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Corinthians põe em pauta cobrar Andrés por juros de impostos
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O Cori (Conselho de Orientação do Corinthians) fará reunião para decidir se abre uma investigação interna sobre os impostos que não foram pagos na gestão de Andrés Sanchez a fim de pedir que os dirigentes envolvidos paguem eventuais prejuízos do próprio bolso.

O encontro deve acontecer no próximo dia 29. A inclusão do tema na pauta é fruto de um requerimento enviado ao órgão pelo conselheiro Romeu Tuma Júnior. Ele pediu a abertura de uma sindicância para verificar prejuízos sofridos pelo clube pela ação de seus dirigentes. Solicita também que ao final do procedimento o Corinthians entre na Justiça com uma ação de ressarcimento para que os responsáveis arquem com a quantia que o clube terá de pagar em juros por causa da dívida fiscal. São R$ 94,3 milhões de juros que fazem parte do parcelamento para quitar uma dívida de R$ 188,1 milhões referentes a impostos.

Em junho, Andrés, ex-presidente do clube, Raul Corrêa da Silva, diretor financeiro, André Luiz  de Oliveira, ex-diretor administrativo, e Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol, foram acusados pelo Ministério Público de crime fiscal por recolher impostos na fonte e não repassar o dinheiro para a União. O acordo para parcelamento pode extinguir a acusação.

Tuma Júnior também pediu que o Cori verifique outras dívidas do clube feitas nas administrações de Andrés e de Mário Gobbi, atual presidente. Ele solicita ainda que seja contratada uma empresa para fazer a auditoria e pede o afastamento do diretor financeiro durante a investigação.

Procurado pelo blog, Alexandre Husni, presidente do Cori, disse que não poderia se manifestar sobre questões internas do órgão.

Tuma Júnior não quis dar detalhes, mas confirmou o pedido. “Realmente fiz como havia prometido. Mas por enquanto mantenho a questão interna corporis porque acho que os órgãos do clube têm que tomar providencia. Entendo que os órgãos do Corinthians têm boa fé, mas se não tomarem providências, vou acionar a Justiça [para pedir o ressarcimento]”, disse ele.

Andrés não fala com o blog, por isso não pôde ser ouvido, e o diretor financeiro decidiu não comentar mais o assunto. “Não estou sabendo de reunião do Cori. Não fui eu que recolhi e deixei de pagar, não tenho nada a ver com isso. Então não posso falar nada'' disse André Luiz. Roberto de Andrade não atendeu o celular.

 


Cartões bobos deixam veteranos fora de jogos longe de casa e contra queda
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Sheik, Alex e Valdivia. Três jogadores experientes levaram cartões bobos nos jogos da última quarta e vão desfalcar seus times em partidas duras e longe de casa neste fim de semana. O trio ficou fora de viagens como a que o Coritiba fará até recife para enfrentar o Sport no domingo. São cerca de 3h20 min de vôo direto. Por terra, a distância entre as capitais do Paraná e de Pernambuco é de 2.465 km.

Cabeça pensante do Bom Senso FC, Alex vai desfalcar o Coxa porque bobamente tentou marcar um gol de mão na vitória de seu time sobre o São Paulo, por 3 a 1, e levou o terceiro amarelo. Em sua conta no Twitter disse que agiu por instinto. “Mas é um lance muito feio. Sinto vergonha. Mas já está feito. Só posso assumir meu erro”, escreveu o meia. Se perder em Pernambuco, o Coritiba, 15º colocado do Brasileiro, pode cair para a zona de rebaixamento.

Escapar da degola é também a meta do Botafogo (17º), que joga no incomodo horário de sábado à noite (21h) em Criciúma. São mais de 4 horas de viagem de avião com uma parada. Sheik não jogará porque foi expulso por falta violenta após levar o primeiro cartão amarelo de maneira desnecessária, por reclamação. Nas duas vezes, ele disse para as câmeras que a CBF é uma vergonha. Falou uma verdade, mas pela rodagem que tem poderia ter evitado o primeiro cartão.

