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Opinião: as virtudes do técnico corintiano
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Fabio Carille ainda tem muito trabalho a fazer com Corinthians, mas já é possível listar virtudes do treinador que justificam a oportunidade tardiamente dada pela diretoria ao ex-auxiliar.

Se por um lado ainda falta padrão de jogo, por outro o treinador tem demonstrado conseguir bons resultados variando o esquema tático. A versatilidade é importante para superar obstáculos, como desfalques.

Outro acerto do técnico até aqui tem sido a aposta nos jovens revelados em casa, quase sempre preteridos por jogadores com pouco lastro vindo de outras equipes nos últimos anos no alvinegro. Na vitória por 3 a 2 sobre o Mirassol, seis atletas que saíram da base, sem contar Jô, estiveram em campo: Pedro Henrique, Arana, Léo Principe, Maycon, Léo Jabá e Marciel.

Podemos colocar na lista também a solidez defensiva, desenhada desde o início da pré-temporada. Apesar dos dois gols levados no sábado de Carnaval, o Corinthians ainda tem a segunda melhor defesa da competição, vazada quatro vezes, uma a mais que a do Palmeiras.

Para alcançar a liderança geral do Paulista com 15 pontos foi fundamental para o alvinegro, algo básico, mas que muito treinador não faz: escalar o melhor em cada posição. Foi assim, por exemplo, que Maycon conquistou status de titular. Da mesma forma, Romero e Kazim ganharam mais espaço entre os 11. Carille demonstrou até aqui não ser um técnico teimoso. Tanto que logo sacou Jô após más atuações. E talvez tenha descoberto a melhor forma de usar o atacante ao decidir por sua entrada no final do jogo contra o Palmeiras, quando ele fez o gol da vitória. Nesse cenário, jogadores que vinham dando sono na Fiel, como Marquinhos Gabriel e Giovanni Augusto, terão de mudar radicalmente para voltar a jogar.

No clássico, Carille também foi capaz de colocar a dose certa de motivação no time e fazer com que os jogadores demonstrassem uma rara atenção durante partida tão intensa. A equipe quase não vacilou em um jogo duro.

Por tudo isso, o jovem técnico vai ganhando oxigênio para ter fôlego quando os momentos difíceis chegarem. No início do ano, a torcida tinha zero de paciência com ele. Agora já há um pouco.


Contrato de TV: cinco rivais se unem para tentar alcançar Corinthians e Fla
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Com Napoleão de Almeida, colaboração para o UOL em Curitiba

Cinco clubes da Série A que têm contrato com o Esporte Interativo para transmissão de jogos do Brasileirão por TV fechada a partir de 2019 discutiram nesta sexta durante reunião no Palmeiras uma estratégia para ficarem mais fortes nas próximas negociações de contrato. O objetivo é equilibrar o jogo com Flamengo e Corinthians, tradicionalmente donos das maiores cotas de televisão.

Além do alviverde, Santos, Coritiba, Atlético-PR e Bahia participaram do encontro. A estratégia deles é fazer as próximas negociações em bloco. Todos teriam uma só posição, o que em tese aumentaria o poder do grupo. A ideia é atrair os demais times que fecharam com o EI, que também participou da reunião para tratar de assuntos ligados ao seu acordo.

O raciocínio é que se estiverem separados no mercado, Flamengo e Corinthians continuarão tendo mais peso nas tratativas com as emissoras por terem as maiores torcidas do país.

O primeiro teste da nova tática deve ser a negociação da transmissão pelo pay-per-view. Os cinco clubes combinaram de negociar em conjunto. Eles já decidiram que não aceitam as pesquisas com assinantes como um dos critérios para dividir as cotas, método previsto no acordo atual com a Globosat. A ideia é que todos compradores de pacotes declarem seus times para dar mais precisão ao levantamento. Acreditam que dessa forma, a diferença para Flamengo e Corinthians vai cair.

Outra briga será para que a emissora que fechar contrato aumente a participação dos clubes na arrecadação obtida com o pay-per-view. Hoje, eles ficam com cerca de 30% da receita. A fatia maior beneficiaria a todos, incluindo os que não estiverem negociando em bloco.

Entre alguns dos participantes, o projeto é visto como uma tentativa de reconstruir o que foi destruído com o fim do Clube dos 13, entidade que era encarregada de negociar os contratos de transmissão pela TV. Em 2011, o Corinthians, presidido por Andrés Sanchez, liderou a implosão do C13 ao sair dele para negociar separadamente seus contratos. Dessa forma, conseguiu um trato muito mais vantajoso. O mesmo aconteceu com o Flamengo.

Outras tentativas de uma nova união entre os clubes já foram feitas, mas todas sem sucesso.

