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Arquivo : Mário Gobbi

Ex-diretores criam grupo para ser “terceira via” no Corinthians
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Ex-diretores do Corinthians nas gestões comandadas pelo Grupo Renovação e Transparência, liderada por Andrés Sanchez, criaram um  grupo político que pretende se colocar como “terceira via” no clube. A proposta é ser uma alternativa entre a situação atual e a oposição tradicional.

O Corinthians Grande, nome do novo “partido”, se concentra primeiro em montar um projeto de gestão para a agremiação e lançar uma chapa de 25 candidatos ao conselho. Mas a tendência é que a mobilização culmine com o lançamento de uma candidatura à presidência na eleição de fevereiro de 2018. Não há nome definido por enquanto.

Entre os líderes da ala estão Fernando Alba, diretor nas administrações de Andrés e Mário Gobbi, Sérgio Mendonça Alvarenga, diretor jurídico de Sanchez e assessor de Gobbi, além de hoje ser vice-presidente do Conselho Deliberativo, e Felipe Ezabella, responsável pelos esportes terrestres na era Andrés. Todos integravam o Renovação e Transparência.

“Existe uma cultura no Corinthians de os grupos políticos serem vinculados a um nome, um líder que personifica o grupo. Queremos mudar isso. Não dá para ter um chefe, se o chefe está em baixa e sucumbe, o grupo sucumbe junto. Nosso grupo não vai ter uma personificação, mas um projeto bem amplo”, disse Alba ao blog.

Ele também rechaça o rótulo de oposição ao Renovação e Transparência. “Não é uma bandeira contra o Andrés, contra ninguém. Quem quiser participar das nossas reuniões, inclusive o Andrés, pode participar. Ele acertou muito. Queremos mudar nos pontos em que nós (do Renovação e Transparência) erramos”, declarou.

Entre os erros apontados está o fato de o clube não ter conseguido se fortalecer financeiramente para aos poucos deixar de depender de empréstimos, principalmente de empresários de futebol.

O blog apurou que também há no grupo conselheiros que permanecem na diretoria de Roberto de Andrade, porém os nomes são mantidos em sigilo.


Contra impeachment, Andrade fala em ‘mero equívoco’ e ‘dano imaginário’
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Em sua defesa na Comissão de Ética do Conselho Deliberativo do Corinthians contra pedido de impeachment, Roberto de Andrade alegou que houve apenas “mero equívoco” na data dos documentos em que sua assinatura aparece como presidente do clube antes de ele ser eleito e também que não ocorreu prejuízo a imagem do alvinegro. O cartola chama de “dano imaginário” a acusação imputada a ele.

Em parte curiosa da peça a seu favor, assinar ata de assembleia que nunca houve é tratado como procedimento normal. Até o presidente anterior do clube, Mário Gobbi, entra na dança, citado como quem teria assinado documento ficcional semelhante.

O estatuto corintiano determina que o presidente pode ser afastado se provocar considerável prejuízo material ou à imagem da agremiação. O requerimento que pede o afastamento do dirigente, produzido por conselheiros, alega que a imagem do Corinthians foi prejudicada com as notícias de que Andrade assinou dois documentos referentes à arena do clube com datas nas quais ainda não tinha tomado posse. Assim, teria cometido crime de falsidade ideológica. A divulgação dessse fato teria provocado o dano à imagem corintiana.

“Senhores julgadores, sob qualquer prisma que se analise a questão, não se encontra um único prejuízo que tenha sido causado em razão do mero equívioco material nas datas dos documentos debatidos no item anterior, quais sejam a ata da assembleia de quotistas do Arena FII (fundo que controla o estádio) e o contrato do estacionamento da Arena Corinthians (com o Omni Group)”, diz trecho da defesa, assinada pelo presidente e por Luiz Alberto Bussab, diretor jrídico do clube, no dia 7 de dezembro de 2016.  

Andrade sustenta que os signatários do pedido de impeachment não souberam apontar objetivamente qual foi o prejuízo provocado à imagem corintiana causado pelo presidente e afirma que a acusação “não passa de dano hipotético, imaginário ou presumido”. Para sustentar a tese, o presidente e o diretor jurídico reproduziram parte do pedido de impeachment que afirma não poder ser auferido no momento o prejuízo material que a atitude de Roberto teria gerado.