Viagem mais curta fará o Palmeiras para jogar em Goiânia, contra o Goiás, às 18h30 de domingo. Dá aproximadamente 1h40 de voo. Assim como Sheik e Alex, Valdivia é vital para o Palmeiras, 18º colocado, na luta contra o rebaixamento. Mas ele não atuará domingo porque quase arrancou o calção de Amaral no empate em dois gols com o Flamengo e ainda pisou no adversário. Foi como pedir para ser expulso. “Tive uma reação absurda, idiota e deixei a planta do pé nas costas dele, acho. Saio com sentimento de tristeza por não ganhar o jogo e por ter cometido um erro infantil. Foi um lance infantil, fiz cagada”, disse Valdivia minutos depois do jogo. Se ele, Alex e Sheik tivessem um pouquinho de serenidade nos lances que protagonizaram, as tarefas de seus times na próxima rodada seriam menos árduas.


Após críticas de Pato, São Paulo demite responsável por gramado do Morumbi
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Depois de Alexandre Pato culpar o gramado do Morumbi pelo incrível gol perdido por ele na vitória por 2 a 0 sobre o Sport, no último dia 7, o São Paulo demitiu o responsável pelo campo do estádio. Gilberto, ex-goleiro do clube e que ocupava o posto de jardineiro-chefe, foi mandado embora na semana passada.

“O cara que cuida da grama no Morumbi tem que ver isso aí”, afirmou o atacante na ocasião. Rogério Ceni endossou as críticas declarando que as linhas do campo estavam sobressalentes, talvez, por causa dos shows no estádio, segundo o camisa 01.

As queixas foram demais para Gilberto, que era responsável também pelos gramados dos CTs de Cotia e da Barra Funda.

Em tempos de crise política, a dispensa também virou motivo de atrito entre o ex-presidente Juvenal Juvêncio e o atual, Carlos Miguel Aidar. “O Gilberto foi demitido porque era meu amigo”, diz JJ. Aidar nega  que a política tenha interferido em sua decisão, mas não quis dar entrevista sobre o assunto, alegando querer evitar nova polêmica.

Porém, o blog apurou que a justificativa da direção para o afastamento é a reclamação de jogadores em relação ao gramado. A avaliação da cúpula do clube é de que os campos do CTs estão em bom estado porque passaram por supervisão da Fifa, pois foram usados na Copa do Mundo. E o Morumbi estava em nível inferior.

Após a saída do jardineiro-chefe, o próprio estafe do São Paulo cuidou do gramado e o campo já apresentou melhoras, na avaliação da diretoria. Juvenal discorda das críticas e elogia o trabalho de Gilberto.


Juvenal diz que acordou São Paulo ao reagir a críticas de Aidar
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Nesta quarta, Juvenal Juvêncio telefonou para o blog após a publicação de post sobre a cúpula do São Paulo querer abrir o que chama de caixa preta das categorias de base depois de sua sua demissão da direção de futebol amador. Leia abaixo os principais trechos do que era uma reclamação e virou entrevista.

Juvenal Juvêncio – Por que você está puxando o saco do Carlos Miguel Aidar [presidente do clube]? Virou chapa branca? Você  não fala que ele tem três carros [para usar no clube, um de patrocinador vinculado à CBF, outro de patrocinador vinculado à FPF e um do São Paulo].

Blog – Como estou puxando o saco se publiquei isso e escrevi que ele indicou o ex-motorista particular dele para trabalhar no São Paulo?

Juvenal – Publicou, mas minimizou, tem que dar ênfase, as pessoas precisam saber. Ele gosta de dirigir, gosta de barco, não gosta de futebol. Dei duas credenciais para ele ir aos jogos [antes de ser presidente]. Ele ia para a praia. Ele pagava o motorista particular dele, agora quem paga é o clube. É isso que você tem que falar. Não fazer insinuações de que tem coisa errada na base.