A próxima reunião para debater esse posicionamento unificado está prevista para 15 de março, em Santos.


Opositor afirma que vai à Justiça após impeachment de Andrade ser barrado
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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Romeu Tuma Júnior, conselheiro favorável ao impeachment de Roberto de Andrade, afirmou que vai entrar com uma ação na Justiça para anular a reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians que brecou o processo de destituição nesta segunda.

Ele alega que o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger, errou ao promover uma votação secreta sobre o mérito do processo de afastamento. Foram 183 votos contra a continuidade do processo e 81 a favor. Assim, o impeachment nem chegou a ser votado, com o caso sendo arquivado.

Para Tuma Júnior, no lugar da votação sobre a admissibilidade do processo, o conselho deveria ter deliberado sobre a convocação da reunião, decidindo se ela foi realizada de forma correta ou não e se o procedimento foi sem falhas na Comissão de Ética. Segundo ele, uma votação na base do senta ou levanta resolveria o assunto. Havendo a aprovação, então seria votado o impeachment.

“Houve um erro grave, e vamos para a Justiça. Tenho certeza que a sessão vai ser anulada”, disse Tuma Júnior.

A divergência acontece na interpretação do artigo 107 do estatuto. Em sua letra “e”, ele diz que “na sessão do Conselho Deliberativo especialmente convocada para decidir sobre o encaminhamento do pedido de destituição, proceder-se-á, primeiramente a deliberação dos motivos para a convocação”.

“O estatuto é claro. Quando fala que  será feita a deliberação dos motivos para a convocação, ele pede que eu explique os fatos que levaram ao pedido de afastamento para os conselheiros dizerem se há fundamento para o processo de impeachment. O entendimento foi de que não há”, disse Strenger ao blog.

Mantido na presidência, Andrade negou ter havido falha. “Nenhum temor, tudo lícito, nada de errado. Pode, até recorrer, não vejo no que. Não sou advogado e não entendo muito. Não fugiu nada do que o estatuto dizia que deveria ser feito”, declarou o presidente.

 


Conheça as suspeitas que envolvem o estacionamento da Arena Corinthians
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Cláusulas contratuais mais favoráveis à parceira do que ao clube e suspeitas de irregularidades na operação transformaram o contrato de gestão do estacionamento da Arena Corinthians numa metralhadora para conselheiros tentarem derrubar Roberto de Andrade. O afastamento será julgado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado terá que ser ratificado pelos sócios.

Os problemas vão além do fato de o presidente alvinegro ter assinado o contrato com a Omni com data anterior à sua posse. Esse fato foi visto pela comissão que julgou o pedido de destituição como insuficiente para tirar Andrade do trono, pois não teria sido provado que o episódio causou dano à imagem do Corinthians, como alegam membros do conselho.

A oposição, porém, sustenta que existem outros elementos que indicam prejuízo material ao clube, o que também daria motivo para o impeachment, além da alegada sonegação de informações por parte do dirigente aos conselheiros. O cartola nega ter cometidos falhas que permitam seu afastamento.

O estacionamento ganhou até um dossiê feito pelo conselheiro Romeu Tuma Júnior e seu grupo na tentativa de sustentar que Andrade assinou um contrato lesivo ao clube.

De cara, o fato de o Arena Fundo de Investimento Imobiliáro, responsável pelas contratações do estádio e do qual o Corinthians faz parte, ter contratado uma empresa que não tinha objeto social ligado à operação de estacionamentos é usado para indicar o prejuízo. O contrato, que desde a sexta retrasada o fundo tenta rescindir unilateralmente, prevê que a Omni fica com 30% da receita liquida obtida com o estacionamento durante os jogos.

A empresa contratou prestadores de serviço para fazer a operação, como admitiu Andrade em sua defesa por escrito no processo de impeachment. Quem discorda do acordo afirma que deveria ser contratada diretamente uma empresa para operar a área, como está sendo feito agora com a Indigo. Assim, haveria economia. O argumento é de que a contratação da Omni só beneficiou a intermediária.

Apenas no segundo semestre do ano passado a parceira corintiana criou outra empresa especializada em estacionamentos, mas ela ainda não começou a funcionar.

Nota Fiscal

O dossiê sobre o caso traz cópia de reclamação feita por torcedor junto à prefeitura por não ter recebido Nota Fiscal Paulistana ao comprar seu tíquete para o estacionamento em 5 de outubro do ano passado.  O caso está sendo analisado pela prefeitura.

