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Retirada de cadeiras a pedido de organizadas rende processo ao Corinthians
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A decisão do Corinthians de retirar as cadeiras do setor norte de seu estádio a pedido das torcidas organizadas rendeu ao clube um processo na Justiça. O torcedor Julio Fernando Condursi Paranhos da Silva pede indenização por danos morais no valor de R$ 50 mil por ter se machucado no local durante partida contra o São Paulo, em 21 de setembro de 2014. O clássico foi justamente o primeiro jogo sem assentos na parte da arena destinada às uniformizadas.

Ele comprou ingresso para o assento 44 da fileira k, mas não havia mais cadeiras no local. Só arquibancadas de concreto. Afirma que quando foi marcado pênalti para o alvinegro, na comemoração, ele se chocou com um dos trilhos (hastes de sustentação das cadeiras retiradas), sofrendo um profundo corte no pé direito.

O torcedor alega ainda que foi atendido rapidamente no estádio, mas que foi informado que não poderia ser transportado de ambulância para um hospital porque era a única que havia no local para atendimento dos torcedores. Foi por conta própria buscar atendimento e ficou 12 dias sem trabalhar por causa do acidente. Também afirma que o clube não se ofereceu para ajudar a cobrir os gastos médicos e cobra um ressarcimento R$ 689,59 relativos às despesas que diz ter tido.

Em sua defesa, o Corinthians explica que retirou as cadeiras para que o jogo pudesse ser assistido em pé atrás do gol, como era o desejo dos torcedores. Porém, omite que o pedido foi feito por torcidas organizadas. Outro motivo apresentado para a retirada dos assentos é que as cadeiras tinham sido quebradas em outros jogos pelos torcedores provocando desconforto e falta de segurança por causa da quantidade de objetos espalhados pelo chão. Vale lembrar que o vandalismo foi praticado por corintianos, integrantes de organizadas.

Os advogados do Corinthians afirmam que os trilhos de ferro que sustentavam as cadeiras foram mantidos na arquibancada, fixos, “para evitar qualquer incidente que envolvesse torcedores”. Porém, eles não esclarecem que incidentes a retirada das peças poderiam provocar.

O clube nega também que tenha havido falha no atendimento ao torcedor ferido na arena, diz que ele se recusou a ir ao hospital indicado pelos médicos e que preferiu buscar atendimento em outro local por meios próprios. O Corinthians sustenta ainda que Silva pode ter se machucado fora do estádio e ainda ter agravado o ferimento ao ir sozinho a outro hospital. O clube também contesta os gastos apresentados e afirma que deveria ser incluída na ação a Itaú Seguros, contratada nos jogos do Brasileirão daquele ano.

Em sua primeira decisão, a Justiça indeferiu a inclusão da seguradora.

Foi marcada audiência para o dia 8 de agosto visando a produção de provas orais. Os principais pontos a serem esclarecidos são se o ferimento foi mesmo causado no estádio, se houve dano moral, se o torcedor se recusou a ser removido para o hospital sugerido pelo clube e se alguma conduta de Silva agravou o ferimento.


Opinião: Cássio erra e fica fragilizado no Corinthians
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Na opinião deste blogueiro, Cássio deu um passo em falso ao criticar o fato de ter perdido a vaga de titular no Corinthians, com queixas indiretas ao preparador de goleiros Mauri Lima.

Numa tacada só, o ídolo corintiano bateu de frente com Tite, com seu preparador, foi deselegante com o novo titular, Walter, gerou um atrito após a vitória sobre a Ponte Preta, num momento em que o time buscava  paz e ainda desagradou a pelo menos parte da torcida corintiana. Foram muitas as críticas a ele feitas por torcedores nas redes sociais.

Talvez, Cássio tenha avaliado que teria a torcida a seu lado. Se foi isso, fez uma aposta errada e agora fica numa situação incômoda no clube além de da noite para o dia ter desenhado para ele mesmo uma imagem um tanto arrogante.

