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Isenção de impostos para Olimpíada vale até para banquete e afeta universitários
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Rio-16 e COB, comandados por Nuzman, terão benefícios

Em quatro páginas, a edição desta quinta do Diário Oficial da União traz a lei que trata de isenções tributárias para a Olimpíada de 2016, assinada na quarta pela presidente Dilma Rousseff. O documento é um raio x da generosidade do Congresso Nacional e do Governo Federal com a “família olímpica”.

As isenções afetam até leis criadas para ajudar universitários e para estimular a produção cinematográfica nacional.

Em determinados casos,  COI (Comitê Olímpico Internacional), Rio-16 (comitê organizador) e empresas vinculadas a eles estão dispensadas de contribuições para o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa, instituída por lei, e também para o CONDECINE (contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica), criada por Medida Provisória.

 A lista de isenções inclui em diversos casos Imposto de Renda, IPI, Cofins, Pis/Pasep e IOF, entre outros. A relação de beneficiários também é extensa. Além do COI e do Rio-16,  ela abraça o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), patrocinadores, prestadores de serviços, voluntários, árbitros, atletas e empresas de mídia, desde que estejam credenciadas. Até banquetes relacionados à Olimpíada aparecem na lista.

Como contrapartida, todos os contratos beneficiados precisam ser publicados em sites. Essa tem cheiro de lei que não pega.

O Diário Oficial também apresenta três artigos vetados por Dilma. Um deles daria à “família olímpica” o direito de pedir revisão de tributos pagos em 2012, antes da publicação da lei.


Juiz usa gastos com Copa e Olimpíada como argumento para prefeitura pagar remédios a doente
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“Se existem recursos públicos para a realização de eventos esportivos internacionais – Copa do Mundo e Olimpíada – é certo que o Estado Brasileiro conta com recursos suficientes para aplicar na saúde de seu povo”.

 A afirmação acima faz parte de sentença que condena a prefeitura de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, a fornecer gratuitamente remédios para uma mulher que sofre de asma. Ela foi publicada nesta segunda no Diário Oficial do Estado.

 Arion Silva Guimarães, juiz da 3ª Vara Cível da cidade, assina a decisão em primeira instância. Ele rejeitou tese da prefeitura de que a responsabilidade seria do Governo do Estado.

 A argumentação do magistrado joga luz num tema que parece adormecido: a relação entre os gastos públicos nos dois grandiosos eventos e as necessidades da população.


Medalha do futebol é a única do Brasil sem dinheiro público
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Das 17 medalhas obtidas pelo Brasil em Londres, só a prateada do futebol foi conquistada por uma modalidade ou atletas que não contam com apoio direto de dinheiro público.

O judô, responsável por quatro medalhas, é patrocinado pela Infraero. E o quarteto medalhado é beneficiário do Bolsa Atleta, programa do Ministério do Esporte. Assim como os três medalhistas do boxe, patrocinado pela Petrobras.

Já a Confederação Brasileira de Vôlei, que comemora outras quatro medalhas, é apoiada pelo Banco do Brasil. Os Correios são parceiros da natação, dona de uma prata e um bronze. A Caixa Econômica Federal patrocina a ginástica, esporte do medalhista de ouro Arthur Zanetti, também atleta bolsista.

 Na vela, Bruno Prada, bronze, ganha ajuda de custo do Bolsa Atleta. No Pentatlo Moderno,  Yane Marques, terceira colocada em Londres, é  apoiada pelo programa governamental.

O resultado reforça a tendência de o Estado bancar o esporte brasileiro. O apoio financeiro vai aumentar nos próximos anos. É necessário que os órgãos de controle do governo também incrementem a fiscalização do uso de dinheiro público pelas confederações.

Evitar desvios e desperdícios é fundamental para a evolução do Brasil no quadro de medalhas. Por ora, o crescimento técnico não acompanha o aumento de investimento público.

Levantamento do UOL Esporte mostra que a preparação dos atletas para os Jogos de Londres consumiu  R$ 2,1 bilhão contra pouco mais de R$ 1bilhão para a Olimpíada de Pequim. Ou seja, a injeção de dinheiro público dobrou, mas só duas medalhas a mais foram conquistas em Londres: 17 contra 15 em 2008.


