Blog do Perrone

Análises notam falta de transparência em contas corintianas e regra ferida
Comentários 1

Perrone

Relatórios do Conselho Fiscal do Corinthians e de empresa de auditoria contratada para analisar o balanço do clube referente a 2016 apontam dificuldade na obtenção de documentos essenciais para análise. Por conta dos relatos de falta de transparência, opositores estudam medidas para tentar anular a aprovação feita nesta quinta pelo Conselho Deliberativo e até um novo pedido de impeachment.

O artigo 81 do estatuto diz que o conselho deve apreciar o relatório geral do presidente da diretoria sobre as contas, que não foi apresentado ao conselho deliberativo. Além disso, o conselho fiscal do clube aponta em parecer que não recebeu o relatório da diretoria, ao contrário do que determina o estatuto. Desobediência às regras do clube é um dos motivos para pedidos de impeachment. Ela precisa ser comprovada e o afastamento aprovado pelo conselho, que já rejeitou um processo de destituição contra Andrade.

Em seu parecer, o Conselho Fiscal corintiano afirma que analisou as contas sem os relatórios de gestão de diretoria e de auditoria interna, além de não receber informações sobre operações realizadas. “Nos foi disposto um prazo curto para o balanço do exercício de 2016, para uma análise e aprovação ou não, sem elementos para um estudo minucioso e necessário”, afirma o relatório.

Mesmo assim, o conselho fiscal considerou as demonstrações contábeis aptas a serem votadas pelos conselheiros. O artigo 102 do estatuto diz que o órgão tem que examinar o balanço anexado ao relatório anual da auditoria, que não foi apresentado, segundo o parecer.

Incerteza sobre arena

O blog teve acesso também à minuta do relatório da Parker Randall Brasil, especializada em auditoria, feito sobre o balanço de 2016 (leia aqui). A minuta foi enviada aos conselheiros, sem assinatura. Num de seus trechos mais importantes, o parecer encaminhado para a diretoria a fim de ser discutido, afirma que há “incerteza significativa relacionada à continuidade operacional do investimento Arena Fundo de Investimento Imobiliário”, responsável pelo estádio corintiano. Essa é uma das três ressalvas feitas às contas apresentadas.

A incerteza existe, segundo a análise dos auditores, por conta da decisão da administradora BRL Trust de sair do fundo. “Solicitamos apresentação formal dos consultores jurídicos do clube para avaliação dos potenciais riscos contingenciais daquela decisão (saída) do gestor do fundo. Até a emissão desse relatório não havia sido apresentada a resposta…”, diz trecho da minuta.

O relatório lembra que o fundo tem como principal ativo o estádio alvinegro e que a continuidade operacional do empreendimento depende da geração de receitas para fazer face à manutenção de sua estrutura operacional, assim como para o cumprimento da liquidação dos passivos e demais fontes de investimento relacionadas à construção do empreendimento.”

Em outra ressalva, o documento afirma que os auditores não obtiveram resposta à totalidade das solicitações de confirmação direta de resposta sobre quatro assessores jurídicos. O saldo da dívida do Corinthians com eles seria de R$ 20,4 milhões.

No mesmo item está registrado que a auditoria não recebeu confirmação de depósitos e empréstimos de Caixa, Polo Fundo de Investimento, Horizonte Conteúdos e Bradesco com saldos de R$ 1,3 milhão (ativo) e R$ 30,9 milhões (passivo). Também não foram obtidas confirmações de valores a receber de Globo, Federação Paulista, Caixa, Apollo Sports Solution, Estrella de Galícia Importadora e Comércio de Bebidas, AMC assessoria em negócios, Boca Juniors e valores a pagar para fornecedores.

Em mais uma ressalva, o parecer contesta a reavaliação de bens do ativo imobilizado do clube. Afirma que ela foi feita em desacordo com práticas contábeis e que em 31 de dezembro de 2016 os saldos imobilizado e do patrimônio líquido foram apresentados a maior em R$ 407,7 milhões.

O blog enviou mensagem por celular para Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, mas ele não mandou resposta até a publicação do post, apesar de visualizar o texto. Roberto de Andrade não atendeu à ligação do blog.


