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MP pede que SPFC e FPF paguem R$ 8,2 milhões por acidente no Morumbi
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São Paulo e Federação Paulista de Futebol são alvos de uma ação civil pública proposta pelo promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos (Habitação e Urbanismo) por conta da queda de torcedores no Morumbi provocada pelo rompimento de uma grade em 2016. Ele pede que clube e FPF sejam condenados a pagar solidariamente indenização por danos sociais igual ao dobro da receita bruta gerada pela partida entre o time paulista e o Atlético-MG em 11 de maio do ano passado, quando aconteceu o acidente. A arrecadação com a venda de ingressos foi de R$ 4,1 milhões.

O MP teve negado em primeira instância, no dia 18 de abril, pedido de interdição do Morumbi por meio de liminar até que São Paulo e federação apresentassem laudos comprovando que o estádio oferece segurança aos torcedores.

A segunda Vara Cível da capital paulista entendeu que não havia provas de que as partes não tinham tomado providências em relação à segurança do local e determinou que elas se manifestassem.

Caso a justiça conceda o pagamento de indenização por dano social (quando há lesão ao bem-estar coletivo), o valor irá para o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.

O promotor também pede que São Paulo e FPF indenizem todos os torcedores que caíram de um dos setores do Morumbi no dia do acidente por danos materiais e morais sofridos, mas não estipula o valor. Pelo menos três entraram com ações individuais contra o clube. Foram cerca de 30 envolvidos.

Renato Acacio de Azevedo Borsanelli, juiz responsável pelo caso, pediu que o promotor justificasse a inclusão da federação como ré, pois o estádio pertence ao São Paulo. Entre os motivos, ele alegou que a entidade tinha à sua disposição um laudo técnico demonstrando existir problemas de segurança no Cícero Pompeu de Toledo e deixou de tomar providências. Na inicial, o promotor já havia citado laudo de vistoria de engenharia feito no Morumbi em 2015 por um engenheiro civil e disponível no site da FPF que apontava irregularidades em guarda-corpos semelhantes ao que se rompeu no acidente mas em outro setor do estádio.

Procurado pelo blog, o departamento de comunicação da FPF emitiu a seguinte nota:

“A federação Paulista de Futebol Interdita ou libera estádios com base única e exclusivamente nos laudos técnicos elaborados pelas autoridades competentes, como de PM, engenheiros responsáveis e do Corpo de Bombeiros. No caso do estádio do Morumbi, todos os laudos emitidos pelas autoridades à época do acidente autorizavam o estádio para a realização de jogos com a liberação total do espaço”.

Por sua vez, a assessoria de imprensa do São Paulo disse que o clube ainda não havia sido citado pela Justiça e por isso não se manifestaria. Porém, listou uma série de medidas tomadas após o acidente, como a instalação de hastes adicionais nos guarda-corpos e reforçou todas as estruturas, chumbando as hastes no concreto e garantido que elas fossem devidamente enterradas. A queda de torcedores aconteceu após o rompimento de um guarda-corpo que havia sido soldado.


Novas vagas brasileiras na Libertadores fazem fama de presidente da FPF
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Para parte dos cartolas de clubes brasileiros, o fato de o Brasil ter conseguido duas novas vagas com o aumento de times na Libertadores é fruto do trabalho de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol). O dirigente é o responsável por negociar reivindicações de equipes paulistas junto a Conmebol.

Dois presidentes de agremiações, uma de São Paulo e outra do Rio, falaram ao blog, sem gravar entrevista, que estão convencidos de que Reinaldo tem influência na entidade sul-americana. Ter prestígio na Conmebol, em tese, fortalece o presidente da FPF numa eventual disputa pela presidência da CBF. Embora não tenha admitido que será candidato, ele é apontado por cartolas como provável postulante. O mandato de Marco Polo Del Nero vai até 2019.

