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Conselho do Palmeiras fará sindicância sobre comissão para agente errado
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Perrone

Com José Edgar de Matos, do UOL, em São Paulo

O Conselho Deliberativo do Palmeiras vai abrir sindicância para apurar possíveis responsabilidades de dirigentes no caso envolvendo o pagamento de comissão pelo volante Wesley. A operação feita em 2012, durante a gestão de Arnaldo Tirone, foi parar na Justiça com o clube acusado de não pagar os valores devidos a um agente envolvido no negócio. Em sua defesa, os cartolas alviverdes alegaram ter pago o empresário errado. 

Na ocasião, o alviverde pagou R$ 1,3 milhão de comissão a Maickel Portela, que seria representante daempresa MKT Brasil. Porém, neste mês, a Justiça determinou que o clube pagasse a mesma quantia para Renee Pinheiro, que se apresentou como dono da empresa e alegou que o dinheiro nunca foi pago para ela. Ou seja, o Alviverde teria feito o acerto com o empresário errado.

Ao blog, Tirone afirmou que o Palmeiras tratou do caso com o agente que tinha autorização do Werder Bremen (time vendedor) e que o clube deve mesmo fazer uma apuração para esclarecer os fatos. O ex-presidente disse ainda que também está apurando o episódio e que, se o clube pagou a quem não devia, o recebedor precisa devolver o dinheiro. Leia a entrevista com ele no fim do post.

A derrota na Justiça incomodou conselheiros especialmente porque o juiz Gustavo de Carvalho afirmou não ser minimamente crível que um clube como o Palmeiras pudesse agir de maneira tão “amadora” no tocante a uma de suas atividades mais corriqueiras, a contratação de jogadores. Ele afirma ainda que não há elementos nos autos que indiquem que Portela, “se é que recebeu algo”, agiu em nome da empresa.

Indignados, membros da nova oposição palmeirense, formada por conselheiros que tentaram barrar a candidatura de Leila Pereira a uma cadeira no Conselho Deliberativo, alegando irregularidade na candidatura, passaram a cobrar a abertura de sindicância sobre o caso.

“Já pedi ao departamento jurídico que me apresente todos os documentos referentes a essa situação. Assim que eu receber, vou formar a comissão de sindicância. Ela vai apurar o que aconteceu e apresentar sua decisão ao Conselho Deliberativo, que vai decidir o que fazer”, disse ao blog Seraphim Carlos Del Grande, presidente do órgão.

Entre as medidas que podem ser tomadas, estão punições a quem for considerado culpado pelo prejuízo ao Palmeiras e pedido de ressarcimento de dinheiro na Justiça.

Abaixo, leia entrevista feita por troca de mensagens pelo celular com Tirone sobre o assunto.

Blog – Qual a sua opinião sobre a decisão do presidente do Conselho de abrir sindicância para apurar o motivo para o Palmeiras pagar o empresário errado na compra de Wesley?

Arnaldo Tirone – Não tenho nada contra a abertura de sindicância para apurar os fatos. Muito pelo contrário, uma apuração aprofundada e realizada com isenção vai esclarecer todos os pontos. O Palmeiras deve apurar, sim, esses fatos.

Blog – O que o senhor achou da decisão do Juiz obrigando o Palmeiras a pagar de novo a comissão e dizendo não ser crível o pagamento errado?

Tirone – Ainda não tenho visão integral do processo e por isso não consigo dizer em que contexto essa frase foi dita. Já pedi para o meu advogado levantar integralmente o processo e, quando eu tiver essa visão, vou poder me manifestar. Também estou levantando informações com todos os que estiveram diretamente ligados a essa contratação. O fato é que o Palmeiras tratou com o empresário que tinha autorização do Werder Bremen para negociar o Wesley.

Blog – O que aconteceu para o pagamento ser feito ao agente errado?

Tirone – Como já te disse, estou apurando para não cometer injustiças. Mas o fato para mim é muito simples: se o Palmeiras pagou a quem não devia, quem recebeu tem que pagar para o Palmeiras.

