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Por que mecenas emplacam no Palmeiras, mas não no São Paulo?
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De um lado uma equipe que se fortaleceu e levantou taças com a ajuda dos braços fortes de ricaços apaixonados pelo clube, além de interessados na vida política da agremiação. Do outro, um time no qual quem colocou dinheiro o fez uma vez e parou. Ou investiu muito menos em outras áreas sem ser na contratação de craques. Esse é o retrato de Palmeiras e São Pulo que se enfrentam nesta tarde pelo Campeonato Paulista. Mas por que os mecenas decolaram no alviverde e patinaram no tricolor?

A resposta está na forma diferente com que os conselheiros palmeirenses Paulo Nobre, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira encararam a relação entre paixão pelo clube, ambição política e colaboração em comparação com são-paulinos endinheirados, como Abilio Diniz e o diretor de marketing Vinícius Pinotti.

Indagada pelo blog sobre o que motiva os seguidos investimentos feitos pela empresa dela e de seu marido no Palmeiras, donos da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), Leila respondeu o seguinte por meio de sua assessoria de imprensa: “nossa enorme paixão pelo clube e a ótima relação que temos com os dirigentes do clube”. Ela virou palmeirense por causa do marido, sempre palestrino.

Por sua vez, Abilio escreveu em 2015 em seu blog no UOL duas afirmações que mostram a maneira de pensar diferente em relação à empresária palmeirense. “O São Paulo não precisa de caridade de seus torcedores. Não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Na ocasião, havia a expectativa da diretoria comandada por Carlos Miguel Aidar de que ele participasse de um fundo que colocaria pelo menos R$ 100 milhões nos cofres tricolores, mas que nunca saiu do papel.

Cifras mostram o tamanho da diferença com que os ricos palmeirenses e são-paulinos em questão atuam em seus clubes.

Crefisa e FAM renovaram seus patrocínios com o Palmeiras por cerca de R$ 80 milhões anuais mais bônus por conquistas. O compromisso anterior rendia aproximadamente R$ 60 milhões por ano à agremiação.

Nobre, enquanto reinou na presidência, tirou do bolso a título de empréstimo aproximadamente R$ 200 milhões para tocar o clube e reforçar o time. Recentemente, ele recebeu de volta R$ 43 milhões.

No lado são-paulino as quantias envolvidas não podem ser consideradas mixaria, mas são bem menores.

Abilio, cobrado por adversários políticos por nunca ter patrocinado o São Paulo, bancou a atuação de duas renomadas empresas de consultoria avaliada pelo entorno do empresário em cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do trabalho foi verificar a verdadeira situação do clube, incluindo o CT das categorias de base, em Cotia, para permitir o melhor uso dos recursos, aumentar a geração de receitas e equacionar o pagamento de dívidas. Ou seja, a ação seguiu a linha de raciocínio de que é melhor criar condições para um faturamento maior do que injetar dinheiro para contratações.

 Pinotti, antes de ser diretor, emprestou cerca de R$ 19 milhões para a contratação de Centurión. Por causa da correção pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), a dívida com ele hoje passa de R$ 20 milhões. O jogador não emplacou, foi emprestado para o Boca Juniors e Pinotti nunca mais emprestou dinheiro para o clube.

O dirigente não quis dar entrevista sobre o assunto, mas, internamente, ele afirma que o fato de não ter feito novos empréstimos está desconectado do fracasso de Centurión no Cícero Pompeu de Toledo. A opção do cartola foi por contribuir com o São Paulo conseguindo novos patrocinadores.

Investimento alto em patrocínio dá retorno?

A distância mantida por Pinotti e Diniz do formato de patrocinar o time do coração leva à pergunta se comercialmente compensa investir pesado em patrocínio, como fazem Crefisa e FAM.

Ao ser indagada pelo blog se o retorno dado às suas empresas pela exposição na camisa do Palmeiras é satisfatório ou inferior ao dinheiro investido, Leila afirmou: “o retorno foi muito positivo, porém a maior satisfação que temos é poder contribuir para o sucesso de um projeto e ficamos extremamente felizes pela alegria que o Palmeiras proporciona aos torcedores”.