Chumbo na oposição

Num contra-ataque surpreendente, Andrade acusa seus detratores de desbotarem a imagem do Corinthians. “Aliás, o que causa dano à imagem do clube é entrevista coletiva em hotel para debater assunto que deveria ficar circunscrito às esferas institucionais do Corinthians. Protocolar pedido de destituição do presidente é direito conferido estatutariamente a qualquer associado. Discutir esse pedido numa entrevista coletiva num hotel é medida inadequada, mesquinha e oportunista, esta sim causa dano à imagem e à história do Sport Club Corinthians Paulista”, afirma a defesa. Conselheiros que apoiam o impeachment convocaram a imprensa para explicarem o caso.

Errinho?

Andrade e Bussab também detalham as operações que culminaram com a assinatura do dirigente como presidente em documentos com datas anteriores à sua posse.

A primeira parte da explicação afirma que a data da assembleia do fundo que cuida da arena e gerou a polêmica é 5 de fevereiro de 2015, um dia antes de Roberto ser eleito. Segundo essa versão, por causa da troca de comando no clube, o documento só foi encaminhado pelo escritório de advocacia Machado Meyer, que cuidava do assunto, para o dirigente no dia 24 de fevereiro, quando ele já ocupava o cargo de presidente. A data no papel, porém, permaneceu a original por um erro, de acordo com a justificativa.

Reunião fictícia e Mário Gobbi

No trecho mais curioso da argumentação, Andrade tenta justificar o fato de ter colocado sua firma na ata de uma assembleia que, segundo ele mesmo, nunca aconteceu. A defesa afirma que, conforme depoimento prestado em inquérito policial por representante da BRL Trust, que administra o fundo responsável pelo estádio, em fundos com poucos cotistas “as deliberações são tomadas pelas partes antes da assembleia, muitas vezes por e-mail, não ocorrendo reunião presencial”.

Ou seja, Andrade admite que assinou um documento que afirmava ter existido uma assembleia que nunca existiu. E declara que essa falta de compromisso com a verdade é normal em muitos fundos. De quebra, ele recua a bola na fogueira para seu antecessor ao dizer que “outras atas remetidas para o presidente da diretoria do SCCP, desde o presidente Máro Gobbi Filho, comprovam que esta sempre foi a prática em relação às assembleias do Arena FII”. Gobbi não foi localizado pelo blog para falar sobre o assunto.

Outro engano

Sobre o contrato para a gestão do estacionamento da arena, datado de 10 de janeiro, antes de Roberto ser eleito, o presidente alega que a negociação começou em novembro do ano anterior. No início de 2015 foram trocadas entre as partes várias minutas até que em 8 de abril de 2015, já como presidente do clube, o dirigente recebeu a versão final e a assinou. E que por um lapso foi mantida a data anterior, sem nenhum prejuízo ao Corinthians.

A defesa também a firma que já foi feita a correção na data da ata da assembleia e que o mesmo está sendo providenciado em relação ao documento referente ao estacionamento.

Na próxima semana, a comissão de ética deve encaminhar seu parecer ao presidente do Conselho Deliberativo. O órgão votará se afasta o presidente ou não após conhecer a orientação da comissão. Em caso de afastamento, ele terá que ser referendado pelos sócios.


Risco de impeachment: presidente de conselho vê irregularidade de Andrade
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Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians, tem convicção de que Roberto de Andrade cometeu irregularidade ao assinar contrato para o Grupo Omni administrar o estacionamento do estádio alvinegro antes de ocupar a presidência do clube, como mostrou a revista “Época”. Ele vai examinar o documento para saber se o acordo é prejudicial à agremiação. Se for, Andrade poderá sofrer um processo de impeachment.

