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Arquivo : Andrés Sanchez

Andrade desiste de Andrés e mais quatro testemunhas contra impeachment
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A defesa de Roberto de Andrade desistiu de usar Andrés Sanchez  e mais quatro pessoas como testemunhas contra o pedido de impeachment do presidente do Corinthians que está em análise na comissāo de ética do Conselho Deliberativo.

A desistência ocorreu depois de a primeira testemunha, Sérgio Dias, ligado ao fundo que administra a Arena Corinthians, enfrentar una avalanche de perguntas de conselheiros na última terça, no primeiro dia de depoimentos das testemunhas indicadas por Andrade.

Para conselheiros que acompanharam o depoimento e sāo favoráveis ao impeachment, a retirada das testemunhas está ligada às dificuldades que Dias teve para responder aos questionamentos.

Assim, o afastamento de Andrés da defesa nāo teria a ver com as divergências entre o ex-presidente e o atual cartola. Um dia antes da audiência inaugural, Andrade recusou projeto apresentado por Andrés para mudanças na diretoria.

De acordo com a análise dos apoiadores do impeachment, o recuo aconteceu para evitar novas situações embaraçosas para as testemunhas de defesa.

Luiz Aberto Bussab, diretor jurídico do Corinthians e responsável pela defesa de Andrade na comissåo de ética, nāo respondeu à mensagem do blog sobre  Andrés e outras testemunhas serem dispensadas.

Sem testemunhas, o próximo a ser ouvido será o presidente corintiano, na terça da  semana que vem.

Ele é acusado de falsidade ideológica por assinar uma ata de assembleia do fundo que administra a arena e um contrato de exploração do estacionamento do estádio com datas nas quais ainda nāo era presidente.

Os conselheiros que pedem o impeachment alegam que o episódio provocou prejuízo à imagem do clube, o que daria motivo para o afastamento do presidente de acordo com o estatuto.

Andrade sustenta que assinou os documentos quando já era presidente, mas com data retroativa.

Essa tese foi sustentada por Dias, a testemunha ouvida nesta terça. Assim como Andrade, ele argumenta que nāo houve reuniāo presencial, apesar de haver lista de presença referente à ata assinada por ele. Nesse ponto, a testemunha foi indagada sobre a legalidade da operçāo, que nāo condiz com a realidade,  e afirmou ser um procedimento comum.

O depoimento provocou clima de guerra polïtica no clube. Cerca de 20 conselheiros favoráveis  ao impeachment tentaram acompanhar a sessāo, mas a maioria nāo entrou na sala por falta de espaço.

O ambiente criado foi uma demonstração do que o presidente corintiano enfrentará durante o processo.

Depois de encerrar seus trabalhos, a comissāo de ética irá indicar para o Conselho Deliberativo se o presidente deve ou nāo ser afastado. Mas os conselheiros podem decidir de maneira diferente.

Se o afastamento for aprovado, a decisāo ainda precisará ser referendada pelos sócios.

 


Por que Rosenberg topa voltar ao Corinthians com grupo com o qual rompeu?
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Roberto de Andrade já deixou claro que nāo aceitará a sugestão de Andrés Sanchez para recolocar na diretoria do Corinthians o ex-vice-presidente Luis Paulo Rosenberg.

Porém, uma pergunta ficou no ar: por que o economista que rompeu com o grupo Renovação e Transparência a ponto de se desligar do Conselho Deliberativo e do quadro de sócios, além de apoiar a oposição na última eleição, aceitaria voltar a trabalhar com o mesmo “partido” político?

A resposta está na proposta feita cerca de 15 dias atrás por Sanchez (os dois nunca deixaram de se falar apesar das divergências).

Rosenberg voltaria a comandar o marketing corintiano e a arena do clube. Os principais atrativos para o ex-dirigente foram a chance de fazer vingar o projeto que ele idealizou para o estádio, ter a oportunidade de peitar a Odebrecht e devolver ao clube a estratégia de marketing que vende o Corinthians como gigante mundial. A internacionalizaçāo e as grandes contratações voltariam.

