvolvendo um estudo para o Taubaté para apresentar um projeto visando o ano que vem. Eles vão analisar e decidir se querem que a empresa toque o projeto em 2015. Hoje, minha participação na empresa é mínima, só em casos pontuais. E não há conflito de interesses porque o Taubaté não joga na mesma divisão que o Palmeiras”, disse Brunoro ao blog.

Marques também perguntou se a multa para o Palmeiras rescindir o contrato de Brunoro é igual a dois meses de salário. O compromisso termina em dezembro e, se a multa for realmente essa, como afirmam conselheiros, afastar o funcionário no fim de outubro ou no final do ano daria no mesmo em termos financeiros.

Porém, a avaliação dos colaboradores de Nobre é de que demitir Brunoro agora seria dar brecha para a oposição dizer que o afastamento foi eleitoreiro e que a diretoria manteve um funcionário que não estava agradando.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do Palmeiras afirmou que o trabalho de todos os funcionários e diretores será avaliado ao final da gestão. “Não conversei com o presidente sobre meu futuro, não tem nada definido”, declarou Brunoro.

Outra pergunta feita por Marques é se o curso de gestão esportiva administrado por Brunoro atrapalha sua carga horária no Palmeiras. “Se o alunos do Brunoro fizerem ao contrário do que ele ensina, terão sucesso no futebol'', cutucou Marques ao ser indagado pelo blog. Veja abaixo o e-mail enviado pelo conselheiro ao presidente do órgão.

 Ao
Presidente Conselho Deliberativo SEP
Dr Antonio Augusto Pompeu

Venho através da presente solicitar se possível as seguintes informações:
1- Se consta no contrato de José Carlos Brunoro através da empresa Brunoro Sports que o mesmo pode assinar contrato com outro clube de futebol.
2- Se confirma a informação de que a empresa acima assinou contrato para gestãoo do E.C.Taubate e se nao tem conflito de interesses.
3-Se confirma a informação de que o contrato acima encerra em dezembro 2014 com multa rescisória de 2 meses de salarios.
4-Se o curso Master Brunoro Futebol,atrapalha a carga horária do CEO do nosso Palmeiras.

Atenciosamente

Mauro Marques
Conselheiro
Sociedade Esportiva Palmeiras

 


Prefeitura reforça queixa de cartolas contra ‘caixa preta’ do Itaquerão
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A decisão da prefeitura de São Paulo de cortar o cerca de R$ 15 milhões em Cids (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento) para o Itaquerão deu força a diretores do Corinthians e conselheiros de diferentes correntes que reclamam de falta de transparência na gestão do estádio.

Eles afirmam que as contas da construção e a administração da arena viraram uma caixa preta guardada por Andrés Sanchez, responsável pelo estádio. O argumento agora é embasado pela análise da prefeitura para reduzir os Cids. A administração municipal avalia que Corinthians e Odebrecht comprovaram gastos de aproximadamente R$ 1 bilhão na construção. Para a prefeitura, o estádio custou R$ 675 milhões, quantia bem inferior ao valor estimado por clube e construtora. Conforme mostrou o UOL Esporte no último domingo, um dos motivos de diferença na conta é que a Odebrecht incluiu no valor total gastos com montagem do canteiro de obras, alojamentos para operários e área de convivência para eles.

Conselheiros e até diretores do clube  reclamam que os contratados assinados durante a obra e para a manutenção do estádio não foram mostrados ao Cori (Conselho de Orientação) do clube e nem ao Conselho Deliberativo. Suspeitam que compras de materiais e contratações de prestadores de serviços foram feitas sem uma cuidadosa tomada de preço, o que pode ter encarecido o estádio.

Por sua vez, Andrés explicou ao UOL Esporte que realmente faltaram documentos a serem apresentados pelo clube, mas que a burocracia foi resolvida e que há a expectativa de conseguir a liberação dos R$ 15 milhões cortados pela prefeitura.

Por enquanto, o Ministério Público acompanha o caso pela imprensa. “Mas, dependendo de como terminar, isso pode virar objeto de uma ação na Justiça. Se for provado que a administração anterior da prefeitura calculou os Cids baseada num valor maior do que realmente custa o estádio, pode haver um processo judicial”, disse ao blog o promotor Marcelo Camargo Milani. Ele já move uma ação contra a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab por entender que a liberação dos Cids para o Itaquerão foi irregular.