 


Multa foi acerto da diretoria do Palmeiras. Era importante inibir valentões
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A diretoria do Palmeiras, na opinião deste blogueiro, acertou ao multar os valentões Felipe Melo e Omar Feitosa por baterem boca após um rachão do time.

A punição é até tardia, já que os dois protagonizaram outros casos de valentia incompatível com o ambiente de trabalho.

Conforme apurou o blog, o castigo não foi um pedido de Cuca, mas decisão da direção baseada no regimento interno do alviverde. Se bem que o treinador também acertou no episódio ao demonstrar sua insatisfação com a situação.

No meio do futebol, são conhecidas as maneiras de agir do preparador físico e do volante, que parecem candidatos a macho alfa sempre tentando dominar o território.

Para este blogueiro, tal comportamento passa dos limites e tem grande potencial para prejudicar o clube. Felipe Melo, se não se acalmar, certamente deixará a equipe mais vezes na mão por causa de suspensão. Na briga contra o Peñarol, o volante claramente tentou evitar o confronto físico, mas suas declarações logo na chegada ao Palmeiras sobre dar tapa na cara de uruguaio, certamente contribuíram para o clima hostil.

No caso de Feitosa, é inadmissível que um membro da comissão técnica se enrosque com atletas. Por obrigação, ele deve preservar o bom ambiente no vestiário e ser respeitado, sem ter que apelar para isso.

O atrito entre os dois tem alto potencial para provocar um racha no vestiário, já que um está entre os líderes do time, e o outro faz parte da comissão técnica e dá ordens aos atletas.

Colocar em risco essa relação no trabalho é suficiente para justificar o castigo imposto. O valor da multa não foi revelado, mas é o que menos importa na ação. O importante é que os machões tenham entendido o recado. Não podem continuar ameaçando o trabalho coletivo só porque não são de levar desaforo para casa. Faz parte do trabalho coletivo a arte de engolir sapos.

A justificativa que são normais discussões, xingamentos e até um ou outro sopapo no futebol não cola. Em nenhum ambiente profissional isso é visto como parte do trabalho. Jogadores e membros da comissão técnica não podem ser tratados como profissionais de alto nível na hora de receber o salário e como peladeiros quando cometem seus deslizes.

 


Opinião: em Chapecó, melhor elenco do Brasil não justificou seu preço
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Na opinião deste blogueiro, Cuca fez bem em poupar parte de seus titulares do jogo em Chapecó. Afinal, o alto investimento feito em contratações não foi para ter um só time forte, mas dois. O objetivo é fazer com que o rendimento seja semelhante independentemente de quem está em campo. Isso permite disputar com tranquilidade uma competição longa como o Brasileirão e ter condições de brigar por mais de um título na temporada.

Só que em seu primeiro teste de força no Brasileiro, o time misto do Palmeiras decepcionou ao perder para a Chapecoense por 1 a 0 fora de casa. Não que o time de Chapecó seja fraco. Pelo contrário, é organizado e já tinha conseguido um empate em São Paulo contra o Corinthians. Mas, com o elenco que tem, o Palmeiras deve ser cobrado por vitórias quando enfrenta equipes mais modestas, seja onde for.

Prass, Michel Bastos, Tchê Tchê, Roger Guedes e Willan formam uma base suficientemente forte para brigar por três pontos fora de casa contra a Chape. Claro que o fato de ser apenas o terceiro jogo com Cuca atrapalha, mas os que entraram em campo estão devendo. A equipe escalada tinha obrigação de fazer muito mais do que se preocupar prioritariamente em se defender, como quem se contenta com o empate.

 Jogar para empatar fora de casa e acabar perdendo por 1 a 0 é para quem tem um time muito mais barato do que o atual campeão brasileiro. O dono do melhor elenco do Brasil, pelo menos na opinião deste blogueiro, precisa fazer muito mais.


Na Justiça, Palmeiras age para ser ressarcido pela Mancha se for condenado
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Com Pedro Lopes, do UOL, em São Paulo

Ação movida por cinco policiais militares, sendo uma mulher, faz o Palmeiras tentar na Justiça medidas contrárias à Mancha Alviverde. O clube age para conseguir no mesmo processo o direito de ser ressarcido pela uniformizada se tiver que pagar indenização aos policiais. O caso corre em segredo de justiça, mas na última quinta foi publicado no Diário Oficial de São Paulo, de maneira resumida, um dos pedidos da agremiação.