Se não emitir Nota Fiscal Paulistana for mesmo praxe na arena, a dúvida passa a ser se a empresa recolhe corretamente o ISS (Imposto Sobre Serviços). O recolhimento dele está previsto no contrato, diminuindo a receita que fica com o Fundo. Ou seja, se não ocorrer o pagamento do imposto, o Corinthians, membro do fundo, tem prejuízo porque o valor do tributo é descontado da receita bruta, diminuindo o que sobra para a arena. Também há o temor de possíveis sanções ao clube.

O relatório feito por Tuma Júnior e seu grupo também traz documentos para mostrar que a Omni paga seus impostos pelo sistema Simples Nacional, válido para empresas que têm faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões. A questão aqui também é se a gestora do estacionamento recolhe corretamente seus tributos ou está pagando a menos. Vale lembrar que ela também fatura com Fiel Torcedor, além de outros contratos ligados ao Corinthians.

Seguro vencido?

Há ainda no dossiê cópia do tíquete do estacionamento fornecido no jogo contra o Santo André, o primeiro do Corinthians em casa neste Campeonato Paulista, com apólice de seguro vencida em 26 de agosto de 2016.

O blog procurou Marta Alves de Souza Cruz, sócia e diretora da Omni. Por mensagem de celular ela disse que houve um erro de gravação na data do seguro e que ele vale até 2017. A empresária, porém, não respondeu às perguntas sobre as outras supostas irregularidades.

Eterna?

Um dos pontos mais criticados do trato com a Omni é o fato de o acordo ter sido assinado por dez anos com opção por renovação por outros dez, invadindo a administração de futuros presidentes. Mas há outra controvérsia ligada ao prazo no contrato para locação da área em que funciona o estacionamento. A lei 8.245 diz que em aluguéis comerciais o inquilino tem direito à renovação pelo mesmo prazo do contrato anterior desde que o acordo seja por pelo menos cinco anos. Como foi firmado com a Omni compromisso de dez anos, em tese, caso o clube quisesse colocar outra empresa no local, como quer agora, seria praticamente impossível fazer a mudança sem alegar descumprimento contratual. A renovação nesses termos também impede que sejam cobradas luvas.

O novo contrato com a Indigo será por quatro anos. Assim, ela não terá direito à renovação.

Mistério

E quanto o estacionamento da arena gera de receita? A resposta é difícil de ser obtida porque os relatórios financeiros enviados pelo clube para Federação Paulista e CBF não trazem essa informação. Documento feito pela empresa que auditou o balanço da arena de 2015 também não cita as receitas arrecadadas com carros estacionados no estádio.

O número ainda ficou de fora de apresentação das metas da arena para 2016 ao Conselho Deliberativo do clube em março do ano passado.

Entre os pontos considerados lesivos ao Corinthians por conselheiros está a cláusula 1.2, na qual a Omni declara que os parâmetros de operação serão regulados diretamente com o clube, sem qualquer espécie de vínculo ou solidariedade entre Corinthians e fundo. Para conselheiros, esse item faz o alvinegro se responsabilizar sozinho por eventuais problemas.

Outros pontos polêmicos do acordo são o fato de só a Omni poder rescindir o compromisso sem falha da outra parte e a validade retroativa do contrato. Datado de janeiro de 2015, ele começou a valer na prática em 2014.

O blog enviou perguntas sobre o tema para as assessorias de imprensa do Corinthians que cuidam da arena e do presidente, mas nenhuma respondeu até a publicação deste post. Rodrigo Cavalcante, representante do fundo, também não atendeu ao blog.


Andrade acena com ‘governo de coalizão’ para escapar de impeachment
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Em busca de apoio contra o pedido de seu impeachment, Roberto de Andrade tem acenado por meio de colaboradores com um “governo de coalizão” caso permaneça no cargo. A proposta é aproximar da gestão não só aliados de Andrés Sanchez que se afastaram dele, mas também líderes da oposição. Os nomes mais influentes seriam convidados a participar da gestão.

O pedido de afastamento será votado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado ainda terá que ser ratificado pelos sócios.

Aproximadamente 200  dos cerca de 344 conselheiros do clube já foram abordados pela defesa do presidente corintiano em busca de apoio. O pedido vem geralmente acompanhado de uma promessa de mudança na maneira de o dirigente administrar o clube. A partir de terça-feira, caso vença no conselho, ele passaria a ouvir mais os membros do órgão. Líderes históricos teriam participação ativa em decisões estratégicas, como em relação à Arena Corinthians.

Conselheiros, principalmente do grupo Renovação e Transparência, capitaneado por Andrés Sanchez, se queixam de que o presidente não ouve conselhos antes de tomar decisões importantes e que se afastou do clube, pois costuma despachar na loja de carros na qual tem participação societária e trabalha.

Se o impeachment for aprovado também pelos sócios, André Luiz Oliveira, primeiro vice, assume com a obrigação de marcar nova eleição.