Blog – Não insinuei. Escrevi que a diretoria afirma que o empresário Joseph Lee ganhou comissão na venda do Lucas Evangelista [por formação e desenvolvimento, mas ele foi formado no clube].

Juvenal – Lee ganhou comissão porque ajudou a trazer Rhodolfo (zagueiro) e Cortez (lateral). Ele pôs 1 milhão de euros e ficou de ter uma participação em outros jogadores para compensar o prejuízo que teve. Não ganhou nada com Cortez [hoje no Criciúma] e Rhodolfo [trocado por Souza] do Grêmio. Como faz? É um parceiro importante, fica a ver navios? Foi isso que aconteceu. Respeito a sua pena, mas você tem que me respeitar, não tergiverse sobre o que eu falo. Pare de ficar ouvindo tanto o Aidar. Ele fez tratamento que afetou os neurônios dele, precisa parar o tratamento, disse isso pra ele. Agora, o Aidar comeu pudim e gostou [em relação a experimentar a presidência]. Mas está com os dias contados. Tem prazo de validade, vai ficar dois anos e meio [até o fim do mandato] e vai embora [sem se reeleger].

Blog – Por quê?

Juvenal – Por que eu acordei o São Paulo. Mostrei o que está acontecendo, o que ele queria fazer não vai fazer mais [depois de ser demitido, Juvenal afirmou que Aidar planejava demitir Muricy Ramalho no final do ano, mas o presidente nega essa intenção]. Na reunião do Conselho Deliberativo, dia 13 [de outubro], ele queria aprovar o projeto da cobertura, iria aprovar um pacotão com outras coisas, mas agora já está falando que vai ser só uma consulta. Disse pra mim que colocaria em votação por um sistema que não precisa do quórum de 75% para aprovar a cobertura [por causa dessa exigência o projeto não foi votado na gestão de Juvenal. A oposição boicotou a reunião].

Blog – Mas o senhor vai votar ou boicotar?

Juvenal – Sou o primeiro a querer a cobertura, mas quero ver tudo, conhecer todos os detalhes. E os 75% têm que valer pra ele também. Eu não quero guerra. Ele veio dizer que falei da filha dele [Mariana Aidar, ex-assessora do atual presidente]. Não falei nada, não sou de coisas pequenas. Ele demitiu duas moças porque disse que são minhas amigas. Demitiu o Gilberto, um sacrossanto que cuidava dos nossos gramados, porque que é meu amigo. Saí da presidência e fiquei cinco meses sem falar com jornalistas. Ele foi e deu uma entrevista para a Folha de S.Paulo que foi um desastre. Veio falar que vendeu 20 carros [do clube para cortar gastos e mordomias a cartolas], vendeu nada. Isso era um acordo com a Volkswagen e que acabou. Os carros foram devolvidos [ao blog, Aidar disse não saber sobre essa situação]. Ele pagou o Alan Kardec com dinheiro que eu deixei no caixa porque peguei R$ 50 milhões na Globo. Ele tentou pegar R$ 25 milhões na Globo, não conseguiu, não deram, não vão dar. Você vai perguntar pra ele, e ele vai dizer que é mentira. Aí você não publica, sei como funcionam as coisas.

Blog – O senhor sabe como funciona o jornalismo, sabe que é preciso ouvir os dois lados [indagado pelo blog, Aidar negou a tentativa de levantar o dinheiro com a emissora].

Juvenal – Não me goze que eu também te gozo. Você quando trabalhava na revista “Placar'' recebeu uma denúncia contra a base do São Paulo, procurou, procurou e não achou nada. Saiu uma matéria chocha, porque não tem nada errado lá. Pare de ficar falando do Geraldo [Oliveira, funcionário do CT das categorias de base, em Cotia, também demitido por Aidar].

Blog – Mas muita gente reclamava do Geraldo.

