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Arquivo : Cristian

Opinião: diretoria corintiana errou na reação às críticas de Cristian
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Perrone

A diretoria do Corinthians voltou a errar de maneira grosseira na opinião deste blogueiro. Agora no caso Cristian.

O volante não tem mais bola para jogar no clube. Virou peso morto e, no que parece ter sido uma atitude de desespero, atacou a direção em entrevista ao Lance! Pronto. Os cartolas morderam a isca e perderam a razão. Anunciaram o afastamento do jogador após serem criticados publicamente. Tentaram disfarçar muito mal. Flavio Adauto disse que a medida não foi em função de entrevista específica. Afirmou também que a decisão foi tomada depois de uma conversa com o jogador na qual o atleta teria ouvido os motivos e também que não era o momento de relembrar fatos ocorridos há três meses como uma bomba e apontando uma falha do Corinthians que não tinha existido.

Como, então, acreditar que o afastamento não tem a ver com a entrevista? Difícil.

Os argumentos de Cristian de que a diretoria teria demorado para dizer que ele não seria aproveitado e que não colaborou no episódio do sumiço de sua aliança na Flórida eram insignificantes.

Se soubesse antes que não jogaria o Paulista, ele arrumaria outro clube para ganhar o salário espetacular que ganha no alvinegro? Não. O Corinthians tem poder de polícia para solucionar o mistério da joia sumida? Não. Então, a direção só tinha que responder a eventuais perguntas sobre o caso com sobriedade e seguir a vida.

Mas preferiu tomar uma atitude autoritária, fez uma censura que não combina com o currículo de Adauto, jornalista que atuou por muito tempo em veículos renomados. Além de parecer uma ação tomada nos anos 1970 em plena ditadura militar, a decisão dos cartolas transforma em vítima um jogador que a Fiel não tolera mais no elenco. Pior, não será surpresa se Cristian for à Justiça alegando que está sendo impedido de trabalhar por falar o que pensa e tentar uma rescisão mais vantajosa para ele do que se fizesse um acordo para deixar o clube ou se tiver que cumprir rigorosa rotina de treinos até o fim do compromisso. Se bobear, o jogador ainda pede uma indenização por danos morais.

Ou seja, Adauto e Alessandro conseguiram se complicar num caso que estava resolvido. Era só deixar o volante provar nos treinos que merecia nova chance.

Não é a primeira lambança. Lembra do diretor de futebol minando a iniciativa do clube de contratar Drogba? E da negociação desfeita com Pottker após lembrar que se ele jogasse na Copa do Brasil pela Ponte Preta não poderia mais atuar na competição pelo Corinthians? E de Moisés, relacionado para a estreia na Copa do Brasil, mesmo suspenso? Por pouco não atuou de forma irregular.

São vários os indícios de que há dose venenosa de amadorismo na administração do futebol corintiano, mas o presidente Roberto de Andrade nada vê.


Gasto com Cristian daria para Corinthians segurar Guerrero
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A iminente saída de Guerrero do Corinthians poderia ser evitada não fosse o erro de avaliação do clube nos gastos com algumas contratações. E não é preciso voltar até o desembarque de Alexandre Pato para se chegar a essa conclusão. Serve de exemplo um reforço que está bem mais fresco na memória do torcedor: Cristian.

Contratado para a atual temporada, o volante vai receber, em três anos de contrato, cerca de R$ 500 mil mensais em média por mês. São R$ 18 milhões em 36 meses, valor semelhante ao que Guerrero pede de luvas e o alvinegro não tem para pagar (o impasse está nas luvas, não na pedida salarial). O gasto com Cristian sobe para R$ 19,5 milhões se forem incluídas as despesas com 13º salário.

O curioso é que o clube já estava atrasando direitos de imagem e lutava para reduzir a pedida feita pelos agentes de Guerrero quando trouxe Cristian.

Como os empresários do peruano afirmam que aceitam receber a maior parte das luvas diluídas no salário, daria para usar o dinheiro gasto mensalmente com Cristian para manter o atacante. Porém, seria necessário se contentar com um volante das categorias de base ou trazer um jogador barato, em início de carreira, para a vaga do veterano.

Agora esqueça Cristian e pense em outro reserva, Vágner Love, da mesma posição de Guerrero. Em 18 meses de contrato, ele receberá cerca de R$ 9 milhões, metade do que o peruano pede de luvas. Love foi contratado em fevereiro às vésperas da eleição que elegeu o presidente Roberto de Andrade.

O cartola avalizou o negócio mesmo sabendo das dificuldades financeiras e da batalha com os representantes de Guerrero. Agora chora a falta de dinheiro. Seu antecessor, Mário Gobbi, deu liberdade para que ele começasse a montar o time de 2015 antes mesmo de saber se seria eleito.

Confiar mais nos jovens Malcom e Matheus Cassini poderia ter feito o Corinthians economizar o dinheiro gasto com Love, direcionando os recursos para manter Guerrero.