A postura foi de quem não aceita críticas. E o saldo é uma rusga com a comissão técnica e a relação estremecida com a torcida. Assim, de estrela do time, o goleiro passou a viver uma situação fragilizada no clube. Certamente, quando tiver nova chance de jogar, será muito cobrado pela torcida. Já entrará mais pressionado do que o normal.

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Cartolas do SPFC comemoram não dependerem da Caixa para terem patrocinador
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Além de comemorar o fato de voltar a ter um patrocinador no peito e nas costas da camisa do time após quase dois anos, a diretoria do São Paulo festeja ter conseguido esse feito sem depender da Caixa Econômica Federal.

Antes de acertar com a Prevent Senior, o clube conversou com o banco estatal. Porém, os dirigentes tricolores avaliam que questões políticas o tiraram dos planos da Caixa. Suspeitam que o deputado federal Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, tenha influenciado o patrocinador a acertar apenas com o alvinegro, desistindo do São Paulo. Andrés e a Caixa negam tal fato.

Os são-paulinos ficaram chateados por não terem recebido um telefonema da Caixa afirmando que o banco não tinha mais interesse em assinar contrato após renovação com o Corinthians. Agora, nos bastidores, batem no peito por terem se virado sem a instituição financeira ligada ao governo.

A Prevent Senior pagará ao São Paulo cerca de R$ 24 milhões até dezembro de 2017, se o contrato for renovado automaticamente em dezembro de 2016. O valor é inferior ao arrecadado por Corinthians e Palmeiras com seus patrocinadores principais.


Cobrado por mais de 100 contratações, Nobre assume erro com Fellype Gabriel
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Em reunião do Conselho Deliberativo do Palmeiras na última terça, Paulo Nobre foi cobrado pelo alto número de contratações feitas durante seus dois mandatos seguidos.

Os questionamentos partiram do conselheiro Carlos Degon, membro da oposição. Ele afirmou que Nobre contratou 102 jogadores  e criticou especialmente a contratação de Fellype Gabriel, que mal jogou pelo clube por conta de problemas físicos.

Em sua resposta ao conselheiro, Nobre admitiu que trazer Fellype Gabriel foi um erro de sua gestão. Ele explicou que o jogador foi um dos dois pedidos pelo técnico Oswaldo de Oliveira (Rafael Marques foi o outro). O presidente afirmou que muitas vezes é difícil para diretoria contestar as indicações de treinadores feitas com insistência, o que ajudaria a explicar não só o caso do meia, mas também a grande quantidade de reforços em sua gestão. Porém, ele não esclareceu se de fato trouxe 102 jogadores.

Fellype deixou o Palmeiras no mês passado depois de rescindir amigavelmente seu contrato. Por causa de problemas físicos, ele jogou apenas 20 minutos pelo clube.

Como tinha operado os joelhos três vezes entre 2007 e 2014, Fellype fez dois exames (ressonância nuclear magnética e tomografia) que não estão entre os seis realizados rotineiramente em todos os contratados.

O relatório do departamento médico palmeirense apontou alterações degenerativas moderadas nos dois joelhos do atleta. A conclusão dos médicos antes de a contratação ser efetivada foi de que, embora o jogador estivesse apto para atividade esportiva de alto desempenho, as alterações identificadas elevavam o risco de contusões e exigiam rotina de treinamento físico e técnico diferenciada. Durante sua passagem pelo alviverde, o meia sofreu com lesões, uma delas no joelho.

O caso de Fellype é um dos mais usados pela oposição palmeirense para criticar o que opositores chamam de excesso de contratações e de falta de qualidade na maioria dos reforços.

Procurado para falar das cobranças que sofreu na reunião e do erro admitido na contratação de Fellype, Nobre respondeu por meio da assessoria de imprensa do Palmeiras que assuntos do conselho não são discutidos no Blog do Perrone. Degon também afirmou que só trata de questões relativas ao órgão internamente.