Os policiais afirmam que foram agredidos por membros da Mancha Alviverde em 2012 em Araraquara, onde o Palmeiras, perto de ser rebaixado no Brasileirão, recebeu o Botafogo-RJ. Câmeras registraram agressões e a tentativa de palmeirenses de invadirem o campo. Por conta da violência que alegam ter sofrido cada um pede na Justiça indenização de 200 salários mínimos (R$ 187.400) a ser paga solidariamente por Mancha, Palmeiras, como mandante e clube para qual os agressores torcem, Federação Paulista e Estado de São Paulo.

Diante do risco de ter prejuízo por conta da confusão na qual seus torcedores se envolveram, o Palmeiras fez um pedido de denunciação da lide da Mancha, que é a medida capaz de permitir que o clube requeira ressarcimento por parte da torcida caso seja condenado a pagar a indenização. Isso sem ter que abrir um processo contra a uniformizada.

Porém, o pedido palmeirense foi negado. O juiz entendeu que não fazia sentido porque a Mancha já era parte do processo.

Inconformados com a decisão, os advogados do Palmeiras tentam um agravo de instrumento, que é um recurso contra a negativa, com pedido de efeito suspensivo, que, se aceito, impede a execução de eventual sentença antes de o recurso ser julgado.

Entre os argumentos usados para tentar mudar a decisão, a defesa palmeirense afirmou no processo que é “inegável que, havendo procedência na ação, a Mancha Alviverde é a responsável pelo pagamento de qualquer indenização, caso seja devida, sendo certo o direito do Palmeiras de buscar ressarcimento pelos danos causados por membros da referida agremiação”.

Os advogados explicam também que o objetivo do pedido é encurtar o caminho do clube para obter sua eventual restituição. E declaram que a decisão que rejeitou a pretensão palmeirense maculou de forma direta o direito do Palmeiras de ser ressarcido, em caso de condenação.


De Paulinho a Messi. Com quem as promessas brasileiras se dizem parecidas
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Colaboraram Dassler Marques e Vinicius Castro, do UOL em São Paulo e no Rio de Janeiro

Vinícius Júnior (Flamengo), Pedrinho (Corinthians), David Neres (Ajax), Luiz Araújo (São Paulo), Douglas (Fluminense)… A lista de jovens promessas do futebol brasileiro atualmente é extensa. Apesar do recente fracasso da seleção brasileira Sub-20, que não conseguiu se classificar para o Mundial, o momento das categorias de base no país é promissor.  O que explica essa fartura acima da média dos últimos anos?

Em busca dessa resposta e de conhecer melhor atletas tratados como joias por seus clubes, o blog entrevistou cinco jovens que geram grande expectativa em suas equipes: o flamenguista Vinícius Júnior, 16 anos, artilheiro e melhor jogador do último Sul-Americano Sub-17 e alvo do Real Madrid, o meia corintiano Pedrinho, 19 anos, destaque da última Copa São Paulo, o atacante são-paulino Luiz Araújo, 20 anos e por quem o Lille da França ofereceu, sem sucesso, 7 milhões de euros, Alan Guimarães, 17 anos e também destaque da seleção brasileira sub-17 campeã sul-americana neste ano, e o volante do Fluminense Douglas, 20 anos, outro que desperta o interesse de europeus.

Leia as entrevistas abaixo.

Qual jogador foi sua maior fonte de inspiração para seguir a carreira?

Alan Guimarães – “Minha maior inspiração acho que são os jogadores brasileiros, Ronaldinho, Rivaldo, Ronaldo. Quando era criança, eu via muito os jogos deles pela TV e ficava impressionado com o que eles mostravam”.

 Douglas – “Cresci vendo o Paulinho, volante da seleção brasileira, jogando muito pelo Corinthians.  Por tudo que ele passou e depois conquistou, sem dúvida ele foi o jogador que me inspirou para que eu seguisse firme em busca dos meus sonhos na minha carreira”.