“Vou conversar com o presidente para que esclareça a situação e darei o benefício da boa fé a ele, mas que há uma irregularidade há. Ele não poderia ter assinado como presidente se a data do documento mostra que naquele dia ainda não era. Se ele assinou depois de ser eleito, sem olhar a data, isso não muda o fato de que houve irregularidade.  E não é um contrato qualquer. É um compromisso que vale por dez anos, afeta três gestões no clube. Agora preciso ver se esse acordo beneficiou o Corinthians ou se beneficiou a Omni. O estatuto prevê processo de impeachment se o presidente praticar algum ato que cause prejuízo ao Corinthians”, explicou Strenger ao blog.

Ele afirmou também que já soube de conselheiros que pretendem formular um pedido para a abertura do processo de afastamento, mas que não recebeu nada.

O artigo 104 do estatuto corintiano diz que é motivo para a retirada do presidente ter ele acarretado prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do clube. Cabe ao presidente do conselho encaminhar o pedido de abertura do processo à comissão de ética do órgão, que ouve a defesa do acusado e indica ou não o impeachment. O afastamento precisa ser aprovado pelos conselheiros. Em caso de impeachment, assume o primeiro vice-presidente. O cargo é ocupado por André Luiz Oliveira, o André Negão. Ele estava disposto a renunciar por não atuar na administração, mas até agora não sacramentou sua saída.

A reportagem de “Época” mostra que Andrade assinou o contrato referente ao estacionamento em 10 de janeiro de 2015. Porém, ele só foi eleito em 7 de fevereiro do mesmo ano. “Tem também a questão da eleição. Como um grupo negociou o contrato existindo a possibilidade de outro assumir o clube? Isso precisa ser explicado”, disse Strenger. Para a oposição, existe a possibilidade de ter havido fraude no pleito.

A revista já havia mostrado que o dirigente tinha assinado a ata de uma assembleia aprovando mudanças no contrato com a Odebrecht relativo à construção da arena Corinthians antes de assumir a presidência do clube. “Mas naquele caso, o presidente explicou que depois não assinou as mudanças contratuais, então não houve prejuízo para o clube. Nesse novo episódio, é preciso examinar o contrato”, declarou Strenger.

Até então, o presidente do Conselho Deliberativo acreditava que o documento sobre a operação do estacionamento tinha sido assinado por Mário Gobbi. Chama atenção no caso o fato de a Omni, empresa que cuida da operação do programa de sócio-torcedor alvinegro, não ser especialista em administração de estacionamentos.

Nas duas suspeitas de falsidade ideológica por ter assinado documentos como se ocupasse um cargo que não ocupava, Andrade negou por meio de notas no site do Corinthians ter cometido irregularidades. Ele sustenta que o contrato referente ao estacionamento foi acordado entre as partes antes da eleição e encaminhado para que todos os envolvidos o assinassem, retornando ao clube apenas quando o dirigente já tinha sido eleito. Assim, já ocupava o cargo quando colocou sua firma no documento (a data, porém, é anterior à sua posse).

Veja abaixo, na íntegra a nota publicada no site alvinegro.

“Novamente vítima de ataque injustificado à sua honra – sabe-se lá orquestrado por quem ou com qual objetivo –, o presidente Roberto de Andrade Souza vem a público reiterar que jamais fraudou qualquer documento, seja relacionado ao Corinthians, seja em sua vida pessoal ou profissional, como equivocadamente insiste a Revista Época. O contrato objeto desta última matéria foi comercialmente acordado entre as partes, redigido, validado pelo Departamento Jurídico do Clube e encaminhado para a assinatura das outras partes contratantes antes da eleição do Presidente Roberto. Quando o contrato retornou assinado pelas outras partes, Roberto de Andrade já era o presidente do Corinthians e já exercia regularmente seu mandato. A Revista Época foi devidamente informada de que o Presidente Roberto já estava no exercício do mandato quando assinou o documento, mas preferiu insistir em sua fantasiosa e falaciosa versão”.


Processo de escolha de diretor de futebol confirma isolamento de Andrade
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A opções cogitadas por Roberto de Andrade para assumir a diretoria de futebol do Corinthians dão a dimensão de seu isolamento político desde que aumentou suas divergências com Andrés Sanchez ao contratar Oswaldo de Oliveira e ver Edu Ferreira deixar o cargo.

