Blog do Perrone

Arquivo : dezembro 2012

Ex-diretor do Palmeiras leva ovada e acusa Mancha
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 Ex-diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Júnior foi alvo de uma chuva de ovos no último sábado quando deixava o clube. Segundo ele, o ataque partiu de membros da Mancha, principal organizada alviverde.

“Estava saindo da loja do Palmeiras, e eles estavam entrando no ônibus para o jogo com o Santos. Conseguiram acertar muitos ovos porque foi de bem perto, mas não me machuquei”, disse o conselheiro, hoje distante da diretoria.

O filho do ex-cartola e o conselheiro Luís Henrique Monteiro Fronterotta tentaram defender Ciryllo e foram hostilizados pelos torcedores. Segundo o ex-diretor, os dois não chegaram a ser agredidos. “Não quero esticar uma briga com a torcida, então não levei o caso à polícia”, explicou o ex-dirigente.

O blog telefonou para Marcos Ferreira, presidente da Mancha para perguntar sobre a acusação, mas ele não atendeu ao telefonema.

Há o temor entre dirigentes e conselheiros de que aconteçam pequenos ataques como esse rotineiramente.

Os torcedores palmeirenses não foram os únicos da capital paulista que terminaram o Brasileirão envolvidos em confusão. Corintianos relataram princípio de tumulto antes do clássico no Pacaembu.

Afirmam que torcedores do São Paulo tentaram invadir rua reservada para os visitantes, que teriam reagido. A polícia conseguiu evitar a briga. Do lado de dentro do estádio era possível ouvir as explosões.


Vida de torcedor uniformizado tem de protetor de MMA a viagem de graça ao exterior
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A cena é comum no metrô e em trens nos dias de clássicos em São Paulo. Jovens integrantes de organizadas vão aos estádios com protetor bucal, aqueles usados no MMA e no boxe.

Esses garotos são os chamados “linha de frente”. Eles podem descer algumas estações antes do previsto para “trombar” de propósito com os torcedores adversários. Via rádio, antes de entrarem nas estações, conversam com colegas que dão a localização do inimigo.

Meninos como esses se envolvem em brigas iguais a que matou dois da Mancha Alviverde na “treta” com a Gaviões da Fiel no último domingo. Na hierarquia das torcidas, eles estão na base da pirâmide. As brigas ajudam a ganhar respeito e a crescer na “organização”.

No caminho rumo ao topo, precisam também fazer o serviço pesado. Carregar bandeirões e faixas, abrir tudo para a PM revistar, enrolar novamente para entrar no estádio, esticar lá dentro, guardar, carregar na saída… Trabalho cansativo.

Com os pontos acumulados, começam a ganhar missões mais nobres. Como integrar a eliete das uniformizadas que viaja de avião em jogos mais distantes do Brasileirão. Fora de casa, uma das principais missões é evitar que torcedores rivais roubem faixas e bandeiras. Outra tarefa fundamental é estender a faixa em local que as câmeras de TV mostrem.

Há casos que lembram empresas, com torcedores em viagens recebendo diárias e tendo que apresentar notas dos gastos.

Nesse plano de carreira, sinônimo de sucesso é ser brindado com passagens para jogos da Libertadores sem ter que pagar nem a estadia. Poucos conseguem.

Quem cumpre todo o ciclo e envelhece se afasta das “tretas”, mas vira “liderança”. É o que a maioria dos meninos busca, nem que tenha que ser na base da paulada. Justiça seja feita, a maioria desses jovens faz parte também do ritual vibrante nas arquibancadas, que empurra o time e embeleza o estádio.

Para saber um pouco mais sobre as organizadas, leia abaixo parte do vocabulário usado pelos torcedores.

Bonde – Grupo de torcedores ou caravana de uma determinada organizada.

Família – A própria torcida.

Farda – Uniforme da torcida.

Fardado - Uniformizado. 

Linha de frente – Grupo que vai para o combate com os rivais. É usado também em referência a um integrante do grupo.

Meninos das bandeiras – Jovens considerados como soldados rasos, mas de futuro promissor. Carregam faixas e desfraldam as bandeiras (nos estádios em que elas são permitidas).

Patrimônio – Faixas e bandeiras, que são os bens valiosos das organizadas.

Trombar – Brigar com torcedores rivais, na maioria das vezes premeditadamente.

T.O – Torcida organizada.

GDF – Gaviões da Fiel (usado na internet)

TTI – Torcida Independente, do São Paulo (usado na internet)


São Januário justifica fama de um dos piores estádios para visitantes
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Como publiquei no domingo, a Gaviões da Fiel pediu que suas sócias não fossem ao jogo com o Vasco por causa do clima costumeiramente bélico em São Januário. O temor se justifcou antes mesmo da chegada ao estádio.

Torcedores que estavam no ônbius que transportava a organizada Pavilhão Nove afirmam que foram recebidos a tiros e pedradas quando deixavam rodovia Dutra. No fim do primeiro tempo, alguns deles chegaram ao estádio com roupa rasgada e outras marcas de violência.

A agressividade entre as duas torcidas aumentou desde que a palmeirense Mancha Verde se aliou à vascaína Força Jovem. Uma bandeira na arquibancada com o símbolo da uniformizada alviverde lembrava o pacto.

Dentro do estádio, os corintianos reclamaram das condições da área reservada aos visitantes. Como mostra a foto abaixo, o banheiro usado pelos paulistas estava em estado precário.

Os donos da casa também tiveram problemas. Alguns compraram ingressos falsos vendidos por cambistas. Pouco antes de o jogo começar, membros de organizadas entraram em confronto com a PM e seguranças do clube acabaram passando mal por causa do spray de pimenta usado pelos policiais. Um caos.

Banheiro usado pelos torcedores visitantes em São Januário


Organizada do Corinthians veta mulheres em São Januário
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A Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, pediu para que as suas integrantes não embarcassem na caravana para o jogo com o Vasco no Rio. A medida tem se repetido nas partidas em São Januário desde que se fortaleceu a aliança da palmeirense Mancha Verde com a vascaína Força Jovem.

Vasco e Corinthians, seja no Rio ou em São Paulo, tornou-se uma partida de alto risco para os torcedores. 

Na lógica militar que orienta as uniformizadas, levar mulheres enfraquece o exército, já que elas não formam na linha de frente. Quanto mais torcedoras numa eventual emboscada, mais fragilizado o pelotão, que já é inferior ao do inimigo quando a disputa é longe de casa.

 A situação é reflexo da dificuldade das autoridades em controlar os conflitos fora dos estádios, por mais policiais que mobilizem nas escoltas das uniformizadas.


Polícia e MP usam redes sociais para tentar barrar Mancha e Gaviões até sem uniforme
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Na investigação sobre a morte de um torcedor da Gaviões da Fiel no último fim de semana, a Polícia Civil busca provas nas redes sociais de que a torcida corintiana e a Mancha Verde marcaram briga pela internet. São elementos que permitiriam ao Ministério Público alegar o descumprimento de um Termo de Ajustamento de Conduta por parte das organizadas.

O documento foi firmado com a procuradoria da Defesa do Consumidor. A desobediência dará ao MP o direito de pedir a suspensão das torcidas envolvidas na briga por até três anos, independentemente de ações impostas pela Federação Paulista. Além de as uniformizadas não poderem entrar nos estádios nesse período, todos os seus sócios podem ser impedidos de ir aos jogos durante a suspensão. Mesmo se não estiverem uniformizados.

O MP planeja uma punição exemplar para, enfim, tentar coibir a violência entre as organizadas, após tantas tentativas frustradas.