Nos clubes adversários é comum ouvir dirigentes afirmando que o preço pago pelas duas empresas ao atual campeão brasileiro é muito superior ao de mercado. E no Palmeiras, conselheiros argumentam que a empolgação com o título brasileiro e a popularidade alcançada pela dupla de empresários contribuíram para o aumento no aporte financeiro. Tais fatores não existem hoje no lado são-paulino da moeda.

“Nosso amor pelo Palmeiras e nossa confiança com o clube ajudaram muito em nossas tomadas de decisão. Ver os torcedores felizes, muito contentes por ter um time muito competitivo é gratificante”, afirmou Leila sobre o incremento nos investimentos.

Política

Apesar de pensarem de maneiras distintas sobre como ajudar o time de coração, Abilio, Pinotti, Paulo Nobre, Leila e Lamacchia têm um ponto em comum na relação com seus clubes: o envolvimento político.

O casal da Crefisa e da Fam acaba de colocar dinheiro na campanha por vagas no Conselho Deliberativo palmeirense. Após a vitória esmagadora, ambos podem participar da vida política do clube. Nobre, bem antes de ser eleito presidente, já estava engajado politicamente no alviverde.

No Morumbi, Pinotti apoia Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na tentativa de se reeleger à presidência. Porém, é visto mais como cartola do que político. Abilio está do outro lado da trincheira. É incentivador do candidato de oposição no pleito de abril, José Eduardo Mesquita Pimenta. Alex Bourgeois, ex-CEO do clube e homem de confiança do empresário, é um dos principais articuladores da campanha do oposicionista.

Os estilos distintos de pensar de quem tem conta bancária para ser mecenas de seus times, obviamente teve influência na montagem das equipes dos rivais desta tarde para a temporada. O reflexo mais emblemático é o fato de Pratto, o principal contrato do São Paulo, ter habitado os sonhos de Leila, mas acabar sendo preterido por Borja, mais caro e badalado.


Del Nero explica, e candidato de oposição “aceita” Leco na seleção
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Com Dassler Marques e Gustavo Franceschini, do UOL, em São Paulo

Marco Polo Del Nero tomou providências para tentar impedir que a escolha de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, como chefe da delegação da seleção brasileira nas partidas contra Uruguai e Paraguai virasse munição da oposição na disputa eleitoral no São Paulo.

O presidente da CBF conversou com José Eduardo Mesquita Pimenta, candidato oposicionista à presidência do clube no pleito marcado para abril, e explicou os motivos que o levaram a convidar o mandatário tricolor em plena campanha para a reeleição. “A escolha não tem nada a ver com política. Fazia tempo que eu queria convidar o Leco, por merecimento. Isso foi pensado antes da campanha eleitoral. Até falei com o Pimenta e expliquei isso. Ele entendeu”, disse Del Nero ao ser indagado pelo blog sobre o assunto após entrevista coletiva do técnico Tite nesta sexta.

A oposição tem acusado Leco de usar a máquina do clube para fazer campanha, o que o dirigente nega. Mas, pelo tom adotado por Pimenta, não deve questionar se houve uma manobra de Leco para ganhar holofotes, mostrar ao eleitorado prestígio junto à CBF e posar como engenheiro da reconstrução do relacionamento entre São Paulo e confederação, turbulento na era Juvenal Juvêncio.

Além da indicação de seu presidente, o clube tricolor terá um treino da seleção em seu CT antes do jogo com o Paraguai, no próximo dia 28, na arena alvinegra. A equipe de Tite também treinará no CT do Corinthians, que terá seu estádio usado na partida.

A assessoria de imprensa de Pimenta confirmou a conversa entre Del Nero e o candidato, que entendeu que a CBF convida quem quer e que o assunto não tem influência na política são-paulina.


Por que Roberto Natel desistiu de ser candidato à presidência do São Paulo?
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Depois de renunciar à vice-presidência do São Paulo para concorrer contra o atual presidente na eleição de abril, Roberto Natel desistiu da candidatura e é esperado de braços abertos na chapa de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, de novo como vice-presidente.