A primeira opção do presidente alvinegro foi Duílio Monteiro Alves, homem de confiança de Andrés. Ou seja, Andrade pensou em colocar no posto alguém diretamente ligado ao líder do grupo que o ataca internamente. Sondado, Duílio sinalizou que prefere seguir tocando projetos nos Estados Unidos.

Andrade então vislumbrou a possibilidade de nomear Carlos Nei Nujud, amigo do atual presidente e diretor de futebol durante a gestão de Alberto Dualib. A sinalização de novo foi negativa.

E foi na gestão do ex-presidente que renunciou após uma série de denúncias que Roberto encontrou quem agora ele espera que assuma o cargo: Flávio Adauto. O jornalista foi vice-presidente de comunicação na era Dualib e sua experiência com o futebol é mais por meio do jornalismo esportivo do que como dirigente.

Assim, com poucos aliados no clube, Andrade teve que recorrer a alguém que não vive a atual realidade do vestiário alvinegro e precisará de tempo para se adaptar. A situação é reflexo do estrangulamento político enfrentado pelo presidente, que enfrenta situação semelhante à encarada por Mário Gobbi, seu antecessor, quando passou a conviver com a oposição velada de Andrés.


Segundo livro, gasto exagerado com cartão colocou Andrés e Gobbi em atrito
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Os ex-presidentes do Corinthians Andrés Sanchez e Mário Gobbi nunca admitiram publicamente, mas romperam durante a gestão do segundo. Pouco mais de um ano após Gobbi deixar o poder, o livro “Tite”, da jornalista Camila Mattoso e que está sendo lançado pela editora Panda Books, relata detalhes sobre o rompimento.

Gobbi e Andrés se abraçando? Em 2012! (Crédito: Leonardo Soares/UOL)

Gobbi e Andrés se abraçando? Em 2012! (Crédito: Leonardo Soares/UOL)

Segundo a autora, o racha começou porque o atual deputado federal pelo PT não gostou de saber que o sucessor estava vasculhando suas contas e criticando alguns gastos. Entre as despesas contestadas por Gobbi, de acordo com a obra, estavam mais de cem multas de trânsito e gastos considerados exagerados no cartão de crédito corporativo.

Confira abaixo trecho da obra sobre o distanciamento entre os cartolas.

“Não tinha ainda seis meses de gestão quando Mário Gobbi começou a olhar contratos assinados pelo antecessor, bem como contas do período anterior, chegando a contestar o que considerava excessivo, como centenas de multas de trânsito dos motoristas que trabalhavam lá (para Andrés Sanchez) desde 2007 e também do cartão corporativo da presidência.

Ao saber da vasculha a que estava exposto, Andrés Sanchez se irritou pelo que chamou de falta de confiança e lealdade.”

Andrés não fala com o blog, por isso não foi ouvido sobre o tema. Gobbi tem evitado entrevistas desde que deixou o cargo.

Como sugere o nome, o livro traz, a partir de pesquisas e entrevistas feitas por Camila, a biografia do treinador corintiano com passagens inéditas sobre o vestiário alvinegro.

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Saiba como o Corinthians deu um ‘passa-moleque’ no Palmeiras e na FPF
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A diretoria do Corinthians comemora o fim da torcida única no clássico de domingo como um nó tático aplicado no Palmeiras e na Federação Paulista. Os corintianos acreditam que desarmaram uma operação para ajudar o alviverde montada pela FPF, presidida por Marco Polo Del Nero, conselheiro palmeirense e que tem seu filho homônimo concorrendo a mais um mandato no Conselho do mesmo clube neste sábado. Del Nero, no entanto, não estava na sede da entidade nos últimos dias e, pelo menos oficialmente, não participou do processo relativo aos ingressos.

Tudo começou quando a direção alvinegra identificou o nome do desembargador Sérgio Ribas como incentivador do pedido do Ministério Público para que a torcida visitante fosse barrada do clássico. O simples fato de Ribas, que atua no Jecrim (Juizado Especial Criminal), ser palmeirense, além de torcedor do Coritiba, bastou para deixar os corintianos com um pé atrás. Na entrevista que concedeu nesta sexta-feira, Mário Gobbi disse que a FPF e o Palmeiras tinham dado um passa-moleque no Corinthians e citou uma suposta grande amizade de Ribas com Paulo Nobre.

