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Arquivo : Roberto de Andrade

Palmeiras vira exemplo para Corinthians ir à Justiça contra Odebrecht
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O Corinthians corre o risco de perder o prazo para reclamar da Odebrecht na Justiça por eventuais problemas em sua arena, segundo o conselheiro e advogado Heroi João Paulo Vicente, crítico da atual administração. O alerta à direção foi feito por ele em forma de cobrança num requerimento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger. No documento, ele indaga à diretoria por qual motivo o clube ainda não entrou com uma ação contra a construtora e pergunta qual o cronograma de ações da direção para resolver problemas no estádio e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos.

Para reforçar a necessidade de rapidez, Heroi cita o exemplo do Palmeiras, que acionou uma câmara de arbitragem e ganhou disputa pelas cadeiras de sua arena contra a construtora WTorre.

“… por infortúnio, largo lapso de tempo vem perpassando sem que qualquer postura judicial seja adotada para resguardo formal dos interesses do Sport Club Corinthians Paulista. Caso não seja essa a situação, queira por gentileza apontar quais medidas obstativas da prescrição e decadência (do prazo para reclamar na Justiça) foram adotadas. Atento à realidade contextualizada do desporto, lamentavelmente consta-se que a rival Sociedade Esportiva Palmeiras não hesitou em buscar solução aos conflitos de sua própria arena na seara adequada, já inclusive tendo obtido resultado favorável!”, escreveu Heroi, dirigindo-se ao presidente do conselho.

Ele também cita post publicado pelo blog sobre a entrega da auditoria relativa à engenharia e arquitetura da arena feita pelo escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva ter sido adiada em mais um mês.  O conselheiro pede para que o clube não espere pelo resultado do trabalho e busque na Justiça uma medida cautelar de produção de provas para comprovar se a Odebrecht não executou serviços previstos no contrato ou se existem obras que precisam ser refeitas. A construtora alega que cumpriu o contrato e que deixou de realizar trabalhos avaliados em cerca de R$ 40 milhões por causa de um estouro no orçamento.

“Como já exposto, há fundado receio de que os prazos de garantia por parte da construtora sejam expirados ou que não seja mais possível a propositura de uma eventual ação estimatória (para reclamar de defeitos) …”, afirma o conselheiro em outro trecho.

Ele não explica qual o prazo para a prescrição. De acordo com a legislação, varia dependendo do problema. Há casos em que vence um ano após a entrega efetiva do imóvel. Porém, enquanto a Odebrecht considera a obra completa e entregue, o Corinthians ainda não assinou o termo de aceite. O clube espera o resultado da auditoria para saber que atitude tomar.

Heroi pede para que o presidente do Conselho pergunte à direção e à diretoria jurídica qual o prazo final considerado para ajuizar eventuais ações indenizatórias, de abatimento de preço ou rescisão e por qual motivo ainda não foi proposta uma ação cautelar antecipatória com pedido de produção de provas e concessão de tutela de urgência contra a Odebrecht.

No requerimento ele também faz um protesto formal contra a diretoria, especialmente em relação ao presidente Roberto de Andrade, por não entregar uma série de documentos pedidos por conselheiros. O blog teve acesso a uma lista de pedidos feitos pelo opositor Romeu Tuma Júnior sem resposta. A não entrega de papéis solicitados por membros do conselho foi um dos argumentos usados para a tentativa frustrada de impeachment de Andrade. A assessoria de imprensa do dirigente não respondeu à pergunta feita pelo blog no último dia 3 sobre documentos requisitados por Tuma Júnior.

“Na verdade é totalmente impossível aferir qual a extensão dos direitos do clube que foram vulnerados, porque, conforme visto alhures, nenhum documento fora disponibilizado aos conselheiros solicitantes”, escreveu Heroi.

Procurado pelo blog, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano afirmou que encaminhará os pedidos do conselheiro para Andrade.


Lava Jato está entre obstáculos para Andrés controlar futebol corintiano
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O grupo Renovação e Transparência apoiou Roberto de Andrade contra o processo de impeachment sofrido pelo presidente, mas em troca quer voltar a ter participação nas decisões do futebol corintiano e em outras áreas. O argumento é o de que Andrade precisa deixar de ser centralizador e contar com a colaboração de conselheiros experientes.

 O caminho para isso seria a nomeação de dirigente escolhido por Andrés Sanchez, líder dessa ala, ou do próprio deputado federal para atuar na diretoria de futebol. O plano porém enfrenta obstáculos. O principal deles é o fato de Andrés ter sido citado em delação na Lava Jato como recebedor de dinheiro da Odebrecht para caixa dois de sua campanha a deputado federal, o que ele nega.

Colocá-lo na diretoria de futebol já seria difícil por causa de suas atribuições como membro da Câmara. Mas agora seria atrair para o clube um problema pessoal dele já que a delação não envolve a Arena Corinthians no suposto pagamento. Ou seja, numa entrevista para falar sobre o time, ele poderia ser questionado sobre a delação.