Andrés justifica fala polêmica sobre Odebrecht e ouve conselho para delatar
Comentários 21

Perrone

Pressionado por um pedido de conselheiros para que o presidente do Corinthians o desautorize a falar pelo clube diante da Odebrechet, Andrés Sanchez tem usado as redes sociais para se defender, trocando farpas com seus críticos. Na batalha, sobrou até uma sugestão para que o deputado federal faça uma delação premiada para contar o que sabe sobre a construção do estádio do clube.

O problema começou quando o ex-presidente corintiano disse ao UOL Esporte que a Odebrecht não senta com ninguém se não for com ele. O deputado federal negava um acordo para a construtora deixar o fundo que administra a arena alvinegra.

Por causa das declarações, os conselheiros Romeu Tuma Júnior e Herói Vicente entregaram requerimento ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger pedindo que fosse determinado a Roberto de Andrade que desautorize publicamente Andrés a  negociar com a Odebrecht em nome do clube. Um dos motivos alegados é o fato de Sanchez ser citado em delação de Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha via caixa 2, segundo a Folha de S. Paulo. Ele nega o recebimento.

Ao repassar a mensagem para o presidente do clube, Strenger aumentou a pressão ao escrever que Andrés não pode falar como mandatário do Corinthians.

Sanchez reagiu com vídeos publicados em redes sociais. Primeiro, afirmou que não quis dizer que a Odebrecht só fala com ele no clube.

“Eu não falei aquilo, que só negocia comigo. Eu quis dizer que eu dificilmente saberia de uma negociação se eu não ficasse sabendo, então jamais falaria aquilo e jamais tomaria uma atitude no Corinthians, há cinco anos, se não for de confidência e junto com o presidente. Quem manda no Corinthians é o presidente e sua diretoria.  Por isso não faço nada sem ser convocado ou comunicado por ele. Por isso, essas pessoas que nunca fizeram nada pelo Corinthians, nunca, você pode pegar nas histórias mais recentes, nos últimos 20 anos e citar aqueles nomes e ver se alguém fez alguma coisa pelo Corinthians. Agora eles ficam falando, fazendo e jogando com a imprensa, isso é muito triste, muito ruim pro Corinthians”, afirma Andrés em um dos vídeos.

 Em outra gravação, o deputado federal declara que o presidente do conselho e conselheiros querem o proibir de falar. “Isso é inacreditável. Eu sou conselheiro vitalício, sou ex-presidente do Corinthians, tenho o direito de falar o que eu acho e o que é melhor para o clube, dar minha opinião. Agora, não tenho o direito de assinar e tomar decisões. E não estou tomando. Eles ficam se pegando, não sei, eles devem ter um carma comigo. Agora o tempo vai mostrar quem fez alguma coisa pelo Corinthians. Errando ou acertando. E olha que vem mais aí, um abraço”, afirmou o ex-presidente na mensagem.

Tuma Júnior rebateu o ex-dirigente com uma gravação de voz distribuída para conselheiros. Nela, ele diz que quer, sim, que Andrés fale e conte tudo que sabe. Sugere até que ele faça uma delação premiada.

 “Não sei a quem ele se refere. Mas a verdade, de minha parte, eu gostaria muito que ele falasse. Falasse bastante, esclarecesse muitos fatos que estão sendo noticiados e deixasse as coisas bem claras. Não queremos que ele deixe de falar, queremos que ele fale bastante, mas fale a verdade. Esclareça os fatos, diga o que aconteceu no Itaquerão… Esclareça claramente aquelas entrevistas que ele deu lá atrás quando dizia: ‘se eu contar a verdade, o Lula vai ficar mal nessa história’. Fala, Andrés, fala bastante, fala a verdade. Não faça insinuações, não faça ameaças veladas. Isso pode lhe trazer muitos prejuízos, inclusive de ordem criminal. Inclusive, se precisar, se for necessário, até lhe aconselho, procure o procurador-geral e faça uma colaboração premiada. Isso pode te beneficiar bastante. Para o seu bem e para o bem do Corinthians”, disse Tuma Júnior.