Porém, a tese de que foi ele o principal responsável pelo fato de o Brasil agora ter sete vagas no torneio continental não é unanime. Diretor de primeiro escalão de um clube paulista que conversou com o blog sob a condição de não ser identificado contestou essa afirmação alegando que o resultado é consequência da pressão dos times brasileiros e do receio da Conmebol de ver decolar a Liga Sul-Americana.

Procurada, a assessoria de imprensa da FPF confirmou que Reinaldo é o responsável por levar as reivindicações dos times paulistas para a Conmebol, mas afirmou que todas as mudanças no torneio, incluindo concessão de duas novas vagas na Libertadores do Brasil, foram tomadas de acordo com estudo feito por auditoria contratada para analisar alterações na competição.

Os times paulistas deixaram o projeto da Liga Sul-Americana após Reinaldo prometer ser a voz deles na Conmebol.

Além de mais vagas, os brasileiros, como outros times do continente, pedem maior remuneração pelos direitos de TV do campeonato, mais participação nas receitas de marketing e acesso a todos os contratos.


Mesmo eliminado, São Paulo merece aplausos de sua torcida
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Com a derrota por 2 a 1 para o Atlético Nacional, na Colômbia, o São Paulo foi eliminado da Libertadores nesta quarta nas semifinais, fase na qual parecia ser incapaz de chegar. Depois de começar o ano sofrendo com salários atrasados, vestiário rachado, irritação da torcida, acusações de corpo mole e até dando vexame ao perder para o boliviano The Strongest em casa, a equipe de Edgardo Bauza deu a volta por cima. Com garra, aplicação tática e boas atuações individuais, principalmente de Michel Bastos, Paulo Henrique Ganso e Calleri, os tricolores conquistaram o direito de sonhar com o título.

Porém, nas semifinais, o clube brasileiro, sem Ganso, lesionado, foi inferior ao Atlético nos dois jogos, e ainda ficou no prejuízo na primeira partida pela expulsão infantil de Maicon. A diferença entre os adversários foi grande. Ficou a impressão de que mesmo sem o cartão vermelho de Maicon no Morumbi não daria para o clube brasileiro.

Por tudo que superou durante a campanha, o elenco são-paulino merece aplausos de sua torcida e apoio para continuidade da temporada, que não promete ser menos dura do que foi a trajetória no torneio continental. Ainda mais se for repetido o descontrole de alguns jogadores, principalmente Lugano e Wesley, ao final da partida na Colômbia. O pênalti não marcado pelo juiz e um suposto erro na expulsão do zagueiro não justificam o destempero tricolor.


Muito além da chance de título, o que o São Paulo põe em jogo na Colômbia
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Superar a derrota para o Atlético Nacional por 2 a 0 em casa e conseguir uma histórica classificação para a final da Libertadores não é tudo que está em jogo para o São Paulo nesta quarta na Colômbia. Veja abaixo os outros reflexos que a partida decisiva deverá ter no futuro tricolor.

Grana

Chegar à final da Libertadores representaria para o clube a entrada de pelo menos mais US$ 1,5 milhão em premiação. Essa é a quantia que a Conmebol dará ao vice-campeão. O título vale US$ 3 milhões. Além disso, como finalista, o São Paulo teria a renda de mais um jogo em casa. Na abertura das semifinais, a arrecadação foi de R$ 7.526.480,00. Já a queda deve condenar a equipe a arrecadações pífias no Brasileirão, caso não haja uma rápida recuperação.

Política

Ser o presidente que levou o São Paulo de volta a uma final de Libertadores, após dez anos sem disputar o título, fortaleceria a campanha do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, à reeleição. Ele é o único que já anunciou a candidatura para o pleito de abril do ano que vem. A conquista da taça o tornaria imbatível na votação, acreditam alguns de seus aliados. Porém, a eliminação provavelmente deixará como última imagem de Leco no torneio a de ter alimentado a oposição com a decisão de levar para a Colômbia entre os diretores convidados Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol, atualmente diretor de relações institucionais e que foi expulso do Conselho Deliberativo. A ligação do presidente com Guerreiro é uma das armas dos oposicionistas para tentar tirar votos de Leco.