“O projeto que o Andrés apresentou é lindo. Uma uniāo de grandes corintianos para devolver ao clube a grandeza dele. Se eu fosse chamado pelo Roberto, nāo teria problemas em trabalhar com um presidente que disse que eu nāo pisaria no Parque Sāo Jorge enquanto ele estiver no cargo. Seria um chamado do presidente, nāo pessoal. Sem golpe, ele estaria reconhecendo a necessidade de mudar. Mas se o presidente nāo quer, paciência”, afirmou Rosenberg.

Apesar do rompimento com o grupo de Andrés, Rosenberg vinha sendo consultado sobre a arena por conhecer detalhes do projeto. Sempre se incomodou com a passividade que enxergava no clube em relação à Odebrecht, acusada de não fazer todas as obras previstas no contrato. A construtora nega a irregularidade.

“O Aníbal (Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena) está há muito tempo avisando sobre o que tem de errado lá e não é ouvido. Não pode ter medo de brigar com a Odebrecht. Eu não tenho”, afirmou Rosenberg.

O arquiteto e o ex-vice sāo amigos de longa data. Se retornasse à diretoria, Rosenberg poderia dar atenção aos alertas dele por causa de uma mudança importante prevista por Andrés. Os trabalhos do clube na arena seriam comandados pela diretoria de marketing, nāo por uma equipe independente.

Assim, de māos dadas com Coutinho, Rosenberg teria a chance de provar que o projeto idealizado por ele para a arrecadação de receitas no estádio é viável, ao contrário do que dizem seus crïticos no clube.

“Se a gente soubesse que o país enfrentaria três anos de crise, algumas coisas seriam diferentes. Mesmo assim, a arena é muito viável, mas precisa ser tocada com o profissionalismo de um shopping center, por exemplo”, argumenta Rosenberg.

Na outra ponta do plano apresentado por Andrés ao ex-dirigente está o futebol. O blog apurou que a ideia é contar com a parceria de empresários que se dāo bem com o deputado federal, como Juliano Bertolucci e Kia Joorabchian, para montar um time competitivo em 2017, apesar da crise financeira enfrentada pelo clube.

Idealizador do projeto que permitiu a vinda de Ronaldo, Rosenberg se animou com a ousadia do novo plano.

“O Corinthians se afastou da globalização, da China, do que deu certo em 2008. Só faz sentido a minha volta se houver uma mudança geral com a vontade do presidente”, afirmou Rosenberg.

Porém, a estratégia bolada pelo ex-presidente recebe críticas de parte considerável da oposição. O argumento é que se trata de uma tentativa de salvar o grupo de Andrés na eleição de 2018, nāo de salvar o Corinthians.

Depois de se desvincular do clube durante a gestāo de Mário Gobbi, Rosenberg teria que comprar um novo tîtulo de sócio para ser ser diretor.

 


De bares à TV Globo. Tudo na arena passa por escritório de amigo de Andrés
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Primeira página do contrato entre Corinthians e Caixa com a marca do escritório da família Molina

Primeira página do contrato entre Corinthians e Caixa com a marca do escritório da família Molina

A ordem é expressa da direção corintiana: nenhum contrato relativo à arena do clube pode ser fechado sem antes ser analisado pelo escritório de advocacia Molina & Reis, da família de Paulo Molina, amigo de infância de Andrés Sanchez, ex-presidente alvinegro.

Exploração do telão da arena pela Globo, manutenção do estádio pela Tejofran, segurança feita pela Power, do grupo Tejofran, concessão das lanchonetes para a empresa AR Fast Food do Brasil, acompanhamento da auditoria que determinará se a Odebrecht cumpriu o contrato com o clube, participação na estruturação do fundo que compraria os naming rights da casa corintiana e até a renovação mais recente do contrato de patrocínio com a Caixa. Esses são só alguns exemplos dos contratos nos quais o escritório de confiança do deputado federal Andrés Sanchez trabalhou.

A concentração de poder veio acompanhada de críticas e polêmicas. Conselheiros e funcionários do clube questionam os motivos que levaram um escritório terceirizado a centralizar os assuntos da arena e a cuidar de ao menos um tema ligado a outras áreas (o patrocínio da Caixa) se o clube tem sua diretoria jurídica. Rogério Mollica, ex-diretor jurídico alvinegro, pediu demissão recentemente e colocou internamente a influência do Molina e Reis entre os motivos para seu afastamento. Há ainda o questionamento de não ter havido concorrência para a escolha do escritório.