‘É um absurdo falarem isso.Conheço a seriedade do desembargador Ribas”, afirmou o promotor Paulo Castilho, do Jecrim, e um dos autores do pedido pela torcida única. O blog não conseguiu entrar em contato com Ribas.

Após a solicitação do MP, o Corinthians desconfiou de que a federação não se esforçou para peitar os promotores porque estava disposta a colaborar com o Palmeiras, apesar de dizer ser contrária à torcida única.

Com isso na cabeça, cartolas corintianos, reunidos no fim da tarde de quinta para se despedir de Gobbi, que após a eleição deste sábado deixa o clube, passaram a traçar a estratégia para bater a FPF e o Palmeiras.

A tática adotada pelo departamento jurídico foi entrar na Justiça para, além de tentar uma ordem judicial a favor da venda de ingressos para os visitantes, impedir que o MP pudesse tomar sanções contra a FPF, caso não houvesse torcida única no jogo. A primeira parte não deu certo, mas a segunda funcionou. Era o que o Corinthians queria: tirar da FPF a justificativa de que não podia manter o jogo com duas torcidas. A partir de então, a entidade liberaria os ingressos para os alvinegros ou deixaria claro que estava do lado palmeirense, algo que a federação sempre negou.

Com a decisão da Justiça em mãos, o Corinthians telefonou para Reinaldo Carneiro Bastos, substituto de Del Nero na FPF, e ficou apreensivo quando ouviu um pedido para esperar a definição da entidade. Em seguida, Marcos Marinho, dirigente responsável pela área de segurança nos estádios da federação, disse ao UOL Esporte que estava mantida a torcida única, só com os mandantes.

O Corinthians não foi comunicado oficialmente da decisão. Irritado, Gobbi ainda tentou pedir por telefone a liberação dos ingressos ao presidente do Palmeiras, mas não foi atendido.

O cartola alvinegro havia dito no dia anterior a seus diretores que não impediria o time de ir a campo, caso ficasse sem as entradas. Mas os acontecimentos das últimas horas tinham feito o dirigente balançar. A Gaviões da Fiel soltara um comunicado pedindo para a equipe não entrar em campo. Havia a ameaça de um bloqueio em frente ao CT do clube para impedir a saída da delegação no domingo. Além disso, uma faixa foi estendida no Parque São Jorge cobrando a diretoria contra a medida do MP.

A pressão da torcida somada à decisão parcialmente favorável da Justiça fizeram Gobbi mudar de ideia e anunciar que o time não iria para o estádio do Palmeiras sem a Fiel. O cartola marcou uma entrevista coletiva para falar sobre o assunto.

Então, entrou em cena Rogério Caboclo, diretor financeiro da FPF e da CBF, com carreira política no São Paulo e um dos principais conselheiros de Del Nero. Ele telefonou para acalmar Gobbi. Pediu para o presidente não dizer em entrevista coletiva que seu time se recusaria a entrar em campo e o orientou a conversar com calma com a Federação. O corintiano perguntou se teria os ingressos, mas Caboclo não assegurou a entrada dos alvinegros no estádio. A FPF ainda não tinha oficializado uma decisão sobre o tema, a não ser pelas declarações de Marinho.

O presidente do Corinthians, então, resolveu ir para a entrevista. Enquanto disparava contra federação e Palmeiras, ouviu o diretor de futebol Ronaldo Ximenes cochichar em seu ouvido que a FPF mudara de ideia e anunciara o fim da torcida única.

Foi a senha para Gobbi relaxar. Depois disso, até cantou durante a entrevista e passou sua última noite como presidente corintiano saboreando uma suada vitória nos bastidores.

Leia abaixo a decisão da Justiça parcialmente favorável ao Corinthians.

