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Documento de Lucas na Fifa ignora passagem pelo Corinthians, ameaçado de perder remuneração
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Lucas treina para jogo com Ajaccio

O documento produzido pela Fifa para a transferência de Lucas não registra a passagem dele pelo Corinthians. O “passaporte do jogador”, como é chamado o histórico do atleta emitido pela entidade, mostra o São Paulo como único clube dele, a partir dos 14 anos.

Dos 12 aos 14 anos não há equipes mencionadas, apesar de Lucas ter passado pelo Corinthians nesse intervalo. Deixou o Parque São Jorge aos 13 anos.

O problema para os alvinegros é que esse passaporte é o comprovante usado pela Fifa para determinar quais agremiações têm direito a receber 5% do valor das transferências internacionais. Essa fatia deve ser reservada pelos compradores para a distribuição a quem tem direito. É o chamado mecanismo de solidariedade.

No caso de Lucas, o PSG foi obrigado a separar 2,15 milhões de euros. Porém, sem ser reconhecido pela Fifa como clube formador, o Corinthians não conseguirá ao menos uma parte desse dinheiro. Na época da transferência, o clube avaliou sua parte em cerca de R$ 300 mil.

Para elaborar o documento, a Fifa reúne informações passadas pelas confederações dos países em que atuou o jogador. No caso do Brasil, as federações municiam a CBF.

Como já escrevi aqui, Lucas não chegou a disputar uma competição da Federação Paulista ou da CBF com a camisa do Corinthians. Atuou em partidas de futsal e de uma competição da Associação Paulista de Futebol de campo. Jogos por essa entidade não servem para a Fifa.

Luiz Alberto Bussab, diretor de negócios jurídicos do Corinthians, afirmou ao blog que o clube contratou um escritório de advocacia para tentar comprovar a passagem de Lucas pelo Parque São Jorge. Até entrevistas do jogador falando sobre o ex-clube devem ser usadas.

O alvinegro tem 18 meses a partir da data da transferência para tentar reverter a situação. Depois disso, a CBF poderá pleitear a quantia referente ao período em que Lucas tinha entre 12 e 14 anos.


Corinthians corre risco de ter que pedir ajuda de Lucas por direito a participação em venda
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Para ter direito a uma parte dos R$ 108 milhões pagos pelo PSG ao São Paulo, o Corinthians pode se ver obrigado a pedir uma declaração por escrito de Lucas. Nela o jogador atestaria que o alvinegro participou de sua formação.

Porém, ele deixou o Parque São Jorge justamente porque seu pai entendia que o clube não investia como deveria para prepará-lo.

A palavra do atleta pode ser necessária porque o Corinthians não encontra documentos que provem que Lucas disputou campeonatos da Federação Paulista com a camisa do clube. Pelas regras da Fifa, o comprador reserva 5% do dinheiro gasto para distribuir entre os clubes formadores relacionados num documento chamado passaporte do atleta.

No Brasil, esse documento é feito pela CBF com dados fornecidos pelas federações. Amigo da família de Lucas disse ao blog que ele nunca disputou partidas da FPF pelo alvinegro.

“Já achamos jogos dele pelo clube em campeonato da Associação Paulista de Futebol. Também achamos documentos dele no nosso futsal. Mas ainda não encontramos registros de que ele tenha disputado campeonatos da Federação Paulista”, disse ao blog Luiz Alberto Bussab, diretor jurídico do Corinthians.

Se o passaporte for produzido sem o registro da passagem de Lucas pelo Parque São Jorge, o clube pode ainda pedir uma retificação, juntando outros documentos.

Mais forte do que qualquer documento seria a declaração de Lucas. Aí é que mora o perigo. Quem lembra da saída dele do Parque São Jorge diz que o pai do jogador não via o Corinthians como um clube interessado em melhorar a formação de seu filho.

 Na ocasião, entre outros pedidos, a família queria uma ajuda de custo para bancar o transporte de Lucas, que morava perto de Interlagos, na Zona Sul, e treinava em Itaquera, na Zona Leste. Ou uma vaga no alojamento corintiano e numa escola perto dele.

Também queria que o Corinthians bancasse um tratamento para ajudar Lucas a crescer mais. Nesi Curi, que comandava as categorias de base do Corinthians, não atendeu aos pedidos. E ainda disse que Lucas cresceria naturalmente.  Pouco depois ele se transferiu para o São Paulo.