Os detalhes do patrocínio de cerca de R$ 24 milhões acertado pelo São Paulo
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Fique por dentro do contrato assinado entre Prevent Senior e São Paulo para patrocínio no peito e nas costas da camisa do clube.

Duração máxima

Até dezembro de 2017.

Renovação automática

Em dezembro de 2016, se uma das partes quiser encerrar a parceria deve se manifestar por escrito. Se fizer isso, o compromisso acaba. Caso ninguém se manifeste, o patrocínio segue até o fim de 2017.

Valor

Cerca de R$ 24 milhões se o contrato durar até dezembro de 2017.

Bônus por títulos

Não há. O São Paulo receberá a mesma quantia sendo ou não campeão das competições que disputar.

Pagamento de comissão

A empresa que levou a Prevent Senior até o São Paulo receberá comissão de 10% pela intermediação. A quantia será descontada do valor total a ser pago ao clube e será repassada diretamente pela patrocinadora à intermediária.

Camarotes

A parceira terá direito a dois camarotes no Morumbi.

Conselho Deliberativo

O estatuto do São Paulo obriga a diretoria a submeter o contrato ao crivo do Conselho Deliberativo.


Leco rejeita projeto para cobrir Morumbi apresentado por opositores
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Membros da oposição do São Paulo apresentaram um projeto para cobrir o Morumbi, porém o presidente do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, não gostou da proposta e já a rejeitou. A informação foi confirmada pelo departamento de comunicação tricolor.

Entre outros problemas, o presidente apontou a falta de definição de quem iria investir na obra e a construção de um shopping que seria vetada pela lei municipal de zoneamento. A decisão de Leco foi apoiada por gente da diretoria que tomou conhecimento do assunto.

A ideia foi levada para Leco pelos oposicionistas Itagiba Alfredo Francez, Itagiba Alfredo Francez Júnior, o Itagibinha, e Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, ex-candidato à presidência do clube. A presença de Newton, um dos principais críticos da atual administração, na reunião de apresentação do plano incomodou Leco. O presidente vê interesse do opositor de capitalizar com um projeto que não foi idealizado por ele. Por sua vez, Newton nega ter agido com motivação política.

Itagibinha e Newton negaram ao blog que exista desrespeito à lei de zoneamento.

“O projeto é maravilhoso, prevê três andares em cima do terceiro andar do Morumbi para lojas e restaurante. Tem até previsão de um jardim suspenso, além de uma pequena arena, como previa o projeto antigo (rejeitado pelo Conselho Deliberativo durante a gestão de Juvenal Juvêncio)”, disse ao blog Itagibinha.

Segundo ele, o São Paulo não teria que colocar dinheiro na obra. Um captador de recursos, idealizador do plano e que não teve seu nome divulgado, arrecadaria a verba, além de investir uma parte. Os investidores explorariam as novas áreas por dez anos. O custo da obra não foi revelado. As rendas das partidas continuariam integralmente com o clube.

Apesar da rejeição de Leco, os opositores querem colocar o plano em discussão no conselho, além de estudarem como melhorar a ideia.

Atualização

Após a publicação deste post, Newton do Chapéu entrou em contato com o blog para dizer que foi “bem tratado por Leco'' e que discorda que ele tenha ficado chateado com sua presença na reunião.


Suspenso, ex-presidente do Palmeiras vai pedir reparação por danos morais
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 Suspenso por um ano do quadro associativo do clube pelo Conselho Deliberativo, o ex-presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo vai à Justiça para tentar a anulação da punição e pedir reparação por danos morais.

Ele foi julgado por supostas irregularidades e má gestão entre 2009 e 2010, quando presidiu o alviverde. Além de rechaçar as acusações, o ex-cartola diz que o Conselho Deliberativo do clube perdeu o prazo para fazer seu julgamento.

“Vou entrar com a ação judicial porque há várias impropriedades nesse processo. Isso está acontecendo por causa da oposição política que existia à minha gestão. Fizeram uma reunião de uma coisa prescrita, só posso imaginar que foi para atingir a minha honra. Além disso,  colocaram outras pessoas no processo e no final só deixaram o meu nome. Tenho que pedir uma reparação por danos morais. Meu advogado vai definir quem será o réu da ação”, disse Belluzzo ao blog.