Paulo Molina, que é bacharel em direito, atuando como consultor, e seus advogados também são criticados por supostas orientações que teriam sido prejudiciais ao clube.

Por sua vez, o escritório se defende afirmando que impediu várias negociações na arena que seriam lesivas ao Corinthians e se orgulha, entre outras ações, de sua participação na renovação com a Caixa. O contrato é considerado por Paulo o melhor do banco estatal com um clube brasileiro. Já o diretor financeiro, Emerson Piovezan, costuma elogiar acordo para fornecimento de energia elétrica na arena que o Molina & Reis também se considera o principal responsável.

Remuneração

Em maio, Andrés disse em entrevista à Folha de S.Paulo que Molina respondia tecnicamente à diretoria sobre assuntos relativos à arena de graça por ser corintiano e que seria remunerado se um dia assinasse contrato. Esse dia já chegou. O escritório da família de Paulo recebe para acompanhar a auditoria na arena. Também faz contratos referentes aos demais temas que analisa.

Na esteira desses trabalhos, detratores de Molina afirmam que sua atuação no Corinthians o fez trocar um escritório em casa por uma sede que, segundo o site da empresa, fica em bairro nobre de São Paulo.

Paulo responde alegando que antes tinha um home office por opção e que também atuava no escritório de um parente. Alega que o novo local em que trabalha nada tem a ver com os serviços prestados ao Corinthians.

Camarote

Outra polêmica que envolve o amigo de Andrés é o uso gratuito por ele e seus parentes advogados de um camarote na arena. A queixa de pessoas envolvidas com o clube e o estádio é de que o Corinthians conseguiu alugar poucos desses espaços, assim não poderia se dar ao luxo de permitir o uso sem cobrança.

“Não ganhamos camarote na arena. Foi cedido com a concordância dos envolvidos o direito de uso ao escritório pelo trabalho que desenvolvemos. Quando estamos lá (no camarote) mais trabalhamos do que assistimos aos jogos. Verificamos como está o funcionamento das coisas e levamos pessoas interessadas em adquirir camarotes”, disse Molinha ao blog.

Conflito

Um suposto conflito de interesses que envolveria Molina é negado por ele. O caso tem a ver com a Tejofran, empresa contratada para atuar na manutenção da arena.

O blog teve acesso à troca de e-mails em que Paulo e seu filho Guilherme se colocam diante do fundo que administra o estádio como responsáveis por recolher, documentos, assinatura e dialogar com a Tejofran. Numa das mensagens, em 2014, Molina cita que o advogado do clube para o assunto (contratos com a Tejofran) é Ivandro Sanchez, cujo escritório não trabalha mais para o Corinthians.

 Em outro e-mail sobre contratos com a mesma empresa, ainda em 2014, Guilherme diz ao fundo que já solicitou o reconhecimento da firma da assinatura do senhor Telmo. No mesmo ano, Telmo Giolito Porto, assinou pela Empresa Tejofran de Saneamentos e Serviços contrato com o Corinthians.  As correspondências deixam margem para se questionar se o Molina & Reis trabalhava para a Tejofran.

Hoje a manutenção da arena, sob a batuta da Tejofran, faz parte das divergências entre Corinthians e Odebrecht. Apoiado em parecer do escritório, o clube aponta a Odebrecht como responsável por falhas na manutenção. A construtora, no entanto, afirma que esse serviço não é responsabilidade dela. O conflito estaria no fato de Molina supostamente trabalhar ao mesmo tempo para o clube e uma empresa que também deve ter seu trabalho analisado pela auditoria coordenada pelo escritório dele.

Só que o Molina & Reis nega que tenha atuado para a Tejofran. Afirma que conversar com a empresa e recolher documentos junto à ela faz parte de seu trabalho. E usa como argumentação o fato de em uma divergência entre a empresa e o clube ter solucionado a questão de maneira favorável ao Corinthians.

O blog não conseguiu falar com representantes da Tejofran.