Juvenal – Falam porque ele não deixava ninguém entrar lá, tocava aquilo num regime militar, vai ver se diretor entrava lá. Tem um dirigente de clube que me falou que não consegue controlar as categorias de base dele. Em Cotia não tem escândalo, sacana não entra lá. Tem pai de jogador com porcentagem de atleta? Tem. Como não vai ter? O pai fala: ‘quero’, e você tem que dar.

Após 36 minutos, Juvenal avisou que encerraria a conversa.

Blog – Tudo que nós conversamos pode ser publicado?

Juvenal – Você gravou tudo? Tem que gravar e publicar. Abraço.


Documentos do Dops contam como Palmeiras foi forçado a se afastar da Itália
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A terceira reportagem do blog sobre documentos do Dops (Delegacia de Ordem Política e Social) mostra detalhes de como o Palestra Itália foi forçado a se afastar de suas origens italianas durante o Estado Novo (1937 a 1945) e a Segunda Guerra Mundial.

Um largo passo na forçada caminhada que levaria o clube a se transformar em Palmeiras foi dado no dia 21 de janeiro de 1942. Naquela data, de acordo com duas amareladas folhas de papel, Paschoal Walter Bairo Giuliano, secretário-geral do Palestra, compareceu à sede do Dops.

O dirigente, que se transformaria em um dos mais vitoriosos presidentes do clube, com mandatos entre 1953 e 1984, assinou termo aceitando um pacote de exigências. Era preciso concordar com elas para que a sociedade esportiva continuasse de portas abertas. A partir de então, o clube tinha que comunicar ao Dops a realização de suas reuniões com três dias de antecedência para que elas fossem vigiadas, impedir a audição de emissoras de rádio estrangeiras em suas dependências e assegurar que não aconteceriam encontros dos sócios fora do “recinto da sociedade”.

Eram as medidas de repressão a entidades ligadas a estrangeiros determinadas pelo governo de Getúlio Vargas. Na época, o governo tinha como uma de suas características o nacionalismo e se alinhava com os Aliados (Estados Unidos, Reino Unido, França e Rússia). Estes lutavam contra Itália, Alemanha e Japão, o chamado Eixo.

Quatro dias antes do comparecimento de Giuliano ao Dops, o cerco aos clubes de origem estrangeira havia apertado. Telegrama identificado com o número 732, de 17 de janeiro de 1941, continha instruções do ministro da Justiça ao interventor federal do Estado de São Paulo. Elas determinavam “maior controle das sociedades estrangeiras”. Com base nesse telegrama, o Palestra foi intimado a comparecer ao Dops, ordem cumprida por Giuliano.

Oito dias após a assinatura do termo de compromisso, o Palestra precisou cortar na própria carne para sobreviver. Documento de 28 de janeiro de 1942 entregue à Superintendência de Segurança Política e Social registra que naquele dia quatro dirigentes do clube pediram demissão por serem italianos. Entre eles estava o diretor geral de esportes, Attilio Ricotti.

“Os pedidos [de demissão] foram todos aceitos, figurando, portanto, na diretoria desta sociedade somente brasileiros natos”, diz trecho do documento, também assinado por Giuliano. Uma lista com o nome de todos os brasileiros dirigentes do clube, incluindo seus endereços, foi entregue aos policiais. Na relação, entre outros, aparecem Italo Adami, presidente, e Hygino Pellegrini, primeiro vice e que também teve passagens vitoriosas pela presidência.

Outro documento, de 12 de agosto de 1942, mostra mais marcas deixadas no Palestra durante aquele período. A primeira delas está no nome. Uma carta enviada para a Delegacia de Ordem Política e Social mostra o escudo do clube com o nome Palestra de São Paulo, não mais Itália.