Se empossar Andrés ou alguém indicado por ele, Andrade dará munição para a oposição que entende ser prudente deixar o ex-presidente neutralizado até que se defina sua situação na Lava Jato.

Outra questão que dificulta a retomada de poder é o fato de que Andrés e seu grupo discordam da forma como o futebol é administrado. De cara, o gerente de futebol Alessandro seria afastado, pois é criticado internamente por Sanchez e alguns de seus principais colaboradores. Também seria incompatível a convivência com Flávio Adauto, outro alvo de críticas. Por sua vez o atual diretor de futebol dificilmente aceitaria ser “rainha da Inglaterra” para Andrés. Andrade acabaria forçado a afastar Adauto também, mas o presidente é avesso a mudanças radicais.

A queda do diretor de futebol geraria constrangimento com Paulo Garcia, próximo a Adauto e considerado no clube o mentor de sua indicação. O influente conselheiro ainda indicou para a secretaria geral Antônio Jorge Rachid Júnior, que foi um dos principais articuladores da vitória de Andrade contra o Impeachment. Assim, a saída de Flávio poderia soar como traição a quem colaborou com o presidente no momento mais difícil de sua gestão.

Por tudo isso, o caminho menos turbulento seria Roberto permitir que o grupo de Andrés colabore informalmente, sem ocupar cargo no departamento de futebol. Mesmo assim, teria que administrar divergências.


Por que não é esperada mudança radical de Andrade após vitória no conselho
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Para conseguir apoio contra o pedido de seu impeachment, Roberto de Andrade acenou com um “governo de coalizão” atraindo até alguns críticos ferrenhos. Vencida a batalha, o presidente do Corinthians ficou de colocar o plano em prática após o Carnaval.

Porém, não há esperança de mudança radical entre parte dos que aceitaram o argumento do cartola. A expectativa dos menos otimistas em relação à transformação do modo de o dirigente administrar o clube é de que ele relute em demitir diretores importantes para colocar no lugar quem o criticou recentemente. Para manter o acordo em pé, ele chamaria conselheiros experientes que têm discordado de sua gestão para colaborar informalmente. Sem cargo, eles auxiliariam os diretores em questões relevantes. Assim, Andrade cumpriria a promessa de ouvir todos que queiram ajudar o Corinthians, feita após afastar a ameaça de impeachment sem o trauma de afastar os diretores atuais.

Esse modelo teria como principal obstáculo juntar no mesmo barco gente que tem profundas divergências. Por exemplo, Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro, tem sua presença no departamento financeiro pedida por aliados de Andrés Sanchez. Só que ele e Emerson Piovezan, atual diretor, divergem em muitos pontos. Seria difícil, pelo menos em tese, entrarem em consenso.

Os próximos passos de Andrade serão decisivos para a nova batalha que ele enfrentará no conselho: a aprovação das contas de 2016, ainda sem data marcada para acontecer. O estatuto prevê que a reprovação delas é motivo para o impeachment do presidente.


Opositor afirma que vai à Justiça após impeachment de Andrade ser barrado
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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Romeu Tuma Júnior, conselheiro favorável ao impeachment de Roberto de Andrade, afirmou que vai entrar com uma ação na Justiça para anular a reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians que brecou o processo de destituição nesta segunda.

Ele alega que o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger, errou ao promover uma votação secreta sobre o mérito do processo de afastamento. Foram 183 votos contra a continuidade do processo e 81 a favor. Assim, o impeachment nem chegou a ser votado, com o caso sendo arquivado.

Para Tuma Júnior, no lugar da votação sobre a admissibilidade do processo, o conselho deveria ter deliberado sobre a convocação da reunião, decidindo se ela foi realizada de forma correta ou não e se o procedimento foi sem falhas na Comissão de Ética. Segundo ele, uma votação na base do senta ou levanta resolveria o assunto. Havendo a aprovação, então seria votado o impeachment.

“Houve um erro grave, e vamos para a Justiça. Tenho certeza que a sessão vai ser anulada”, disse Tuma Júnior.

A divergência acontece na interpretação do artigo 107 do estatuto. Em sua letra “e”, ele diz que “na sessão do Conselho Deliberativo especialmente convocada para decidir sobre o encaminhamento do pedido de destituição, proceder-se-á, primeiramente a deliberação dos motivos para a convocação”.

“O estatuto é claro. Quando fala que  será feita a deliberação dos motivos para a convocação, ele pede que eu explique os fatos que levaram ao pedido de afastamento para os conselheiros dizerem se há fundamento para o processo de impeachment. O entendimento foi de que não há”, disse Strenger ao blog.

Mantido na presidência, Andrade negou ter havido falha. “Nenhum temor, tudo lícito, nada de errado. Pode, até recorrer, não vejo no que. Não sou advogado e não entendo muito. Não fugiu nada do que o estatuto dizia que deveria ser feito”, declarou o presidente.

