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Opinião: Corinthians redescobre como é fácil agradar aos seus torcedores
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Sem dar espetáculo, sem contratações bombásticas e sem astros, o Corinthians é líder geral do Campeonato Paulista. Já venceu dois rivais em clássicos: Palmeiras e Santos. É o que bastou para Fiel, antes cabisbaixa, voltar a sorrir.

Não foram necessárias goleadas e nem atuações de gala. Bastaram correria, vontade, aplicação tática, garotos da base em campo e solidez defensiva. Assim, o alvinegro redescobre como é fácil satisfazer à sua torcida. Não é preciso gastar como arqui-inimigo Palmeiras, desde que esses elementos estejam em campo.

Foi assim no início do trabalho de Tite em 2012 (tirando a parte da molecada), quando o time era de operários dedicados. Não se trata de comparar as duas equipes, pois a de hoje não dá, pelo menos por enquanto, indícios de que pode chegar onde aquela chegou. A comparação é na simplicidade que satisfez o torcedor.

Se mantiver esse ritmo e não ganhar o Paulista e permanecer na briga pela Copa do Brasil, nenhuma catástrofe acontecerá em Itaquera. Carille provavelmente poderá seguir seu trabalho.

Antes considerado por muitos a quarta força de São Paulo, hoje o Corinthians pode pensar no título Estadual, mesmo com a natural evolução do favorito Palmeiras. Pois em campeonato com mata-mata, não dá pra duvidar de time que tem a pegada demonstrada pelo alvinegro.


Como eliminações atrapalham quitação de empréstimo pela Arena Corinthians
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Atualizado às 10h55*

As eliminações nas oitavas de final da Libertadores e nas semifinais do Paulista significam um golpe para o Corinthians em termos de pagamento da conta de sua arena. Tendo como base as arrecadações nas últimas partidas do time nas duas competições, o alvinegro deixará de obter pelo menos cerca de R$ 5,3 milhões em renda bruta (sem contar as despesas). Cada parcela inteira do financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES via Caixa Econômica para quitar parte da obra custa cerca de R$ 5,7 milhões.

Nas eliminações contra Nacional e Audax as rendas brutas foram de, respectivamente, cerca de R$ 2,8 milhões e R$ 2,5 milhões (R$ 1,3 milhão descontadas as despesas). A receita com a venda de bilhetes vai para o fundo que administra o estádio pagar o parcelamento. Além disso, há o gasto aproximado de R$ 2,7 milhões mensais com manutenção e operação da arena.

O cálculo feito pelo blog leva em conta a receita bruta que o clube teria na final do Estadual e nas quartas de final da Libertadores. Se chegasse na final do torneio continental, o alvinegro poderia arrecadar cerca de R$ 5,6 milhões com jogos em casa com a venda de bilhetes, mas teria que descontar as despesas antes de pagar o parcelamento. Ou seja, não ser finalista das duas competições significou deixar de levantar aproximadamente R$ 10,9 milhões com arrecadação bruta. As despesas na partida contra o Audax, divulgadas pelo clube, foram pouco superiores a 50% do total arrecadado. Tomando por base esse dado, os R$ 10,9 milhões se transformariam em pouco mais de R$ 5,4 milhões suficientes para pagar uma prestação.

A diretoria e o fundo que administra o estádio admitiram em reunião do Conselho Deliberativo as dificuldades para quitar as prestações. No último dia 15, a parcela de abril não foi paga, e o departamento financeiro do Corinthians alegou ao blog que não fez o pagamento porque espera conseguir uma nova carência de 19 meses no financiamento para igualar o prazo obtido por outros estádios da Copa de 2014. A Arena Corinthians foi inaugurada em 2014 pouco antes do Mundial.

*A versão inicial do post não esclarecia que foram citadas receitas brutas.


Santos vê retaliação da Globo por negociar com concorrente. Emissora nega
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A diretoria do Santos está incomodada com o fato de o time ter apenas um jogo com transmissão pela Globo anunciado no Campeonato Paulista até agora, contra o Corinthians, pela primeira fase. A FPF divulgou a programação de televisionamento só das dez primeiras rodadas.

A situação do time de Lucas Lima hoje é igual, por exemplo, à do São Bento, que também só tem programada na Globo partida diante do Corinthians.