Juiz(a)deDireito:Dr(a). LuizaBarrosRozas
Vistos.
1.  Primeiramente,  observo  não  ser  o  caso  de  suspensão  da  partida  a  ser  realizada
no  dia  08.02.2015.  Com  efeito,  a  tabela  da  competição  foi  divulgada  em  01.12.2014  (fls.  25),  de
acordo  com  calendário  previamente  estabelecido,  e  eventual  suspensão  ensejaria  prejuízo  não
apenas  ao  Campeonato  Paulista,  mas  também  aos  torcedores,  muitos  deles  já  com  ingressos
adquiridos.
No que tange à Recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo  (fls.
21/24,  observo  se  tratar  de  medida  bem  intencionada  no  sentido  de  evitar  permanentes  conflitos
dentro  das  praças  desportivas,  que  tumultuam  os  espetáculos  e  colocam  em  risco  a  incolumidade
dos  torcedores,  preservando,  assim,  a  segurança,  a  ordem  pública  e  a  incolumidade  de  todos
aqueles  que  assistem  às  partidas  de  futebol.  Com  efeito,  é  fato  público  e  notório  que  as  torcidas
organizadas  de  clubes  de  futebol  do  Estado  de  São  Paulo,  há  mais  de  uma  década,  têm
transformado  as  partidas  esportivas  em  autênticas  praças  de  guerra,  levando  à  morte  diversos
torcedores, além  de  enormes  danos  materiais, com  a  depredação  dos  meios de transporte  públicos
das  cidades,  sendo  certo  que  tal  situação  ainda  perdura,  apesar  das  várias  providências  adotadas
pelas autoridades públicas.
Vale  ressaltar,  ainda, que a recomendação da torcida única revela a dificuldade do
Estado em  lidar com  a  questão da segurança  pública, uma vez que é  dever do  Poder Público  zelar
pela  manutenção  da  ordem  nos  estádios  de  futebol,  garantindo  a  segurança  de  todos  os  que
participam da partida, dentro da razoabilidade e da proporcionalidade esperadas.
Contudo,  em  que  pese  o  mérito  da  aludida  Recomendação  do  Parquet,  a  mesma
não  tem  força  de  lei,  não  podendo  impor  sanções  na  hipótese  de  seu  descumprimento.  Vale
ressaltar  que  lei  é  ato  normativo  dotado  de  generalidade  e  impessoalidade,  dirigindo-se  a  todas  as
pessoas  indistintamente. Estabelece o  art.  5º, inciso  II, da Constituição  Federal que “ninguém será
obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude lei”.
No  caso  em  tela,  a  Recomendação  foi  editada  às  vésperas  da  partida,  ou  seja,  no
dia 04.02.2015  e, ao que tudo  indica, sem prévia participação de todos os interessados. Outrossim,
dirige-se  exclusivamente  ao  jogo  do  próximo  domingo,  a fim  de  impedir  a entrada  dos  torcedores
do time visitante. Não ostenta, portanto, caráter coercitivo.
Deste  modo,  as  únicas  sanções  passíveis  de  serem  impostas  são  aquelas  previstas
em  lei,  na  hipótese  de  eventual  ocorrência  de  ato  ou  dano  que  enseje  responsabilidade  civil  ou
criminal.  Ora,  recomendação,  como  o  próprio  nome  diz,  é  mero  mandado  de  otimização,  não
ostentando  força  normativa.  Funciona  como  meio  de  “pressão  política”  e  se  expressa  como  uma
sugestão,  um  convite,  servindo  apenas  de  elemento  demarcador  da  responsabilidade  civil  e
criminal.
Desnecessária, contudo, a concessão de ordem judicial para permitir a aquisição de
ingressos  para  os  torcedores  do  time  visitante,  uma  vez  que  não  consta  proibição  expressa  nesse
sentido,  tratando-se  de  mera  recomendação  do  órgão  ministerial,  a  qual  não  pode  ser  atribuída
força coercitiva, conforme já ressaltado. Outrossim, a Federação Paulista de Futebol não é parte no
presente feito.
Eventuais  danos  ocorridos  durante  a  partida  e  sua  reparação  reclamam  ação
própria e efetiva demonstração.
Diante  do  exposto,  DEFIRO  PARCIALMENTE  o  pedido  de  tutela  antecipada
para suspender a sanção prevista na Recomendação do Ministério Público do Estado de São Paulo,
in  verbis  “o  descumprimento  da  presente  recomendação  acarretará  a  adoção  das  medidas  cíveis  e
criminais cabíveis”.
2. Oficie-se a Federação Paulista de Futebol, via faz, com urgência, para ciência da
presente decisão.
3.  Com  objetivo  de  zelar  pela  segurança  pública,  oficiem-se,  com  urgência,  a
Polícia Militar e a Secretaria de Segurança Pública para que prestem o necessário apoio ao jogo de
domingo, reforçando o efetivo antes, durante a após a partida do dia 08.02.2015.
4. Cite-se, com as cautelas de praxe.
5. Valendo esta como mandado e/ou ofício.
Intime-se e ciência ao Ministério Público.