Luiz Araújo – “Nunca tive um jogador em quem sempre me inspirei mesmo, mas sempre olhei para os melhores. Messi, Ronaldinho Gaúcho, sempre os melhores”.

Pedrinho – “Messi”.

Vinícius Júnior – “Quando eu era muito pequeno, e já gostava de futebol e começava a me interessar, adorava ver o Robinho jogar. Era o jogador que vivia melhor momento no Brasil, o mais falado, e chamava a atenção o modo dele jogar, de muita habilidade. E as pedaladas me marcaram muito também”.

Com o estilo de qual jogador acredita que seu estilo é mais parecido?

Alan – Pra mim é uma felicidade imensa ser brasileiro e tentar fazer o que eles (Ronaldinho, Rivaldo e Ronaldo) já fizeram na carreira deles. Agora vou em busca do meu sonho que é tentar chegar no nível deles”.

Douglas – “Acho que meu estilo de jogo se parece com o do Paulinho. Este ano estou tendo oportunidade de jogar mais solto como ele joga, mas sempre com a responsabilidade defensiva também. Temos um poder de marcação muito forte, uma qualidade grande no passe e o poder de chegar ao gol para marcar”.

Luiz Araújo – “Como sou um jogador de ponta, de velocidade, creio que meu estilo de jogo é parecido meio com o do Robben, do Ribéry, do Eden Hazard, que são jogadores que jogam pela beirada do campo”.

Pedrinho – “Eu sempre me inspirei no Messi. Tento pegar um pouco de cada coisa que ele faz. Tento ver os vídeos dele pra aprender cada dia com ele, seja lá me posicionando, driblando e com os passes”.

Vinícius Júnior – “Minha geração está crescendo vendo o Neymar, mas não acho legal fazer comparações. Cada jogador tem o seu estilo, mas também gosto de partir pra cima, de tentar o drible, de propor o jogo… Isso já é meu desde muito pequeno, desde o salão”.

Você pertence a uma safra de jogadores que é uma das com maior número de atletas promissores do futebol brasileiro. Na sua opinião, o que motivou essa grande quantidade de jovens talentosos?

Alan – “Na minha opinião a estrutura do clube ajuda bastante, tendo um campo bom, academia, uma alimentação boa que não vai prejudicar o atleta. Isso acho que é uma coisa essencial nos clubes que vai ajudar bastante o jogador de base chegar ao profissional. Mas não tendo isso no clube, acho que o jogador tendo talento e cabeça boa ele também possa chegar ao profissional. Tendo o talento que todos os jogadores da nossa geração têm, que eu acho que são jogadores de muita qualidade, mesmo sendo da base já têm experiência em campeonatos sul-americanos, nacionais, isso é uma das melhores coisas que podem fazer a nossa geração ser uma das mais fortes do Brasil e até do mundo”.

Douglas – “Acho que o trabalho de base vem sendo muito bem feito nos clubes, com grandes investimentos e aproveitando os atletas cada vez mais no elenco principal. Os campeonatos são muito disputados, com grandes times, vários talentos individuais se destacando e isso enriquece o nosso futebol.  A seleção brasileira está sempre conquistando os torneios que disputa e acho que isso é motivador para os jovens que estão buscando suas oportunidades”.

Luiz Araújo – “Fico muito feliz por essa geração ter muitas jovens promessas para o futebol. Isso mostra que os clubes estão valorizando muito a base, estão olhando com atenção para base. Então, espero que surjam muito mais promessas, muito mais garotos para que o futebol brasileiro só venha a crescer”.

Pedrinho – “Acho que o futebol vem evoluindo a cada dia, e os jovens hoje em dia vêm se dedicando cada dia mais a aprimorar seus fundamentos desde cedo, isso faz com que muitos se destaquem”.

Vinícius Júnior – “É a evolução do futebol. Vejo que o Brasil evolui a cada dia na parte tática e, com isso, a habilidade do jogador brasileiro, que é o que temos de melhor, acaba se sobressaindo. Nunca deixamos de ter bons jogadores. Acho que o momento da seleção brasileira ajuda também. Todos passam a olhar pra nós como o país do futebol novamente.”

Quando espera disputar sua primeira Copa do Mundo?

