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Arquivo : Maidana

Um ano após renúncia, como ficaram as denúncias contra Aidar no São Paulo?
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Exatamente um ano após a renúncia de Carlos Miguel Aidar, ainda há suspeitas relacionadas à gestão do ex-presidente do São Paulo não esclarecidas. O assunto gera controvérsia no Morumbi, pois parte dos conselheiros entende que o clube não fez o possível para apurar todas as supostas irregularidades e buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos financeiros.

“Não somos polícia e não podemos agir sem provas, mas acho que poderíamos ter ido mais a fundo em algumas questões”, disse ao blog Roberto Natel, que pediu demissão do cargo de vice-presidente da atual gestão.

Em pelo menos um dos casos, o episódio em que Aidar contratou um escritório de advocacia para fazer um trabalho antes tocado gratuitamente pelo conselheiro Ives Gandra Martins, há o entendimento de parte dos conselheiros de que o São Paulo poderia ter ido à Justiça para buscar reembolso do que foi pago.

“Claro (que poderia tentar ressarcimento na Justiça), mas esse poder é exclusivo do presidente, e ele já demonstrou que não o fará”, opinou Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, candidato derrotado à presidência.

O blog apurou que no entendimento do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, o clube tem indícios de que o São Paulo foi lesado em pequenas quantias, mas não existem provas suficientes para dar respaldo a um processo na Justiça e que uma ação jogaria mais lama no ventilador, prejudicando a imagem do clube e possivelmente afastando eventuais patrocinadores.

Por sua vez, José Roberto Opice Blum, presidente da Comissão de Ética que investigou parte dos casos, afirma que são injustas críticas ao trabalho feito.

 “Pessoas que não têm conhecimento jurídico falam coisas que não fazem sentido sobre o caso. Tem gente que espalha que sou amigo do Aidar. A nossa comissão aplicou a pena máxima ao Aidar, de expulsão do Conselho Deliberativo. O que mais poderíamos ter feito? Não somos delegacia de polícia e nem fazemos parte do judiciário”, afirmou Blum.

Aidar, que sempre negou ter cometido irregularidades, não atendeu ao blog.

Abaixo, veja no que deram as principais denúncias contra a gestão do ex-presidente.

Caso Far East

A empresa que tinha contrato para receber cerca de R$ 18 milhões por supostamente intermediar o acordo entre São Paulo e Under Armour era acusada de ser de fachada. O caso foi arquivado no Conselho Deliberativo sob as justificativas de que ela é uma firma legal e que houve desistência por escrito do valor que seria pago.

“O distrato feito abrange passado e futuro, então não há nenhum risco de o clube ter prejuízo nesse caso”, disse Blum.

Esse é um dos episódios que mais deixaram insatisfeitos no Morumbi. “Não entendo como alguém pode abrir mão de receber milhões, então não fiquei satisfeito com o resultado”, afirmou Natel.

Caso Maidana

O Ministério Público investiga a contratação do jogador, que custou R$ 2 milhões ao São Paulo, mas foi vendido antes do Criciúma para o Monte Cristo por R$ 400 mil. Ele nem chegou a ser apresentado pelo Monte Cristo, de Goiás. A Comissão de Ética não conseguiu chegar a uma conclusão sobre o caso, que ainda envolve a empresa Itaquerão Soccer. Ela colocou dinheiro no negócio.

Caso Rodrigo Caio

A Comissão de Ética concluiu que Cinira Maturana, namorada de Aidar, receberia comissão se o zagueiro fosse vendido para a Europa. O acordo é considerado incompatível com o estatuto e foi um dos principais motivos para o ex-presidente ser expulso do Conselho Deliberativo.

Troca de advogados

Aidar trocou a defesa feita gratuitamente pelo conselheiro Ives Gandra Martins por um escritório que cobrou R$ 8 milhões para atuar num processo contra cobrança da Receita Federal. A atual diretoria suspendeu a parte do pagamento que ainda precisava ser feita. A Comissão de Ética apontou também a participação de Ataíde Gil Guerreiro, ex-vice de futebol e atual diretor de relações institucionais, no caso. Esse episódio teve peso importante na decisão de expulsar do conselho Guerreiro, acusado ainda de agredir Aidar. Os dois dirigentes negam terem cometido irregularidades.

CEO

A atual direção descobriu que a antiga diretoria pagou uma empresa especializada em encontrar profissionais para ocupar vagas abertas em empresas para indicar Paulo Ricardo Oliveira, ex-presidente da Penalty, como CEO do clube. O entendimento é de que o gasto foi desnecessário, pois Oliveira era velho conhecido da diretoria por comandar a empresa que antecedeu a Under Armour como fornecedora de material esportivo. O caso não chegou a ir para a Comissão de Ética. A direção acredita que faltam provas contundentes de que o São Paulo foi lesado.

Limpeza

Há suspeitas de que houve pagamento de propina por parte de uma empresa de limpeza para atuar no clube. Porém, elas não foram encaminhadas para a Comissão de Ética. A avaliação da diretoria também é de que faltam provas para que medidas sejam tomadas.