Futebol comum de Neymar em final preocupa mais do que futuro de treinador
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Desde que assumiu a CBF, José Maria Marin foi aconselhado por seus colaboradores a se livrar de Mano Menezes com mais rapidez do que os mexicanos ao abrirem o placar na final olímpica. No entanto, ouviu sugestões para esperar um momento de revolta popular para anunciar a demissão.

E o momento chegou. A perda do ouro olímpico é a bala de prata para a CBF eliminar Mano. Porém, Marin está numa saia justa. Elogiou a seleção e seu treinador durante toda a campanha nos Jogos Olímpicos. Vai ficar feio se demitir Mano agora para trazer Muricy Ramalho ou Felipão. São os dois nomes estudados.

Definir quem vai ser o treinador do time nacional em 2014 não é o maior motivo de preocupação que a derrota em Londres deixa para os comandantes do futebol brasileiro. Se não estão, eles deveriam estar mais preocupados com Neymar.

O craque foi um gigante até as semifinais. Na final,  acordou no segundo tempo, mas não foi letal. Foi tão comum a ponto de isolar a bola aos 13 minutos do segundo tempo como qualquer outro faria.

 Não se pode jogar nele a culpa pela derrota. Mas o que se espera de um atleta de seu nível é que desequilibre quando o time não vai bem. E ele não fez isso. Como não fez na final do Mundial de Clubes da Fifa, pelo Santos, contra o Barcelona. Também não foi capaz de fazer seu time passar pelo Corinthians na Libertadores.

Mano ou quem for o treinador em 2014 precisa descobrir o que acontece. Não parece coincidência. Na Copa, muito mais do que contra os mexicanos , o Brasil vai precisar do Neymar que desequilibra. E ter no banco um técnico que dê conta do recado é mais fácil do que achar um jogador capaz de salvar o time num dia ruim.


Carta de Marin para seleção soa como garantia de emprego para Mano Menzes
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O site da CBF tem um espaço para a “Palavra do Presidente”. Nele, na útltima terça, Jósé Maria Marin rasgou elogios à seleção brasileira. O tom do pronunciamento destoa das alfinetadas que o cartola já deu em Mano Menezes.

Trata-se de um documento para Mano imprimir e guardar. Se o time nacional cair na final olímpica contra o México e a cúpula da CBF decidir demiti-lo, ele poderá usar o pronunciamento do presidente ao menos para gerar constrangimento ao cartola.

Aliados de Marin asseguram que apesar da rasgação de seda, Mano será colocado no olho da rua se garantir só a prata na partida de hoje.

Marin diz que o futebol do time de Mano está à altura do prestígio da seleção brasileira

Se de fato o treinador perder o emprego, será curioso ver Marin se explicar após dizer que a seleção e seu técnico estão de parabéns. Ou que ”o Brasil, para nossa felicidade, com uma campanha excelente, deixou o público gratificado em ter presenciado atuações à altura da fama e do prestígio do futebol pentacampeão do mundo.”

Mas, para quem enfiou uma medalha da Copa São Paulo no bolso e não ficou corado ao justificar que ela foi dada de presente, explicar uma mudança radical de opinião não seria tão embaraçoso.

Leia baixo, na íntegra o texto escrito por Marin no site da CBF. É uma espécie de carta aberta à seleção:

A Seleção Brasileira está de parabéns!

Grande parte da missão está cumprida. A Seleção Brasileira conquistou com muita justiça o direito de disputar neste sábado em Wembley a medalha de ouro das Olimpíadas de Londres.

Não é pouca coisa. Entrar em campo no legendário estádio para o momento maior do torneio olímpico de futebol foi o objetivo de todos, mas só duas equipes conseguiram.

O Brasil, para nossa felicidade, com uma campanha excelente, que deixou o público gratificado em ter presenciado atuações à altura da fama e do prestígio do futebol pentacampeão do mundo.

Quero ressaltar que para mim não se constituiu novidade o que vi em campo nos cinco jogos das Olimpíadas. Para minha enorme satisfação, foi a comprovação do que tinha observado atentamente e de muito perto na convivência com o grupo nos recentes amistosos nos Estados Unidos.