Desempenho de técnico do Corinthians pressiona treinador do Palmeiras
Comentários 35

Perrone

O desempenho do novato Fábio Carille no Corinthians ajuda a pressionar Eduardo Baptista no Palmeiras.

Conselheiros de diferentes correntes políticas, incluindo a situação, querem a demissão do treinador. E usam a comparação com o corintiano para robustecer seus argumentos. A tese é de que o ex-auxiliar alvinegro, sem a mesma experiência que o palmeirense e com um elenco muito mais barato, levou seu time à final do Paulista, enquanto o alviverde caiu nas semifinais diante da Ponte Preta.

A avaliação é de que Carille sabe escalar e armar sua equipe taticamente melhor do que Baptista. E que também consegue controlar mais o vestiário do que o palmeirense.

A recente insatisfação de Borja ao ser substituído é usada como indício de falta de controle do vestiário. Como mostrou o UOL Esporte, o técnico age para tentar manter as rédeas da situação.

O substituto de Cuca também é criticado por supostamente transformar a organização tática herdada de seu antecessor em amontoado de jogadores.

Nesse cenário, o palmeirense é visto mais como iniciante do que o corintiano. “O Maurício (Galiotte) diz que o Baptista é estudioso. Então faz uma matrícula para ele na FAM (Faculdade das Américas, patrocinadora do clube). O Palmeiras não pode ter um técnico aprendiz”, afirmou o conselheiro José Corona Neto.

Ele faz parte dos que sugerem, além da demissão do treinador, a contratação de Cuca ou Abel Braga como substituto. Caso Baptista deixe o cargo, em tese, os dois nomes são difíceis. Cuca porque saiu do Palmeiras falando em ficar um ano sem trabalhar. E Abel por estar bem no Fluminense.

Diante da pressão, Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, tem assegurado a permanência de Baptista até o final do ano.

 


Apesar de dificuldades, Chape ainda tenta Sheik e Seijas
Comentários 5

Perrone

A Chapecoense vê uma série de dificuldades para acertar as contratações do atacante Emerson Sheik e do meia Luis Manuel Seijas, mas ainda não desistiu das negociações, segundo Rui Costa, diretor-executivo do time catarinense.

“Sempre tivemos interesse no Sheik. Não dá pra dizer que acabou ainda, mas acho improvável”, afirmou o dirigente.

O blog apurou que o principal entrave é a pedida salarial do atacante, superior ao que a Chape pretende gastar. Existem também detalhes contratuais ainda sem acordo.

Em relação a Seijas, a Chapecoense terá que esperar o fim do Campeonato Gaúcho. A direção do Internacional sinalizou que não vai decidir sobre a eventual saída do meia antes da decisão com o Novo Hamburgo.

“Seijas é um baita jogador na minha opinião. Eu o monitorava desde o Santa Fé. Mas acredito que jogou fora de sua posição no Inter”, disse Costa. Ele também classifica essa operação como difícil.

Da mesma forma que acontece com Sheik, o salário de Seijas, que chegaria por empréstimo, é alto para os padrões da Chape.


Do olhar das viúvas à provocação com avião. A reconstrução da Chape
Comentários 2

Perrone

 

Pouco menos de cinco meses após o acidente aéreo que dizimou seu time, a Chapecoense celebra estar na final do Campeonato Catarinense, na qual enfrentará o Avaí. O caminho até a decisão foi marcado por dramas, desconfianças, 26 contratações de jogadores e até impiedosas provocações de rivais lembrando a tragédia. Detalhes dessa reconstrução foram contados ao blog por Rui Costa, diretor-executivo de futebol do clube e que vê a Chape pronta para chamar a atenção por seu projeto de reestruturação, não pela comoção causada pelo desastre.

 Abaixo, leia as principais declarações do dirigente.