Conforme apurou o blog, a decisão foi atribuída internamente pelo dirigente à ação de Alex Bourgeois, ex-funcionário do clube e homem de confiança de Abilio Diniz, sócio do São Paulo e desafeto de Leco.

Até a publicação deste post, Natel não havia se pronunciado oficialmente sobre a desistência. Porém, de acordo com relatos ouvidos pelo blog, o discurso interno é de que ele retirou sua candidatura por discordar de ver um torcedor do Flamengo (Bourgeois), que não é sócio são-paulino e aciona o clube na Justiça por suposta dívida, interferir no processo eleitoral e por avaliar que sua chapa seria usada pelo ex-funcionário da agremiação a fim de alcançar os objetivos de Abilio.

O empresário apoia José Eduardo Mesquita Pimenta na disputa. A campanha do ex-presidente fez a de Natel começar a murchar.

O ex-vice havia costurado o apoio de alguns líderes da oposição. Ele se apesentara como uma terceira via. Teria o voto de ex-aliados de Leco e de parte dos oposicionistas. Mas Pimenta, com a benção de Abilio e trabalho de Bourgeois, anunciou sua candidatura apesar de Fernando Casal de Rey, coordenador da oposição estar viajando naquele momento e não ter chancelado de imediato a candidatura.

Com Pimenta no páreo, Natel ficou sem poder explorar com esperava o apoio de algumas alas da oposição. Sua candidatura, em tese, então, só ajudaria a do ex-presidente, pois ele tiraria mais votos de Leco do que do escolhido por Abilio. Acabou recuando. O grupo de Leco dá como certo que ele será vice na chapa do presidente, mas Natel tem dito a pessoas próximas que ainda não aceitou o convite e estuda o que fazer.

Para a oposição a explicação para retirada é mais simples: Natel desistiu por causa do crescimento da candidatura de Pimenta. E sem o apoio da oposição ele não tem outra alternativa a não ser voltar a dar as mãos para Leco. A justificativa sobre a interferência de Bourgeois é vista como cortina de fumaça. O trabalho do escudeiro de Abilio estaria sendo superestimado. Pimenta é considerado por líderes oposicionistas o principal articulador de sua campanha, não o ex-CEO são-paulino, demitido por Carlos Miguel Aidar, recontratado por Leco e dispensado novamente pelo atual presidente.

Procurado pelo blog, Bourgeois disse: “não vou falar sobre isso. Não vou comentar porque não foi por minha causa que ele deixou a candidatura, né? Essa é a pauta que ele quer promover, mas isso não tem o menor sentido”.

Natel só deve se pronunciar oficialmente entre hoje e amanhã.


Ex-vice revela mágoa com diretoria e deixa voto em aberto no São Paulo
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Júlio Casares, ex-vice-presidente do São Paulo, era apontado como um dos possíveis candidatos à presidência tricolor. Porém, ele não lançou candidatura. Agora, conselheiros ligados aos três postulantes ao cargo na eleição de abril (Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, atual presidente, Roberto Natel e José Eduardo Mesquita Pimenta) afirmam contar com seu apoio.

Mas em depoimento ao blog, ele negou ter definido quem vai apoiar. Revelou ainda mágoa com membros da gestão comandada por Leco por se considerar alvo de disparos enquanto era cotado para ser candidato, apesar de ser coordenador do partido político do presidente.

Abaixo, veja o posicionamento de Casares em relação à disputa eleitoral.

“Minha prioridade é o trabalho profissional. Posso apoiar o Leco, mas sentar ao lado de pessoas que me bateram apenas quando fui cogitado (como candidato) é muito difícil. Ou seja, um obstáculo que podemos superar. Eles estão ao lado do presidente. Veja o que fizeram na apresentação do Rogério Ceni (Casares atribui a aliados do presidente comentários de que teria ido ao evento para fazer campanha). Discutiremos dentro do partido.

Fizeram reuniões (comandadas por Leco para discutir a eleição) sem os coordenadores (dos grupos situacionistas). Causou incomodo. Desconforto. Leco gentilmente explicou. Foi uma reunião adulta e respeitosa. Levarei tudo isso para a discussão interna.