Naqueles dias, disse – e, agora, repito – que estava feliz por ter visto nesse grupo de jogadores a volta do orgulho em vestir a camisa da Seleção Brasileira. Isso agora é uma realidade, e está claro para todos nós e principalmente para o torcedor brasileiro.

Neste sábado, como aconteceu nos jogos anteriores, eu estarei em Wembley. Não só como presidente da CBF, mas acima de tudo como todo brasileiro apaixonado por futebol e pela sua seleção: confiante, porque sabedor que hoje temos uma seleção muito bem preparada, unida e que vai lutar ao máximo em campo para nos dar essa medalha inédita.

Por tudo isso, por tudo que foi feito até aqui, meus cumprimentos aos nossos talentosos jogadores, ao técnico Mano Menezes e a sua comissão técnica. Sem esquecer, ainda, do diretor de Seleções Andrés Sanchez e do chefe Delfim Peixoto.

Eles também merecem os parabéns.


Só Ganso não aproveita vitrine olímpica
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Na primeira fase da competição olímpica, quem mais precisava mostrar futebol para seduzir clubes europeus mostrou, exceção feita a Ganso. Com uma nova lesão, o meia aumentou sua coleção de contusões e diminuiu ainda mais as chances de se transferir agora para a Europa. Por ora, não conseguiu nem a estimular o Internacional a brigar mais por sua contratação.

Já Lucas, disposto a ficar no continente europeu depois dos Jogos Olímpicos, aproveitou bem a chance que teve contra a Nova Zelândia. Segundo o Datafolha, o são-paulino deu mais passes do que Neymar (46 a 25), errou só um a mais (4 a 3), desarmou mais (4 a 1) e recebeu mais bolas do que o principal astro do time (51 a 35).

Leandro Damião, outro que está exposto na vitrine do time nacional, também soube mostrar seu valor. Contra a fraca Nova Zelândia. Precisou de duas finalizações para fazer um gol. Neymar tentou seis arremates, mas passou em branco.

Quem não precisa mais impressionar compradores europeus, como Marcelo, Oscar e Neymar, aproveitou a fase inicial do torneio para lustrar sua imagem. Mano Menezes saiu vivo do primeiro estágio do desafio. Evitou o vexame de uma desclassificação prematura, que provocaria sua demissão.

E claro, convidados da CBF (presidentes de federações) e da FPF (que levou vários dirigentes para o Reino Unido) também aproveitaram a primeira fase para curtir os Jogos Olímpicos sem suar.


Com pouco dinheiro para contratar, Santos banca viagem de luxo para pai de Neymar em Londres
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Ao mesmo tempo em que Muricy Ramalho reclama da falta de reforços e o Santos enfrenta dificuldades financeiras para contratar, a diretoria do clube banca uma luxuosa viagem do pai de Neymar para ver de perto a Olimpíada.

Por contrato, como já escrevi aqui, Neymar pai tem direito a acompanhar todos os jogos do filho pela seleção brasileira com as despesas custeadas pelo alvinegro. Porém, recentemente, o presidente santista confirmou ao blog que as passagens precisam ser de primeira classe e os hotéis cinco estrelas.

Assim, o clube vive uma situação contraditória. Não tem dinheiro para fechar contratações como as de Romarinho e Matínez, ambos no Corinthians, mas gasta para garantir conforto ao pai de seu maior craque.

Indagada pelo blog se o custo da viagem olímpica de Neymar pai é de aproximadamente R$ 100 mil, a assessoria de imprensa do Santos respondeu ainda não saber o valor dos gastos. Confirmou, porém, que Eduardo Musa, o Duda, do departamento de marketing santista, viajou com o pai do astro, como costuma fazer. Disse ainda que o clube cumpre tudo o que é previsto em contrato, mas não comenta sobre os acordos.

Em sites de compra de passagens, os bilhetes aéreos mais baratos de ida e volta para Londres, em primeira classe custam R$ 18 mil. Já a diária mais em conta para duas pessoas num hotel luxuoso em Londres, como o InterContinental na badalada região de Park Lane, custa R$ 1.217.