A finalidade do ofício é mais um sinal das aflições de quem torcia pelo time naquela época. O objetivo do presidente Italo Adami era pedir um salvo-conduto para que os sócios do clube pudessem ir até Santos de trem para acompanhar um jogo da equipe. O salvo-conduto era dado principalmente a imigrantes italianos, japoneses e alemães para que eles pudessem se deslocar por determinado território durante a Segunda Guerra. Foi justamente naquele mês em que o Brasil entrou no conflito contra o Eixo, liderado por Itália, Alemanha e Japão.

Na ocasião, o dirigente palestrino explicou que para a “maior comodidade de seus sócios”, o clube organizou “uma caravana de trem especial que partirá da estação da Luz”. Em seguida, Adami diz que tem a honra de solicitar ao Major Olinto França, superintendente do Dops, que “se digne mandar conceder salvo-conduto coletivo” para os integrantes da caravana. Ele afirma ainda que foi informado na estação de que cada vagão do trem deve ter a presença de um guarda indicado pelo Dops. A intenção era encher dez vagões.

A resposta saiu no dia seguinte. Escrita à mão, é de difícil leitura, mas ao que parece o pedido foi indeferido.

Menos de dois anos depois desse episódio, relatório feito por investigadores identificados apenas por números, já menciona o clube como Sociedade Esportiva Palmeiras. O documento, de 17 de março de 1944, ainda durante a Segunda Guerra e o Estado Novo, relata que os agentes 18, 230, 808 e 908 compareceram à assembleia da Sociedade Esportiva Palmeiras em que foram eleitos os conselheiros da chapa “Renovação” e que nada de anormal aconteceu “de interesse para esta especializada”.

Na pasta destinada ao Palestra Itália e à Sociedade Esportiva Palmeiras guardada no Arquivo Público do Estado, o blog não localizou documentos sobre a mudança de nome para Palmeiras, que ocorreu em setembro de 1942, como resultado da pressão sobre entidades ligadas a estrangeiros.


Sem Juvenal, São Paulo quer abrir ‘caixa preta’ das categorias de base
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Após a demissão de Juvenal Juvêncio da direção de futebol amador, a cúpula do São Paulo inicia uma operação para abrir o que chama de a caixa preta do CT de Cotia. O argumento é de que o ex-presidente dificultava o acesso do departamento de futebol profissional às informações das categorias de base, impedindo a integração. Por essa versão, os obstáculos atrapalham até o técnico Muricy Ramalho.

A suposta cortina de ferro em volta do Centro de Treinamento dos times amadores foi um dos motivos que provocaram o rompimento de Carlos Miguel Aidar com seu antecessor na presidência. Nas palavras de um membro da diretoria, agora, com a chave do CT da base nas mãos, Aidar poderá, de fato, exercer a presidência. Por isso está aliviado após enfrentar o ex-presidente.

Segundo integrantes da atual administração, um dos exemplos de como Cotia se tornou um território fechado é o fato de uma empresa contrata para fazer levantamento em todas as áreas do clube não ter obtido as informações que desejava no centro de produção de jogadores são-paulinos.

A meta agora é desvendar todos os contratos de jovens atletas para saber exatamente quem são os agentes e empresas que têm participação nos direitos econômicos deles. E descobrir se aconteceram irregularidades nos processos de seleção de jogadores.

Uma das intenções é colocar em prática um projeto capitaneado pelo jogador Pita que reduzirá drasticamente a quantidade de atletas nas categorias de base, em tese, possibilitando uma avaliação melhor de cada um deles. O tamanho das categorias de base gerou atrito entre Juvenal e Aidar. Pelos números do atual presidente, eram no começo do ano 320 jogadores. Houve redução para 240 e agora, sem a resistência de JJ, o plano é chegar a 150.

Comissão polêmica

Outra missão é descobrir se há mais casos como o de Lucas Evangelista. Segundo relatos da nova diretoria, o clube se comprometeu a pagar 10% de sua parte como comissão na venda do jogador para a Udinese ao empresário Joseph Lee a título de formação e desenvolvimento do atleta, formado no São Paulo. Ele foi negociado por aproximadamente 4 milhões de euros. O clube tinha direito a 60% dos direitos econômicos. Mas tem que dar 10% de comissão para a Traffic pela intermediação da venda, além da porcentagem para Lee.