Salários atrasados enfraqueceram Corinthians na briga por Dudu
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A ultrapassagem do São Paulo no Corinthians em relação à contratação de Dudu tem a ver com salários atrasados no Parque São Jorge. Isso porque Mário Gobbi quer evitar gastos agora para tentar quitar as dívidas com os jogadores. Assim, ele planejou pagar a primeira parcela da compra de Dudu ao Dínamo de Kiev só em maio. O São Paulo levou vantagem porque começaria a pagar imediatamente.

Gobbi priorizou a quitação das dívidas com o elenco. Decidiu contratar só quem o treinador considerar essencial e postergar ao máximo o pagamento.

Fiel a esse pensamento, o dirigente só topou o leilão com o São Paulo por Dudu porque Tite indicou o jogador antes mesmo de assinar contrato para voltar ao time. No momento em que analisava o elenco com o gerente Edu Gaspar, o técnico falou da importância de contar com o atacante.

Para satisfazer ao treinador sem gastar dinheiro (ou crédito) que poderia amenizar os salários atrasados, o Corinthians fez uma proposta de 3,6 milhões de euros por 60% dos direitos econômicos do atacante, com o primeiro pagamento só no quinto mês do ano, como mostrou o UOL Esporte. Já a diretoria tricolor ofereceu 3 milhões de euros por 50% com a primeira parcela à vista. Os ucranianos gostaram mais do que ouviram dos são-paulinos, apesar de Dudu manifestar preferência pelo Corinthians.

Como entregar o cargo em fevereiro sem dever salários para os jogadores virou uma questão de honra para Gobbi, a filosofia de só contratar o extremamente necessário e sem mexer no bolso agora não vale só com Dudu. Mas para levar seu plano até o final, no entanto, o presidente terá que resistir à pressão para reforçar o elenco feita pelo grupo de Andrés Sanchez e Roberto de Andrade, candidato da situação à presidência. Cobrança que também parte da torcida.

ACOMPANHE AS ÚLTIMAS NEGOCIAÇÕES DO MERCADO DA BOLA


Gobbi não quer trazer irmão de Romero, que pode chegar mesmo assim
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A tentativa do Corinthians de contratar Óscar Romero, irmão de Ángel Romero, gera uma situação inusitada. O clube pode acertar com um jogador que seu presidente não quer trazer. E que seu treinador na temporada passada também não quis.

Nos últimos dias de 2014, investidores envolvidos na negociação pressionaram a direção alvinegra para fechar a compra do paraguaio do Cerro Porteño, mas Mário Gobbi não tem interesse no negócio. No entanto, a contratação agrada a Roberto de Andrade, candidato da situação à presidência, e ao gerente de futebol Edu Gaspar. Pressionado internamente durante a temporada passada para trazer o atleta, Gobbi havia decidido deixar a contratação para seu sucessor.

O presidente avalia que, endividado, o clube não deve se enforcar mais ainda para fechar o negócio. O Corinthians passaria a dever para os investidores, caso eles não conseguissem revender o paraguaio antes do final de seu contrato com o alvinegro.. Assim, foi estabelecida mais uma queda de braço no Parque São Jorge. O presidente já tinha vetado a contratação do goleiro Danilo, da Chapecoense, acertada por Gaspar, com a concordância de Andrade.

Agora, o caso do irmão de Romero pode ter um desfecho na próxima segunda, como mostrou o UOL Esporte. Para evitar briga com o grupo de Andrés, é possível que Gobbi recue e aceite a contratação.