Estou muito decepcionado com algumas pessoas que sempre conviveram comigo. Fogo amigo ou fogo inimigo travestido de amigo. Mas tudo pode ser reconciliável. Quem bate esquece, quem apanha, jamais.

Defendo um pacto de gestão entre todos. Pode ser uma pregação no deserto. Continuarei dizendo. O clube tem 15 grupos. Todos importantes. O meu (Participação) é muito forte. Só pertenci a ele desde 2002. Mas o principal partido é o São Paulo.

Precisamos conhecer os programas dos candidatos. Isso é democrático. Todos os candidatos têm que se comprometer com o planejamento e autonomia do Rogério Ceni. Ele deve ter o apoio e o compromisso prévio de todos.

Todos os candidatos devem apresentar seus programas. Caberá a conselheiros e partidos analisarem as propostas. Elas devem ser mais preponderantes do que os nomes”.


Derrota da oposição alimenta lobby por Casares para presidente do São Paulo
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Com José Eduardo Martins, do UOL, em São Paulo

Derrota sofrida pela oposição do São Paulo na última terça na eleição de seis conselheiros vitalícios fez crescer entre os oposicionistas o lobby para a candidatura de Júlio Casares à presidência do clube em abril como uma terceira via. Seria um nome intermediário entre oposição e situação.

Mas o apoio também gerou pressão para que ele defina rapidamente se será candidato e críticas por não ter participado da votação no conselho.

A vitória situacionista por 100 a 67 foi lida por parte significativa da oposição como um sinal de que sozinhos os opositores não conseguirão derrotar a situação. Precisariam de um reforço de fora, de um dissidente do grupo que está no poder, dando um rosto mais conciliador para a chapa.

Casares é o coordenador do partido do atual presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, mas não concorda com muitos pontos da administração. Porém, ele (mesmo sem ter ido votar) e Roberto Natel, que deixou a vice-presidência do clube e pretende disputar o posto de candidato da situação com Leco, apoiaram nomes da chapa situacionista na eleição do conselho. Isso reforçou na oposição o sentimento de que é necessária uma aliança para vencer em abril.

Até a votação de terça, a oposição se sentia forte por ter barrado a assinatura do novo contrato com a Globo para a transmissão de jogos do Brasileirão em TV aberta. Mas, nomes de fora do grupo oposicionista tradicional, como Casares, também foram contra a aprovação do contrato.

Antes da derrota no conselho, José Roberto Opice Blum, presidente da comissão de ética do órgão, tinha larga vantagem entre os nomes apoiados pelos opositores para a candidatura à presidência, só que o novo resultado alimentou a ideia da terceira via.

Procurado pelo blog, Casares negou que tenha decidido se candidatar e afirmou que não foi à votação porque está viajando. “Estou de férias. Neste momento, não estou pensando na eleição de abril. Digo ainda que o São Paulo precisa de união entre oposição e situação para construir um novo modelo de gestão”, declarou o ex-vice-presidente.

Entre os argumentos dos que apoiam sua candidatura está a boa relação que mantém com o empresário Abilio Diniz, sócio são-paulino e ferrenho crítico de Leco. O apoio dele à gestão é visto como um ponto importante na tentativa de pacificação do clube.


Para contratar, São Paulo precisa se desfazer de jogadores
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Para contratar jogadores, o São Paulo tem que enxugar seu elenco. Em meio a dificuldades financeiras, o clube precisa reduzir despesas para poder investir em reforços.

Tanto para ter dinheiro a fim de comprar direitos econômicos ou simplesmente pagar os salários de novos jogadores, a direção precisará gerar recursos vendendo atletas ou apenas se livrando de salários atuais que correspondam ao valor a ser investido. Trocas que não aumentem a folha de pagamento também fazem parte dessa engenharia.