 


Conheça as suspeitas que envolvem o estacionamento da Arena Corinthians
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Cláusulas contratuais mais favoráveis à parceira do que ao clube e suspeitas de irregularidades na operação transformaram o contrato de gestão do estacionamento da Arena Corinthians numa metralhadora para conselheiros tentarem derrubar Roberto de Andrade. O afastamento será julgado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado terá que ser ratificado pelos sócios.

Os problemas vão além do fato de o presidente alvinegro ter assinado o contrato com a Omni com data anterior à sua posse. Esse fato foi visto pela comissão que julgou o pedido de destituição como insuficiente para tirar Andrade do trono, pois não teria sido provado que o episódio causou dano à imagem do Corinthians, como alegam membros do conselho.

A oposição, porém, sustenta que existem outros elementos que indicam prejuízo material ao clube, o que também daria motivo para o impeachment, além da alegada sonegação de informações por parte do dirigente aos conselheiros. O cartola nega ter cometidos falhas que permitam seu afastamento.

O estacionamento ganhou até um dossiê feito pelo conselheiro Romeu Tuma Júnior e seu grupo na tentativa de sustentar que Andrade assinou um contrato lesivo ao clube.

De cara, o fato de o Arena Fundo de Investimento Imobiliáro, responsável pelas contratações do estádio e do qual o Corinthians faz parte, ter contratado uma empresa que não tinha objeto social ligado à operação de estacionamentos é usado para indicar o prejuízo. O contrato, que desde a sexta retrasada o fundo tenta rescindir unilateralmente, prevê que a Omni fica com 30% da receita liquida obtida com o estacionamento durante os jogos.

A empresa contratou prestadores de serviço para fazer a operação, como admitiu Andrade em sua defesa por escrito no processo de impeachment. Quem discorda do acordo afirma que deveria ser contratada diretamente uma empresa para operar a área, como está sendo feito agora com a Indigo. Assim, haveria economia. O argumento é de que a contratação da Omni só beneficiou a intermediária.

Apenas no segundo semestre do ano passado a parceira corintiana criou outra empresa especializada em estacionamentos, mas ela ainda não começou a funcionar.

Nota Fiscal

O dossiê sobre o caso traz cópia de reclamação feita por torcedor junto à prefeitura por não ter recebido Nota Fiscal Paulistana ao comprar seu tíquete para o estacionamento em 5 de outubro do ano passado.  O caso está sendo analisado pela prefeitura.

Se não emitir Nota Fiscal Paulistana for mesmo praxe na arena, a dúvida passa a ser se a empresa recolhe corretamente o ISS (Imposto Sobre Serviços). O recolhimento dele está previsto no contrato, diminuindo a receita que fica com o Fundo. Ou seja, se não ocorrer o pagamento do imposto, o Corinthians, membro do fundo, tem prejuízo porque o valor do tributo é descontado da receita bruta, diminuindo o que sobra para a arena. Também há o temor de possíveis sanções ao clube.

O relatório feito por Tuma Júnior e seu grupo também traz documentos para mostrar que a Omni paga seus impostos pelo sistema Simples Nacional, válido para empresas que têm faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões. A questão aqui também é se a gestora do estacionamento recolhe corretamente seus tributos ou está pagando a menos. Vale lembrar que ela também fatura com Fiel Torcedor, além de outros contratos ligados ao Corinthians.

Seguro vencido?

Há ainda no dossiê cópia do tíquete do estacionamento fornecido no jogo contra o Santo André, o primeiro do Corinthians em casa neste Campeonato Paulista, com apólice de seguro vencida em 26 de agosto de 2016.

O blog procurou Marta Alves de Souza Cruz, sócia e diretora da Omni. Por mensagem de celular ela disse que houve um erro de gravação na data do seguro e que ele vale até 2017. A empresária, porém, não respondeu às perguntas sobre as outras supostas irregularidades.

Eterna?

Um dos pontos mais criticados do trato com a Omni é o fato de o acordo ter sido assinado por dez anos com opção por renovação por outros dez, invadindo a administração de futuros presidentes. Mas há outra controvérsia ligada ao prazo no contrato para locação da área em que funciona o estacionamento. A lei 8.245 diz que em aluguéis comerciais o inquilino tem direito à renovação pelo mesmo prazo do contrato anterior desde que o acordo seja por pelo menos cinco anos. Como foi firmado com a Omni compromisso de dez anos, em tese, caso o clube quisesse colocar outra empresa no local, como quer agora, seria praticamente impossível fazer a mudança sem alegar descumprimento contratual. A renovação nesses termos também impede que sejam cobradas luvas.

O novo contrato com a Indigo será por quatro anos. Assim, ela não terá direito à renovação.