Se o Brasil chegar à final Olímpica ou à disputa do bronze e o pai de Neymar ficar em Londres até o fim, aa viagem vai durar pelo menos 18 dias, com gastos de no mínimo aproximadamente R$ 20 mil só em diárias de hotel. Numa estimativa modesta, a viagem inteira custaria pelo menos R$ 56 mil, suficientes para pagar pouco mais de um mês de salário de Adriano. O volante não entra em acordo com a diretoria para renovar seu contrato e recebe entre R$ 30 e R$ 40 mil mensais.

Conselheiros santistas reclamam das mordomias dadas ao pai do atacante, mas não falam publicamente com receio da reação da torcida.

Recentemente, Laor, como é conhecido o presidente santista, afirmou ao blog que os valores gastos com Neymar pai são trocados perto do retorno que o craque da ao time. E que quem reclama é gente interessada apenas em criticar e tumultuar o ambiente político.


Vitórias com sustos não asseguram emprego de Mano
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 Mano Menezes certamente está otimista em relação às chances de medalha de ouro. Seu time não encanta coletivamente, mas conquistou diante de Belarus a segunda vitória olímpica e mostra força para ser campeão.

Em situações normais seria o suficiente para o treinador garantir seu emprego. Mas não é o caso. O roteiro seguido pelo Brasil na Inglaterra é um prato cheio para os críticos de Mano. A eventual conquista do ouro com sobressaltos será interpretada como indício de que o Brasil está no caminho errado rumo à Copa-14. Nesse cenário, Mano terá sua cabeça pedida por aliados de José Maria Marin. Pelo menos, esse é o discurso adotado por eles antes mesmo de a competição começar.

Assim, o comandante do time nacional vive uma situação curiosa. Tem a confiança de estar montando um time competitivo e que vai crescer durante a Olimpíada. Ao mesmo tempo, porém, engorda seus detratores, que reclamam por já não assistirem a um time pronto desde o início dos Jogos Olímpicos.


Medalhas no judô reforçam política brasileira de bancar esporte com dinheiro público
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As medalhas de Sarah Menezes (ouro) e Felipe Kitadai (bronze) no judô em Londres são frutos da polêmica política esportiva escolhida pelo Brasil: o investimento de dinheiro público na formação de atletas.

De acordo com o site do Ministério do Esporte, a campeã recebe ao menos R$ 3.100 mensais pelo programa bolsa-atleta na categoria olímpica. É a segunda maior ajuda. A primeira é para a categoria pódio, que oferece até R$ 15 mil mensais.

Kitadai, por sua vez, ganha um mínimo de R$ 1.850 mil por mês do governo como bolsista na categoria internacional.

O judô brasileiro é um dos principais exemplos da escolha governamental, feita  sem uma recomendável consulta popular. São dez bolsistas na delegação olímpica. E a confederação é patrocinada pela Infraero, além de contar com dinheiro da Lei de Incentivo ao esporte.

O bom desempenho dos judocas nacionais no início da Olimpíada é um alento para quem se acostumou a ver os programas do Ministério do Esporte envolvidos em acusações de mau uso do dinheiro público. Um exemplo de que pode dar certo.


Vitória feminina embala propaganda da “nova” CBF
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Começou bem o projeto da nova cúpula da CBF de apostar na seleção feminina como uma de suas ferramentas de propaganda. A dupla José Maria Marin/Marco Polo Del Nero se aproximou do time, quase abandonado por Ricardo Teixeira. Uma demonstração de que a confederação está sob nova direção.

E os 5 a 0 sobre Camarões, na estreia olímpica, caíram como uma luva. Antes do jogo, em declarações publicadas pela Folha de S. Paulo, as meninas elogiaram o novo comando. Segundo as atletas, elas deixaram de ser tratadas a pão e água. Ganharam um comissão técnica mais encorpada e um canal aberto com os dirigentes.

É o básico. Uma  fina pincelada de novidade numa entidade que não se libertou de seu passado. Ricardo Teixeira ainda dá palpites, e é pago para isso. A comitiva de cartolas que foi a Londres, com tudo pago, também mostra que antigas práticas do futebol brasileiro não foram esquecidas pelos sucessores de Teixeira, patrono da CBF.