Blog do Perrone

Arquivo : outubro 2010

Após eleição, cartolas esperam mais ajuda de Lula
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Perrone

A expectativa dos cartolas é que, vencida a eleição presidencial por Dilma Roussef, o presidente Lula seja ainda mais atuante nas questões relativas ao futebol, sobretudo no que diz respeito à Copa do Mundo.

Até então, Lula voltava suas energias para eleger Dilma. Agora poderá dar mais atenção aos dirigentes. E seu primeiro trabalho será administrar a briga pelo estádio paulista na Copa.

O São Paulo ainda não se deu por vencido e diz ter a promessa do presidente de que após a eleição ele brigaria pela volta do Morumbi ao Mundial. Um integrante do Governo Federal confirmou ao blog a versão são-paulina de que Lula disse a Andrés Sanchez, antes do acordo com a Odebrecht, que ajudaria na construção do estádio corintiano,  mas não para o Mundial.

O Corinthians também vai acelerar depois da eleição. Não foi por acaso que o clube marcou já para a próxima quarta-feira reunião com o BNDES para pedir o financiamento para a sua arena. A avaliação no clube era a de que ninguém no banco tomaria uma decisão desse porte antes da eleição, sem ter a certeza da vitória de Dilma, pois um triunfo de José Serra provocaria mudanças no primeiro escalão do BNDES.

Disputa pelo estádio de São Paulo na Copa à parte, a maioria dos dirigentes comemora a vitória de Dilma . É a garantia de que o governo continuará dando atenção ao futebol, mais por obra de Lula do que da nova presidente, que não tem a mesma paixão pelo futebol.

Os cartolas acreditam que agora Lula estará mais livre para ajudá-los. E que essa liberdade vai aumentar depois da saída dele da presidência. O próprio Lula já disse que, se necessário, vai continuar trabalhando pela Copa de 2014, após o fim de seu mandato.


Quanto ganha um árbitro no Brasileirão?
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Para responder à pergunta feita pelo leitor George Tietê, interessado em conhecer a remuneração dos árbitros no Campeonato Brasileiro, publico uma relação com os valores que eles recebem por jogo nas séries A e B.

O catarinense Paulo Henrique Godoy Bezerra, por exemplo, que anulou de maneira errada o gol do santista Edu Dracena contra o Inter, ganhou R$ 2.000. Essa é a taxa paga por partida aos juízes que não pertencem aos quadros da Fifa e nem são aspirantes à Fifa.

Francisco Silva Neto, quarto ábitro de Inter x Santos e que afirmou no intervalo que a bola de Dracena não entrou, recebeu uma cachê de R$ 350. Confira todos os valores:

Série A

Árbitro Fifa – R$ 3.000

Árbitro aspirante à Fifa – R$ 2.200

Árbitro básico – R$ 2.000

Bandeirinha Fifa – R$ 1.500

Bandeirinha básico – R$ 1.000

Quarto árbitro – R$ 350

Série B

Árbitro Fifa -R$ 2.500

Árbitro aspírante à Fifa – R$ 1.700

Árbitro básico – R$ 1.500

Bandeirinha Fifa – R$ 1.250

Bandeirinha básico – R$ 750

Quarto árbitro -R$ 300 

Em média, os árbitros apitam três jogos por mês. Na maioria dos casos, a arbitragem não é a principal fonte de renda dos juízes, obrigados a terem um emprego fora dos gramados. Muitos deles alegam que isso os impede de ter uma preparação adequada.


Novo round de Santos x Sonda
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O Santos está cada vez mais em rota de colisão com a DIS, empresa do Grupo Sonda e parceira do clube nos direitos econômicos de muitos jogadores, como Neymar e Ganso.

O novo problema é uma dívida que a empresa alega existir referente à venda do volante Wesley para o Werder Bremen. Dona de 25% dos direitos econômicos do jogador, a DIS ainda não recebeu a sua parte, cerca de 2,5 milhões de euros.

Os cartolas santistas avaliam que a empresa pagou pouco pelas fatias de atletas que comprou durante a gestão de Marcelo Teixeira. Querem tentar convencê-la a aceitar menos do que o combinado. Mas há um contrato assinado.