 


Testemunha diz ter sido intimidada, e MP decreta sigilo no “caso Maidana”
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O procedimento do Ministério Público paulista que investiga se houve lavagem de dinheiro na transferência de Iago Maidana para o São Paulo no ano passado teve seu sigilo decretado.

A medida foi tomada pelo promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior, do GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos), porque ao menos uma testemunha afirmou ter sido intimidada. Assim, o segredo sobre o que for dito e apurado tem a intenção de proteger os envolvidos, de acordo com o MP.

Por conta do sigilo, não é possível saber quem alega ter sido intimidado, a identidade do suposto intimidador e o que foi feito exatamente. O certo é que agora a promotoria investiga também essa acusação.

Enquanto o procedimento era público, o blog teve acesso a ele e revelou que houve uma denúncia de suposto uso do dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) para a compra de Maidana pelo Monte Cristo, de Goiás, junto ao Criciúma, com dinheiro da Itaquerão Soccer. O clube goiano e a empresa afirmaram ao blog que a origem do dinheiro é lícita.

O atleta foi comprado pelo Monte Cristo por R$ 400 mil e revendido em seguida para o São Paulo por R$ 2 milhões. Como mostrou o blog, Maidana disse ao MP que acertou seus salários com o São Paulo antes de rescindir o contrato com o Criciúma e assinar com o Monte Cristo, clube no qual ele admite que nem chegou a pisar.


Caso Maidana tem até suposto envolvimento do PCC citado em depoimento ao MP
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Um dos trechos mais escabrosos da investigação do Ministério Público sobre supostas irregularidades no São Paulo levanta a suspeita de envolvimento do PCC na compra de Iago Maidana.

A denúncia foi feita por Newton Luiz Ferreira, o Newton do Chapéu, ex-candidato à presidência são-paulina. Ele afirma ter participado de conversa por viva voz entre um dos agentes envolvidos no negócio e um sócio do clube. Durante a ligação, segundo seu relato, o empresário declarou que o dinheiro usado pelo Monte Cristo na compra do jogador junto ao Criciúma veio da facção criminosa Primeiro Comando da Capital.

O sócio citado, Guaraci Sampaio Araújo, ex-assessor do departamento de esporte amadores, porém, afirmou em seu depoimento não lembrar de ter ouvido o empresário Edvaldo Pires fazer a afirmação sobre a verba do PCC. Ao blog, a direção do time goiano negou uso de dinheiro ilícito na compra do atleta. Maidana foi repassado em seguida à equipe do Morumbi por R$ 1,6 milhão a mais do que a quantia investida na aquisição.

Mas a negativa não encerrou o assunto para o MP. A suspeita aguçou o faro dos promotores. “Nós temos meios para saber se foi usado dinheiro com origem criminosa na compra do Maidana e estamos investigando. Nossa prioridade é saber se houve lavagem de dinheiro, até para podemos ajudar na criação de medidas de combate à essa prática no futebol”, disse ao blog Arthur Pinto de Lemos Júnior, do GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos).

Em seu depoimento ao MP, Guaraci contou que conheceu Edvaldo ao fazer uma corrida para ele até o hotel Ibis. Ao ouvir o empresário falar sobre a negociação de Maidana, explicou que era sócio do São Paulo e queria saber o que tinha acontecido. Declarou ter ouvido que como o Criciúma estava criando dificuldades para vender o jogador para o clube paulista, o empresário, representando a Itaquerão Soccer, se ofereceu para viabilizar a negociação.

Guaraci conta que a partir daí ficou amigo de Edvaldo, que pedia indicações de garotos do departamento social do São Paulo que jogassem futebol. Contudo, ele afirma não se lembrar de o empresário ter dito que foi usado dinheiro do PCC na compra de Maidana. Ele teria conversado com Edvaldo por telefone no escritório de Newton, para quem teria contado sobre o caso.

No trecho sobre o depoimento de Guaraci está registrado que o suposto uso de dinheiro da facção criminosa chegou ao conhecimento de pelo menos mais um conselheiro do São Paulo. José Francisco Manssur, hoje vice-presidente de comunicação e marketing, soube da denúncia no ano passado, e fez uma acareação entre Guaraci e Newton, mas o sócio negou ter dito que o dinheiro era do PCC.

Ao blog, Manssur confirmou que juntou Guaraci e Newton num jogo do São Paulo para fazer a acareação. Ele ratificou que o taxista negou ter ouvido sobre dinheiro do PCC na compra de Maidana, e que Newton não gostou da resposta.

Procurado, Moises Luis do Nascimento, diretor de futebol do Monte Cristo e que já ocupava o cargo quando Maidana foi comprado, em 2015, atestou a origem lícita do dinheiro.

“Não estão reconhecendo o trabalho sério que estamos fazendo aqui. Claro que não tem dinheiro de facção criminosa na negociação. A Itaquerão Soccer fez o empréstimo para podermos comprar o jogador. Eles até deram um caminhão como garantia para levantar o dinheiro”, declarou Nascimento.

