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Policiais divergem da Fifa na Copa do Mundo

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24/06/2014 06h00

Nesta segunda, o blog flagrou dois policiais militares sendo barrados no estádio Mané Garrincha ao tentarem entrar na área em que ficam as tribunas de imprensa. A situação gerou desconforto entre os PMs e os stewards (civis que fazem a segurança nos estádios), contratados pela organização do Mundial.

Os policiais alegaram que faziam uma vistoria para evitar episódios iguais à invasão de torcedores chilenos ao Maracanã na partida contra a Espanha. O segurança, porém, manteve o discurso de que não poderia liberar os policiais.

Ouvido pelo blog, um dos dois barrados e que é oficial da Polícia Militar no Distrito Federal, reclamou da segurança feita pela Fifa nos estádios da Copa do Mundo. Sob a condição de anonimato, disse que havia falhas no Mané Garrincha porque só um steward tomava conta de um dos elevadores do estádio. E o mesmo acontecia na escada de emergência. Segundo ele, se houvesse uma invasão, elevador e escada de emergência dariam acesso ao estádio inteiro.

O oficial também reclamou de não ter trânsito livre a todos os setores do estádio. Isso, segundo ele, dificulta a atuação em caso de emergência. Afirmou ainda que a presença de seguranças sem farda não tem o poder de intimidar arruaceiros. E declarou que em caso de divergência nada pode fazer em relação aos stewards, pois, segundo ele, a Lei Geral da Copa deu status de autoridade a esses seguranças.

Mas esse não é o único episódio que demonstra uma distância entre a polícia e o COL e Fifa. No jogo entre Brasil e México, um policial federal reclamou ao blog das exigências da Fifa e afirmou que a PF se sente incomodada por ter que dar segurança a membros e uma entidade envolvida em casos de corrupção.

Policiais federais cogitam ainda uma manifestação durante a Copa do Mundo por divergências com o Governo Federal. E o agente ouvido pelo blog afirmou que uma possibilidade é enfraquecer a proteção à Fifa, com uma redução de policiais.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.