Pelo menos hoje, a decisão é não pagar a quantia que Lee teria direito. O blog telefonou para o empresário, mas ele não atendeu e nem retornou às ligações. Por sua vez, Juvenal disse que estava ocupado e ligaria mais tarde, mas não ligou.

Porém, segundo ex-integrante do estafe de JJ, a dívida com o agente é referente ao fato de ele ter ajudado o clube a contratar o zagueiro Rhodolfo. O empresário não recebeu dinheiro no ato, mas pôde escolher receber quando clube negociasse três jogadores. Outro da lista era o jovem Mirray. O argumento é de que em outras ocasiões, como quando o São Paulo brigou com o empresário de Oscar, Giuliano Bertolucci, levado para o Internacional, Juvenal foi criticado por não saber lidar com agentes, então, se adaptou ao mercado.

Nas novas incursões por Cotia a direção também quer confirmar se há pais de jogadores que recebem ajuda de custo, o que a atual administração promete cortar.

Para derrubar o muro que a nova cúpula são-paulina diz existir no CT das categorias de base, além de Juvenal, também foi demitido Geraldo Oliveira, funcionário do clube que cuidava de Cotia e constantemente era alvo de críticas de conselheiros. Em entrevista ao canal Fox Sports, na última segunda, o ex-presidente elogiou Oliveira, descrevendo o funcionário como um guardião de Cotia.


Saiba como foi a conturbada reunião que provocou a queda de Juvenal
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Pouco antes das 16 horas desta segunda, dia em que Juvenal Juvêncio foi demitido da direção de futebol amador do São Paulo, Muricy Ramalho recebeu uma mensagem de Carlos Miguei Aidar em seu celular. O presidente avisava que JJ tentaria minar a relação entre eles.

O auxiliar Milton Cruz e o diretor Gustavo Vieira de Oliveira receberam o mesmo recado em seus telefones. Cerca de uma hora após o envio das mensagens, Juvenal deu entrevista ao UOL Esporte afirmando que o presidente pretende demitir o trio no final do ano. A declaração do ex-dirigente foi dada logo depois de uma bélica reunião que ele teve com seu sucessor.

Aidar mostrou a Juvenal a nota oficial que o ex-presidente divulgou na semana passada para rebater as críticas feitas por seu antecessor em entrevista à “Folha de S. Paulo''. Indagou o que JJ quis dizer quando afirmou que não deixaria a direção de futebol amador porque “a base é o futuro do São Paulo e não poderá cair em mãos de aventureiros, sobretudo daqueles que (conhecemos muito bem), devem estar pressurosos por isso”.

O presidente disse a Juvenal que a insinuação sobre o interesse nas categorias de base já seria suficiente para que ele fosse demitido. Em meio ao bate boca, Juvenal afirmou que Aidar faz um tratamento de beleza que afetou seus neurônios. Como resposta, o presidente preguntou se seu interlocutor se olhou no espelho.  Juvenal faz tratamento contra um câncer.

Aidar também afirmou que não havia mais espaço para os dois no clube e tirou da gaveta duas cartas para Juvenal escolher qual seria validada. Numa delas, JJ assinaria um texto no qual afirmaria que pediu demissão espontaneamente e que deixava o clube feliz pelos títulos conquistados. Nesse caso, o ex-presidente ainda receberia uma homenagem de seu sucessor.