Segundo ele, Maidana custou R$ 400 mil ao Monte Cristo. De acordo coma investigação do MP, dias depois de sua contratação, o clube vendeu o atleta para o São Paulo por R$ 2 milhões.

Como mostrou o blog nesta sexta, Maidana disse ao MP que primeiro acertou sua transferência para a equipe tricolor. Depois, assinou a rescisão com o Criciúma e um contrato com o Monte Cristo, clube no qual admitiu nunca ter pisado.

Outro que negou ter sido usado dinheiro do PCC na operação foi Wilton Martins de Oliveira, um dos donos da Itaquerão Distribuidora, que segundo ele empresou R$ 400 mil para a Itaquerão Soccer na operação Maidana.

“Não sei quem falou em PCC, mas vou processar quem disse isso para o Ministério Público. Pode vir aqui e ver todos documentos, tenho o comprovante de que fizemos três empréstimos para levantar os R$ 400 mil. Como a Itaquerão Soccer estava começando, não tinha dinheiro. Então, quem emprestou para o Monte Cristo foi a distribuidora de bebidas”, disse Oliveira, que afirmou também atuar na Itaquerão Soccer.

No procedimento aberto pelo MP, estão anexadas fotos que mostram mercadorias no endereço da Itaquerão Soccer. Segundo a investigação, isso dá a entender que ela é uma extensão da vizinha Itaquerão Distribuidora.


Ao MP, Maidana diz que fechou com SPFC antes de passar por ‘clube ponte’
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Em depoimento ao Ministério Público, Iago Maidana contou que acertou sua ida para o São Paulo antes mesmo de se transferir do Criciúma para o Monte Cristo, de Goiás. Isso significa que o clube do Morumbi poderia ter contratado o jogador diretamente da equipe catarinense, por um valor mais baixo. Essa versão também indica que a direção são-paulina, na ocasião comandada por Carlos Miguel Aidar, usou um ‘clube ponte’ para trazer o jogador, o que é coibido pela Fifa.

Porém, é outro aspecto da transferência que mais interessa ao MP. “Nossa prioridade é saber a origem do dinheiro usado pelo Monte Cristo para pagar o Criciúma. Queremos saber se a origem é criminosa. Se for, houve lavagem de dinheiro. Estamos investigando”, disse ao blog o promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior, do GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos).

O caso foi parar na promotoria após denúncias de conselheiros, entre eles o ex-candidato à presidência do clube Newton Luiz Ferreira, sobre supostas irregularidades durante a gestão de Carlos Miguel Aidar.

Ao depor, Maidana contou que, em maio de 2015, o empresário Edvaldo Pires o levou para conversar com Júnior Chávare, que cuidava das categorias de base do São Paulo. Mas o jogador recusou a oferta para atuar no time tricolor júnior, pois queria jogar na equipe principal.

Em agosto do mesmo ano, houve nova reunião no São Paulo também marcada por Edvaldo. Desse encontro, participou José Eduardo Chimello, que era gerente de futebol são-paulino.

Ainda conforme o depoimento de Maidana, dessa vez, ficou acertado que ele receberia R$ 15 mil mensais, incluindo direito de imagem, para defender a equipe principal tricolor. E foi definido também que ele “deveria comparecer no Criciúma para assinar a rescisão do contrato, que foi resolvida por Edvaldo”, segundo está escrito na transcrição do depoimento.

No mesmo documento, está registrado que, segundo Maidana, Edvaldo disse que, como ele ficaria sem clube a partir da rescisão com o Criciúma, haveria a necessidade de assinar contrato com o Monte Cristo. Logo em seguida, seria contratado pelo São Paulo.

Acontece que o time de Goiás, supostamente por meio da empresa Itaquerão Soccer, pagou R$ 400 mil ou R$ 800 mil (o valor correto ainda está sendo apurado) e revendeu o atleta ao São Paulo por R$ 2 milhões.

Uma das perguntas que ficam no ar é por que a direção são-paulina da época topou pagar mais, se quando negociou com o jogador não existia vínculo com o Monte Cristo e ele estava com sua rescisão de contrato com o clube catarinense solucionada?

Maidana também admitiu que fez um contrato de trabalho com o Monte Cristo, “mas sequer chegou a ir até o clube”. Em seguida, ele foi colocado num contrato entre o time de Goiás e o São Paulo como jogador negociado.

O atleta contou que fez um acerto verbal para receber 50% do valor que o Monte Cristo arrecadasse com sua transferência. Foram depositados em sua conta R$ 200 mil, apesar de o contrato entre o time goiano e o paulista registrar a venda por R$ 2 milhões. Ele declarou ainda não saber de vínculo do dinheiro envolvido com operações ilícitas e que se soubesse não aceitara.

Procurado por meio da assessoria de imprensa do São Paulo, Maidana disse que não se pronunciaria sobre o assunto. Carlos Miguel Aidar, que era o presidente do clube na ocasião, não atendeu ao celular e nem respondeu à mensagem de texto sobre o assunto. Edvaldo também não atende ligação.

Veja abaixo, trechos do registro do depoimento de Maidana.

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