Alan – “Acho que primeiro tenho que pensar em chegar ao profissional. Trabalhar firme fazer um bom papel e a consequência virá se chegar à seleção brasileira e disputar a Copa do Mundo. Isso pra mim vai ser um sonho e acho que em 2022 posso estar representando a seleção brasileira numa Copa do Mundo. Pra mim vai ser um sonho realizado, um sonho meu e da minha família”.

Douglas – Jogar uma Copa do Mundo é o sonho de qualquer jogador de futebol, mas não gosto de fazer planos.  Prefiro focar no meu trabalho e dar o melhor de mim para o sucesso do meu time. Tive a oportunidade de ser convocado para a seleção de base e isso é muito gratificante. Sei que vestir a camisa da seleção brasileira é consequência de um bom trabalho feito no clube, então o meu foco total é no meu dia a dia para que as coisas venham a acontecer de forma positiva”.

Luiz Araújo – “É um sonho, todo jogador sonha em disputar uma Copa do Mundo e ganhar. Espero ser o mais rápido possível. Espero continuar trabalhando e quando o treinador da seleção achar que estou pronto, tenho certeza que vai me convocar, e eu espero poder ajudar o Brasil a ganhar uma Copa, seria um sonho realizado.”

Pedrinho – “O futuro a Deus pertence. Vou trabalhar forte agora, fazer meu trabalho pra me destacar pra em um futuro próximo poder pegar uma seleção brasileira e logo jogar uma Copa do Mundo.”

Vinícius Júnior – “É muito cedo pra dizer. Tenho que dar um passo de cada vez”.


Opinião: quatro pontos em que Carille foi superior a rivais
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Em seu primeiro trabalho como treinador, o corintiano Fábio Carille conquistou o campeonato paulista. Claro que não ganhou sozinho, além dos jogadores contou com a importante ajuda do assistente Osmar Loss. Óbvio também que ainda é um técnico em formação. Em termos de análise, é justo que se compare seu desempenho com os de colegas que comandaram os outros grandes do Estado na competição. Na opinião deste blogueiro, ele superou os rivais em pelo menos quatro fatores. Veja abaixo.

Defesa

Já na pré-temporada, Carille mostrou um sistema defensivo forte. Foi o primeiro setor da equipe arrumado por ele. O trabalho resultou no time menos vazado do Paulista com 11 gols sofridos. Novato como o corintiano, Rogério Ceni teve como sua maior dificuldade fazer o São Paulo tomar menos gols. O clube do Morumbi viu suas redes serem balançadas 23 vezes.

Organização tática

A equipe de Carille foi a mais organizada taticamente entre as quatro grandes. Baptista, Ceni e Dorival não conseguiram o mesmo equilíbrio entre ataque e defesa, nem eficiência tática semelhante à alcançada pelo corintiano.

Vestiário sob controle

Carille não enfrentou rebeldias de atletas e conviveu com um vestiário em paz. Cristian fez reclamações públicas, mas o alvo foi a diretoria. Já Eduardo Baptista, demitido na semana passada pelo Palmeiras, teve que tentar explicar que não havia crise entre alguns jogadores. Felipe Melo discutiu com Roger Guedes num treino. Borja se irritou ao ser substituído no segundo jogo contra a Ponte Preta pelas semifinais, e o treinador respondeu em entrevista dizendo que o atacante foi contratado a peso de ouro, mas não estava rendendo o esperado. Para conselheiros do clube, Baptista perdeu o controle do vestiário, e alguns atletas não corriam por ele.

Força fora de casa

Nas semifinais e na final, Carille fez o Corinthians jogar para vencer fora de casa. Mais do que isso. A postura foi de quem queria resolver o confronto já no primeiro duelo. Tanto que o alvinegro venceu o São Paulo no Morumbi por 2 a 0, e a Ponte Preta por 3 a 0 em Campinas. O Santos de Dorival Júnior não conseguiu mostrar no interior a mesma força que exibe na Vila Belmiro e perdeu da Ponte por 1 a 0. No Palmeiras, a apatia da equipe e a falta de poder de reação na derrota como visitante diante do alvinegro campineiro por 3 a 0 foram motivos que contribuíram para a demissão de Baptista.