O afastamento é pedido porque o cartola teria prejudicado a imagem do clube ao assinar documentos com datas anteriores à sua eleição se tornando alvo de inquérito sobre crime de falsidade ideológica, além de ser acusado de se recusar a entregar documentos solicitados por conselheiros. O dirigente diz que houve um erro de datas sem dano ao Corinthians e nega a recusa em relação à papelada.

A comissão que analisou o pedido não recomenda o impeachment, mas pede uma advertência por escrito ao presidente.


Auditoria vê setores norte e sul como mais incompletos da Arena Corinthians
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A história parece confusa. Realmente é. Depois de o escritório que coordenou a auditoria relativa à Arena Corinthians entregar seu parecer, a empresa que auditou a obra do ponto de vista de engenharia e arquitetura ainda vai entregar seu relatório.

Acontece que o Molina & Reis Advogados completou seu trabalho no final do mês passado sem que o escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva terminasse sua auditoria.

Os dois relatórios terão em comum a conclusão de que a Odebrecht teria deixado de fazer uma série de obras e que outras precisariam ser refeitas, conforme apurou o blog.

O parecer já entregue pelo escritório de advocacia calcula em pelo menos cerca de R$ 200 milhões o valor do que não teria sido feito e do que necessita de intervenção, sem laudos de engenharia e documentos que faltaram.

Por sua vez, o Claudio Cunha planeja entregar seu relatório no dia 15 de março, com mais de três meses de atraso, que serão justificados principalmente pela demora da Odebrecht em entregar documentos.

O trabalho que abrangeu dez disciplinas ligadas à construção deve apontar que os setores norte e sul do estádio são os mais incompletos. Essas são justamente as áreas mais simples da arena e com ingressos vendidos pelos menores preços.

Para indicar o que precisa ser refeito em sua opinião, o escritório de engenharia classificou itens como fora de conformidade com o que prevê o contrato.

A Odebrecht ainda não tem conhecimento do conteúdo de nenhum dos dois trabalhos, mesmo assim avalia serem contraditórios. Isso porque os setores norte e sul representam a menor parte da área construída da arena. A construtora acredita que se eles são os mais inacabados não é possível se chegar aos cerca de R$ 200 milhões relatados pelo Molina & Reis.

Porém, conforme informações obtidas pelo blog, os setores norte e sul são considerados mais incompletos em quantidade de itens que ainda precisam ser feitos, não em valores.

Como mostrou o blog, a Odebrecht admite que deixou de fazer cerca de R$ 40 milhões em obras porque o orçamento do estádio estourou. Quantia semelhante foi gasta, segundo a construtora. em outros serviços que estariam sem preço fixado previamente e acabaram provocando o estouro.

Porém, o relatório do escritório de engenharia atestará que a construtora tinha a obrigação de executar os trabalhos que faltaram.

Entre as obras que a Odebrecht admite não ter feito nos setores norte e sul por causa do alegado estouro orçamentário, sem ter ferido o contrato, de acordo com a empresa, estão a instalação de dois elevadores em cada lado. Eles seriam usados por deficientes físicos para irem ao banheiro na parte inferior da arena e custariam no total R$ 650 mil pelas contas da Odebrecht.

As áreas norte e sul também ficaram sem parte do acabamento. O piso seria de granito, como nos setores leste e oeste. Porém, segundo a Odebrecht faltou verba e eles foram entregues no contrapiso.

O Corinthians vai decidir se considera a obra entregue ou não baseado nos dois relatórios. Uma das possibilidades é pedir um desconto no valor da dívida pela construção tendo como base a auditoria.

 

 


Andrade quer sigilo de inquérito sobre suposta falsidade ideológica
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Suspeito de cometer crime de falsidade ideológica, Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, não quer que os dados do inquérito que o investiga sejam públicos.

No dia 25 de novembro de 2016, Daniel Leon Bialski, advogado do dirigente, pleiteou junto ao 52º Distrito Policial, sem sucesso na oportunidade, que fosse “decretado sigilo absoluto dos autos, restringindo-se o acesso apenas aos funcionários do poder público”.

Como justificativa para o requerimento, o advogado disse que seu cliente apresentaria documentos sigilosos. Na ocasião, ele explicou que o cartola não poderia prestar depoimento naquele dia por conta de compromissos profissionais.

 Em 12 de dezembro, Andrade compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos sobre ter assinado a ata de uma assembleia do fundo que controla a Arena Corinthians e o contrato referente ao uso do estacionamento do estádio pelo Omnigroup com datas anteriores à sua eleição. Os documentos foram usados por conselheiros para pedir o impeachment do presidente, que será votado no próximo dia 20. Se o afastamento for aprovado, ainda terá que passar pelo crivo dos sócios.