Pelo acordo inicial, o Corinthians tinha direito a até R$ 420 milhões em Cids, mas foi autorizada a emissão de R$ 405,2 milhões. Odebrecht e clube podem negociar os certificados com empresas que queiram usar os papéis para obter redução em seus impostos municipais. A venda dos certificados é fundamental para o alvinegro conseguir pagar seu estádio.


Itaquerão sofre processo de “Pacaembuzação”
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Sem cadeairas, setor das torcidas organizadas em Itaquera se assemelha ao Pacaembu

Sem cadeiras, setor das organizadas em Itaquera se assemelha ao Pacaembu

Quando deixou o Pacaembu pela última vez a torcida corintiana acreditou que estaria livre de antigos problemas. Mas assistir aos jogos do time na arena do clube, em Itaquera, tem algumas semelhanças. O fato de o Itaquerão ainda estar inacabado combinado com hábitos que os torcedores não abandonam desencadearam um processo que já é chamado por alguns no clube de “Pacaembuzação” da arena. Confira abaixo o que lembra o Pacaembu na casa nova.

 

Cimento – As torcidas organizadas do clube pediram antes mesmo da construção do novo estádio que não fossem colocadas cadeiras em seu setor. Assim, depois da Copa do Mundo, os assentos foram retirados do setor norte, onde elas ficam. O aspecto lembra o Pacaembu e fere o conceito arquitetônico do projeto.

Torcedores assistem a jogo em Itaquera na escada, como no Pacaembu

Torcedores assistem a jogo em Itaquera na escada, como no Pacaembu

Escadas – Parte dos torcedores que chega tarde aos jogos não procura lugares vazios. Assiste à partida em pé nas escadas, dificultando a passagem de quem precisa circular por lá. Esse era um problema comum no Pacaembu. Há também os que preservam hábito de acompanhar os jogos em pé atrás da última fileira de cadeiras, como faziam na arquibancada do estádio antigo, ficando na pequena parte coberta.

Chuva – O fato de torcer para um time que joga em um estádio de cerca de R$ 1 bilhão não livrou parte da torcida de tomar chuva até em setores caros. Isso acontece principalmente porque os vidros da ponta da cobertura ainda não foram instalados. Atrás dos gols, o projeto não prevê cobertura.

Estacionamento – Com as obras inacabadas, o clube ainda não pode oferecer as 2.549 vagas para carros previstas no projeto. Por enquanto, estão disponíveis apenas 300. O clube distribui, a cada jogo, adesivos que dão direito ao estacionamento para sócios mais assíduos do plano Meu Amor do programa de sócio-torcedor, imprensa e funcionários. Há mais pedidos do que vagas. Torcedores reclamam da dificuldade de conseguir o adesivo. Ou seja, até os estacionamentos ficarem prontos, quem não quiser usar o transporte público ainda deve encontrar algumas dificuldades para estacionar, como no Pacaembu.

Corintianos preservam hábito de assistir jogo atrás do último degrau

Corintianos preservam hábito de assistir jogo atrás do último degrau

Numerada– Quando soube que teria um estádio novo, parte da torcida que gosta mais de conforto logo imaginou que poderia escolher seu assento e sentar no lugar reservado. Não é bem assim. A maioria dos torcedores prefere escolher seu espaço na hora, como fazia no Pacaembu. O clube até dá duas opções para quem compra ingresso na internet. O torcedor pode escolher seu assento ou pegar um aleatoriamente. Quem reserva um lugar muitas vezes encontra alguém na sua cadeira. Funcionários do estádio prometem ajudar quem quiser sentar no local  que comprou, mas muitos desistem, temendo confusão.

Lanche – No Pacaembu, os torcedores reclamavam das poucas opções de alimentação e dos preços. Pouco mudou nos setores mais baratos do estádio, apesar de novos lanches no cardápio. Agora o torcedor pode escolher entre x-picanha (R$10), cachorro quente (R$ 8), pastel (R$ 7), pizza (R$ 8) e pipoca, além de amendoim e outras guloseimas vendidas por ambulantes que conseguem driblar a segurança e entrar na arena, como no Pacaembu. O clube já recebeu queixas sobre alimentos frios e trabalhou com a empresa responsável para melhorar o serviço. Um dos problemas alegados é que espaços para cozinha foram danificados durante a Copa do Mundo, prejudicando os trabalhos.