Protetor

O escritório Molina & Reis considera que seu trabalho tem sido fundamental para evitar contratos prejudiciais ao Corinthians. Entre eles estaria o de uma empresa que queria ganhar porcentagem nas vendas de camarotes até nos casos em que a comercialização não fosse feita por ela.

 Na relação também está a negociação do pedido de uma nova carência para o pagamento do financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES, por intermédio da Caixa, para pagar a construção do estádio. Na ocasião, o escritório defendeu que no material enviado ao banco federal ficasse registrado que atrasos na obra impediram a geração de receita esperada na arena.

“É natural que quando o escritório começa a pontuar coisas que possam prejudicar o projeto (da arena) e orientar (o clube) de forma mais profunda e detalhada você incomode quem estava acostumado a fazer coisas com menos exigência”, declarou Molina.

Amigos

Molina costuma dizer para o ex-presidente corintiano que é o melhor amigo dele na história. Eram íntimos aos 14 anos. Depois de adultos, ficaram décadas sem se ver. Acabaram se reencontrando por acaso, e em seguida Paulo foi convidado por Andrés para analisar o primeiro contrato de concessão de lanchonetes da arena.

Apesar da amizade, o bacharel não gosta quando é citado como amigo de Andrés por achar o termo pejorativo, desvalorizando seu trabalho.

Crise

Em novembro, o Molina & Reis viveu um momento de crise com Roberto de Andrade, presidente corintiano. O escritório não foi consultado sobre o fato de a Odebrecht retomar obra que tinha sido interrompida na arena após sua orientação.

Andrés chegou a se manifestar contrário à decisão de Andrade.


Fracassa tentativa de Andrés de recolocar Rosenberg na rotina de arena
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.Em reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians, na última quinta, Andrés Sanchez falou da criação de uma comissão para acompanhar a rotina diária da arena do clube e anunciou seis nomes já como membros do grupo. Entre eles, estava o de Luis Paulo Rosenberg, um dos mentores do projeto da casa própria corintiana, mas que se desligou do conselho após ficar descontente com os rumos que tomaram a arena alvinegra.

Pelo estatuto corintiano, porém, Sanchez não tem poder para instalar comissões. Só o presidente do Conselho Deliberativo e o da diretoria estão aptos a isso. Assim, o gesto do deputado federal que promoveria a volta de Rosenberg como esperança de resolver os problemas financeiros do estádio foi considerado nulo.

“A atitude dele causou surpresa porque o Andrés não tem legitimidade para criar comissão. Eu ignoro isso, não existe comissão”, afirmou ao blog Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do conselho corintiano.

Sem seu aval, a única chance de a comissão anunciada por Andrés existir oficialmente é a criação por parte de Roberto de Andrade. Até a publicação deste post, a assessoria do presidente não havia respondido se ele pretende criar o grupo.

Andrés não fala com o blog.

Além de Rosenberg, o ex-presidente anunciou também o nome de Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro, como membro da comissão. Ouvidos pelo blog os dois disseram não terem recebido convite de Andrés para participar do grupo. Nem sabiam da intenção dele de criar a comissão.

Sem legitimar a iniciativa do deputado federal, Strenger afirmou que criará um grupo com conselheiros que tenham afinidade profissional com o tema para discutir a situação da arena, caso a auditoria contratada pelo clube para checar se a Odebrecht cumpriu o contrato não seja encerrada até o final janeiro ou se seu resultado for insatisfatório.


Em meio a racha, Andrés promete apoio para salvar Andrade
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A situação é contraditória. Ao mesmo tempo em que critica a diretoria e vê aliados seus deixarem a gestão ou assinarem o pedido de impeachment de Roberto de Andrade, Andrés Sanchez assegurou ajuda ao ex-presidente do Corinthians contra o pedido de afastamento.

A promessa de apoio foi feita para membros da gestão e diretamente para o presidente.

Andrés também demonstrou disposição para ajudar no futebol, considerado vital para a sustentação do presidente. Com a equipe mal, a tarefa dos que querem a troca de comando no clube fica mais fácil.

O problema nesse ponto é que o grupo de Andrés não quer que Alessandro continue como gerente de futebol. Além disso, o ex-presidente foi contrário à contratação de Oswaldo de Oliveira.