Gilberto Cipullo, Francisco Buzzico e Salvador Hugo Palaia são cartolas que escaparam de punições na mesma reunião em que Belluzzo foi punido na última segunda-feira. Outro ex-presidente do clube, Arnaldo Tirone, teve seu julgamento adiado.

Belluzzo entende que medidas só poderiam ter sido tomadas até dois anos após o fim de sua administração, por isso fala em prescrição. Durante o processo no Conselho Deliberativo ele chegou a entrar com uma ação na Justiça pedindo explicações sobre o procedimento.


‘Policial’ bom e mau e técnico anti-moleza. Como o São Paulo virou o jogo
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Com Guilherme Palenzuela, do UOL em Manhattan Beach (Estados Unidos)

O cenário era desolador em dezembro do ano passado quando a diretoria do São Paulo se reuniu para traçar os planos para a temporada seguinte. Ao olharem à sua volta os cartolas viram um time sem líderes e ídolos, após as saídas de Rogério Ceni, Pato e Luis Fabiano, sem técnico, com remunerações atrasadas, e distante da torcida, que estava revoltada com a derrota por 6 a 1 para o Corinthians. Não bastasse essa situação agonizante, a política também estava em chamas após a renúncia de Carlos Miguel Aidar.

Menos de seis meses depois desse pesadelo, o clube festeja a volta por cima com uma vaga nas semifinais da Libertadores. A recuperação veio com muita tensão, discussões internas e estratégias que evidenciam um novo formato escolhido pelo São Paulo. Um sistema no qual o técnico não cuida de tudo, ficando concentrado em treinar o time. A seguir, conheça essa história em detalhes.

Técnico

Um dos primeiros passos para a reconstrução são-paulina era trazer um treinador. Mas faltava dinheiro, o que fez com que a direção demorasse mais do que esperava para encontrar um comandante.

O perfil desejado era o de alguém que não fosse um paizão para os jogadores. Na avaliação do diretor executivo Gustavo Vieira de Oliveira os atletas estavam acostumados com técnicos bonzinhos. Ele queria um pouco de tensão no relacionamento. Alguém que cobrasse constantemente os atletas.

Outro desejo era o de ter um comandante que colocasse o time para jogar de maneira simples, arrumando a defesa, se arriscando pouco e caprichando nas jogadas ensaiadas. Era a fórmula mais segura para quem tinha pouco dinheiro para contratar e tempo escasso até ir para o campo de batalha na Libertadores. Diego Aguirre foi procurado, mas a diretoria avaliou que ele não tinha a firmeza desejada.

Então, em cerca de 48 horas de análise os cartolas se convenceram de que Edgardo Bauza deveria ser contratado. Além dos outros pedidos, ele também aceitou trabalhar num regime em que o treinador não centraliza poderes.

Bauza veio para ser parte de uma sistema montado para gerir o time. Sua função não é tomar decisões fora do campo e ele respeita uma hierarquia baseada numa comissão técnica fixa. Gustavo está no topo da pirâmide. Abaixo dele está o coordenador Rene Webber, chefe de Bauza e das comissões técnicas do clube. O ex-jogador Pintado é auxiliar do treinador, mas como membro da comissão fixa é funcionário diretamente ligado à diretoria. O diretor executivo aciona os dois sem precisar passar pelo técnico, elogiado por se encaixar bem no sistema.

Reforços

A prioridade era aproximar o time da torcida, por isso, trazer Lugano foi uma das principais metas estabelecidas. Outra estratégia era trocar o talento individual pelo jogo coletivo. Até 2015, a equipe dependia na maioria das vezes de lances individuais para ganhar jogos. Como nas cobranças de faltas e pênaltis de Rogério, finalizações de Luis Fabiano (nos bons tempos) e jogadas de Ganso. Então, a preferência passou a ser por quem melhorasse o desempenho coletivo. Outro objetivo era transformar uma equipe apática em vibrante. Com essa missão na bagagem desembarcaram no Morumbi Calleri, Mena e Maicon, além de Lugano.