 


Queixas de traição e ingratidão. Entenda a crise entre Tite e Mário Gobbi
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Numa reunião entre a comissão técnica do Corinthians e o presidente do clube, em março de 2013, a relação entre Tite e Mário Gobbi começou a desandar. De lá até dezembro, suspeitas de traição e queixas de ingratidão deixaram uma série de cicatrizes nos dois lados. São marcas que começaram a ser mostradas pelo principal dirigente alvinegro nesta semana. Em entrevista ao ao Sportv, ele deu a entender que sofreu uma das maiores decepções de sua vida com Tite, apesar de substituir o nome do treinador por corpo técnico.

No terceiro mês de 2013, o time estava mal. Gobbi resolveu fazer cobranças durante um encontro com a comissão técnica. O presidente enxergava certa soberba na equipe, após a conquista da Libertadores e do Mundial no ano anterior.

Naquele dia, ele reclamou do preparo físico diretamente com o Fábio Mahseredjian, responsável pela área e que foi defendido por Tite. Fábio explicou que a equipe voltaria da parada para a Copa das Confederações na ponta dos cascos. E Gobbi deixou a sala com a impressão de que Tite não engoliu a cobrança.

Cerca de quatro meses depois, aumentou a suspeita de Gobbi sobre Tite estar descontente com ele. Foi antes de uma conversa que o treinador teria com os jogadores no dia da final da Recopa Sul-Americana, contra o São Paulo. O dirigente participaria do encontro e foi até a sala do treinador, que se arrumava sem conversar com o chefe. Gobbi, apesar de não falar em público, acredita que por estar magoado com as cobranças o técnico evitava falar com ele.

O Corinthians ganhou, mas não embalou no Brasileiro, aumentando as diferenças entre cartola e treinador. Gobbi se irritou porque Tite segurou alguns veteranos do elenco campeão mundial, mas não fazia com que eles jogassem em alto nível. O caso principal é o de Emerson Sheik, que renovou contrato em julho daquele ano a pedido do técnico e de diretores do clube.

O presidente queria uma reformulação no elenco e se decepcionou com Tite por entender que ele preferiu fechar com seus campeões a priorizar o rendimento da equipe. Para piorar, alguns desses jogadores (de novo Sheik é exemplo) mantinham amizade com Duílio Monteiro Alves, diretor-adjunto de futebol, com quem Gobbi tinha relação protocolar. Segundo aliados do presidente, Duílio só não havia sido afastado do cargo para não despertar a ira de Andrés Sanchez, unha e carne com o diretor.

Nesse momento, o sentimento de Gobbi era de que Tite não foi tão profissional como sempre pareceu, pois não dispensou alguns de seus pupilos, apesar da queda de produção. Ainda hoje, mesmo sem falar com todas as letras, o dirigente vê uma dose de ingratidão no técnico, por acreditar que ele subiu no salto após as conquistas a ponto de chegar a evitar o presidente e não aceitar cobranças mais fortes.

Mas Tite também deixou o Parque São Jorge com um baú repleto de queixas contra Gobbi. Mantém todas bem trancadas. Não quer polêmica, ainda mais porque está cotado para voltar ao clube em 2015, depois da eleição no Parque São Jorge.

O que mais feriu o ex-treinador alvinegro foi ouvir de gente bem informada no clube que Gobbi acertou a contratação de Mano Menezes antes de sua saída. Entre técnicos, tal atitude é vista como traição imperdoável. O presidente nega, mas um integrante de seu estafe disse ao blog que o acerto verbal com Mano já tinha sido feito antes de o Brasileiro de 2013 terminar.

Segundo pessoas ligadas a Tite, ele acredita que, a fim de pavimentar o caminho de volta para Mano, Gobbi e seus aliados passaram a vazar informações para a imprensa. Uma delas diz respeito à suposta exigência do treinador para que o clube comprasse um modelo de apito que ninguém conseguia encontrar na cidade, numa demonstração de arrogância.

Outra é a história de que Tite afirmou que o clube poderia vender Marquinhos para a Roma, que o revendeu por uma fortuna para o PSG, porque ele não tinha altura para ser zagueiro e não aguentava trombadas com atacantes fortes, tanto que testaria o jogador na lateral. Na versão do treinador, a diretoria inteira concordou com ele, optando pela negociação. Ao Sportv, Gobbi responsabilizou o “corpo técnico” pela saída de Marquinhos a preço de banana. Demonstrando mágoa, disse que o tal corpo técnico saiu do CT para ir à sua sala pedir a venda a fim de obter receita para a contratação de um volante.

Como Gobbi está em fim de mandato, não será surpresa se ele for mais incisivo em relação a Tite da próxima vez em que for indagado sobre assuntos referentes ao ex-técnico. Afinal, presidente de clube quando está de saída costuma ficar com a língua solta.