A relação entre as duas partes começou a azedar quando Luiz Alvaro Ribeiro assumiu a presidência do Santos e tentou renegociar os contratos, diminuindo a participação da DIS nos direitos ou fazendo a parceira pagar parte dos salários dos jogadores. Não conseguiu.

Recentemente, o cartola tentou tirar os empresários do grupo da negociação de um novo contrato com Ganso. Também não deu certo.

A crise entre Santos e Sonda serve de alerta para os demais clubes, que se acostumaram a vender direitos de jogadores das categorias de base para pagar despesas como salários de atletas e  funcionários. Na hora do sufoco, é um grande negócio. Mas, se o jogador é vendido, o dinheiro que já foi torrado faz falta. Principalmente se foi gasto pela diretoria anterior.

No caso santista, há uma peculiaridade que apimenta mais a disputa entre as duas partes. Ao mesmo tempo em que se desentende com a DIS, o clube estimula a compra de direitos por parte de um fundo que tem entre os investidores sócios do clube e colaboradores da diretoria.


Clubes esperam receber R$ 1,7 bi da TV
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Os dirigentes dos principais clubes brasileiros afirmam que, sem a cláusula de preferência para a Globo, conseguirão turbinar o próximo contrato de venda dos direitos de transmissão do Brasileirão.

Contando TV aberta, pay-per-view e outras propriedades, o acordo atual garante aos clubes cerca de R$ 1,5 bilhão em três anos. A expectativa é a de que esse valor chegue a R$ 1,7  bilhão no próximo contrato, que valerá entre 2012 e 2014, mas já deve ser assinado no começo do próximo ano.

Os dirigentes afirmam que o anúncio do trato feito com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), com o objetivo de estimular a concorrência, já icentivou outras emissoras.

 Além da Globo, o Clube dos 13 já foi procurado por representantes da Record e do SBT, que afirmaram ter interesse em entrar na disputa. A ESPN também demonstrou vontade de participar da concorrência para canais fechados.

Os detalhes do processo ainda não foram definidos. Uma ideia é que todas as propostas passem por um processo de padronização para que a única diferença relevante seja o valor. Depois disso, as emissoras entregariam suas ofertas em envelopes fechados. E a mais alta venceria.

Esse critério poderia neutralizar a vantagem da Globo, que tem mais trânsito com os cartolas e já conversa com eles longe do Clube dos 13.


Diretoria pediu para Felipão não dar entrevistas estressado
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A fórmula é simples, antiga e usada pela maioria das assessorias de imprensa quando jogadores se envolvem em situações polêmicas: não dar entrevista enquanto estiver nervoso.

É isso que Luiz Felipe Scolari foi orientado a fazer. Depois dos palavrões que soltou na entrevista após a partida contra o Atlético-MG, a diretoria do Palmeiras pediu para que ele não fale com a imprensa de cabeça quente. Provavelmente por isso o treinador cancelou a entrevista que daria nesta sexta-feira.

Os dirigentes não bateram de frente com Felipão, mas afirmam que foi uma situação desagradável, principalmente para os patrocinadores que ajudam a bancar o técnico no Palestra Itália. Ninguém reclamou com o clube, mesmo assim, a diretoria ficou constrangida com a situação de quem ajuda a pagar o salário de Scolari e corre o risco de vê-lo falando palavrões na TV enquanto exibe a marca da empresa.

 Felipão errou, mas não enganou ninguém.  Quem topou patrociná-lo sabia de seu temperamento explosivo.


Neymar já avisou: seguirá cobrando pênaltis
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Depois da derrota para o Grêmio Prudente, em que voltou a desperdiçar uma cobrança de pênalti, Neymar disse no vestiário a seus companheiros que não vai desistir. Se nos próximos jogos aparecerem novas oportunidades, ele vai querer bater.

A declaração não pegou bem entre alguns jogadores do Santos. Principalmente entre os mais velhos, que ainda não superaram totalmente o episódio em que Dorival Júnior caiu, após bater de frente com Neymar, justamente após impedi-lo de cobrar uma penalidade. Na ocasião, os mais experientes ficaram do lado treinador.

O técnico atual, Marcelo Martelotte, estava no vestiário quando Neymar anunciou que pretende continuar como cobrador. Porém, em sua entrevista coletiva, concedida depois da derrota, o treinador afirmou não saber quem vai bater, se houver um pênalti contra o Internacional, neste sábado.