Na outra versão, a que acabou valendo, Aidar demitia seu diretor de futebol amador. JJ mandou Aidar para aquele  lugar e saiu da sala disparando xingamentos, como ele mesmo afirmou ao canal Fox Sports na noite de segunda. Pouco depois, aconteceu uma reunião extraordinária de diretoria. Nela, Aidar encarregou José Moreira, diretor administrativo, de pedir nesta terça que Juvenal devolvesse o carro do clube que usava como diretor, além de liberar dos serviços o motorista e o segurança que o acompanhavam. Juvenal alega que fez a devolução na segunda à noite mesmo, sem o presidente saber.

No mesmo encontro, o vice-presidente Roberto Natel confirmou o que dissera ao blog antes de ir ao Morumbi e pediu demissão. Ele ainda afirmou que Aidar estava dando ouvido a fofocas de mulheres referindo-se a funcionárias do clube. Mais nenhum dos presentes pediu para sair. Porém, João Paulo de Jesus Lopes, vice de administração e finanças, e Júlio Casares, vice de marketing, não compareceram por estarem viajando.


Aidar critica uso de motorista, mas indicou seu ex-chofer para o São Paulo
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Entre as críticas que fez à administração de Juvenal Juvêncio, Carlos Miguei Aidar reclamou do fato de o clube ter carros com motoristas à disposição dos dirigentes. Porém, o atual presidente indicou para o São Paulo um profissional que trabalhava como seu chofer particular. Ele se chama Rogério. Juvenal fez a contratação quando ainda estava na presidência.

Aliados de JJ usam esse fato para dizer que o atual presidente reclama de benesses a cartolas, mas também desfrutou de algumas.

Na entrevista à “Folha de São Paulo'' em que fez ataques que culminaram com a demissão de Juvenal nesta segunda, Aidar afirmou: “Viagens para diretores, conselheiros, passagens, hospedagens. Eu vendi 20 carros. Serviam pra quê? Para buscar pessoas. Diretor com carro e motorista por conta do clube. Meu carro está aí na porta, eu dirijo meu carro. O São Paulo parou no tempo''.

Indagado pelo blog, ele confirmou que recomendou a contratação de seu ex-motorista particular pelo clube. “Claro [que indiquei], ele é ótimo. Ele é motorista do clube, aliás, excelente. E me servia na OAB, foi assim que o Juvenal o conheceu. Serve várias pessoas, inclusive a mim de vez em quando. Geralmente, ando com meu carro, eu mesmo dirijo”, afirmou Aidar. Além de um veículo do São Paulo, o presidente, se quiser, pode usar um que é fruto de contrato de patrocínio ligado à Federação Paulista e outro à CBF.

O chofer é apenas mais no clube que acaba envolvido na guerra entre os dirigentes. A crise já fez Aidar afastar sua filha Mariana do cargo de assessora da presidência para que ela deixasse de ser alvo de ataques da oposição. João Paulo, um dos netos de Juvenal, pediu demissão logo depois da entrevista em que Aidar detonou seu avô. Ele era diretor-adjunto de finanças. Nesta segunda, após o presidente demitir seu antecessor, foi a vez de Roberto Natel, vice-presidente do São Paulo, entregar o cargo.

Juvenal colocou mais outros dois nomes no imbróglio ao dizer que o presidente planeja demitir no final do ano Muricy Ramalho, o auxiliar Milton Cruz e o gerente de futebol, Gustavo Vieira de Oliveira, como mostrou reportagem do UOL Esporte. Assim, o conflito entre os dois cardeais já atinge do estacionamento ao vestiário do Morumbi.


Em apoio a Juvenal, vice do São Paulo pede demissão
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Começou o efeito cascata que era esperado com a demissão de Juvenal Juvêncio no São Paulo. Enquanto este post era escrito, Roberto Natel, vice-presidente do clube e primeiro na hierarquia abaixo de Carlos Miguel Aidar, estava a caminho do Morumbi para entregar seu cargo numa reunião de diretoria extraordinária convocada pelo presidente.

“O que ele [Aidar] fez com o Juvenal foi uma traição muito grande com quem o elegeu. Desde que saiu da presidência, o Juvenal não deu uma entrevista, não procurou um jornalista. E ele toma uma atitude dessas? Não posso aceitar”, disse Natel ao blog.