Na delegacia, o dirigente disse não ter participado das tratativas para a assinatura do contrato do estacionamento, que é considerado lesivo pelos defensores do impeachment. Os supostos danos dariam respaldo ao afastamento. O acordo foi rescindido na última sexta-feira.

Ex-presidente

Andrade disse que as tratativas para a assinatura dos dois documentos foram feitas na gestão de seu antecessor, Mário Gobbi e que ele apenas assinou os papéis. Gobbi também prestou depoimento, mas no inquérito não há registro de resposta dele sobre esses episódios. Na transcrição do depoimento do ex-presidente e que é delegado está apenas que ele confirma ser dele a assinatura num dos contratos entre Corinthians e Caixa.

Roberto confirmou também a versão que já havia dado no clube de que apesar de assinar uma ata que fala em assembleia presencial não houve reunião. O dirigente sustenta ser uma prática normal e permitida em fundos.

O cartola também afirmou que quando percebeu o erro das dadas foi deliberada a correção entre as partes e que ela estava em fase de execução no dia de seu depoimento.

No dia 21 de novembro, Sérgio Luiz Verardi Dias, advogado do BRL Trust, que cuida do fundo ligado à arena, também prestou depoimento e afirmou que a reunião não aconteceu, pois seus temas foram discutidos antes pelos interessados e a ata da assembleia é a celebração da vontade das partes. Ele declarou que o documento foi encaminhado para os envolvidos assinarem em janeiro, quando Gobbi era o presidente corintiano. Mas houve demora no recolhimento das assinaturas e Andrade acabou assumindo o cargo. Disse ainda que por um lapso do clube ficou no documento a data de 5 de fevereiro de 2015, anterior à eleição de Andrade.

Ele também afirmou que em outubro de 2015 foi alertado por auditores que auditavam o fundo do erro na data e que acionou advogados do Corinthians mas que até a divulgação do fato pela imprensa (a Revista Época revelou o caso) “não foi elaborada nenhuma ata retificadora” e que “providências poderiam ser adotadas pelo clube e/ou pelo fundo, porém até o presente momento” não foram.

Contradição

Nesse ponto há uma contradição, pois na defesa de Andrade na Comissão de Ética do conselho foi anexada a ata de reunião do fundo realizada em 10 de novembro, antes do depoimento do advogado à polícia, para retificar a data da assembleia. O blog não localizou Dias para falar sobre o assunto.

Num dos momentos mais tensos do depoimento do representante do fundo à comissão de ética, ele não soube dizer quem votou à distância pelo clube na assembleia: Gobbi ou Andrade.


Sem cláusula de renovação automática, estafe muda planos para Jadson
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O fato de não conseguir um contrato por três anos com o Corinthians mudou os planos do estafe de Jadson para o atleta. O acordo final não prevê nem renovação automática dependendo do número de partidas disputadas por ele, diferentemente do que chegou a ser discutido. Depois de dois anos, se as partes quiserem renovar, terão que iniciar outra negociação. Os representantes do atleta negam que tenham tentado incluir no documento o gatilho que aumentaria o prazo de permanência do jogador no clube dependendo de suas participações, apesar de confirmarem o interesse em vínculo de três anos.

Antes a intenção era tentar compensar o dinheiro que o meia deixou de receber ao rescindir seu compromisso com o chinês Tianjin Quanjian, que iria até dezembro deste ano, e consolidar a identificação do jogador com o alvinegro em três novas temporadas.

Agora, porém, ganha ainda mais importância uma sequência de boas atuações para tentar conquistar vaga na seleção brasileira pensando na Copa da Rússia, no ano que vem, e obter uma valorização justamente quando o meia já poderá assinar pré-contrato com outro clube. O Mundial terminará em julho. O contrato de Jadson valerá até 31 de dezembro de 2018. A partir de seis meses antes do fim do compromisso o atleta está liberado para assinar pré-contrato.

A insistência corintiana em não aceitar o terceiro ano de contrato chateou os representantes de Jadson que interpretaram a atitude como desconfiança no potencial do jogador para seguir a carreira aos 36 anos, idade que terá em 2019. Já a direção alvinegra manifestou internamente o receio da repetição do caso Cristian, 33 anos, veterano com salário top e que não está mais nos planos do clube, apesar de ainda ter contrato. Ele retornou ao Corinthians em 2015 e assinou por três temporadas.

Outro ponto que desagradou ao estafe de Jadson durante a negociação foi que ao mesmo tempo em que a idade parecia ser um problema para a diretoria, o clube tentava contratar Drogba, jogador de 38 anos e salário elevado.