Terra arrasada

Nove de dezembro, quando cheguei, o ambiente era devastador, muito pesado. O clube não tinha perspectiva, não tinha esperança, havia desconfiança de que não conseguira se remontar. Era algo fora de cogitação imaginar que o time seria finalista do Estadual. A missão era ainda mais difícil para quem chegava de fora. A Chapecoense já era um time que representava a cidade, depois do acidente isso aumentou. As pessoas pensavam quem são estes caras? Eles vão fazer da Chapecoense uma equipe de amigos de novo, um time ligado à comunidade? Você está chegando para ocupar o lugar de alguém que morreu. A sua presença lembra a ausência de alguém e isso gera um desconforto nas pessoas. Nossa primeira meta era reconstruir o grupo. Em quatro meses, com a liderança do (Vagner) Mancini, com a capacidade de escolher lideranças positivas, jovens com ambição, conseguimos construir um ambiente no vestiário de amizade, semelhante ao que existia antes”.

Recomeço com Camp Nou

“A apresentação foi muito emocional, muito pesada. Foi muito difícil porque não era só montar ume elenco, tivemos que remontar toda a equipe de trabalho, médicos, massagistas… A cada dia que o sol se punha pensávamos: ‘só temos três jogadores e 15 dias para montar o time’. Foram mais de 90 jogadores mapeados, 50 selecionados, 26 contratados. No começo, havia desconfiança, você procurava um atleta e ele ficava na dúvida de acertar com um time que tinha só três ou  quatro jogadores. Teve gente que disse não por achar arriscado, por não saber se conseguiríamos montar um time. Usei muito a visibilidade que a Chapecoense teria, usei várias vezes a argumentação que jogaríamos no Camp Nou (estádio do Barcelona) e que jogar no Camp Nou pode mudar a carreira de um jogador brasileiro. Deu certo”.

 

Viúvas

“O momento emblemático foi o primeiro jogo, o amistoso com o Palmeiras. As esposas dos jogadores (mortos) ficaram na frente do vestiário e elas nos olhavam de uma forma específica, não era um olhar de ravia, era um olhar de o que vocês estão fazendo aí (no lugar dos outros)? A gente representava a ausência dos maridos. Esse clima foi difícil, mas depois o vestiário foi ficando mais desportivo, entrando só quem está trabalhando. Conseguimos um equilíbrio entre o desportivo e o emocional, fazer esses caras (novos atletas) entrarem no coração da torcida. E fizemos os jogadores entenderem que a maior homenagem para aqueles que não estão mais aqui é vencer os jogos e transformar o projeto em algo saudado não por conta de uma tragédia, mas por conta de como se consegue superar um episódio dramático com profissionalismo. Ninguém quer ‘coitadismo’, a gente quer gerar atenção pelo projeto desportivo. A tragédia foi devidamente registrada. Lembrar disso em todo jogo pode atrapalhar os jogadores com o peso de representar pessoas que não estão mais aqui. Hoje, o torcedor da Chapecoense não vai ao estádio só pra prestar homenagens, ele torce, vaia”.

Provocações

Preparamos os jogadores para enfrentar eventualmente piadas de mau gosto, como as que aconteceram no jogo com o Criciúma (a torcida adversária cantou: ão, âo, ão, abastece o avião). Teve um jogo no começo, não vou lembrar contra quem, em que alguns torcedores provocaram, cantaram algo sobre o avião e isso gerou muita indignação dos nossos jogadores. Gerou raiva, alguns não conseguiram controlar a indignação, e sentimos que isso abalou um pouco o time. Então conversamos com os jogadores, explicamos que isso poderia acontecer mais vezes, apesar de ser absolutamente irracional. Dissemos que precisamos focar no trabalho, e eles não se abalaram mais. Sempre que isso acontecer, vamos reagir de maneira institucional, pela diretoria. O jogador tem que se imunizar”.

Futuro

Temos oito ou nove atletas com situações bem encaminhadas de permanência. Outros tantos com opção de compra. Então, temos possibilidade de manter 90% dessa equipe para 2018. Não fizemos um time para durar só até 2017. Não vamos ter que comprar mais 25 jogadores no ano que vem. Em relação ao (próximo) Campeonato Brasileiro, acredito que vai ser o mais difícil dos últimos anos. Então, se tivermos oportunidade de nos reforçar, vamos fazer isso”.