“O que tenho combinado com o Leco (Carlos Augusto de Barros e Silva, presidente são-paulino) é que só vamos contratar se tivermos receita para bancar a contratação. Se tem um jogador que não é aproveitado e custa R$ 1 milhão por ano, por exemplo, negociamos esse atleta e aí temos R$ 1 milhão para pagar outro. É assim que deve funcionar. Não podemos aumentar o elenco e a folha salarial”, disse Adilson Alves Martins, diretor financeiro do São Paulo.

Os planos do dirigente se encaixam com os de Rogério Ceni. O novo treinador afirmou que pretende trabalhar com um elenco menor do que o atual.


Leco diz que pretende antecipar dinheiro da Globo para pagar dívidas
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Indagado pelo blog, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, afirmou que o novo acordo que o São Paulo pretende assinar com a Globo prevê antecipação de receitas. Segundo o presidente tricolor, o dinheiro será usado para o pagamento de dívidas, de acordo com as regras do Profut, lei que refinanciou as dívidas dos clubes.

“O contrato prevê uma parte em luvas e uma em antecipação, dentro do que permite o Profut. Não vamos usar o dinheiro para contratar jogador, só para equacionar nossa dívida”, declarou o dirigente.

O acordo vale para jogos do Brasileirão em TV aberta a partir de 2019 e precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo em reunião marcada para o próximo dia 13. Parte dos conselheiros criticou Leco por tentar assinar um contrato que ultrapassa sua gestão. Eles queriam que a decisão fosse tomada após a eleição presidencial marcada para abril do próximo ano.

Também havia questionamentos sobre existir antecipação de receitas e se elas se encaixariam nas regras do Profut. A lei caracteriza como má gestão ou ato irregular antecipação de verbas que seriam recebidas por outras administrações. Mas essas operações são permitidas se a quantia antecipada não superar 30% da arrecadação do primeiro ano da gestão seguinte ou se o dinheiro for usado para reduzir o endividamento do clube.

Alguns conselheiros também afirmam que a necessidade de assinar já o contrato significa que a situação financeira do São Paulo não está tão controlada como a diretoria diz. Porém, Leco negou que seja sinal de desespero. “Isso faz parte de nossa estratégia de equacionamento da dívida, de maneira planejada e transparente”, declarou.

O dirigente está se reunindo com conselheiros para esclarecer dúvidas em relação ao contrato.


As críticas e elogios à contratação de Ceni dentro do São Paulo
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A contratação de Rogério Ceni dividiu opiniões no São Paulo. Abaixo, veja as principais críticas e elogios feitos à diretoria por ter transformado o ex-goleiro em treinador.

Críticas

1 – Contradição

Conselheiros que defendiam a efetivação de André Jardine, treinador da equipe Sub-20, reclamam que ele teve tratamento diferente do dado a Ceni.

A principal queixa foi feita por Sebastião Antunes Duarte, conselheiro situacionista conhecido como Tião Gouveia, sobrenome emprestado do restaurante do qual foi dono. Ele enviou mensagem cobrando Marco Aurélio Cunha. “Você disse que André Jardine nunca tinha treinado um time grande, portanto não tinha experiência para treinar o São Paulo. Mais de 80% dos conselheiros queriam André Jardine até o fim do ano. André é técnico há mais de 15 anos, entre Inter e SPFC tem quase 40 títulos, está na final do Campeonato Brasileiro e talvez (seja) bi da Libertadores da categoria. Já Rogério nunca treinou um time profissional nem de várzea. Como pode ser técnico do nosso São Paulo? Sou totalmente contra”, escreveu o situacionista para Cunha.

O executivo de Futebol disse que respondeu ao conselheiro apenas que passará pessoalmente a Rogério a opinião dada por ele. Ao blog, Marco explicou sua posição em relação ao técnico do sub-20. “Disse que treinadores da base dificilmente se sustentam por falta de respaldo. Jardine tem muita qualidade e será, se quiser, treinador de ponta. Clubes grandes fritam treinadores sem respaldo. Rogério tem de sobra”, declarou Cunha.

2 – Promessa não cumprida

Contratar Ceni depois de o presidente são-paulino assegurar a permanência de Ricardo Gomes também gerou reclamações. O argumento é de que faltou palavra a Leco e que ele ficou com a imagem desgastada. Já para a diretoria, é natural que análises mudem.