 Bauza

Em jogo está o prestígio de Edgardo Bauza e a paciência que o torcedor terá com ele daqui para frente. O treinador desembarcou no Morumbi como especialista em Libertadores por ter conquistado dois títulos do torneio. Se reverter na Colômbia a difícil situação da equipe, reforçará esse status. A eliminação aumentaria o barulho em torno de algumas decisões do técnico, como colocar Ganso em campo no segundo tempo do jogo contra o Fluminense e ver o meia se machucar, ficando fora das semifinais. Há também a questão de ele ter preferido improvisar o time a botar Lugano em campo após a expulsão de Maicon no primeiro jogo da semifinal.

Ídolo

Chegar à final vale para Maicon a chance de provar sua importância ajudando o São Paulo à disputar a decisão. Se o time cair na Libertadores, ele terá de conviver com o carimbo de jogador que custou R$ 21,6 milhões e teve participação importante na eliminação ao ser expulso no primeiro jogo com o Atlético Nacional quando a partida ainda estava empatada. Após seu cartão vermelho, os colombianos chegaram com certa facilidade ao placar de 2 a 0.

Despedida

Se o São Paulo for eliminado na Libertadores nesta quarta, a partida contra o Fluminense pelo Brasileirão deverá ficar marcada como a última oficial de Ganso pelo clube. O meia tem boas chances de se transferir para o Sevilla e com a queda nas semifinais perderia a chance de se despedir ajudando o clube a conquistar o título continental.

Clássico

Uma classificação heroica na Colômbia certamente faria o time tricolor chegar com mais moral em Itaquera para enfrentar o Corinthians pelo Brasileirão no domingo, ainda que Bauza decida atuar com reservas. Porém, é natural o abatimento entre times brasileiros eliminados da Libertadores.

Torcida

A vaga na final não daria chances para protestos da Independente, principal organizada são-paulina. Já a eliminação aconteceria justamente no primeiro jogo após a diretoria romper com a uniformizada por causa dos distúrbios na primeira partida das semifinais em volta do Morumbi. A queda pode ser a senha para a Independente fazer fortes cobranças à direção.


Independente x PM. As duas versões da guerra
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O que aconteceu para que o entorno do Morumbi virasse palco de cenas de horror após a vitória do Atlético Nacional, da Colômbia, por 2 a 0 sobre o São Paulo pela Libertadores na última quarta?

Para Henrique Gomes, presidente da Independente, principal uniformizada são-paulina, a PM se comporta como uma torcida organizada, e esse comportamento agressivo foi o estopim para a confusão. Se foi briga premeditada, então a PM perdeu de 15 a 1 em número de feridos, diz o tenente-coronel Luiz Gonzaga de Oliveira Júnior, do 2º Batalhão de Choque, responsável pelo policiamento nos estádios paulistas ao negar que os policiais tenham procurado encrenca.

Leia as explicações deles dadas em conversas individuais por telefone.

 Blog – O que motivou os distúrbios do lado de fora do Morumbi?

Baby – Em primeiro lugar, o que motivou é que todo jogo a gente vai receber o time lá embaixo (no portão de entrada) só que dessa vez a gente chegou mais cedo e foi abordado pelo policiamento. Falaram que era pra gente se afastar e que quando o time chegasse as grades voltariam de novo pra perto do ônibus. Afastei o pessoal, faltando 20 minutos para o ônibus chegar, falei com o batalhão. Ele simplesmente falou que não iriam aproximar porra nenhuma, que quem manda lá são eles, que eles gostam de briga, que jogo cheio assim é legal e que demorou. Eu comuniquei o comandante. Daí deu nisso aí.