Porém, o clube preferiu nos últimos anos investir mais em atletas rodados, caros e com pouco poder de revenda, liberando jovens promessas de graça ou a preços de liquidação. Tite também demonstra preferir os medalhões.

Alguns dos garotos partem do Parque São Jorge sem nem estrear no time principal, como pode acontecer com Cassini. Caso as saídas do garoto e de Guerrero se concretizem, o Corinthians perderá dois atacantes numa tacada só. Isso sem ganhar nada pelo peruano, em fim de contrato, e embolsando R$ 3,5 milhões por 70 % dos direitos econômicos de um jovem que poderia valer muito mais amadurecendo no Parque São Jorge.


Dificuldade na Libertadores deixa em xeque trio corintiano de R$ 1,5 milhão
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A delicada situação em que o Corinthians ficou na Libertadores após a derrota por 2 a 0 para o Guaraní do Paraguai coloca especialmente em xeque três jogadores que juntos têm remuneração de cerca de R$ 1,5 milhão por mês. Apesar da bolada, Sheik (R$ 450 mil), Vágner Love (por volta de R$ 500 mil) e Cristian (cerca de R$ 500 mil) não estavam em campo no importante jogo em solo paraguaio.

Sheik deixou o time na mão por causa de uma polêmica expulsão contra o São Paulo. Nesta segunda, após a publicação da primeira versão do post, a Conmebol puniu o atacante com três jogos de suspensão. Como já cumpriu um, ele não participará do jogo de volta com os paraguaios e terá mais uma partida para pagar a pena.  Ele é criticado no clube justamente pelo histórico de expulsões que enfraquecem o time em momentos decisivos. Em 2013, por exemplo, foi expulso no jogo em que a equipe foi eliminada da Copa do Brasil pelo Grêmio. Um ano antes, levou cartão vermelho na abertura da semifinal da Libertadores contra o Santos, na Vila Belmiro, após marcar o gol da vitória corintiana.

Controlar os nervos do atacante é uma missão colocada na conta de Tite, que pediu seu retorno após empréstimo ao Botafogo.

Cobrança maior sofrem Cristian e Love. O volante não ficou nem no banco no Paraguai. Por sua vez, o atacante permaneceu na reserva, enquanto Luciano jogava.

Conselheiros do clube reclamam desde que os dois jogadores foram contratados por causa dos salários, considerados proibitivos para quem não consegue pagar direitos de imagem em dia. A contratação de Love foi ainda mais emblemática, pois aconteceu às vésperas da eleição de Roberto de Andrade para a presidência. O negócio foi divulgado apesar de na ocasião só existir a assinatura do jogador no contrato. Andrade só assinou depois de eleito.

Os fatos de a dupla apresentar baixo rendimento e ser pouco aproveitada somados à situação difícil na Libertadores, aumentaram as queixas de conselheiros.

“Como é difícil reduzir despesas, precisamos evitar que elas cresçam. Por exemplo, neste ano foram contratados três reservas que juntos são quase 10% do orçamento”, escreveu em sua conta no Facebook Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro do Corinthians. Apesar de ele não ter citado nomes, é possível deduzir que Love, Edu Dracena e Cristian são os reservas aos quais se referiu.


Timão ignora presente e valoriza passado com Cristian, parado desde maio
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Em 2014, o Corinthians apostou suas fichas na volta de Mano Menezes, campeão da Série B do Brasileiro (2008), do Campeonato Paulista (2009) e da Copa do Brasil (2009). A direção deu de ombros para o currículo recente do treinador. Ele havia fracassado na seleção brasileira e no Flamengo. Em sua volta ao alvinegro, acumulou goleadas para Santos, Atlético-MG e Fluminense. Foi eliminado no Paulista e na Copa do Brasil, mas colocou o alvinegro na Pré-libertadores de 2015. Mano não teve seu contrato renovado, mas o clube repete o hábito de valorizar mais o passado do que o momento atual de seus contratados ao trazer Cristian de volta.

O volante não disputa uma partida oficial desde 16 de maio de 2014, segundo o site Transfermarket. De acordo com a mesma página, Cristian participou de 17 dos 34 jogos do Fenerbahce no Campeonato Turco. Foram 14 como titular, além de três começando na reserva e entrando. Ainda perdeu quatro jogos por estar lesionado e dois por suspensão.

Com esse retrospecto, parece que a direção (ou o candidato da situação à presidência, Roberto de Andrade, que já tem suas vontades feitas) aposta mais no passado vitorioso de Cristian (campeão da Série B nacional, do Paulista e da Copa do Brasil sob o comando de Mano) no Parque São Jorge e em sua relação com a Fiel. Só seus feitos naquela época justificam o tratamento de estrela dado ao volante, parado desde que seu contrato com o time turco acabou, ao final da temporada 2013-2014.

A apresentação de Cristian será um prêmio a torcedores mais assíduos do clube, convidados para a entrevista coletiva com o ídolo do passado, mas que chega para resolver num futuro muito próximo. E cheio de dificuldades provocadas pela falta de dinheiro no alvinegro.


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