Mistério

E quanto o estacionamento da arena gera de receita? A resposta é difícil de ser obtida porque os relatórios financeiros enviados pelo clube para Federação Paulista e CBF não trazem essa informação. Documento feito pela empresa que auditou o balanço da arena de 2015 também não cita as receitas arrecadadas com carros estacionados no estádio.

O número ainda ficou de fora de apresentação das metas da arena para 2016 ao Conselho Deliberativo do clube em março do ano passado.

Entre os pontos considerados lesivos ao Corinthians por conselheiros está a cláusula 1.2, na qual a Omni declara que os parâmetros de operação serão regulados diretamente com o clube, sem qualquer espécie de vínculo ou solidariedade entre Corinthians e fundo. Para conselheiros, esse item faz o alvinegro se responsabilizar sozinho por eventuais problemas.

Outros pontos polêmicos do acordo são o fato de só a Omni poder rescindir o compromisso sem falha da outra parte e a validade retroativa do contrato. Datado de janeiro de 2015, ele começou a valer na prática em 2014.

O blog enviou perguntas sobre o tema para as assessorias de imprensa do Corinthians que cuidam da arena e do presidente, mas nenhuma respondeu até a publicação deste post. Rodrigo Cavalcante, representante do fundo, também não atendeu ao blog.


Andrade acena com ‘governo de coalizão’ para escapar de impeachment
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Em busca de apoio contra o pedido de seu impeachment, Roberto de Andrade tem acenado por meio de colaboradores com um “governo de coalizão” caso permaneça no cargo. A proposta é aproximar da gestão não só aliados de Andrés Sanchez que se afastaram dele, mas também líderes da oposição. Os nomes mais influentes seriam convidados a participar da gestão.

O pedido de afastamento será votado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado ainda terá que ser ratificado pelos sócios.

Aproximadamente 200  dos cerca de 344 conselheiros do clube já foram abordados pela defesa do presidente corintiano em busca de apoio. O pedido vem geralmente acompanhado de uma promessa de mudança na maneira de o dirigente administrar o clube. A partir de terça-feira, caso vença no conselho, ele passaria a ouvir mais os membros do órgão. Líderes históricos teriam participação ativa em decisões estratégicas, como em relação à Arena Corinthians.

Conselheiros, principalmente do grupo Renovação e Transparência, capitaneado por Andrés Sanchez, se queixam de que o presidente não ouve conselhos antes de tomar decisões importantes e que se afastou do clube, pois costuma despachar na loja de carros na qual tem participação societária e trabalha.

Se o impeachment for aprovado também pelos sócios, André Luiz Oliveira, primeiro vice, assume com a obrigação de marcar nova eleição.

O afastamento é pedido porque o cartola teria prejudicado a imagem do clube ao assinar documentos com datas anteriores à sua eleição se tornando alvo de inquérito sobre crime de falsidade ideológica, além de ser acusado de se recusar a entregar documentos solicitados por conselheiros. O dirigente diz que houve um erro de datas sem dano ao Corinthians e nega a recusa em relação à papelada.

A comissão que analisou o pedido não recomenda o impeachment, mas pede uma advertência por escrito ao presidente.


Troca em estacionamento da arena gera novo problema para Roberto de Andrade
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A troca da Omni, empresa do Omnigroup, pela Indigo como responsável pelo estacionamento da arena Corinthians trouxe mais problemas para a diretoria comandada por Roberto de Andrade, alvo de um processo de impeachment.

Agora a dor de cabeça para a direção é que a troca foi feita sem que o Conselho Deliberativo fosse consultado. “Na última reunião (em 30 de janeiro), ficou estabelecido que contratos relevantes envolvendo a arena não poderiam ser feitos sem passar pelo conselho. Então, agora estou pedindo o distrato com a Omni e o contrato com a Indigo, se eles foram de fato feitos”, afirmou ao blog, Carlos Guilherme Strenger, presidente do conselho.

Como há uma comissão criada no conselho para discutir tudo que envolve a casa alvinegra, o conselheiro Romeu Tuma Júnior sugeriu que nenhum documento importante relativo a arena fosse assinado sem prévia autorização dos integrantes do órgão. A medida foi aprovada na presença de Andrade. “Se um contrato foi rescindido, e outro foi assinado, ele (presidente do clube) descumpriu duas vezes a decisão unânime do conselho”, afirmou Tuma Júnior.

O caso se torna mais sensível porque o contrato com a Omni é um dos atos de Andrade que embasam o pedido de impeachment. Ele foi assinado com uma data na qual o cartola ainda não era presidente. Além disso, o acordo era considerado lesivo ao clube por conselheiros. O dirigente alega que assinou a papelada depois de tomar posse e que houve apenas um erro na data.

Procurada, a assessoria de imprensa do Corinthians responsável pela arena afirmou que o “tema (mudança na operação do estacionamento) foi conduzido pelo Arena Fundo de Investimento (que tem Corinthians e uma das empresas da Odebrecht como cotistas)”. Ou seja, a iniciativa não teria partido de Andrade ou de sua diretoria.