Tenente-coronel – O procedimento de segurança que a gente usa na chegada das delegações é de não deixar a torcida muito perto mesmo porque é complicado. Isso já foi conversado, estão dando uma desculpa pra tentarem justificar o que fizeram. A diretoria do São Paulo vive pedindo pra gente para que o ônibus pare e desembarque ali na praça e que a delegação passe pela torcida. Isso é um absurdo, uma irresponsabilidade, porque um jogador pode ser atingido por uma garrafa, um rojão.

Baby – Vou deixar bem claro pra vocês aí, mano, a Polícia Militar de São Paulo, hoje, o 2º Batalhão de Choque, ela é uma torcida organizada que se esconde atrás de uma farda. Incita a violência a todo minuto e a todo momento. Eles são pagos pelo São Paulo para garantir a segurança nos jogos, mas já chegam revoltados, no puro ódio, discriminando, falando pra você que hoje é dia de porrada. Então, vai fazer o que? Eles prometeram desde o começo.

Tenente-coronel – Eles (integrantes da Independente) têm que arrumar uma desculpa. O policial veio pra brigar? Então o placar tá 15 a 1 pra eles porque eu tenho 15 policiais machucados, e só um torcedor foi preso machucado. Um tomou uma pancada de cassetete e se machucou, fez uma marca nas costas. Tenho policial que tomou 30 pontos na perna, além das queimaduras de rojão. Tenho policial que tomou 20 pontos no braço, policial que tomou sete pontos na boca e perdeu dente da frente, é lesão corporal grave. Ele tomou uma garrafada. Eles (torcedores organizados) estão ganhando então nessa conta. A gente não estava lá pra brigar, estava pra reestabelecer a ordem e deixar o torcedor comum ir embora. Não usamos gás lacrimogêneo para dispersá-los porque a gente atingiria o torcedor comum. Só usei nas ruas paralelas, onde estava havendo confronto. Sempre procuramos preservar o torcedor comum, agora, o torcedor que quer o embate, a gente tenta reestabelecer a ordem. E não queremos ficar brigando com eles, queremos dispersá-los.

 Baby – Pode colocar também que o maior culpado é o senhor [promotor] Paulo Castilho  porque colocou torcida única no Estado de São Paulo e proibiu entrada de material, de faixas, isso favoreceu a quem? Aos maus torcedores, aqueles que se infiltram sem camiseta, que você não tem controle. Acaba beneficiando o que aconteceu.

Paulo Castilho – Eu já tinha falado que as torcidas organizadas iriam aprontar pra falar que a torcida única não funciona. Torcida única foi uma das medidas tentando coibir violência entres as torcidas organizadas. Mas não é de hoje que existe briga entre torcedores do mesmo time. Estão querendo dar ênfase a isso pra dizer que a torcida única não resolve o problema. Quem não tem argumento fala qualquer coisa. Falar até papagaio fala.

Blog – Lendo as redes sociais, a impressão que temos é de que a confusão começou porque membros de organizadas estavam com raiva dos torcedores que só aparecem nos jogos de Libertadores e que são chamados de modinhas. Não foi isso que aconteceu?

Baby – Discordo. Não posso falar com certeza o que aconteceu do lado de fora porque eu estava dentro do estádio. A Independente ficou até o final do jogo e quando acabou a gente não conseguiu sair porque os portões estavam fechados. Não é um problema nosso quatro, cinco mil torcedores do lado de fora que não conseguem ingresso. Teve uma situação, o pessoal começou a hostilizar quem estava saindo, aí pé frio, trocavam ofensas, mas foi coisa mínima, não foi pra gerar o que gerou do policiamento com a torcida. O pessoal de fora estava revoltado, acho, porque não conseguiu ingresso e o pessoal de dentro saindo com 2 a 0. Isso é emocional da partida. Mas a Independente respeita toda a torcida do São Paulo, não faz divisão de A,B ou C e repudia o que aconteceu do lado de fora. Mas a rivalidade começou antes de começar o jogo entre a PM e a torcida. Eles prometeram o jogo inteiro arrumar confusão.