Em meio as promessas de apoio, nesta quarta, o deputado federal voltou a criticar a diretoria. Dessa vez por permitir que a Odebrecht retomasse obra na arena sem consultar os responsáveis pela auditoria relativa à construção do estádio.

 


Andrés é criticado no Corinthians por não ser duro com Odebrecht
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Os problemas na Arena Corinthians aumentam as críticas a Andrés Sanchez no clube. Até aliados do ex-presidente reclamam longe dos microfones da maneira como ele conduziu a relação com a Odebrecht diante dos inúmeros problemas enfrentados pelo estádio alvinegro.

A queixa principal é de que o cartola, na condição de dirigente destacado para cuidar da arena, não teria cobrado a Odebrecht como deveria desde que começaram os contratempos no estádio, antes mesmo da inauguração.

A avaliação no clube é de que ele não foi duro com a construtora e deixou de ouvir os alertas de Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena. A falta de medidas enérgicas por parte de Andrés, no entendimento de conselheiros, dirigentes e funcionários facilitou o acúmulo de problemas no estádio.

Sanchez também é criticado pelo fato de, supostamente, ter demorado para pressionar a Odebrecht a entregar grande parte dos documentos pedidos pela empresa que audita a obra para saber se a construtora cumpriu o contrato. Como mostrou o blog, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano, Guilherme Gonçalves Strenger, atua para que o Corinthians entre com ação na Justiça contra a Odebrecht  a fim de obrigar a empresa a apresentar a papelada exigida.

Andrés não fala com o blog, por isso não foi possível ouvir o ex-presidente sobre o assunto.

As críticas atuais diminuem ainda mais o poder político de Andrés no clube neste momento.  Antes considerado por parte dos conselheiros como o melhor presidente da história do corintiana, hoje ele enfrenta significativa rejeição principalmente por causa dos problemas na arena.


Presidente de conselho do Corinthians atua para clube processar Odebrecht
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Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, pedirá para Roberto de Andrade abrir pelo menos dois processos na Justiça contra a Odebrecht. Um seria de obrigação de fazer, para obrigar a construtora a realizar obras que estariam previstas em contrato mas não teriam sido feitas na arena corintiana. O outro seria para forçar a empresa a apresentar todos os documentos exigidos pelos responsáveis por uma auditoria contratada pelo alvinegro para checar se o contrato foi cumprido. Membros da comissão formada por conselheiros para acompanhar a auditoria afirmam que a Odebrecht tem dificultado a entrega de papéis pedidos. Ele ainda indica que uma terceira ação, esta para a revisão do valor a ser pago pelo clube pela construção, pode ser necessária, dependendo do que ficar comprovado.

“Vou conversar com o presidente. Caso ele me diga que não pretende entrar com a ação, direi a ele que vou levar o caso para o conselho decidir se o clube deve processar a Odebrecht. Entendo que o conselho tem poder para determinar que a direção entre na Justiça”, afirmou Strenger ao blog.

“O ideal é sempre resolver as coisas amigavelmente, mas o tempo dado para Odebrecht concluir as obras e apresentar os documentos já passou do razoável. Criei uma comissão para acompanhar a auditoria faz cinco meses, e ela ainda não acabou. Acho que a Odebrecht tem tantos problemas que o Corinthians é o menor dos problemas dela, talvez por isso não se importe tanto. Mas a Odebrecht é o maior dos nossos problemas, então temos que ‘judicializar’ o caso”, disse Strenger.

A Odebrecht considera a arena concluída desde de setembro de 2015. Já a diretoria do clube tem afirmado que a auditoria vai apontar se tudo o que estava previsto no contrato foi feito e que irá descontar do preço cobrado pela construtora o que eventualmente faltar ou precisar ser refeito.

Em outubro de 2015, pouco depois de a construtora dar a obra por encerrada, o blog mostrou que Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da arena, considerava o estádio acabado. No mês passado, o blog publicou que Coutinho, em setembro de 2015, enviou e-mail para Andrade e Andrés Sanchez apontando que apesar de a Odebrecht considerar a arena pronta, faltavam serem executadas partes do projeto arquitetônico avaliadas em mais de R$ 85 milhões”.