Opinião: Cuca foi no mínimo deselegante com Baptista
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Ao decidir voltar para o Palmeiras apenas cinco meses após deixar o clube, Cuca foi no mínimo deselegante com Eduardo Baptista. Na opinião deste blogueiro seu modo de agir beirou a falta de ética. Isso porque a partir do momento em que o retorno foi sacramentado, aumentou a certeza de que seu “fantasma” foi determinante para queda do ex-treinador alviverde.

Conselheiros pressionavam a direção pela demissão de Baptista alegando, entre outros motivos, que Cuca estava disposto a voltar. Tivemos a confirmação de que estava mesmo. Não era papo furado de corneteiro.

Ainda que o atual campeão brasileiro não tenha conversado com a diretoria palmeirense antes da queda de seu sucessor, acabou fazendo muito mal a quem estava no comando do time.

Após deixar o Palmeiras, Cuca deveria ter tido a elegância de colaborar para que o novo escolhido tivesse paz para trabalhar. Seria elegante mostrar publicamente desapego ao cargo e no momento de fritura de Baptista se posicionar firmemente no sentido de não ter interesse em retornar ao alviverde. Claro que não da boca pra fora. Cuca deveria ter seguido seu plano original de ficar afastado do futebol por mais tempo porque do jeito como as coisas aconteceram é possível imaginar que ele sempre planejou um breve retorno.

Apesar de não ter feito o time render o que deveria, Baptista enfrentou algo próximo à covardia. Trabalhou desde o primeiro dia com a faca em seu pescoço. Em nome da gentileza, Cuca poderia ter ajudado a afastar o punhal de seu sucessor.

Na minha opinião, a imagem do novo velho técnico palmeirense foi arranhada no episódio. Fica a figura de um profissional que com sua postura pressionou um colega empregado e na primeira oportunidade agarrou o emprego de volta. Acredito que seria mais ético recusar o convite do Palmeiras em respeito a Baptista. Afinal, o plano não era ficar mais tempo parado?


Como Crefisa, Cuca e vestiário viraram argumentos para queda de Baptista
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Além de querer aproveitar a chance de realizar uma mini-temporada com um novo treinador, como mostrou o UOL Esporte, a diretoria do Palmeiras foi pressionada por conselheiros a demitir Eduardo Baptista com argumentos que envolviam o clima no vestiário, a defesa do time, a Crefisa e Cuca.

Os críticos de Baptista bateram na tecla de que o treinador perdeu o controle do vestiário. Na visão deles, não era respeitado por parte dos jogadores como deveria e não conseguia manter a ordem. Por conta disso, alguns atletas não corriam por ele, na opinião desses conselheiros, de diferentes correntes.

A pressão contra Baptista também inclui contas sobre o número de gol tomados: dez nos últimos cinco jogos. O cálculo foi usado para dizer à direção que Baptista não conseguiu arrumar o setor defensivo.

José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e da FAM, também teve seu nome citado na avalanche de argumentos contra a permanência de Baptista. Conselheiros afirmaram aos dirigentes que temiam a irritação do patrocinador. Ele investiu pesado na formação do time, que não rendia o esperado. O descontentamento poderia gerar atrito com o empresário. Lamacchia tem boa relação e linha direta com o presidente do clube, Maurício Galiotte.

Para completar a tese favorável à saída de Baptista, conselheiros espalharam no clube que Cuca estaria disposto a retornar ao alviverde. Até o fato de ele manter amizade com os atletas que comandou no ano passado foi usado como sinal de interesse em voltar.

Membros do conselho não têm poder para definir troca de técnico. Mas manter bom relacionamento com a maioria deles é importante para o presidente ter paz ao administrar o clube.

Galiotte diz que time de Baptista oscilou muito e tem pressa por substituto


Pior paulista no Brasileirão-16, SPFC foi o que mais investiu em reforços
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Em 2016, o São Paulo foi o último colocado entre os times paulistas na classificação do Campeonato Brasileiro com o décimo lugar. A posição destoa da condição de clube do Estado que mais gastou com contratações no ano passado.