Quem convive com os jogadores santistas diz que a atitude de Neymar no vestiário foi avaliada por alguns dos mais experientes do grupo como um gesto de jogador que dá mais importância a seus feitos pessoais do que ao conjunto.

Pelo menos aparentemente, o desentendimento desta sexta-feira entre Neymar e Marcel, de 28 anos, nada tem a ver com o desconforto que o poder dado ao jovem atacante pela diretoria causa nos mais velhos do grupo. Parece ter sido mesmo um fato isolado, envolvendo Zé Eduardo, amigo do peito de Neymar.

Aliás, enquanto era técnico do Santos, Dorival chegou a proibir Zé Eduardo de participar das rodas de bobinho antes dos treinos porque achava que os colegas zombavam demais dele. Temia uma encrenca como a que aconteceu agora, apesar de o motivo ser outro.


Cinco efeitos colaterais causados por Valdivia
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Mais cara contratação do Palmeiras na temporada, Valdivia tem dado muita dor de cabeça ao clube. Confira os principais problemas.

1 – Fibrose

Cartolas e membros da comissão técnica estão irritados porque o chileno insiste para jogar, apesar da fibrose que o incomoda. Nos testes de vestiário, afirma se sentir bem. Mas quando entra em campo fica com a mão na coxa e pede para sair. A atitude gera críticas por parte da torcida ao departamento médico e à comissão técnica. Os dois setores estão irritados com o atleta.

2 – Peixinho

Valdivia foi o único jogador contratado diretamente pelo presidente Luiz Gonzaga Belluzzo, licenciado. Salvador Hugo Palaia, presidente interino, foi quem trouxe o chileno na primeira passagem do jogador pelo clube. Com dois padrinhos desse porte, lidar com ele no clube é como pisar em ovos. Felipão trabalha dobrado para evitar que Valdivia se sinta mais poderoso que os colegas. Já deu bronca em público, colocou na reserva e avisou à diretoria que ele não teria privilégios.

3Comissões

O clube ainda deve boa parte dos RS 3,8 milhões de comissões que se comprometeu a pagar para intermediários, incluindo o pai do chileno, quando acertou a compra de Valdivia. A alta quantia gerou uma crise administrativa, pois cartolas do clube usam o gasto com comissões para atacar a forma de administrar adotada pelo economista Belluzzo.

4 – Saco sem fundo

Um dos motivos para as contas do Palmeiras terem sido rejeitadas nos últimos dois meses pelo Conselho de Orietação e Fiscalização (COF)  foi o fato de parte de um empréstimo de mais de R$ 20 milhões ser usada para pagar despesas diárias do clube. O objetivo era usar a verba para quitar outros empréstimos. No COF, o diretor financeiro, Francisco Campizzi Busico, disse que o dinheiro precisou ser usado para honrar compromissos assumidos em algumas contratações. Citou a compra de Valdivia.

5 – Ciúmes

Quando Valdivia chegou ao clube, alguns jogadores se queixaram com os cartolas. Reclamaram que teria sido melhor pagar os direitos de imagem que estavam atrasados antes de pensar em investir numa contratação tão cara.


Família impede Ganso de negociar sozinho com o Santos
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O Santos planejava voltar a negociar diretamente com Ganso, sem intermediários, um novo contrato com o jogador, oferecendo-lhe um plano de carreira semelhante ao de Neymar. Mas não deu certo.  Na última quarta-feira, os pais do meia procuraram o presidente do clube, Luís Álvaro Ribeiro, e disseram que o atleta nunca participou de negociações contratuais. E não será agora que isso vai acontecer.

A família aceitou ouvir uma nova proposta de plano de carreira, já que a primeira foi recusada, desde que o atleta seja representado pelos pais e pelos funcionários da DIS, empresa que tem participação nos direitos econômicos do atleta. A diretoria aceitou a exigência e ficou de marcar uma nova reunião.

O principal motivo para Ganso ter recusado a primeira oferta é que o estafe do jogador não gostou da proposta do clube em relação à exploração dos contratos de marketing. O Santos quer ficar com 30% do que Ganso faturar com publicidade, mas terá de gastar mais do que pretendia para convencer o meia a aceitar essa cláusula.