Saiba como o trabalho de Mano foi minado no Corinthians
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No final de 2013, quando ficou decidida a saída de Tite do Corinthians, Andrés Sanchez se dispôs a viajar para Porto Alegre a fim de tentar a contratação de Abel Braga. Mário Gobbi preferiu Mano Menezes. Cerca de dez meses depois, após a goleada de 4 a 1 para o Atlético-MG, pela Copa do Brasil, o ex-presidente entrou em cena de novo para pedir a demissão do técnico que não escolheu. Isso apesar de publicamente defender sua permanência. Nesse espaço de tempo, Mano sofreu de quase tudo no Parque São Jorge. Recebeu jogador que não indicou, perdeu atleta que queria segurar e soube que a negociação com um novo técnico já estava em andamento.

Uma imagem emblemática do calvário de Mano foi a do zagueiro Cléber, já uniformizado, sendo barrado do treino numa segunda-feira de agosto por ter sido vendido. Mano não sabia da negociação e foi avisado minutos antes de o treinamento começar que não poderia contar com o jogador. O clube não tinha participação nos direitos econômicos do atleta, o que resultou na impotência do técnico.

A cena quase se repetiu com Petros. O estafe do atleta chegou a pressionar a diretoria para negociar o meio-campista quando ele foi suspenso em seu primeiro julgamento no STJD.

Mano também sofreu na hora de contratar jogadores. Ángel Romero, por exemplo, não foi sugestão dele. A contratação foi apadrinhada por Andrés, que também abençoou a vinda de Óscar, irmão do paraguaio. No primeiro caso, Mano aceitou o reforço, mas bateu o pé para não receber o segundo jogador da família Romero. Conseguiu empurrar a contratação para 2015, porém, ela não deve mais acontecer.

Em quedas de braço como essa, geralmente, Mano via do outro lado o dirigente remunerado Edu Gaspar, amigo de Andrés desde os tempos em que era juvenil no Corinthians. O funcionário remunerado é protagonista de um dos episódios que mais incomodaram o agora ex-treinador corintiano.

Enquanto ainda alimentava esperanças de permanecer no cargo, Mano recebeu a informação de que Edu estaria conversando com Tite sobre a volta do técnico desde outubro, fato negado pelo clube.

O comandante do time na conquista do Mundial e da Libertadores é o preferido de Roberto de Andrade, candidato à presidência apoiado por Andrés.

A suspeita de que já havia uma negociação para trazer um novo treinador feriu Mano, que foi descobrindo não ser um bom negócio permanecer no clube. Caso seu contrato fosse renovado por Gobbi, e Andrade vencesse a eleição, o treinador temia passar por um doloroso processo de fritura. Assim, a decisão do presidente de não esticar seu compromisso  com o alvinegro não arranha a amizade entre os dois. Já a relação de Mano com Andrés, responsável por sua ida para a seleção brasileira, deve ser apenas protocolar a partir de agora.


Fogo amigo no Corinthians: Andrés criticou e agora é criticado
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As críticas feitas por Andrés Sanchez à atual administração do Corinthians nesta quinta deixaram mais claro o que Mário Gobbi quis dizer quando se queixou de fogo amigo no clube em entrevista ao Sportv. A atitude de Andrés também foi a senha para que ele comece a ser criticado publicamente por cartolas ligados a Gobbi. É o caso de Ilmar Schiavenato, que deixou a diretoria social para ser candidato à presidência.

Veja abaixo como Ilmar rebateu Andrés.

“A engenharia dele nós conhecemos: deixar de pagar tributos federais, (o Ministério Público que o diga) e impostos municipais, agravando a dívida e obrigando o clube a contrair mais empréstimos bancários, comprometendo ainda mais orçamentos futuros. Já a “carpintaria financeira” da arena, dispensa comentários”.

Nesta quinta, o ex-presidente disse que já teria renovado o contrato de Mano Menezes e que o clube precisa estar mais presente na política do futebol brasileiro e sul-americano. Afirmou também que “todo dirigente erra e acerta. A atual administração gastou quase R$ 100 milhões com atletas, fez por opção. O Corinthians precisa querer, o dirigente tem que ser ousado, que busque uma engenharia financeira”.

Andrés não pôde ser ouvido porque não fala com o blog.