Topo

Perrone

Criado por Lula e Andrés, Itaquerão fugiu do controle

Perrone

21/05/2011 07h00

Tudo começou quando Andrés Sanchez pediu ao então presidente da República que ajudasse o time de ambos a ter um estádio. Lula não viu mal nenhum. Convenceu até Juvenal Juvêncio de que meteria a colher só para  que o Corinthians tivesse sua casa própria. Nada a ver com Copa.

A sugestão do presidente comoveu a Odebrecht. No Conselho Deliberativo corintiano, o projeto foi vendido como uma casa humilde.

Com Andrés e Ricardo Teixeira desfilando de novos melhores amigos de infância, ficou fácil prever que o Morumbi teria problemas para ser o palco da abertura do Mundial. A brincadeira de casinha virou coisa de gente grande quando finalmente o estádio do São Paulo saiu do mapa da Copa.

A arena basiquinha virou um projeto suntuoso para abrigar a abertura. Empresários amigos de Ricardo Teixeira e cartolas corintianos antes afirmavam ser fácil arrumar investidores e patrocinadores. Mas não apareceram com uma proposta concreta.

Odebrecht e Corinthians passaram a se estapear por causa do tamanho da conta. Lula, um dos pais da criança, foi chamado para tentar forçar o início das obras. Outra interferência que exige antiácido para ser digerida. Ao menos para quem examina o caso sem paixão clubística.

Depois do novo empurrão do ex-presidente, a largada foi marcada para a próxima terça, mas deve ser a adiada para o final do mês ou para o início de junho.

Claro. Apesar da intervenção de Lula ninguém quer pagar a conta. Enquanto isso, o jogo fica cada vez mais pesado. O ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, pressiona o Governo do Estado a ajudar financeiramente.

Curiosamente, uma ala da diretoria corintiana acusa o ministro de querer ver o governo do PSDB perder a abertura da Copa. Estranho. Poucas horas depois de pressionar numa reunião o governador Geraldo Alckmin para botar a mão no bolso, Orlando e Andrés participaram juntos de uma roda de samba. Prova de sintonia.

Nesse cenário, o monstro criado pelo presidente corintiano e por Lula segue descontrolado. Enquanto isso, gente graúda esfrega as mãos esperando a partida inaugural do Mundial acontecer em seu quintal.

 Brasília foi pintada pelo Comitê Organizador como favorita. Mas Aécio Neves, futuro candidato à presidência e amigo do peito de Teixeira, quer o jogo em Belo Horizonte. Talvez, a pane paulistana e a briga entre BH e Brasília façam com que a fita da Copa seja cortada no Rio.

Não seria desagradável para o presidente da CBF e do comitê. Ele já defendeu publicamente que a cidade concentre eventos importantes do Mundial. Sem falar que o Maracanã, público e aparentemente sem um teto para gastos, já estará adequado para abertura. Ela será  feita nos mesmos moldes da final, que é do Rio e ninguém tasca.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.