Nos bastidores, a direção santista afirma que está sofrendo retaliação da Globo por negociar a transmissão dos jogos do clube em TV fechada no Brasileirão a partir de 2019 com o EI (Esporte Interativo), pertencente ao Grupo Turner.

O alvinegro do litoral é um dos times mais animados da negociação. Os cartolas acreditam que, se assinarem com o EI, o Santos vai sumir de vez da grade Globo até o fim do contrato atual do Brasileirão, válido até o final de 2018. Tradicionalmente, os santistas reclamam de pouca exposição.

Em nota, o departamento de comunicação da Globo disse que a emissora ficou surpresa com o relato do blog de desconforto dos dirigentes do Santos, negou retaliação e afirmou que a escolha dos jogos depende da audiência gerada pelas equipes.

“Além da citada negociação não dizer respeito à TV aberta, a Globo ainda não definiu todos os jogos que serão exibidos na primeira fase. Só escolhemos até a décima rodada das 15 da primeira fase. Nas cinco últimas certamente haverá outro jogo do Santos. Os jogos são escolhidos em função do interesse do público e, portanto, da audiência”, diz a nota da Globo.

A emissora também citou partidas transmitidas no ano passado para afirmar que não existe retaliação ao Santos: “Como termo de comparação, em 2015, também exibimos dois jogos do Santos na primeira fase. Sem vínculo, portanto, com qualquer negociação ou outro critério que não seja o do interesse do público”.

Porém, o site da FPF registra três jogos do Santos na Globo na primeira fase do Paulista de 2015, dois deles nas dez primeiras rodadas da competição, mais do que o programado atualmente.

A direção alvinegra avalia que se os jogos do time na Globo diminuírem poderá ouvir queixas de seus patrocinadores pela redução de exposição na emissora. Mas, mesmo assim, a análise é de que compensa assinar com o Esporte Interativo por questões financeiras, por acreditar que terá mais espaço com a nova parceira e por que a mudança de emissora representaria uma chacoalhada importante no futebol brasileiro.

Como o blog mostrou nesta quarta, a Turner afirma nas reuniões com os clubes que sua proposta total é cerca de nove vezes superior ao que a Globo paga pela transmissão em TV fechada.

Enquanto encaminha um amargo divórcio com a Globo, o Santos já vive em clima de namoro com o EI, que comprou os direitos para transmitir o amistoso de pré-temporada da equipe com o Bahia, outro interessado em mudar de canal.

 


Globo chega a acordo com FPF e times por mais 3 anos de Campeonato Paulista
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Globo, Federação Paulista e clubes acertaram verbalmente a renovação do contrato da emissora para transmitir os jogos do Estadual entre 2016 e 2018. A assinatura do acordo depende apenas de detalhes burocráticos.

Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos irão receber cerca de R$ 17 milhões cada por temporada pelo Paulista. Os times também terão direito a luvas pela a assinatura. Os cartolas contam com a entrada desse dinheiro em breve para aliviar o sufoco financeiro que seus times enfrentam. Eles esperavam ter assinado os contratos até sexta-feira passada. A previsão agora é de que assinem nesta semana.

O canal Esporte Interativo concorreu pela transmissão do Paulista, de acordo com clubes envolvidos, mas foi derrotado pela Globo sem grandes problemas.

 


Santos corta salário em mais de 50%. Palmeiras cresce em mais de R$ 650 mil
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Em janeiro, às vésperas do início do Campeonato Paulista, os novos diretores do Santos sentiam um frio na barriga. Ninguém sabia ao certo como seria o rendimento do time após uma drástica redução de despesas.

A folha de pagamento da equipe caiu de cerca de R$ 6,5 milhões para aproximadamente R$ 3 milhões. O corte não significou, como temiam os cartolas, queda de produção, e o alvinegro decide hoje o Campeonato Paulista contra o Palmeiras, que passou pelo processo inverso.

O frio na barriga dos dirigentes palmeirenses acontecera em dezembro, quando o time penou para escapar do rebaixamento no Brasileiro. A quase tragédia e um certo alívio na situação financeira fizeram o alviverde investir mais, apesar de sua política de produtividade.

