Blog do Perrone

Arquivo : junho 2012

Ex-presidente do Palmeiras depõe sobre supostas irregularidades, vê perseguição e defende Felipão
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Na última segunda, Mustafá Contursi prestou depoimento na 23ª Delegacia de Polícia em inquérito sobre supostas irregularidades no Palmeiras entre 200 e 2010.

“Não vou entrar em detalhes sobre o que falei lá para não parecer que estou me defendendo do que não precisa de defesa. É um caso de dez anos atrás, mas sempre que começa a se aproximar a eleição no clube alguém tenta usar isso para me atacar por causa de algumas posições que eu tomo”, disse o ex-presidente ao blog.

“Isso começou quando um funcionário foi mandado embora, pediu uma indenização de R$ 4,5 milhões, fez uma série de denúncias vazias e aceitou um acordo para receber R$ 300 mil parcelados. Não tenho que me defender porque minhas contas sempre foram aprovadas”, emendou Mustafá.

O inquérito de 11 volumes investiga suspeitas de desvio de dinheiro, uso de notas fiscais frias e pagamento feito a dirigente por empresário, entre outras acusações envolvendo dirigentes de diferentes gestões, como escrevi aqui na última sexta.

Ao ser indagado pelo blog sobre qual posição tomada por ele pode gerar uma perseguição política, Musafá rasgou o verbo: “Já me posicionei contra a maneira como a atual administração toca o clube. Espero que o Palmeiras se livre deles o quanto antes, se possível antes da próxima eleição [no ano que vem]. Se eles gostam do Palmeiras, devem sair antes. Gastam mais do que podem, antecipam receitas, pagam ricas comissões a empresários, não têm comando. Acontece tudo o que acontecia antes, e não é porque votei neles que não posso ser contra.”

Em meio ao ataque à diretoria comandada por Arnaldo Tirone, Mustafá defende Felipão. “Se não fosse ele, o desastre teria sido maior no ano passado. Ainda bem que existe no clube alguém com a personalidade do Felipe, ele neutraliza as falhas da direção.”

A diretoria palmeirense, por sua vez, nega envolvimento com o inquérito e que use o caso para atacar o ex-presidente. Sobre as críticas à atual administração, o blog telefonou para o presidente Arnaldo Tirone, mas ele não atendeu o celular.


Inquérito policial investiga suspeita de desvio de dinheiro e outras irregularidades no Palmeiras
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Corre na 23ª Delegacia de Polícia de São Paulo um inquérito que promove devassa na vida do Palmeiras entre o início dos anos 2000 e 2010. Os investigadores farejam desvio de dinheiro, envolvimento de cartolas com empresários e sonegação fiscal, além de outras suspeitas.

A investigação começou no Ministério Público, em 2007. Um ex-funcionário, ao cobrar direitos trabalhistas, fez uma série de acusações. Uma delas é a de que a diretoria, então comandada por Mustafá Contursi, apresentava notas frias para justificar gastos informais. No MP, o ex-presidente e outros citados negaram todas as acusações.

Sem provas contundentes, a promotoria enviou o caso para Polícia Civil. E novas denúncias apareceram. Entre elas, está um contrato de seguro. O serviço teria sido pago a uma empresa que trabalha com eletrodomésticos, indício de uso de notas frias.

Empréstimo de dirigente para o clube sem contrato e pagamento feito por empresário de jogador para cartola engrossam o inquérito, que tem 11 volumes.

Mais de uma dezena de dirigentes deve ser ouvida. Os policiais pretendem chamar ex-presidentes e ex-diretores.

Um dos envolvidos nos trabalhos disse ao blog que tudo o que se imagina de irregularidade no futebol aparece nas denúncias. Daí a serem verdadeiras são outros quinhentos.

Muitas das denúncias são consideradas vagas e diretores citados não estão mais em seus cargos. A principal dificuldade da polícia nesse cenário é a produção de provas.

“Sei que existe a investigação, mas não tenho detalhes. Meu nome não aparece ali, não é nada recente, nada que diga respeito a essa administração”, afirmou Tirone ao blog.