3 –  Salário

Mesmo sem saber precisamente quanto Rogério vai ganhar, os críticos da contratação afirmam que certamente ele não receberá o que Jardine ou outro iniciante embolsaria. E lembram que a diretoria prega uma política de corte de despesas. As direção não revela quanto pagará, mas sustenta que o combinado está dento da realidade do clube.

4 – Contratações

Conselheiros, incluindo situacionistas, afirmam que Ceni condicionou sua aceitação ao cargo a várias contratações e que isso vai interromper o processo de aproveitamento de jogadores da base, além de fazer o clube gastar mais do que deveria. Na visão da direção, com o elenco atual, é impossível não trazer reforços.

5 – Tempo de contrato

Os críticos afirmam que, como Rogério é uma incógnita segurando a prancheta, o mais seguro seria assinar contrato por um ano, não por dois, como a direção assinou. Ao final de 2017, sua continuidade seria avaliada.

6 – Multa

O fato de Leco ter aceitado a exigência de colocar cláusula de multa rescisória no contrato também gera críticas contra ele. A afirmação é de que o clube deveria ter uma situação mais confortável para demitir o técnico no meio do caminho, se achar necessário. Para a diretoria, a oposição é contraditória pois reclamava que os contratos de Bauza e Osorio eram sem multa, o que facilitou a saída dos dois treinadores.

7 – Eleição

A oposição diz que a escolha por Ceni foi eleitoreira. Leco vai concorrer de novo à presidência em abril e estaria usando o prestígio de Rogério junto a sócios e conselheiros para ganhar pontos. Para a direção, não há como paralisar o clube até a eleição.

Elogios

1 – Espírito vencedor

Membros da diretoria que apoiam a contratação de Ceni afirmam que nos últimos anos o clube sofreu com jogadores que não sentiam o peso das derrotas. Lembram que Ceni odeia perder e apostam que ele cobrará fortemente os atletas nas derrotas. Assim, Leco teria dado um grande passo para resgatar o espírito vencedor do time ao trazer o ex-goleiro.

2 – Ajuda em contratações

Uma das qualidades de Ceni ressaltadas por quem elogia a escolha é o fato de que desde o tempo de jogador ele se interessava em ajudar o time a buscar reforços conversando com atletas que avaliava serem bons. Aloisio Chulapa, por exemplo, diz que foi contratado por causa do aval de Rogério. A expectativa agora é de que ele não fique parado esperando a diretoria e busque diretamente bons jogadores.

3 – Limpeza

Como conhece bem o elenco são-paulino, Ceni é visto como um treinador que terá mais facilidade do que a maioria para identificar quem não serve para a equipe e fazer as dispensas necessárias antes mesmo de a temporada começar.

4 – Trabalho

Nos tempos de goleiro, Ceni era reconhecido como um dos jogadores que mais trabalhavam no clube. Assim, Leco tem sido elogiado por contratar um treinador que, em tese, será trabalhador, constantemente estudará adversários, analisará o desempenho de seu time e comandará treinos intensos. Até o fato de Rogério ter ido correr à noite no Morumbi após praticamente definir seu acerto, na última quarta, é visto como demonstração de sua obsessão por treinamentos.

5 – Modernidade

Quem conhece o projeto apresentado por Rogério ao São Paulo afirma que ele é moderno, em sintonia com as aspirações do clube, que está modernizando seu estatuto.

6 – Tática

Para rebater as críticas sobre a falta de experiência do Ceni como treinador, os apoiadores de sua contratação afirmam que ele sempre demonstrou ser um profundo conhecedor de futebol em termos táticos. Ou seja, o novo técnico tem, segundo essa tese, recursos de sobra para usar na prática.

7 – Respaldo

Leco também é elogiado pelos que aplaudiram sua escolha por trazer o único nome que poderia ter total apoio da torcida. Existe confiança de que os torcedores terão mais paciência com Rogério do que teriam se fosse qualquer outro o escolhido.