A despesa com a folha de pagamento de jogadores e da comissão técnica aumentou de R$ 4.767.129,91 em dezembro para R$ 5.421.246,09 em março, de acordo com balancetes oficiais do clube. O crescimento foi de R$ 654,1 mil, mas aumenta se forem usadas na comparação as despesas de novembro. Naquele mês, o gasto foi de R$ 3.523.275,70. Ou seja, em março o clube gastou com salários R$ 1.897.970,39 a mais do que em novembro. A diferença entre o penúltimo e o último mês de 2014 acontece porque em dezembro a despesa com a comissão técnica pulou de R$ 385.112,74 para R$ 1.038.060,45.

Os relatórios palmeirenses, porém, registram os gastos com todos os jogadores profissionais do clube: 79 no terceiro mês do ano.

Na Vila Belmiro, a contenção de despesas foi como unir o útil ao agradável. Além de gastar menos com a saída de atletas considerados caros, como Edu Dracena, Leandro Damião e Arouca, a diretoria acredita que a mudança acabou com um racha entre jovens e jogadores mais velhos.

No Palmeiras, o aumento reflete o investimento em atletas experientes, como o ex-santista Arouca e Zé Roberto, além da vitória na briga com rivais por jogadores como Robinho e Dudu.

Outra diferença entre os finalistas é que o Santos, apesar de enxugar seus gastos, não consegue pagar em dia seus jogadores. Há atletas com sete direitos de imagem atrasados. No Palmeiras, o mês tem 30 dias.


Técnico do Santos é criticado por tirar Damião antes de pênaltis
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No decorrer do Campeonato Paulista, Oswaldo de Oliveira foi alvo de queixas de conselheiros do Santos por manter Leandro Damião como titular. Mas,após a perda do título para o Ituano, houve uma inversão. O treinador é criticado justamente por ter tirado o atacante no segundo tempo, quando Gabriel entrou em seu lugar.

A reclamação é de que o técnico errou ao tirar um jogador experiente diante da iminência de uma disputa por pênaltis, que aconteceu e foi vencida pelo time do interior. “Ele acabou preservando o Damião e deixando os meninos na fogueira. Damião merecia ter saído no intervalo. Agora tirar aos 33 minutos do segundo tempo foi para proteger o Damião dos penais. Oswaldo de Oliveira é um Geninho repaginado”, disse Celso Leite, conselheiro da oposição santista. O blog não conseguiu localizar Oliveira pelo telefone.

Mas não são só os opositores que criticam a substituição. Também há entre os conselheiros alinhados com a diretoria quem se queixe de Damião não ter ficado em campo para cobrar um dos pênaltis.

Apesar das críticas contra o treinador, não existe risco de ele perder o emprego agora. Internamente, dirigentes só demonstram uma ponta de insatisfação por ele ter se queixado publicamente de o time não fazer uma das partidas da decisão na Vila Belmiro. Os jogadores também reclamaram, mas os dirigentes sustentam que não poderiam ir contra o regulamento da competição, que dá à Federação Paulista o direito de definir os locais das finais.


Título do Ituano não é acidente, é exemplo para grandes clubes
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O título paulista do Ituano, conquistado diante do Santos, não é daqueles acidentes do futebol. É um exemplo que deveria ser seguido pelos dirigentes dos principais clubes do país.

Quando um time do interior, que gasta com o elenco inteiro o mesmo ou menos do que recebe um jogador como Leandro Damião, Valdivia ou Alexandre Pato, temos a confirmação de que algo está errado nos principais times do país.

Claro que o Ituano dificilmente faria mais do que brigar para se manter na Séria A do Brasileiro, pois faltariam peças de reposição. Porém, sua conquista é a prova viva de que não vale a pena para clubes atolados em dívidas gastar fortunas com treinadores e jogadores.

Um técnico jovem que faça bem o arroz com feijão e que tenha um elenco que caiba no bolso de seus patrões é capaz de ganhar pelo menos título estadual e de preparar durante seu primeiro Brasileiro um bom time para a temporada seguinte. Vale lembrar que no último Nacional nenhum clube paulista alcançou vaga na Libertadores. Será que Doriva, agora campeão paulista com o Ituano, faria pior?


Santos carrega desgaste entre jogadores e cartolas para decisão
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O Santos decide neste domingo o título paulista, contra o Ituano, sob os efeitos do desgaste no relacionamento entre jogadores e dirigentes.