Por que é arriscado para o Corinthians um acordo com a Odebrecht agora?
Comentários 29

Perrone

Como mostrou o UOL Esporte, a Odebrecht pretende chegar a um acordo com o Corinthians para deixar o fundo responsável pela arena do clube. Porém, uma série de fatores torna essa saída arriscada para o alvinegro.

O principal deles é o fato de ainda não ter sido entregue o relatório da auditoria feita pelo escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva. Ela analisa se a Odebrecht cumpriu o contrato na íntegra dos pontos de vista de engenharia e arquitetura.

Pelo esboço do acordo apresentado verbalmente pela construtora a dirigentes alvinegros, a Odebrecht perdoaria parte da dívida do Corinthians e sairia com um prejuízo de R$ 200 milhões, pelas contas dela. Esse é o valor aproximado que outro relatório, produzido pelo escritório de advocacia Molina & Reis, aponta como equivalente ao que a Odebrecht teria deixado de fazer ou que precisa ser refeito no estádio. Só que o documento foi produzido sem os dados do trabalho comandado por Cláudio Cunha, que não ficou pronto a tempo.

Ou seja, com os dois relatórios o resultado pode ser de um valor superior aos R$ 200 milhões. Assim, se aceitar o acordo antes de a conclusão da segunda auditoria ser entregue, o Corinthians corre o risco de não poder cobrar a construtora por montantes superiores aos R$ 200 milhões. A Odebrecht afirma ter cumprido o contrato na íntegra.

Se forem comprovadas as centenas de milhões de reais equivalentes a trabalhos não feitos ou insatisfatórios, a construtora estaria perdoando uma dívida que de fato não existe.

Outra questão é a Lava Jato. Antes do fim das investigações, o clube não pode medir o tamanho de eventuais prejuízos que teve com supostas operações ilegais envolvendo sua arena e seus dirigentes, se elas forem comprovadas. Planilhas do setor de propinas da construtora ligam o estádio a pagamentos irregulares para pessoas ainda não identificadas. Além disso, em sua deleção, Marcelo Odebrecht citou doação por meio de caixa 2 para a campanha a deputado de Andrés Sanchez, segundo a Folha de S.Paulo. O ex-presidente corintiano nega o recebimento de dinheiro ilegal.

Assim, conselheiros do clube defendem que nenhum acordo seja assinado com a Odebrecht antes do fim das investigações da Lava Jato.

Outro ponto que gera incertezas para o clube é o fato de a Odebrecht, pela proposta inicial, deixar de ser a garantidora do empréstimo feito pela Caixa junto ao BNDES para financiar a construção. Nesse caso, ela retiraria as garantias que deu ao banco e o clube teria que encontrar outra forma de garantir o pagamento. Só que a Caixa e outros bancos não enxergam com bons olhos garantias dadas por clubes, tanto que a Odebrecht precisou dar as suas.

Por fim, conselheiros corintianos também se incomodam com a possibilidade de a Odebrecht sair do negócio como boa moça, supostamente perdoando parte do débito corintiano, apesar da suspeitas do clube de que ela não cumpriu em 100% o combinado.

 


Opinião: Baptista expõe jogadores e não faz Palmeiras render o que pode
Comentários 104

Perrone

Após o Palmeiras bater a Ponte Preta por 1 a 0 e ser eliminado do Campeonato Paulista, Eduardo Baptista disse que se o alviverde tivesse a mesma determinação em Campinas que teve em casa o placar do primeiro jogo seria bem diferente de 3 a 0 para a Macaca. Com essa declaração, o treinador demonstra que ainda não entendeu que o motivo para derrota e consequente eliminação foi em primeiro lugar tático.

 O time de Baptista não conseguiu encontrar soluções para anular o domínio do adversário e isso tem muito mais a ver com estratégia e rapidez de reação do treinador para reverter a situação do que com vontade dos atletas.