Vida dura

O começo de Bauza fez alguns jogadores torcerem o nariz para o treinador. Eles estranharam o fato de o time treinar até em domingo e de ter que comparecer ao CT de manhã para fazer trabalhos de recuperação um dia depois de jogos no final de semana. Começava a existir a tensão que Gustavo queria. Nada de conforto.

Depressão após protesto

Mas a tensão fugiu do controle quando os jogadores decidiram não dar entrevistas como uma maneira de protestar contra as remunerações atrasadas. Gustavo disse a eles que a diretoria não esconderia a verdade sobre o silêncio do time. E que tal situação poderia trazer consequências ruins para os jogadores.

Os atletas preferiram seguir a diante. E a derrota para o The Strongest em casa na Libertadores murchou a manifestação. Lugano foi incisivo contra o protesto, enquanto Michel Bastos defendia a greve de entrevistas. Entre os que apoiavam o movimento havia quem dizia que o uruguaio era contra porque acabara de chegar e não tinha sofrido meses com pagamentos atrasados. Lugano respondia que os colegas não conheciam o São Paulo como ele.

O vestiário rachou, e a diretoria detectou ainda uma depressão em parte do elenco pelo fato de o movimento ter fracassado. O discurso dos cartolas, então, passou a ser de que o protesto tinha vingado, já que o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, foi até o CT prometer que os atrasos acabariam. O objetivo era recuperar a autoestima dos atletas afetados.

Junto com o discurso positivo, veio o dinheiro do novo acordo com a Globo e a regularização dos pagamentos.

'Policial' bom e mau

Outro momento importante na reconstrução tricolor aconteceu com a chegada de Pintado como auxiliar-técnico. Um roteiro manjado em filmes policiais foi traçado pela diretoria, com Webber sendo o policial mau e Pintado o bom. O primeiro cobra os jogadores, e o segundo entra em ação em seguida para motivar quem levou a dura. Enquanto isso, Bauza se preocupa em treinar o time, sem se desgastar com os atletas.

Fritura de Bauza evitada

Um dos auges da crise são-paulina aconteceu na derrota para o São Bernardo pelo Campeonato Paulista. A diretoria entendeu que parte dos jogadores via Bauza fragilizado. O temor era de que que os atletas não se esforçassem mais, preferindo esperar a chegada de um novo chefe.

Assim, a direção passou a fortalecer o técnico publicamente. Ao mesmo tempo, Gustavo teve reuniões individuais duras com pelo menos dez jogadores. Cobrou caráter, menos individualismo e mais ajuda aos companheiros.

Os atletas que compraram a ideia da diretoria passaram a ser escalados para dar entrevistas e repetir o discurso do dirigente.

Discussões no vestiário

O time obteve vitórias mesmo jogando mal, e os jogadores começaram a se cobrar, como a diretoria queria. No intervalo da vitória por 2 a 1 sobre o Oeste dois atletas quase se pegaram no vestiário. No empate em 1 a 1 com Trujillanos, pela Libertadores, também houve cobrança interna.

Outra discussão ríspida aconteceu na derrota para o Audax, por 4 a 1, na eliminação do São Paulo no Paulista.

Os jogadores começavam a mostrar o espírito desejado pela diretoria, de não aceitar passivamente resultados ruins.

Resgaste de Michel Bastos

Para diretoria e comissão comissão técnica, recuperar Michel Bastos era considerada uma missão fundamental para reerguer o time. Além de várias conversas com o jogador para mostrar sua importância, a diretoria falou publicamente que iria acionar na Fifa clubes que o assediassem. Assim, pretendia motivar o atleta. Com o mesmo objetivo, companheiros dele foram orientados a dar entrevistas elogiando Michel.