BlogTeve arrastão?

Baby – Quer que eu te fale? [O ator] Henri Castelli estave com nós na hora de receber o time, e roubaram o celular dele. Estava com camisa da torcida e boné e foi roubado. Pra quem não sabe, em grandes jogos, virada cultural, eventos, existe uma quadrilha especializada em furtos. Não é problema nosso, é do Estado. Ao redor do Morumbi também tem muito assalto. Querer dizer que foi a torcida organizada que roubou, pelo amor de Deus.

Tenente-coronel – Só ver as imagens das câmeras de segurança do São Paulo. Elas são bem claras. Enquanto o torcedor comum tá saindo do estádio, eles (membros de organizadas) cometem um verdadeiro arrastão. Agridem e tomam tudo das pessoas que estão saindo do estádio. Eles atacaram todo mundo. Num primeiro momento, atacaram os vendedores ambulantes. Depois atacaram os torcedores. No ataque aos ambulantes, eles estão com a cara limpa. Quando começam a atacar o torcedor comum, eles colocam camiseta no rosto. A imagem da câmera do Morumbi é de longe, não dá pra fazer identificação.  Mas eu, como oficial do choque, estou aqui há 23 anos, nunca vi um negócio daqueles acontecer. Eles atavam indiscriminadamente atacando qualquer torcedor que estava saindo, tomavam carteira, celulares, e assim por diante. Até chegar nosso policiamento. Daí partiram pra cima da gente.

Blog -Torcedoras relataram terem sido assediadas (clique aqui e leia no Blog do Menon). O que houve?

Baby – Assédio, assédio do que? Quem foi a pessoa, fez o que? Elas fizeram B.O.? Tem reconhecimento? Sabem quem foi? É o que?

Coronel – Isso eu não vi, não posso falar.


Direção do SPFC festeja resultado de broncas e contratações de ‘brigões’
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Com o time classificado para as semifinais da Libertadores, a diretoria do São Paulo festeja o resultado das broncas que deu nos jogadores e das contratações feitas no início do ano. Nos dois casos, a direção buscava uma equipe com espírito valente para enfrentar os desafios do torneio continental. Agora conseguiu o que queria.

A avaliação é de que tanto cobrar que o elenco tivesse coração, que sentisse as derrotas e lutasse contra elas, o time passou a esbanjar valentia.

Além das cobranças, as contratações feitas para esta temporada buscavam dar esse perfil lutador à equipe. Foi assim com o técnico Edgardo Bauza, o argentino Calleri, o chileno Mena e o reserva Lugano. Mas um brasileiro, Maicon, é considerado internamente um dos principais responsáveis por fazer despontar a raça tricolor. Ele é citado como um dos que mais cobram atitude guerreira do time.

O fato de os são-paulinos não fugirem da briga, literalmente, contra Toluca, River Plate, The Strongest (na Bolívia) e Atlético-MG (principalmente no Morumbi) é apontado como prova de que a diretoria atingiu sua meta quando montou a equipe pensando na Libertadores.

Até uma forte discussão entre os atletas no vestiário após a goleada por 4 a 1 sofrida diante do Audax, no Campeonato Paulista, foi festejada como sinal de que o time estava incorporando o espírito desejado pelos cartolas.

O sentimento agora é de que se o São Paulo deixar passar a chance de ganhar a Libertadores, não será por falta de raça ou comprometimento, o que assombrava a diretoria no começo do ano.


Diretor do SPFC explica transformação de time que mal se cumprimentava
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Em cerca de três meses o São Paulo foi de time desacreditado, detonado por sua torcida e com o vestiário rachado a candidato a único brasileiro nas semifinais da Libertadores. Como foi possível essa transformação? Quem explica na entrevista abaixo é Luiz Antonio da Cunha, que assumiu a diretoria de futebol após a saída do vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro.