Porém, no site da arena, quem deu declaração sobre a troca foi o presidente corintiano, não um representante do fundo. Ele deixou clara a participação do clube na formalização da nova parceria. “Pensamos sempre em proporcionar a melhor experiência aos torcedores que vem à Arena Corinthians, seja por um jogo ou simplesmente para visitação. Por isso, estamos muito satisfeitos em formalizar este acordo, que vem sendo discutido desde o ano passado”, disse o dirigente à página oficial.

Ao revelar que as conversas com a nova responsável pelo estacionamento acontecem desde 2016, Andrade joga um ponto de interrogação em sua defesa por escrito contra o impeachment, pedido no final do ano passado. Na peça, o presidente e seu advogado, Alberto Bussab, diretor jurídico alvinegro, defendem o contrato com o Omnigroup. Eles escreveram que a escolha da antiga parceira foi feita com a concordância dos cotistas do fundo em “razão da plataforma tecnológica já utilizada pela empresa na venda de ingressos e no controle de acesso aos jogos do SCCP, envolvendo inclusive o plano Fiel Torcedor, o que facilita a operação com a utilização da mesma plataforma pelos interessados em estacionar seus veículos”.

Apesar de esse argumento ter sido escrito recentemente, agora o presidente avalia, como disse ao site do estádio, que a nova parceria trará muitos benefícios aos torcedores que vão aos jogos de carro. E, pelo barulho feito pela mudança, muitos pedidos de explicação feitos por conselheiros à diretoria e acusações de desrespeito ao órgão.

 


Andrade quer sigilo de inquérito sobre suposta falsidade ideológica
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Suspeito de cometer crime de falsidade ideológica, Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, não quer que os dados do inquérito que o investiga sejam públicos.

No dia 25 de novembro de 2016, Daniel Leon Bialski, advogado do dirigente, pleiteou junto ao 52º Distrito Policial, sem sucesso na oportunidade, que fosse “decretado sigilo absoluto dos autos, restringindo-se o acesso apenas aos funcionários do poder público”.

Como justificativa para o requerimento, o advogado disse que seu cliente apresentaria documentos sigilosos. Na ocasião, ele explicou que o cartola não poderia prestar depoimento naquele dia por conta de compromissos profissionais.

 Em 12 de dezembro, Andrade compareceu à delegacia para prestar esclarecimentos sobre ter assinado a ata de uma assembleia do fundo que controla a Arena Corinthians e o contrato referente ao uso do estacionamento do estádio pelo Omnigroup com datas anteriores à sua eleição. Os documentos foram usados por conselheiros para pedir o impeachment do presidente, que será votado no próximo dia 20. Se o afastamento for aprovado, ainda terá que passar pelo crivo dos sócios.

Na delegacia, o dirigente disse não ter participado das tratativas para a assinatura do contrato do estacionamento, que é considerado lesivo pelos defensores do impeachment. Os supostos danos dariam respaldo ao afastamento. O acordo foi rescindido na última sexta-feira.

Ex-presidente

Andrade disse que as tratativas para a assinatura dos dois documentos foram feitas na gestão de seu antecessor, Mário Gobbi e que ele apenas assinou os papéis. Gobbi também prestou depoimento, mas no inquérito não há registro de resposta dele sobre esses episódios. Na transcrição do depoimento do ex-presidente e que é delegado está apenas que ele confirma ser dele a assinatura num dos contratos entre Corinthians e Caixa.

Roberto confirmou também a versão que já havia dado no clube de que apesar de assinar uma ata que fala em assembleia presencial não houve reunião. O dirigente sustenta ser uma prática normal e permitida em fundos.

O cartola também afirmou que quando percebeu o erro das dadas foi deliberada a correção entre as partes e que ela estava em fase de execução no dia de seu depoimento.

No dia 21 de novembro, Sérgio Luiz Verardi Dias, advogado do BRL Trust, que cuida do fundo ligado à arena, também prestou depoimento e afirmou que a reunião não aconteceu, pois seus temas foram discutidos antes pelos interessados e a ata da assembleia é a celebração da vontade das partes. Ele declarou que o documento foi encaminhado para os envolvidos assinarem em janeiro, quando Gobbi era o presidente corintiano. Mas houve demora no recolhimento das assinaturas e Andrade acabou assumindo o cargo. Disse ainda que por um lapso do clube ficou no documento a data de 5 de fevereiro de 2015, anterior à eleição de Andrade.

Ele também afirmou que em outubro de 2015 foi alertado por auditores que auditavam o fundo do erro na data e que acionou advogados do Corinthians mas que até a divulgação do fato pela imprensa (a Revista Época revelou o caso) “não foi elaborada nenhuma ata retificadora” e que “providências poderiam ser adotadas pelo clube e/ou pelo fundo, porém até o presente momento” não foram.