Tempo para trabalhar e torcida

A eliminação no Paulista foi considerada fundamental para a melhora do time, pois Bauza teve mais tempo para trabalhar. O time mudou de cara na Libertadores e trouxe a torcida para seu lado. Os torcedores inflamaram a equipe, acabando de moldar o espírito guerreiro que os cartolas queriam.

Futuro

Animada com o avanço na Libertadores, a direção são-paulina espera conseguir colocar em prática seu projeto de, a partir da comissão técnica fixa, criar um padrão de jogo que permaneça independentemente do técnico, aplicado também nas categorias de base. O plano é que as mudanças de treinadores sejam menos traumáticas, já que a ideia é deixar uma estrutura pronta.


Sistema de notas ajuda seleção a identificar jogador que amarela
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Colaborou Danilo Lavieri, do UOL, em Manhattan Beach (Estados Unidos)

Em suas entrevistas Dunga e o coordenador de seleções da CBF, Gilmar Rinaldi, têm exaltado o centro de inteligência criado na entidade para monitorar jogador. O sistema que virou xodó da dupla inclui um protocolo de avaliação que tem como objetivo identificar a reação dos jogadores em momentos decisivos de uma partida. Ou seja, a partir dele, o técnico pode deixar de fora de um jogo ou de uma convocação atletas com potencial para amarelar.

“Avaliamos tudo que é importante para um jogador de seleção. Como ele se comporta dentro de campo, como é atitude dele durante os jogos, sob pressão, o entendimento tático dele, comportamento em equipe e seu desempenho no um contra um. Entre jogadores das categorias de base e da seleção principal monitoramos 386 atletas”, afirmou Rinaldi.

Os jogadores recebem de observadores da CBF pontos de 1 a 5 para cada quesito. Aqueles que atingem 30 pontos ganham mais atenção da comissão técnica da seleção.

Nas categorias de base, os atletas analisados são divididos nas categorias A (prontos para jogarem na seleção), B (devem continuar sendo observados), C (precisam evoluir) e D (não registrados como futuros atletas de seleção).

“Quando chegamos aqui, a CBF não tinha um banco de dados. Criamos um e fomos acrescentando critérios de observação. No futuro, o treinador da seleção terá a disposição dele todo o histórico dos jogadores desde as categorias de base para decidir quem chamar”, afirmou Rinaldi.

 


Função tripla de Maicon faz São Paulo se esforçar para segurar zagueiro
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Ao contratar Maicon o São Paulo esperava arrumar sua zaga. Porém, conseguiu mais do que isso. A avaliação da diretoria tricolor é de que o beque ajudou a resolver outros dois problemas: dar um líder para o elenco e um ídolo para torcida.

No final do ano passado, com a aposentadoria de Rogério Ceni, os cartolas estavam preocupados com a falta de liderança no time. Ganso, Denis e Alan Kardec estavam entre as apostas dos dirigentes para ocupar ou dividir o papel que era exercido por Ceni.

Desde que chegou, Maicon ganhou espaço no elenco e virou um dos líderes. Foi considerado fundamental pelos dirigentes para mudar a postura dos atletas, antes considerados apáticos em campo. Internamente, ele era um dos que mais cobravam um comportamento diferente.

Aliando bom desempenho em campo e garra, naturalmente Maicon conquistou a torcida, carente de ídolos, já que Pato e Luis Fabiano também tinha deixado o time. Não havia elos entre os torcedores e o time. A relação era péssima por causa dos maus resultados.

Essa função tripla de Maicon (arrumar a defesa, ser um dos líderes do grupo e aproximar o clube dos fãs) faz com que a direção queira mover montanhas para segurar o jogador, emprestado pelo Porto.

A missão é das mais complicadas, pois os portugueses batem o pé para não renovarem o empréstimo que termina no final de junho e o São Paulo não tem dinheiro para comprar o atleta. O clube brasileiro parece estar num beco sem saída, mas o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva diz ter uma alternativa para desatar o nó. A estratégia e os valores que ela envolve são mantidos em sigilo no Morumbi.