Quais os principais fatores que levaram à transformação do São Paulo?

 Tem um pouco do crescimento natural, que ocorreria de qualquer forma, mesmo sem a troca na diretoria. Mas é um pouco também pela mudança do ambiente, uma troca tão radical sempre proporciona mudanças. Muda o jeito de lidar com as pessoas. O que fizemos foi tirar a tensão do ambiente, que era muito tenso. Essa distensão ajudou muito o time.

Você fez com os outros jogadores um trabalho semelhante ao que desenvolveu com Michel Bastos, de estar sempre por perto, conversar individualmente e mostrar a importância dele para o clube?

O caso do Michel foi pontual. Não fiz isso com todos, mas fiz um trabalho coletivo para tirar a tensão. As pessoas quase não se cumprimentavam, quase não sorriam. Um sentava para almoçar do lado do outro, não cumprimentava e se levantava no final sem conversar o jantar inteiro. Isso mudou hoje por que eles estão felizes.

Por que quase não se cumprimentavam e quase não conversavam?

Por estarem tristes.

Mas como você faz pessoas que mal se cumprimentavam passarem a conversar nas refeições?

Mantendo o meu jeito de ser de quando era diretor das categorias de base, sendo pai todos os dias. Fazendo as pessoas rirem, contando causos, dividindo o peso, atribuindo o mérito, estando sempre presente. Se o ônibus tem um problema, eu lembro uma situação engraçada que já aconteceu, ajuda a tirar a tensão.

Vocês fizeram terapia de grupo?

Cheguei a pensar em fazer, mas não fiz. Procurei a psicóloga do time, trocamos ideias, e ela me deu dicas de como agir. Além disso, a psicóloga conversa individualmente com eles.

Para algumas pessoas no São Paulo, o ponto forte do time é ter jogadores cascudos, valentes para jogar a Libertadores. Você concorda?

Ninguém é candidato (ao título) numa Libertadores como nós, modestamente, somos hoje, sem valentia, mas penso que temos mais técnica do que força. São jogadores de muita qualificação. Quando desenvolvem garra e estão unidos dá muita liga.


Como eliminações atrapalham quitação de empréstimo pela Arena Corinthians
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Atualizado às 10h55*

As eliminações nas oitavas de final da Libertadores e nas semifinais do Paulista significam um golpe para o Corinthians em termos de pagamento da conta de sua arena. Tendo como base as arrecadações nas últimas partidas do time nas duas competições, o alvinegro deixará de obter pelo menos cerca de R$ 5,3 milhões em renda bruta (sem contar as despesas). Cada parcela inteira do financiamento de R$ 400 milhões feito junto ao BNDES via Caixa Econômica para quitar parte da obra custa cerca de R$ 5,7 milhões.

Nas eliminações contra Nacional e Audax as rendas brutas foram de, respectivamente, cerca de R$ 2,8 milhões e R$ 2,5 milhões (R$ 1,3 milhão descontadas as despesas). A receita com a venda de bilhetes vai para o fundo que administra o estádio pagar o parcelamento. Além disso, há o gasto aproximado de R$ 2,7 milhões mensais com manutenção e operação da arena.

O cálculo feito pelo blog leva em conta a receita bruta que o clube teria na final do Estadual e nas quartas de final da Libertadores. Se chegasse na final do torneio continental, o alvinegro poderia arrecadar cerca de R$ 5,6 milhões com jogos em casa com a venda de bilhetes, mas teria que descontar as despesas antes de pagar o parcelamento. Ou seja, não ser finalista das duas competições significou deixar de levantar aproximadamente R$ 10,9 milhões com arrecadação bruta. As despesas na partida contra o Audax, divulgadas pelo clube, foram pouco superiores a 50% do total arrecadado. Tomando por base esse dado, os R$ 10,9 milhões se transformariam em pouco mais de R$ 5,4 milhões suficientes para pagar uma prestação.