Contradição

Nesse ponto há uma contradição, pois na defesa de Andrade na Comissão de Ética do conselho foi anexada a ata de reunião do fundo realizada em 10 de novembro, antes do depoimento do advogado à polícia, para retificar a data da assembleia. O blog não localizou Dias para falar sobre o assunto.

Num dos momentos mais tensos do depoimento do representante do fundo à comissão de ética, ele não soube dizer quem votou à distância pelo clube na assembleia: Gobbi ou Andrade.


Nove cartolas explicam a crise administrativa do Corinthians
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Processo de impeachment contra o presidente do clube, Roberto de Andrade. Constantes atrasos nos pagamentos dos jogadores. Dificuldade para pagar a dívida pela construção de seu estádio. Orçamento de 2017 que ainda não foi aprovado. Falhas chamativas nas tentativas de contratar Drogba e Pottker. E ainda a quase escalação de Moisés, suspenso, na vitória por 1 a 0 contra a Caldense, pela Copa do Brasil, nesta quarta (8). Por que o Corinthians tem enfrentado tantas dificuldades administrativas, principalmente de origem financeira e política?

Em busca dessa resposta e também das sugestões para colocar ordem na casa, o blog ouviu nove cartolas corintianos, entre membro da atual diretoria, ex-dirigentes do mesmo grupo que está no poder e conselheiros experientes. Caos na arena, presidente ausente, interesses pessoais em primeiro lugar, sócios ocultos nos lucros do clube, gastos descontrolados, falta de transparência e um modelo de gestão baseado no toma lá, dá cá foram algumas das explicações para o conturbado momento corintiano.

Todos os entrevistados responderam a três perguntas iguais, antes da descoberta pelo clube da suspensāo de Moisés. As questões também foram enviadas à assessoria de imprensa do presidente do clube, que não enviou resposta até a publicação do post.

Abaixo, em ordem alfabética, a resposta de cada cartola.

André Luiz Oliveira, primeiro vice-presidente.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Política: este ano é de tensão pré-eleitoral, isso é normal. Financeira: o mundo passa por dificuldades, e o clube também. Muitas empresas deixaram de investir, e as dificuldades pegaram também o maior gigante, kkkk”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“O principal problema é que nosso grupo parou de fazer política, e isso ajudou a piorar a situação!”

3 – Qual a solução?

“Ter calma, aceitar que estamos em dificuldade e fazer só o que for melhor para o clube, sem loucuras!”.

Antônio Roque Citadini, candidato à presidência do clube em 2015, quando Andrade foi eleito.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A crise financeira não é recente. Desde que iniciou a gestão do atual grupo dirigente (Renovação e Transparência, liderado por Andrés Sanchez) optou-se por gastar em todas as áreas. Quando assumiram havia R$ 19 milhões em caixa e dívidas renegociadas. Os gastos no futebol, especialmente na base, foram descontrolados, além de alguns negócios ruins (caso de Alexandre Pato). O período pré-Copa, de grande aumento das receitas, escamoteou o crescimento das dívidas. Com a crise econômica de agora, o quadro apareceu”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“São dois problemas claros: o descontrole orçamentário com gastos por todo lado e o estádio em situação de caos”.

3 – Qual a solução?

“No clube é adotar uma política de gasto na altura das receitas. Sem isso vamos pro buraco. No estádio é renegociar tudo mas, neste caso, o atual grupo dirigente não tem a menor condição. Está há meses paralisado, sem conseguir qualquer iniciativa para solucionar o problema”.

Eduardo Ferreira, foi diretor de futebol na atual gestão, mas pediu demissão.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Na minha visão é devido à falta de presença no dia a dia e de liderança política do Roberto (de Andrade), estranhamente, uma pessoa que mudou muito nos últimos tempos”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Muitos grupos políticos querendo e pensando só no poder, deixando para trás o Corinthians. Estão pensando apenas em projetos pessoais, sem se preocuparem com os efeitos colaterais que estão causando”.

3 – Qual a solução?

“União entre as pessoas, entre todos os lados e que na próxima eleição apareça um nome forte para assumir o clube. E que esse nome de consenso tenha dedicação para conduzir o Corinthians”.

Fran Papaiordanou, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Por causa do desgaste administrativo e político do grupo Renovação e Transparência, que está no poder há dez anos”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Os principais são os problemas financeiros, os problemas do estádio e a falta de credibilidade dos dirigentes que estão no comando”.

3 – Qual a solução?

“Uma mudança radical na parte diretiva do clube, uma modernização na área administrativa. Por melhor que seja a próxima administração, ela vai levar alguns anos para reorganizar o Corinthians financeiramente”.

Paulo Garcia, ex-candidato à presidência.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Temos que acabar com isso, sentar, discutir os pontos em comum, negociar os pontos divergentes e trabalhar pelo clube.”