Juvenal foi demitido do cargo de diretor de futebol amador nesta tarde.

Não se sabe se Natel ficaria em seu posto caso não decidisse pedir demissão. O vice-presidente demissionário trata como algo programado o rompimento de Aidar com Juvenal, provocado após entrevista do atual mandatário ao jornal “Folha de São Paulo'' na semana passada.

“Percebi o rumo que as coisas estavam tomando e falei com o Aidar até antes da entrevista. Disse que ele não estaria na cadeira de presidente se não fosse o Juvenal. Dei vários conselhos, falei que ele estava escutando fofocas e que um presidente não pode dar ouvido a fofocas, mas ele não me atendeu”, afirmou Natel. Indagado se outros diretores ligados a Juvenal entregarão seus cargos, Natel afirmou que não poderia falar pelos demais.


Trio de ferro é afetado por influência de ex-presidentes poderosos
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A crise entre Carlos Miguel Aidar e Juvenal Juvêncio exemplifica uma situação comum entre os três grandes clubes da capital paulista. O trio de ferro é afetado

pela a influência de seus ex-presidentes, que mesmo longe do alto comando exercem poder. Confira cada caso.

 

São Paulo

Juvenal Juvêncio segue como diretor das categorias de futebol amador, a menina dos olhos dos dirigentes são-paulinos. Continua bem informado, tem homens importantes na atual administração, como Roberto Natel, vice-presidente e o primeiro na hierarquia abaixo de Aidar. O grupo do atual presidente se sente pressionado por críticas da ala de JJ e avalia que a turma do ex-presidente quer continuar mandando no Morumbi. O comandante do clube também quer apoio da oposição para tocar o projeto da cobertura do estádio, mas os opositores não aceitam Juvenal na diretoria. Nesse cenário, Aidar atacou Juvenal em entrevista para a “Folha de S.Paulo” na semana passada e incendiou o clube.

Corinthians

Assim como Aidar, Mário Gobbi se sente pressionado por ações do ex-presidente Andrés Sanchez, dirigente responsável pela arena do clube, e por críticas do grupo de seu antecessor. Igualmente ao presidente do São Paulo, Gobbi sofre com dívidas deixadas pelo antecessor, principalmente em relação a impostos retidos na fonte e não repassados à União. Enquanto Aidar reclama publicamente da gestão de Juvenal nas categorias de base, internamente, o grupo de Gobbi se queixa da administração de Andrés na arena corintiana. As principais reclamações são sobre a demora para vender os naming rights e pelo fato de as receitas e despesas do estádio não serem de conhecimento do atual presidente. Os “gobbistas” reclamam também que Andrés ainda teria influência no departamento de futebol, onde deixou amigos como o gerente Edu Gaspar. O clima é tão semelhante ao do Morumbi que a única diferença entre Aidar e Gobbi parece ser que o são-paulino resolveu romper logo de cara com seu antecessor e arcar com as duras consequências políticas enquanto o corintiano decidiu ficar calado, temendo inviabilizar sua administração em caso de guerra declarada.

Palmeiras

Arnaldo Tirone, antecessor de Paulo Nobre, praticamente não influencia na política do clube. Porém, o ex-presidente Mustafá Contursi esbanja poder. O discurso do ex-preisdente no Conselho Deliberativo, por exemplo, foi fundamental para a aprovação da forma como o Palmerias vai pagar uma dívida de cerca de R$ 100 milhões ao presidente. Ele defendeu a proposta apresentada por Nobre, enquanto opositores queriam adiar a votação, alegando desconhecer documentos referentes à dívida. Nobre tenta evitar gastos no futebol que incomodariam Mustafá, e consegue administrar sem a oposição do ex-presidente, ao contrário do que ocorreu com Tirone, que teve o voto de Contursi, mas os dois logo entraram em atrito.