Sem conseguir tirar da negociação o pessoal da DIS, certamente a diretoria terá mais trabalho para convencer Ganso. Se bem que o rodado agente Wagner Ribeiro participou das conversas dos dirigentes com a família de Neymar, que acabou desistindo da oferta do Chelsea.


Pai de Kaká e filho de Milton Cruz agenciam atletas juntos
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O sobrenome de um abre portas em clubes brasileiros. O outro tem um filho que é um dos jogadores mais famosos do mundo. Então, eles resolveram trabalhar juntos. Tadeu Cruz, filho de Milton Cruz, auxiliar técnico do São Paulo, e Bosco Izecson Pereira Leite,  pai de Kaká, montaram um escritório para intermediar negociações de jogadores e agenciar carreiras de atletas.

A dupla atua desde janeiro e conta hoje com cerca de 12 clientes. A maioria acaba de sair das categorias de base. Mas os dois negociam também jogadores de outros empresários. Nesta quinta, Tadeu vai para a Europa levando material de vários atletas, inclusive de outros agentes que autorizaram a intermediação.

Por enquanto, não apresentam ninguém famoso na carteira de clientes. Algumas de suas apostas estarão na próxima Copa São Paulo, fazendo parte do time do Nacional. O goleiro André Dias, campeão desse torneio pelo Corinthians e que não está sendo aproveitado pelo clube, é um dos jogadores que Tadeu tentará encaixar na Europa.

Em alguns clubes brasileiros, chegou a notícia de que Kaká é sócio de Tadeu. “O Kaká e meu pai não participam de nada. Só ajudam com o nome que construíram. Quem sabe que somos parentes deles sabe que não vamos fazer sacanagem com ninguém”, explicou Tadeu ao blog.

Quando se tornou agente Fifa, no ano passado, Tadeu ouviu uma recomendação do presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio: não negociar com atletas das categorias de base do clube.

“Nossa empresa não vai procurar jogadores do São Paulo. Mas o clube pode acabar nos procurando, se a gente tiver alguém que interessa à diretoria. Meu pai nunca ajudou na minha carreira de agente. Nunca indicou jogadores e nem vai indicar”, afirmou Tadeu. Bosco, por sua vez, tem a experiência de cuidar das carreiras dos filhos Kaká e Digão.


Gol mantém Ronaldo blindado
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Ele ficou quatro meses sem jogar, demorou para perder peso, só marcou três gols no Campeonato Brasileiro e ganha cerca de R$ 1,8 milhão por mês (contando salário e participação em contratos de patrocínio do clube). Outro jogador com essas marcas no Corinthians estaria sendo tão pressionado no Parque São Jorge que provavelmente nem entraria em campo. Caso de Souza, que ganha R$ 175 mil mensais e balançou duas vezes as redes no Nacional.

O máximo que Ronaldo sentiu de pressão foram os gritos de torcedores que protestaram no Parque São Jorge dizendo que o clube não era spa, no auge da crise já superada pelo time.

Levando-se em conta a remuneração que recebeu durante os seis meses de disputa do Brasileiro, é como se cada gol de Ronaldo no Nacional tivesse custado ao clube R$ 3,6 milhões. A diretoria não reclama. Está mais do que satisfeita com  os R$ 5 milhões anuais que ele deixa no clube referentes a contratos de patrocínio (outros R$ 15 milhões são repassados para a conta do Fenômeno).

Em vez de insatisfação, os cartolas corintianos demonstram preocupação em perder Ronaldo no ano que vem. Durante o inferno astral corintiano, ele criticou os protestos da torcida, ficou bastante contrariado e disse a amigos que poderia ir jogar no Flamengo. Ninguém entendeu se foi brincadeira ou ameaça.

A única possibilidade de Ronaldo sentir pressão no Parque São Jorge seria uma pífia atuação diante do Flamengo, seu time de coração, acompanhada de um desastre que complicasse o time na disputa pela taça. Ele só fez uma finalização no jogo inteiro. Mesmo assim, marcou o gol que evitou um prejuízo maior na disputa pelo título. Resolveu, sem ser brilhante. Mais uma vez, demonstrou o motivo para seguir praticamente imune às críticas no Parque São Jorge.