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“Precisamos de união. Se nos unirmos rapidamente, passamos esse momento complicado. Ninguém tem a força que nossa torcida tem. Temos que estar comprometidos só com o Corinthians”.

3 – Qual a solução?

“É a união. Temos que estar juntos agora, alinhar os principais assuntos do clube, trabalhar para resolver os problemas mais imediatos. Todas as forças do clube devem ser convergentes.”

Raul Corrêa da Silva, diretor financeiro nas gestões de Andrés Sanchez e Mário Gobbi.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Fez (e continua fazendo) grande investimento em atletas nos últimos anos em meio a uma crise política e econômica do país. (O Corinthians) se comunica mal. Os poucos diretores que falam para a imprensa querem falar sobre todas as áreas, não rebatem as críticas e nem divulgam as vitórias, que são muitas”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“A gestão. Não foi dada continuidade a um trabalho de transparência, profissionalismo e meritocracia. A diretoria precisa ter tempo para se dedicar ao clube, além de ter competentes gerentes remunerados”.

3 – Qual a solução?

“Parar de fazer investimentos, ter uma diretoria cujos membros, individualmente, teriam condições de serem presidentes, reimplantar fluxo de caixa, eliminar de imediato os boatos que apareçam e ter transparência com a Fiel e demais stakeholders (partes interessadas) para resgate da credibilidade”.

Romeu Tuma Júnior, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“Por ter adotado um modelo de gestão calcado no compadrio, no toma lá, dá cá, sem qualquer responsabilidade administrativa e financeira. Isso gerou o descontrole financeiro, graves irregularidades e em consequência a crise política”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“A falta de compromisso com a legalidade e com um modelo de gestão que priorize os interesses do clube em detrimento de interesses políticos e pessoais”.

3 – Qual a solução?

“Mudar radicalmente não só as pessoas que comandam o Corinthians, mas principalmente o sistema que impera há anos. Esse modelo onde não há qualquer compromisso com as leis, com procedimentos éticos e morais, em que não há planejamento estratégico, e principalmente em que os programas apresentados em campanha viram peças publicitárias, de museu. Ou seja, são esquecidas logo após o resultado das urnas. Criar uma diretoria de controle, compliance e transparência para ditar e controlar procedimentos, além, é claro, de instituir uma gestão descentralizada com a participação de sócios que se identifiquem com as especificidades das áreas, não com oportunistas.”

Rubens Gomes, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A grave crise financeira acontece devido aos desmandos de um presidente que vem obedecendo a um ex-presidente, gestão por gestão.  Cada presidente que assume fala que pegou o clube na UTI. Mário Gobbi e Roberto de Andrade falaram isso. Só que eles se esquecem que fazem parte da mesma gestão e que ocuparam o mesmo cargo (diretor de futebol). Todos eles gastaram dinheiro com contratações e comissões de empresários. Em 2016, o Corinthians recebeu (cerca de) R$ 140 milhões com vendas de jogadores e ficou com (aproximadamente) R$ 70 milhões. Então, o Corinthians tem um sócio, precisamos achar esse sócio. Cada um com 50% do que entrou com a venda de jogadores. A despesa fica só com o Corinthians.

A crise política acontece porque quem saiu da cadeira continua querendo dar ordens no clube. No caso, o ex-presidente Andrés Sanchez. Ele deu ordem pro Mário Gobbi e pro Roberto. Gobbi não fala mais com Andrés, e o Roberto está indo pro mesmo caminho. Então, ele sai do poder e quer continuar mandando. Se não fosse ele, nenhum dos dois teria sido eleito. O clube não tem dinheiro, não consegue fazer o que ele (Andrés) pede, e entra em crise política porque ele fica o tempo inteiro ameaçando o presidente (Nota: Andrés não foi ouvido porque não fala com o blog). É aquele caso de, se você não deixar eu jogar, levo a bola pra casa”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“É que cada um que senta na cadeira esquece que faz parte do mesmo grupo político, da mesma gestão, e diz que o clube está quebrado. Eles estão há muitos anos no poder. De Renovação e Transparência não tem nada”.

3 – Qual a solução?

“É estancar essa sangria que vem em abundância. Trazer o clube de volta para o Corinthians, pois, na verdade, o Corinthians está cheio de sócios que não conhecemos. Eles dividem o lucro e o clube fica com as despesas. Precisamos fechar essa torneira, fazer uma administração equilibrada, trazer as categorias de base 100% pro Corinthians, porque é aí que o clube vai ter lucro e parar de pagar comissões astronômicas. Daí vamos parar de ver toda hora o clube ameaçado por empresário de tirar jogador”.

Tomas Lico Martins, conselheiro.

1 – Na sua opinião, por que o Corinthians enfrenta graves crises financeira e política?

“A atual gestão convive com vícios administrativos decorrentes do longo período em que este grupo político está no poder. Entenda por vícios administrativos erros, incompetência e desonestidade”.