Os balanços das agremiações referentes a 2016 mostram a liderança são-paulina no quesito custos de reforços apesar de o tricolor ter receita superior apenas em relação ao Santos.

O time do Morumbi registrou em R$ 89.373.000 o custo com aquisições de direitos econômicos de oito atletas. Campeão brasileiro, o Palmeiras anotou em R$ 87.397.000 essa despesa. O gasto do vice-campeão Santos foi bem menor: R$ 44.575.000. Já o Corinthians, que terminou o brasileiro em sétimo, colocou em seu balanço que a o custo com contratações e vendas de jogadores foi de R$ 69.937.000.

“Não dá pra fazer essa conta (de quanto o clube gastou) sem olhar as receitas que tivemos. Não fizemos nenhuma loucura. Só contratamos quando tínhamos entrada de dinheiro correspondente para cobrir os gastos”, disse Adilson Alves Martins, diretor financeiro do São Paulo.

De fato, a receita operacional bruta (sem desconto de impostos e encargos) do departamento de futebol foi superior aos custos dos reforços. Ela atingiu R$ 337.213.000. O valor, no entanto, é inferior às arrecadações brutas obtidas na mesma modalidade por Corinthians (R$ 458.295.000) e Palmeiras (R$ 410.618.000). O futebol santista apresentou receita bruta de R$ 254.985.000.

O gasto são-paulino com contratações foi puxado pela compra do zagueiro Maicon junto ao Porto. Ele está registrado no balanço em R$ 43.675.000. Quase a metade do total investido em reforços. “Mas o Porto se comprometeu a comprar dois jogadores da nossa base (Inácio e Luizão) pagando 3 milhões de euros por 50% de cada um. Então, na prática, não temos que pagar R$ 43,6 milhões”, disse o diretor financeiro do clube. Como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, o São Paulo ainda precisa desembolsar cerca de R$ 15 milhões para quitar a compra do zagueiro.

Os direitos econômicos de Maicon foram comprados num momento crucial para o clube. O empréstimo dele vencia durante a disputa da Libertadores. Se a compra não fosse feita, o beque não poderia disputar as semifinais. Naquele momento, o jogador era tido como principal líder da equipe por torcida e dirigentes. Ele acabou expulso no primeiro jogo do mata-mata contra o Atlético Nacional (Colômbia). Na partida de volta, o São Paulo foi eliminado.

 


Briga no Uruguai testa presidente da FPF como defensor de clubes paulistas
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A briga entre jogadores e torcedores de Palmeiras e Peñarol no Uruguai se transformou em teste de confiança de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol, junto aos clubes paulistas.

Ele é membro do conselho da Conmebol e ganhou espaço na entidade desde que Marco Polo Del Nero deixou de viajar em decorrência de investigação feita pelo FBI sobre corrupção no futebol.

Reinaldo se “vendeu” para os cartolas de São Paulo como seu legítimo representante na confederação sul-americana. Por pelo menos duas vezes, Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos deixaram de se unir a movimento de outros clubes contra Conmebol, numa oportunidade, e CBF, em outra, para deixar suas solicitações nas mãos do dirigente.

O conselho do qual o presidente da FPF faz parte tem entre suas funções adotar medidas disciplinares contra  jogadores e técnicos que violem regulamentos do torneio. Porém, os julgamentos de Felipe Melo e de outros envolvidos na confusão estão a cargo do tribunal disciplinar, presidido pelo brasileiro Caio Cesar Vieira Rocha.

Em tese, as decisões do tribunal são técnicas e não políticas. Mas, Reinaldo pode fazer os argumentos palmeirenses serem ouvidos com atenção pela entidade, uma vez que se ofereceu como porta-voz dos clubes paulistas na confederação.

Apesar do caráter técnico do julgamento, tradicionalmente questões desse porte na Conmebol são acompanhadas de cuidados nos bastidores. Mauricio Galiotte, presidente palmeirense em início de mandato, naturalmente, não conhece os caminhos na confederação, o que aumenta a importância de Reinaldo para o Palmeiras. Será a prova de fogo para o voto de confiança pedido pelo presidente da FPF aos clubes em termos sul-americanos.