Da maneira como falou, o técnico expôs seus jogadores. Assim como deixou Borja exposto ao afirmar que o atacante foi “contratado a peso de ouro, vive de gols e sabe que não está fazendo”. O comandante disse uma verdade que não precisava ser dita em público. Deve partir dele o exemplo de resolver atritos no vestiário. Longe das câmeras, ele poderia ter dado uma dura no colombiano que externou sua insatisfação por ser substituído. Mas o técnico tentou apagar o fogo com gasolina.

Em qualquer equipe é fundamental que o treinador controle o vestiário. Num elenco recheado de jogadores caros, em que sempre alguns estarão no banco, essa característica é ainda mais importante. Só que Baptista vem mostrando certa dificuldade para lidar com seus comandados.

O filho de Nelsinho precisa se concentrar mais em fazer o Palmeiras ter um desempenho à altura do investimento feito no grupo e cutucar menos seus atletas. Assim como Borja sabe que não está fazendo os gols vitais para sua carreira, Baptista deve ter consciência de que o futebol apresentado pelo alviverde até aqui não é o esperado por torcida e diretoria. Depender exclusivamente de raça, determinação, não é coisa para quem investiu tanto na formação do elenco como no caso palmeirense.


Presidente do conselho diz a Andrade que Andrés não pode falar pelo SCCP
Comentários 5

Perrone

Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, repassou a Roberto de Andrade pedido de conselheiros para que ele desautorize publicamente Andrés Sanchez a negociar pelo clube com a Odebrecht. O ex-presidente foi citado em delação na Lava Jato por Marcelo Odebrecht como recebedor de doação de campanha para deputado federal por meio de caixa 2. Ele nega o recebimento.

 Strenger não se limitou a encaminhar o requerimento. Ele emitiu sua opinião, aumentando a pressão para que o presidente corintiano afaste Sanchez das negociações com a Odebrecht. Entre outros assuntos a construtora propõe sua saída do fundo administrador do estádio, como mostrou o UOL Esporte.

“Aproveito a oportunidade para, igualmente, na qualidade de presidente do Conselho Deliberativo, manifestar minha preocupação em relação as declarações prestadas pelo conselheiro Andrés Sanchez, que não pode, em hipótese alguma, pronunciar-se como se fosse mandatário do SCCP”, escreveu Strenger em sua mensagem para Andrade.

Antes de declarar o que pensa, ele pediu para o presidente corintiano prestar os devidos esclarecimentos, considerado o teor das manifestações dos conselheiros Herói Vicente e Romeu Tuma Júnior. A dupla pediu que fosse determinado que Andrade desautorize publicamente Andrés a negociar com a Odebrecht. A medida foi tomada depois de o ex-presidente dizer ao UOL Esporte que a construtora só se senta com ele para negociar. O pedido foi justificado pelo fato de o ex-presidente não integrar a comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado federal pelo PT-SP à Operação Lava Jato.

Indagado sobre o fato de emitir uma opinião dura para Andrade sobre Andrés, o presidente do conselho disse, em mensagem de texto por celular, apenas que “era necessário”.

Strenger agora aguarda pela resposta do presidente corintiano.


Andrade é cobrado para afastar Andrés de conversas com Odebrecht por arena
Comentários 46

Perrone

Roberto de Andrade está sendo pressionado a afastar Andrés Sanchez das conversas com a Odebrecht sobre a Arena Corinthians. Um grupo de conselheiros enviou nesta quinta requerimento para o presidente do conselho deliberativo do clube, Guilherme Gonçalves Strenger, para ser encaminhada ao principal cartola alvinegro a determinação de afastamento.

A medida foi tomada após o ex-presidente declarar ao UOL Esporte que a Odebrecht não senta com ninguém do clube para negociar a não ser com ele. Na ocasião, Sanchez sustentava que ainda não há proposta feita pela construtora para se afastar do fundo que administra a Arena Corinthians. Como revelou o UOL Esporte, a empresa quer fazer um acordo para deixar o fundo.  Oficialmente, ela nega tal interesse. A declaração irritou conselheiros de diferentes alas, incluindo gente da situação próxima ao presidente alvinegro.