Com Gomes criticado, técnico da base volta a ter lobby no São Paulo
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A derrota por 2 a O para a Chapecoense no último domingo deixou Ricardo Gomes na berlinda. Além de conselheiros, membros da diretoria pedem para que o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, demita o treinador, assim que o Brasileirão acabar. Ao mesmo tempo, André Jardine, técnico do time sub-20, voltou a ganhar lobby para assumir a equipe principal.

O fato de Leco ter garantido recentemente, em público, que Gomes ficaria para a próxima temporada é visto pelos críticos do treinador como um gesto apenas para dar tranquilidade ao treinador e ao elenco, não como uma promessa que será cumprida.

Para pedir a cabeça de Gomes eles usam a má posição na tabela, alegando que o time poderia brigar pela última vaga na Libertadores, reclamam de falta de padrão de jogo e até de uma suposta carência de energia por parte do técnico para comandar o time.

Os que querem Jardine no lugar de Gomes afirmam que há falta de bons nomes no mercado e que para apostar num treinador rodado em baixa, como Vanderlei Luxmburgo, seria melhor dar uma chance ao novato. Além de mais barato, ele conhece bem os garotos do clube, que são a grande esperança dos dirigentes para 2017.

O jovem técnico também teve seus métodos de treinamento elogiados quando assumiu interinamente a prancheta deixada por Edgardo Bauza. Assim que o nome de Gomes foi cogitado, ele teve um forte lobby a seu favor, mas os pedidos por sua efetivação não foram ouvidos por Leco.


Mudança estatutária marca novo round entre Abilio e cúpula do São Paulo
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A votação de mudanças no estatuto do São Paulo nesta quarta marca um novo round na disputa entre Abilio Diniz e a diretoria do clube. Os dias que antecederam ao pleito foram de trocas de disparos nos bastidores entre aliados do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e do empresário.

Os situacionistas enxergam Diniz como quem quer aproveitar as mudanças estatutárias para se aproximar do poder no clube, algo que ele nega ter interesse. Para comprovar essa tese, a situação usa a proposta feita pelo empresário para que qualquer sócio pudesse lançar chapa para concorrer à presidência. Pelo modelo atual, só conselheiros têm o direito de tentar ocupar o cargo máximo no clube. Abilio não é conselheiro, apenas associado, assim, se sua sugestão fosse aprovada ele poderia lançar uma chapa. Porém, a ideia foi descartada e ficou fora do pacote de mudanças que será votado.

Por sua vez, via assessoria de imprensa, o empresário nega que tenha interesse em ser presidente ou que tenha feito a proposta para poder lançar alguém de sua confiança. Afirma que os sócios são os donos do clube, então é justo que possam disputar a eleição. A única intenção da medida proposta foi, segundo sustenta, fortalecer o associado.

Os aliados de Abilio também se queixam de que a diretoria o ataca nos bastidores gratuitamente e que não enaltece mudanças propostas por ele e aprovadas pela comissão que preparou o texto a ser votado. É o caso da criação do Conselho de Administração, órgão que irá auxiliar a diretoria na definição de metas, além de fiscalizar seu trabalho. As pessoas ligadas ao empresário afirmam que o novo modelo é igual ao que ele sugeriu, mas que a diretoria trocou o nome Comex (Comitê Executivo), apenas para descaracterizar a sugestão de Abilio.

Já os situacionistas declaram que o modelo proposto pelo empresário era igual ao usado no Santos e que é permanente criticado pelos cartolas santistas principalmente por tornar lentas as decisões da diretoria. O sistema que será votado tem o objetivo de permitir maior agilidade ao presidente.

Outra reclamação dos que defendem Abilio é de que a diretoria o deveria tratar como alguém que ajuda o São Paulo, reconhecendo colaborações como o pagamento para a empresa contratada para fazer uma auditoria no Morumbi.

Mas a situação enxerga o empresário por trás da maioria dos movimentos importantes feitos pela oposição contra a gestão de Leco.

Esse clima de conflito deve aumentar com a sugestão feita por Abilio em seu blog no UOL Esporte para que seja criado um conselho de administração provisório logo após a aprovação das mudanças. O grupo prepararia a transição para as novas regras antes da eleição presidencial do ano que vem.