Além de não haver previsão de renovação automática, o novo compromisso de Jadson tem cláusula de saída, que obriga o Corinthians a vender o meia ou equiparar a oferta salarial se aparecer proposta na quantia combinada. O blog não teve acesso a esse valor.

 


Nove cartolas explicam a crise administrativa do Corinthians
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Processo de impeachment contra o presidente do clube, Roberto de Andrade. Constantes atrasos nos pagamentos dos jogadores. Dificuldade para pagar a dívida pela construção de seu estádio. Orçamento de 2017 que ainda não foi aprovado. Falhas chamativas nas tentativas de contratar Drogba e Pottker. E ainda a quase escalação de Moisés, suspenso, na vitória por 1 a 0 contra a Caldense, pela Copa do Brasil, nesta quarta (8). Por que o Corinthians tem enfrentado tantas dificuldades administrativas, principalmente de origem financeira e política?

Em busca dessa resposta e também das sugestões para colocar ordem na casa, o blog ouviu nove cartolas corintianos, entre membro da atual diretoria, ex-dirigentes do mesmo grupo que está no poder e conselheiros experientes. Caos na arena, presidente ausente, interesses pessoais em primeiro lugar, sócios ocultos nos lucros do clube, gastos descontrolados, falta de transparência e um modelo de gestão baseado no toma lá, dá cá foram algumas das explicações para o conturbado momento corintiano.

Todos os entrevistados responderam a três perguntas iguais, antes da descoberta pelo clube da suspensāo de Moisés. As questões também foram enviadas à assessoria de imprensa do presidente do clube, que não enviou resposta até a publicação do post.

Abaixo, em ordem alfabética, a resposta de cada cartola.

André Luiz Oliveira, primeiro vice-presidente.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Política: este ano é de tensão pré-eleitoral, isso é normal. Financeira: o mundo passa por dificuldades, e o clube também. Muitas empresas deixaram de investir, e as dificuldades pegaram também o maior gigante, kkkk”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“O principal problema é que nosso grupo parou de fazer política, e isso ajudou a piorar a situação!”

3 – Qual a solução?

“Ter calma, aceitar que estamos em dificuldade e fazer só o que for melhor para o clube, sem loucuras!”.

Antônio Roque Citadini, candidato à presidência do clube em 2015, quando Andrade foi eleito.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A crise financeira não é recente. Desde que iniciou a gestão do atual grupo dirigente (Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez) optou-se por gastar em todas as áreas. Quando assumiram havia R$ 19 milhões em caixa e dívidas renegociadas. Os gastos no futebol, especialmente na base, foram descontrolados, além de alguns negócios ruins (caso de Alexandre Pato). O período pré-Copa, de grande aumento das receitas, escamoteou o crescimento das dívidas. Com a crise econômica de agora, o quadro apareceu”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“São dois problemas claros: o descontrole orçamentário com gastos por todo lado e o estádio em situação de caos”.

3 – Qual a solução?

“No clube é adotar uma política de gasto na altura das receitas. Sem isso vamos pro buraco. No estádio é renegociar tudo mas, neste caso, o atual grupo dirigente não tem a menor condição. Está há meses paralisado, sem conseguir qualquer iniciativa para solucionar o problema”.

Eduardo Ferreira, foi diretor de futebol na atual gestão, mas pediu demissão.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Na minha visão é devido à falta de presença no dia a dia e de liderança política do Roberto (de Andrade), estranhamente, uma pessoa que mudou muito nos últimos tempos”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Muitos grupos políticos querendo e pensando só no poder, deixando para trás o Corinthians. Estão pensando apenas em projetos pessoais, sem se preocuparem com os efeitos colaterais que estão causando”.

3 – Qual a solução?

“União entre as pessoas, entre todos os lados e que na próxima eleição apareça um nome forte para assumir o clube. E que esse nome de consenso tenha dedicação para conduzir o Corinthians”.

Fran Papaiordanou, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Por causa do desgaste administrativo e político do grupo Renovação e Transparência, que está no poder há dez anos”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Os principais são os problemas financeiros, os problemas do estádio e a falta de credibilidade dos dirigentes que estão no comando”.

3 – Qual a solução?

“Uma mudança radical na parte diretiva do clube, uma modernização na área administrativa. Por melhor que seja a próxima administração, ela vai levar alguns anos para reorganizar o Corinthians financeiramente”.

Paulo Garcia, ex-candidato à presidência.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Temos que acabar com isso, sentar, discutir os pontos em comum, negociar os pontos divergentes e trabalhar pelo clube.”

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Precisamos de união. Se nos unirmos rapidamente, passamos esse momento complicado. Ninguém tem a força que nossa torcida tem. Temos que estar comprometidos só com o Corinthians”.

3 – Qual a solução?