A diretoria e o fundo que administra o estádio admitiram em reunião do Conselho Deliberativo as dificuldades para quitar as prestações. No último dia 15, a parcela de abril não foi paga, e o departamento financeiro do Corinthians alegou ao blog que não fez o pagamento porque espera conseguir uma nova carência de 19 meses no financiamento para igualar o prazo obtido por outros estádios da Copa de 2014. A Arena Corinthians foi inaugurada em 2014 pouco antes do Mundial.

*A versão inicial do post não esclarecia que foram citadas receitas brutas.


Falta de ambição do Palmeiras de Cuca no 1º tempo lembrou time de Oliveira
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O Palmeiras começou o jogo de estreia do técnico Cuca, contra o Nacional, no Uruguai, abraçado a uma velha e incômoda companheira dos tempos de Marcelo Oliveira: a falta de ambição em jogos fora de casa.

Como se tivesse um ou dois jogadores a menos por conta de expulsões, o alviverde ficou aquartelado no campo de defesa, concentrado na destruição de jogadas. Não mostrou nenhuma vontade de vencer o jogo.

Na saída para o intervalo, Lucas transformou em palavras o que se via em campo ao dizer que o objetivo era acertar um contra-ataque para tentar vencer a partida.

Na volta para o segundo tempo, enfim, deu para perceber que o time está sob nova direção. Com as entradas de Robinho (que poderia muito bem ter começado o jogo) e Gabriel Jesus, o Palmeiras fez em três minutos o que não tinha feito em 45 minutos, mas levou o gol por conta de falhas defensivas justamente após Jesus perder a chance de abrir o placar.

A partir daí, Cuca tentou empurrar o time para cima do adversário. Prova disso foi a entrada do atacante Barrios no lugar do volante Gabriel. Mas, velhos problemas como a enorme distância entre os jogadores, passes errados e falhas de marcação impediram a reação palmeirense.

O segundo revés seguido na Libertadores para o Nacional, dessa vez por 1 a 0,  aumenta o risco de o Palmeiras ser eliminado já na fase de grupos. O resultado poderia ter sido melhor se não fosse a falta de ambição da primeira metade. Menos mal para o torcedor palmeirense que no segundo tempo Cuca esboçou um Palmeiras mais ofensivo. Dá para ter esperança de dias melhores.


Vexame do São Paulo na Libertadores reflete escolhas do clube para 2016
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Perrone

A derrota do São Paulo por 1 a 0 para o The Strongest pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores nesta quarta não deve ser analisada de maneira isolada. O vexame reflete decisões do clube para esta temporada, o que não significa que tenham sido erradas. Mas é possível falar que elas atrasaram a evolução que a equipe pode atingir.

Ao anunciar só em 17 de dezembro, quase dois meses após a eleição da atual diretoria, quem seria o treinador, a direção assumiu o risco de atrasos no planejamento. E eles aumentaram com a decisão de trazer Edgardo Bauza, pois, normalmente, técnico estrangeiro precisa de mais tempo para se adaptar ao novo país, conhecer o clube e os jogadores.

Claro que o argentino tinha a obrigação de já fazer o São Paulo ser mais forte diante do modesto time boliviano. Ele tem, sim, boa parcela de responsabilidade, mas o curto tempo para se adaptar ao clube e organizar o time é atenuante e deve ser levado em consideração.

Também pode ter atrasado o São Paulo a aposta em um veterano (Lugano), que precisa de tempo para entrar em forma e atuar. Ele ainda deve ser útil ao clube novamente, mas trazer alguém pronto para jogar (mais cedo do que Maicon, contratado recentemente) poderia ter acelerado o processo.

No momento em que fez todas essas opções, a diretoria tricolor sabia que logo de cara tinha a Libertadores pela frente. Assim, não tem muito do que se queixar. Deve, sim, cobrar treinador e jogadores, mas dentro desse contexto. E esperar que seu planejamento dê resultados com o passar do tempo.