2 – Qual o principal problema do Corinthians hoje?

“O principal problema é a reformulação da gestão, tornando-a mais independente dos movimentos políticos internos”.

3 – Qual a solução?

“A gestão deve seguir o exemplo das grandes empresas da iniciativa privada: seleção de executivos no mercado, com comprovação de capacidade e experiência, e assessoria de empresas especializadas em reengenharia e aperfeiçoamento de gestão”.

 


Como parecer contra afastamento de Andrade é usado a favor do impeachment
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Perrone

Apesar de o parecer da Comissão de Ética que analisou o pedido de impeachment de Roberto de Andrade ser contrário ao afastamento do presidente do Corinthians, defensores da destituição enxergam na peça brechas e falhas que podem fortalecer a tese de que o cartola deve cair. Esses pontos passam a fazer parte do material usado na campanha por votos a favor da retirada dele do cargo, em reunião do Conselho Deliberativo no próximo dia 20.

Um dos aspectos alegados é o de que o estatuto corintiano não confere à comissão o poder de aplicar punição alternativa ao impeachment. Ela deve dizer se recomenda ou não o afastamento. Porém a decisão foi de pedir que o dirigente seja punido com advertência por escrito baseando-se em artigo do estatuto que prevê essa pena para sócios.

Por essa linha de raciocínio, a comissão deveria indicar o impeachment porque admite o erro do presidente ao assinar a ata de uma assembleia do fundo que a administra o estádio corintiano e o contrato de locação do estacionamento da arena em papéis com datas anteriores à sua posse.

 A falha do dirigente é admitida em vários trechos do parecer, como no item 86. Nele está escrito: “Reconhecido pelos signatários (membros da comissão) o erro do presidente da diretoria, não fraude, cabe avaliar se essa falta autoriza a imposição da pena de destituição do cargo”. O entendimento foi de que o afastamento seria uma pena desproporcional à falha cometida e que a advertência estaria de bom tamanho.

Para a comissão, a assinatura de Andrade com data anterior à sua posse não teve a intenção de burlar algo e nem trouxe vantagem para alguém e prejuízo ao clube. Assim, entende que não houve fraude, ao contrário do que alega o pedido de impeachment feito por conselheiros. Eles acusam o presidente de praticar crime de falsidade ideológica, e a divulgação deste ato pela imprensa teria trazido prejuízo à imagem do Corinthians, justificando o pedido de afastamento.

Para os apoiadores do impeachment, o fato de o parecer citar diversas vezes que Andrade cometeu erro reforça a convicção de que ele deve ser afasto. O item 90, por exemplo, classifica o gesto do presidente de “falta de atenção e zelo”, falhas consideradas graves por seus críticos e consideradas por eles passíveis de punição com a destituição.

“Existe uma contradição muito grande no parecer. A comissão diz que não há motivo para impeachment, mas usa 27 páginas para justificar a dosimetria (o cálculo da pena). Eles apontaram a irregularidade, mas não tiveram coragem para punir. Então, inventaram uma advertência por escrito”, afirmou o conselheiro Romeu Tuma Júnior, responsável por uma representação que resultou em inquérito na polícia civil sobre a suposta falsidade ideológica cometida por Andrade.

Ele também discorda de que não houve prejuízo ao clube. Sustenta o dano com o contrato para locação do estacionamento da arena com o Omnigoup. O documento é considerado leonino para o clube por conselheiros já que tem cláusulas que só favorecem a parceira. A empresa pode, por exemplo, rescindir o compromisso sem pagamento de multa e nem falha cometida pelo fundo que administra a arena. O fundo não tem o mesmo direito.

“Houve prejuízo para o Corinthians com esse contrato. Ou seja, o pedido de impeachment não é político, é técnico. Político foi o parecer da comissão”, disse Tuma.

A Comissão de Ética também é criticada por ter desmarcado audiência para ouvir depoimento de Andrade, que só se defendeu por escrito. Ela teria falhado por não insistir na busca da verdade questionando o presidente.

Procurado pelo blog, Sérgio Alvarenga, presidente da comissão, afirmou que as decisões de não ouvir o presidente e de recomendar a advertência foram abordadas no parecer. “A opinião da comissão já foi ofertada por escrito”, declarou.

No parecer, a comissão diz que Andrade abriu mão de seu depoimento por preferir dar seus esclarecimentos a todos os conselheiros no dia da reunião sobre o impeachment.

Para o afastamento ser aprovado é necessária a maioria dos votos dos conselheiros presentes. Em caso de aprovação, o impeachment precisa ser ratificado pelos sócios, o que dá margem para outro argumento dos que querem a saída de Andrade. O parecer afirma que a falta praticada por Andrade não tem a gravidade necessária para que a vontade do associado que o escolheu como presidente seja relegada ao segundo plano. Os defensores da destituição dizem, então, que é justo conhecer a vontade dos sócios sobre o assunto.