Odebrecht diz que respeitou o contrato

Procurada pelo blog para comentar a intenção do presidente do conselho corintiano de que o clube processe a construtora, a Odebrecht enviou por meio de sua assessoria de imprensa a nota publicada abaixo.

“A Construtora Norberto Odebrecht (CNO) concluiu em 30 de setembro de 2015 as obras de acabamento do Centro de Convenções da Arena Corinthians, finalizando assim os trabalhos que ficaram dentro do valor contratual acordado com o Sport Club Corinthians Paulista, de R$ 985 milhões. O Escopo das obras foi estabelecido de comum acordo com o SCCP ao longo da construção, respeitando os ajustes ou modificações de especificações previstas no contrato”.

 A empresa, porém, não comentou a informação de que estaria dificultando a entrega de documentos para os responsáveis pela auditoria na obra.

No entender de Strenger, a verificação é importante não só para checar se o contrato foi cumprido, mas também para avaliar as condições de segurança na arena, que sofreu com infiltrações, queda de forro, vazamento de água e descolamento de placas de granito.

“A Odebrecht diz que o estádio é seguro, mas será que podemos confiar? E se acontece algum acidente lá? Por isso precisamos de uma vistoria. Uma ação pode ajudar porque na Justiça a construtora vai ser obrigada a dar respostas”, disse Strenger.

 

 


Trecho de delação de Emílio não causa surpresa no Corinthians
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 A informação publicada pela “Folha de S.Paulo” de que Emílio Odebrecht em seu acordo de delação afirmou que a Arena Corinthians foi um presente da construtora que ostenta seu sobrenome ao ex-presidente Lula ao alvinegro não causou surpresa no clube, mesmo assim agitou o Parque São Jorge já no último sábado (22).

Conselheiros corintianos não se surpreenderam porque conhecem a história contada por Andrés Sanchez em seu livro de que Lula pediu a ajuda de Emílio para a construção da arena. “Com seu usual tom ameno, amistoso, Alexandrino [Alencar] contou de uma viagem que tinha feito a Brasília com Emílio Odebrecht, presidente do Conselho de Administração da empresa. Na reunião, a construtora tratava com o presidente Lula de assuntos do setor petroquímico. À saída, Lula, despedindo-se de Odebrecht e Alexandrino, mudou de assunto: bem que vocês podiam dar uma mão para esse garoto, presidente do Corinthians, fazendo o estádio, hein?”, relatou o ex-presidente do Corinthians em sua publicação.

O sentimento de conselheiros do clube é de que a primeira revelação sobre a delação de Emílio é só a ponta do iceberg que já podia ser vista a olho nu. A oposição fareja histórias cabeludas que podem enterrar o grupo político de Andrés, mas não se sabe se o clube pode de fato ser atingido.

Já na situação há quem diga torcer por uma rápida elucidação dos fatos a fim de que eventuais culpados sejam conhecidos.

Tanto situacionistas como oposicionistas entendem que se tiverem sido cometidos crimes a instituição Corinthians só pode ser vítima, já que ficou com uma conta que supera R$ 1,5 bilhão para pagar, contando juros, e um estádio bem diferente do que foi projetado.

Enquanto a oposição corintiana aguarda o desenrolar da Lava Jato, a situação já arregaçou as mangas. No sábado, após votação de mudanças no estatuto do clube, o presidente Roberto de Andrade e Andrés se reuniram com influentes conselheiros, como Paulo Garcia. 

Além da delação de Emílio, Andrade também tinha a história de que assinou ata de assembleia do fundo responsável pela arena antes de ser presidente para explicar.

Após uma série de eventos mal explicados envolvendo o estádio, entre eles relatório e notas fiscais emitidas pela Odebrecht dando a obra como concluída em 2014, umas das poucas certezas entre conselheiros de diferentes grupos é de que o brilho de Andrés no clube se apaga a cada notícia negativa. E que com a mesma intensidade sua força política no Parque São Jorge diminui.

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Feijoada e pagode estão entre apostas para Arena Corinthians render mais
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É consenso na diretoria do Corinthians que o plano de negócios original da arena do clube não funcionou. O alto valor de propriedades como os camarotes e a demora para a entrega da obra, entre outros problemas, dificultaram a geração de receitas. Várias mudanças já foram feitas em relação à estratégia inicial, elaborada por Andrés Sanchez, e um novo pacote está sendo criado num momento em que a participação do ex-presidente na gestão do estádio diminuiu.

