Polícia investiga suspeita de notas frias no Palmeiras no valor de R$ 326 mil
Perrone
A 23ª Delegacia de Polícia de São Paulo investiga o suposto uso de notas frias no Palmeiras no valor de R$ 326 mil. O caso é de 2006, foi apurado pelo Ministério Público e agora está com os policiais civis.
A investigação faz parte de inquérito com denúncias de diversas irregularidades que teriam ocorrido no clube em administrações passadas.
A suspeita sobre as notas frias acontece porque documentos de posse da polícia mostram que o Palmeiras contratou serviços de seguro junto a uma empresa registrada na junta comercial como especialista na comercialização de eletrodomésticos e equipamentos de áudio e vídeo.
Os policiais querem saber se o clube pagou por serviços que a firma não prestou e nem está autorizada a executar. O objetivo teria sido justificar gastos feitos com outras finalidades, não registradas no clube.
No último dia 23, José Cyrillo Júnior, ex-vice-presidente do Palmeiras prestou depoimento na delegacia para explicar porque contratou a Valtec Wicon, especializada em eletrodomésticos, para prestar consultoria de seguros ao clube.
Ele disse que, antes de assinar o compromisso, em 1º de setembro de 2006, leu um contrato social que mostrava ter a empresa autorização para também trabalhar com seguros. Afirmou ainda que fez a contratação a pedido de Salvador Hugo Palaia, então diretor de futebol, e de Ilton José da Costa, gerente remunerado na ocasião.
“Já tinha prestado depoimento no Ministério Público sobre isso. E o advogado do Palmeiras entregou a cópia do contrato que mostrava a habilitação da Valtec para prestar consultoria na área de seguros. Não sei por qual razão, essa cópia não está no inquérito enviado pelo MP à polícia”, afirmou Cyrillo ao blog. Ele nega o uso de notas frias.
Conforme o depoimento de Cyrillo, a Valetec foi contratada para assessorar o Palmeiras em seguros envolvendo jogadores em casos de contusões. Ele também declarou que a Valtec foi indicada pela diretoria de futebol da época, também responsável por ajustar o valor.
Transcrição do depoimento de Cyrillo à polícia registra que o ex-dirigente ”não sabe dizer se foi prestado o serviço, pois ele [servíço] estava diretamente ligado à diretoria de futebol”. Cyrillo alegou que assinou o contrato porque, possivelmente, o presidente Affonso Della Monica não estava no clube.
Conforme mostra cópia do contrato entre Valtec e Palmeiras, anexada ao inquérito, o clube se comprometeu a pagar quatro parcelas de R$ 81,5 mil para a empresa prestar serviços de “consultoria, assessoramento e regulação de contratos de seguro patrimoniais, prediais, de atletas e funcionários em geral.”
Também de acordo com documentos integrantes do inquérito, o CNPJ informado no contrato com o Palmeiras pertence à Valtec Wincon Serviços de Inspeção. Sua atividade principal é definida como comércio varejista especializado em comunicação e telefonia. Não há informações sobre atividade secundária.
A nebulosidade do contrato é reforçada por um depoimento prestado ao Ministério Público em 2009, por Vítor Antonio Cestari, então diretor de auditoria do Palmeiras. Ele afirma que não conhecia o contrato e que se tivesse lido o documento teria encaminhado o caso para o departamento jurídico palmeirense. Afirmou entender não ser possível contratar uma empresa que vende equipamentos de áudio para trabalhar com seguros. Ao MP, Cestari também declarou que nunca tinha visto o clube chamar uma empresa para assessorá-lo com seguros.
As notas supostamente frias, que falam apenas em serviços prestados, também podem ser alvo de investigação no clube. Questionado pelo blog sobre o assunto, o diretor jurídico Piraci de Oliveira disse que encaminhou um requerimento para o Conselho Deliberativo pedindo a abertura de uma sindicância.