O requerimento pede que, em virtude da declaração, seja encaminhado ofício para Roberto de Andrade determinando que ele desautorize publicamente Andrés a negociar em nome do Corinthians.

O pedido é justificado pelo fato de o ex-presidente não fazer parte da comissão de conselheiros formada para apurar a situação da arena e por causa das notícias que relacionam o deputado à Operação Lava Jato.

Segundo a Folha de S.Paulo, Andrés foi citado em delação de Marcelo Odebrecht como recebedor de doação para sua campanha a deputado federal via Caixa 2.

Entre as explicações para o pedido está exposto que, apesar de ter o direito de se aconselhar com quem quiser, Andrade deve se pautar pela moralidade e pela legalidade em suas ações.

No caso de o presidente do conselho entender que a solicitação não faz sentido, é solicitado que ele informe se o deputado federal está autorizado por Andrade a negociar com a Odebrecht pelo clube.

Também é lembrado no documento que ficou estabelecido que tudo referente à Arena Corinhtians seja submetido à comissão criada no conselho. Ela não foi informada sobre o assunto.

Há ainda o temor de que autoridades interpretem a fala de Andrés como coação a Marcelo Odebrecht.

Indignação

O blog não teve acesso à relação de conselheiros que assinaram o pedido, mas conversou com membros do conselho que ficaram indignados com a afirmação do ex-presidente.

“Foi uma declaração de prepotência e arrogância imensuráveis. O deputado não é dono do clube (para falar dessa forma). Salvo engano, ficou a impressão de que ele usou a imprensa para mandar recado para quem o está delatando. O presidente precisa se posicionar publicamente afastando as pessoas que não estão autorizadas a falar pelo clube. Já é notório o prejuízo financeiro e de imagem para o Corinthians mostrados pela Lava Jato”, disse ao ser indagado sobre o assunto Romeu Tuma Júnior, conselheiro oposicionista.

A afirmação de Andrés sobre ser o único com quem a Odebrecht senta para conversar também não caiu bem na comissão do conselho especializada no estádio. Além de pelo menos parte dos membros achar que por causa da Lava Jato Andrés deveria manter distância da Odebrecht, há também o argumento de que a afirmação não representa a verdade. Isso porque integrantes da comissão afirmam que recentemente conversaram com representantes das áreas financeira e de engenharia da construtora.

Entre aliados do presidente corintiano, há a critica de que a declaração desrespeitou Roberto de Andrade, já que Sanchez teria se mostrado superior em relação ao presidente no trato com a Odebrecht.

Andrés não pôde ser ouvido porque não fala com o blog. Andrade não atendeu às ligações.


‘Não sei de ninguém que roubou o clube’, diz vice corintiano sobre polêmica
Comentários 3

Perrone

Criticado por conselheiros após gravar mensagem a ex-aliados dizendo saber de todo mundo que levou dinheiro do clube, André Luiz Oliveira, primeiro vice do Corinthians, afirmou que nunca soube de ninguém que tenha roubado a agremiação nas gestões do grupo Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez.

“Foi uma sequência de conversas, posso ter falado de uma forma que deu a entender outra coisa. Quis dizer que sei quem trabalhou para o clube, não que o cara roubou. Se eu tivesse visto alguém roubando seria o primeiro tomar providências”, afirmou o vice.

Mas o estatuto corintiano também não permite que membros do conselho trabalhem para o Corinthians ou sejam remunerados de alguma forma pelo clube. Por que André não tomou medidas em relação a essas pessoas? “Eu não preciso mostrar quem são, todo mundo no clube sabe”, disse o dirigente.

Revoltando com o fato de dissidentes do seu grupo político fazerem reuniões montando uma nova ala, André disparou mensagens em tom ameaçador.

Após a revelação feita pelo blog, conselheiros corintianos se mobilizam para indagar ao vice de maneira formal, no Conselho Deliberativo, por qual motivo ele não tomou providências em relação a quem “levou dinheiro” ou trabalhou para o Corinthians. Há também um grupo de conselheiros que promete formalizar um pedido para que o caso seja analisado pela comissão de ética e disciplina do Conselho Deliberativo.