“É a união. Temos que estar juntos agora, alinhar os principais assuntos do clube, trabalhar para resolver os problemas mais imediatos. Todas as forças do clube devem ser convergentes.”

Raul Corrêa da Silva, diretor financeiro nas gestões de Andrés Sanchez e Mário Gobbi.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Fez (e continua fazendo) grande investimento em atletas nos últimos anos em meio a uma crise política e econômica do país. (O Corinthians) se comunica mal. Os poucos diretores que falam para a imprensa querem falar sobre todas as áreas, não rebatem as críticas e nem divulgam as vitórias, que são muitas”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“A gestão. Não foi dada continuidade a um trabalho de transparência, profissionalismo e meritocracia. A diretoria precisa ter tempo para se dedicar ao clube, além de ter competentes gerentes remunerados”.

3 – Qual a solução?

“Parar de fazer investimentos, ter uma diretoria cujos membros, individualmente, teriam condições de serem presidentes, reimplantar fluxo de caixa, eliminar de imediato os boatos que apareçam e ter transparência com a Fiel e demais stakeholders (partes interessadas) para resgate da credibilidade”.

Romeu Tuma Júnior, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Por ter adotado um modelo de gestão calcado no compadrio, no toma lá, dá cá, sem qualquer responsabilidade administrativa e financeira. Isso gerou o descontrole financeiro, graves irregularidades e em consequência a crise política”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“A falta de compromisso com a legalidade e com um modelo de gestão que priorize os interesses do clube em detrimento de interesses políticos e pessoais”.

3 – Qual a solução?

“Mudar radicalmente não só as pessoas que comandam o Corinthians, mas principalmente o sistema que impera há anos. Esse modelo onde não há qualquer compromisso com as leis, com procedimentos éticos e morais, em que não há planejamento estratégico, e principalmente em que os programas apresentados em campanha viram peças publicitárias, de museu. Ou seja, são esquecidas logo após o resultado das urnas. Criar uma diretoria de controle, compliance e transparência para ditar e controlar procedimentos, além, é claro, de instituir uma gestão descentralizada com a participação de sócios que se identifiquem com as especificidades das áreas, não com oportunistas.”

Rubens Gomes, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A grave crise financeira acontece devido aos desmandos de um presidente que vem obedecendo a um ex-presidente, gestão por gestão.  Cada presidente que assume fala que pegou o clube na UTI. Mário Gobbi e Roberto de Andrade falaram isso. Só que eles se esquecem que fazem parte da mesma gestão e que ocuparam o mesmo cargo (diretor de futebol). Todos eles gastaram dinheiro com contratações e comissões de empresários. Em 2016, o Corinthians recebeu (cerca de) R$ 140 milhões com vendas de jogadores e ficou com (aproximadamente) R$ 70 milhões. Então, o Corinthians tem um sócio, precisamos achar esse sócio. Cada um com 50% do que entrou com a venda de jogadores. A despesa fica só com o Corinthians.

A crise política acontece porque quem saiu da cadeira continua querendo dar ordens no clube. No caso, o ex-presidente Andrés Sanchez. Ele deu ordem pro Mário Gobbi e pro Roberto. Gobbi não fala mais com Andrés, e o Roberto está indo pro mesmo caminho. Então, ele sai do poder e quer continuar mandando. Se não fosse ele, nenhum dos dois teria sido eleito. O clube não tem dinheiro, não consegue fazer o que ele (Andrés) pede, e entra em crise política porque ele fica o tempo inteiro ameaçando o presidente (Nota: Andrés não foi ouvido porque não fala com o blog). É aquele caso de, se você não deixar eu jogar, levo a bola pra casa”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“É que cada um que senta na cadeira esquece que faz parte do mesmo grupo político, da mesma gestão, e diz que o clube está quebrado. Eles estão há muitos anos no poder. De Renovação e Transparência não tem nada”.

3 – Qual a solução?

“É estancar essa sangria que vem em abundância. Trazer o clube de volta para o Corinthians, pois, na verdade, o Corinthians está cheio de sócios que não conhecemos. Eles dividem o lucro e o clube fica com as despesas. Precisamos fechar essa torneira, fazer uma administração equilibrada, trazer as categorias de base 100% pro Corinthians, porque é aí que o clube vai ter lucro e parar de pagar comissões astronômicas. Daí vamos parar de ver toda hora o clube ameaçado por empresário de tirar jogador”.

Tomas Lico Martins, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A atual gestão convive com vícios administrativos decorrentes do longo período em que este grupo político está no poder. Entenda por vícios administrativos erros, incompetência e desonestidade”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“O principal problema é a reformulação da gestão, tornando-a mais independente dos movimentos políticos internos”.

3 – Qual a solução?