Apesar de a diretoria ter quitado os direitos de imagem atrasados na última quinta, o atraso não foi bem digerido pelo elenco. Sobrou uma rusga entre os líderes do grupo e o superintendente de futebol André Zanota, que foi cobrado por atrasos nas remunerações. Para os atletas, a direção demorou a dar explicações e esclarecer quando pagaria, precisando ser cobrada pelos jogadores, isso em plena decisão do Estadual.

Por sua vez, a cartolagem alega que o atraso foi mínimo e que houve uma conversa normal entre Edu Dracena, como representante do grupo, e Zanota.

Mas a falta de pagamento em dia não é o único motivo de descontentamento dos atletas. Para amigos, jogadores reclamam de a diretoria não ter brigado mais para jogar uma vez na Vila Belmiro na decisão. Entendem que a equipe teria mais chances de título atuando em casa. Já a diretoria alega que nada poderia fazer contra o regulamento do campeonato que dá o poder de decisão dos locais da final à Federação Paulista.

O saldo do episódio é que o time entra em campo precisando da vitória com pressão dobrada. Parte dos conselheiros crê que o desempenho da equipe na derrota no primeiro jogo foi prejudicado por conta dos direitos de imagem atrasados. Há entre conselheiros da oposição até quem queira protestar contra o time na porta do CT, em caso de perda do título.


Seleção do Paulista barra quinteto de R$ 135,6 mi e destaca atletas baratos
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A seleção do Campeonato Paulista mostra como as principais equipes do Estado têm sofrido com suas grandes contratações.

Cinco dos jogadores mais caros na competição não aparecem entre os melhores, escolhidos por jornalistas.  Valdivia (R$ 18,9 milhões), Leandro Damião (R$ 42,5 milhões), Ganso (R$ 16,4 milhões por 32%), Luis Fabiano (R$ 17,6 milhões) e Alexandre Pato (R$ 40,5 milhões), que jogou o começo do torneio pelo Corinthians e ficou impedido de atuar por seu novo clube, o São Paulo, custaram juntos R$ 135,9 milhões. Todos ficaram fora da seleção.

A escalação dos melhores do torneio mostra que atletas contratados sob desconfiança e desprezados por seus antigos clubes se destacaram mais do o que caro quinteto. É o caso de Lúcio, que foi dispensado do São Paulo e ficou livre para acertar com o Palmeiras. O alviverde só precisou desembolsar os vencimentos do beque, que forma dupla de zaga com Anderson Salles na seleção.

Na defesa da seleção  do Estadual está outro palmeirense exemplo de contratação barata: o goleiro Fernando Prass. Ele rescindiu seu antigo contrato com o Vasco na Justiça, por causa de salários atrasados.

Até o craque da competição, Cícero, enfrentou o desinteresse de seu clube anterior, o São Paulo, e acabou sendo emprestado aos Santos pelo Tombense, ao qual é vinculado.

A revelação do campeonato, Geuvânio, esteve para deixar o Santos antes de se firmar. Ele forma o ataque dos melhores da competição ao lado de Thiago Ribeiro, seu companheiro de time, contratado junto ao Gaglari, da Itália, sob desconfiança de torcedores e conselheiros e por cerca de R$ 8 milhões. Ou, aproximadamente, 20% do que o Santos terá que pagar aos investidores que emprestaram o dinheiro para a contratação do também atacante Damião, caso ele não seja vendido em três anos.


Para conselheiros, Oswaldo de Oliveira deixou meninos da Vila desprotegidos
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Uma declaração de Oswaldo de Oliveira incomodou a ala de conselheiros do Santos que tem como bandeira defender os jogadores das categorias de base.

Para esse grupo, o treinador deixou os novatos expostos ao dizer que eles “podem” ter sentido a pressão de disputar sua primeira final, na derrota contra o Ituano, na abertura da decisão do Campeonato Paulista. O técnico também afirmou que alguns jogadores, sem fazer diferença entre jovens e experientes, não renderam como vinham rendendo.

“Quer dizer que ele não tem responsabilidade e nem os boleiros [atletas mais velhos]? Se perder o título, serão os meninos que vão perder? É uma vergonha isso”, disse Celso Leite, conselheiro da oposição.

A reação é reflexo de uma constante divergência entre conselheiros que preferem jogadores da base e dirigentes que apostam em atletas caros, como Leandro Damião.