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Por que não é esperada mudança radical de Andrade após vitória no conselho

Perrone

Para conseguir apoio contra o pedido de seu impeachment, Roberto de Andrade acenou com um ''governo de coalizão'' atraindo até alguns críticos ferrenhos. Vencida a batalha, o presidente do Corinthians ficou de colocar o plano em prática após o Carnaval.

Porém, não há esperança de mudança radical entre parte dos que aceitaram o argumento do cartola. A expectativa dos menos otimistas em relação à transformação do modo de o dirigente administrar o clube é de que ele relute em demitir diretores importantes para colocar no lugar quem o criticou recentemente. Para manter o acordo em pé, ele chamaria conselheiros experientes que têm discordado de sua gestão para colaborar informalmente. Sem cargo, eles auxiliariam os diretores em questões relevantes. Assim, Andrade cumpriria a promessa de ouvir todos que queiram ajudar o Corinthians, feita após afastar a ameaça de impeachment sem o trauma de afastar os diretores atuais.

Esse modelo teria como principal obstáculo juntar no mesmo barco gente que tem profundas divergências. Por exemplo, Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro, tem sua presença no departamento financeiro pedida por aliados de Andrés Sanchez. Só que ele e Emerson Piovezan, atual diretor, divergem em muitos pontos. Seria difícil, pelo menos em tese, entrarem em consenso.

Os próximos passos de Andrade serão decisivos para a nova batalha que ele enfrentará no conselho: a aprovação das contas de 2016, ainda sem data marcada para acontecer. O estatuto prevê que a reprovação delas é motivo para o impeachment do presidente.