O custo da obra supera 1,5 bilhão, contando juros. Desde maio, graças a um acordo com a Caixa, o fundo responsável por administrar a casa corintiana só paga os juros da dívida referente aos R$ 400 milhões emprestados pelo BNDES enquanto o clube espera a decisão sobre se terá uma nova carência para o pagamento.

Conheça os principais planos para tentar melhorar o potencial financeiro da Arena Corinthians.

Seminário

Na última quarta-feira começou um seminário com todos os envolvidos na operação do estádio a fim de que sejam discutidas novas ideias para tornar a arena mais rentável. Serão cinco módulos em diferentes semanas. No próximo, os funcionários devem voltar com ideias consolidadas para serem discutidas em grupo.

Churrasco e pagode

Uma das vocações da arena na opinião da direção corintiana é receber churrascos, feijoadas e pagodes antes das partidas no lugar conhecido como camarote festa. Já foram realizados alguns eventos assim e os resultados foram considerados animadores. Eles podem ser feitos com uma empresa alugando o espaço e vendendo os ingressos ou com a própria equipe da arena na organização. “Quando o pessoal da arena organiza, a rentabilidade é maior”, diz Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians.

Camarotes para poucos jogos

A dificuldade em alugar os camarotes do estádio se transformou num dos maiores pesadelos da direção corintiana. Várias estratégias já foram desenvolvidas mas eles continuam às moscas. A aposta agora é oferecer pacotes por períodos curtos, não só pela temporada inteira, o que encarece os espaços. “Queremos negociar camarotes por uns três jogos. O preço por partida fica mais caro em relação ao pacote completo, mas como a quantia de dinheiro envolvida é bem menor, os camarotes ficam mais acessíveis”, disse Piovezan.

Shows

O plano é aumentar a realização de eventos que já têm acontecido num dos estacionamentos da arena. A meta é transformar o local num dos principais espaços para shows na Zona Leste. Essa é a única forma encontrada pelos corintianos para receber espetáculos mantendo o conceito original de não colocar o gramado em risco com outras atividades. Alugar o campo para shows continua sendo uma opção descartada.

Renegociação do contrato

Outra meta é tirar do papel o velho sonho da direção corintiana de renegociar com a Odebrecht e o fundo que administra arena o contrato que engessa o plano de negócios. O principal objetivo é reduzir os preços mínimos das propriedades estipulados nos acordos.


Vice-presidente do Corinthians deve entregar cargo
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 Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Depois de Edu Ferreira, ex-diretor de futebol, André Luiz Oliveira, primeiro vice-presidente do Corinthians, deve renunciar.

“Se eu soubesse que o cargo de vice-presidente é decorativo, não teria aceitado. Na prática já estou afastado, não tenho feito nada, o presidente está tocando tudo, e bem, na minha opinião. Não estou feliz porque gosto de trabalhar pelo clube, como sempre trabalhei. Não estou lá só para mostrar que sou vice-presidente. Vou conversar com o Roberto [de Andrade, presidente alvinegro] e ver o que fazer”, disse André ao blog.

“Tive mais de 20 mil votos para vereador de São Paulo, mas não fui eleito. Preciso me dedicar às pessoas que confiaram em mim. Já que estou com esse tempo livre [que seria usado no clube], vou aproveitar pra me dedicar a essas pessoas”, completou o dirigente.

André nega que sua insatisfação tenha motivação política. Ele é homem de confiança de Andrés Sanchez, trabalha no gabinete do deputado federal em São Paulo. O ex-presidente tem se distanciado de Roberto e no último domingo deu entrevista ao programa “Mesa Redonda”, da TV Gazeta, na qual criticou o atual presidente e defendeu a decisão de Edu, que pediu demissão após ver Oswaldo de Oliveira ser contratado contra sua vontade.

Já no último sábado, a possibilidade de André pedir demissão era comentada entre conselheiros do clube no Parque São Jorge. Caso a saída se confirme, Andrade ficará mais isolado no cargo.