“A gestão deve seguir o exemplo das grandes empresas da iniciativa privada: seleção de executivos no mercado, com comprovação de capacidade e experiência, e assessoria de empresas especializadas em reengenharia e aperfeiçoamento de gestão”.

 


Como parecer contra afastamento de Andrade é usado a favor do impeachment
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Perrone

Apesar de o parecer da Comissão de Ética que analisou o pedido de impeachment de Roberto de Andrade ser contrário ao afastamento do presidente do Corinthians, defensores da destituição enxergam na peça brechas e falhas que podem fortalecer a tese de que o cartola deve cair. Esses pontos passam a fazer parte do material usado na campanha por votos a favor da retirada dele do cargo, em reunião do Conselho Deliberativo no próximo dia 20.

Um dos aspectos alegados é o de que o estatuto corintiano não confere à comissão o poder de aplicar punição alternativa ao impeachment. Ela deve dizer se recomenda ou não o afastamento. Porém a decisão foi de pedir que o dirigente seja punido com advertência por escrito baseando-se em artigo do estatuto que prevê essa pena para sócios.

Por essa linha de raciocínio, a comissão deveria indicar o impeachment porque admite o erro do presidente ao assinar a ata de uma assembleia do fundo que a administra o estádio corintiano e o contrato de locação do estacionamento da arena em papéis com datas anteriores à sua posse.

 A falha do dirigente é admitida em vários trechos do parecer, como no item 86. Nele está escrito: “Reconhecido pelos signatários (membros da comissão) o erro do presidente da diretoria, não fraude, cabe avaliar se essa falta autoriza a imposição da pena de destituição do cargo”. O entendimento foi de que o afastamento seria uma pena desproporcional à falha cometida e que a advertência estaria de bom tamanho.

Para a comissão, a assinatura de Andrade com data anterior à sua posse não teve a intenção de burlar algo e nem trouxe vantagem para alguém e prejuízo ao clube. Assim, entende que não houve fraude, ao contrário do que alega o pedido de impeachment feito por conselheiros. Eles acusam o presidente de praticar crime de falsidade ideológica, e a divulgação deste ato pela imprensa teria trazido prejuízo à imagem do Corinthians, justificando o pedido de afastamento.

Para os apoiadores do impeachment, o fato de o parecer citar diversas vezes que Andrade cometeu erro reforça a convicção de que ele deve ser afasto. O item 90, por exemplo, classifica o gesto do presidente de “falta de atenção e zelo”, falhas consideradas graves por seus críticos e consideradas por eles passíveis de punição com a destituição.

“Existe uma contradição muito grande no parecer. A comissão diz que não há motivo para impeachment, mas usa 27 páginas para justificar a dosimetria (o cálculo da pena). Eles apontaram a irregularidade, mas não tiveram coragem para punir. Então, inventaram uma advertência por escrito”, afirmou o conselheiro Romeu Tuma Júnior, responsável por uma representação que resultou em inquérito na polícia civil sobre a suposta falsidade ideológica cometida por Andrade.

Ele também discorda de que não houve prejuízo ao clube. Sustenta o dano com o contrato para locação do estacionamento da arena com o Omnigoup. O documento é considerado leonino para o clube por conselheiros já que tem cláusulas que só favorecem a parceira. A empresa pode, por exemplo, rescindir o compromisso sem pagamento de multa e nem falha cometida pelo fundo que administra a arena. O fundo não tem o mesmo direito.

“Houve prejuízo para o Corinthians com esse contrato. Ou seja, o pedido de impeachment não é político, é técnico. Político foi o parecer da comissão”, disse Tuma.

A Comissão de Ética também é criticada por ter desmarcado audiência para ouvir depoimento de Andrade, que só se defendeu por escrito. Ela teria falhado por não insistir na busca da verdade questionando o presidente.

Procurado pelo blog, Sérgio Alvarenga, presidente da comissão, afirmou que as decisões de não ouvir o presidente e de recomendar a advertência foram abordadas no parecer. “A opinião da comissão já foi ofertada por escrito”, declarou.

No parecer, a comissão diz que Andrade abriu mão de seu depoimento por preferir dar seus esclarecimentos a todos os conselheiros no dia da reunião sobre o impeachment.

Para o afastamento ser aprovado é necessária a maioria dos votos dos conselheiros presentes. Em caso de aprovação, o impeachment precisa ser ratificado pelos sócios, o que dá margem para outro argumento dos que querem a saída de Andrade. O parecer afirma que a falta praticada por Andrade não tem a gravidade necessária para que a vontade do associado que o escolheu como presidente seja relegada ao segundo plano. Os defensores da destituição dizem, então, que é justo conhecer a vontade dos sócios sobre o assunto.