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Opinião: antes de pensar em tirar Loss, Andrés precisa mudar seus métodos
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Natural que os maus resultados e a fragilidade demonstrada pelo Corinthians na derrota por 3 a 1 para o São Paulo neste sábado (21) deixem Osmar Loss ameaçado.

Porém, há dirigentes com mais tempo que ele em seus cargos apresentando desempenho insatisfatório. Antes de analisar se demite o treinador, Andrés Sanchez precisa cobrar seus diretores e pensar seriamente em trocas.

Como manter um diretor de futebol que não consegue evitar desmanches na comissão técnica e no elenco, não é capaz de planejar a reposição das perdas e traz reforços discutíveis, como Danilo Avelar, Roger e Jonathas?

Loss erra de maneira juvenil ao insistir em escalar Marquinhos Gabriel e com Pedrinho fora do time. Mas falha também a diretoria por ainda manter Marquinhos.

Como defender um diretor de futebol que renova o contrato de Balbuena aceitando uma multa de cerca de R$ 18 milhões? E que perde seu melhor jogador (Rodriguinho) para o Egito em troca de R$ 15 milhões para o clube?

Por tudo isso, Duílio Monteiro Alves deveria estar mais ameaçado do que Loss. Mas não está porque Andrés comanda diretamente o futebol. Todos esses equívocos têm suas digitais. Não há como substituir o presidente neste caso, mas se agisse com profissionalismo, Sanchez pelo menos cogitaria se afastar do futebol para tentar interromper a desastrosa gestão.

O departamento de marketing também precisa ser avaliado. O fato de a equipe não conseguir patrocinador principal atrapalha financeiramente e prejudica o clube no momento de tentar segurar jogadores. A falta de solução para os naming rights da Arena Corinthians também sufoca o alvinegro financeiramente. Luís Paulo Rosenberg precisa ser cobrado.

Para esse choque de gestão acontecer, o presidente corintiano deve mudar seu comportamento. Tem que abandonar a arrogância que o faz pintar o Corinthians como maior do mundo e acreditar que ele é ele também é o melhor cartola de todos os tempos, um cara que tudo pode. O conformismo a cada oferta que aparece para seus jogadores também precisa mudar. Vale lembrar que Flávio Adauto, ex-comandante do futebol corintiano, resistiu às propostas e cumpriu a promessa de manter Arana até o fim do ano passado. Provou que não é impossível, como faz parecer o deputado federal.

Também é necessário que o presidente comece a se recusar a assinar contratos desequilibrados, mais favoráveis a empresários, jogadores e outros parceiros do que ao clube.

Ou Andrés revê conceitos, muda seus métodos e promove uma radical transformação na maneira de atuar de sua diretoria ou a Fiel está fada a sofrer em 2018 muito mais do que por apanhar do São Paulo.

 


CT do time de Vampeta ganha ‘praia artificial’ e porcos ‘palmeirenses’
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Imitação de praia no CT do Audax Fotos: Ricardo Perrone/UOL

Primeiro passe pelo trenzinho na entrada. Caminhe até passar pelos vestiários e as arquibancadas. Vire à direita e dê de cara com uma praia artificial (sem mar) atrás do campo de futebol. Não pise na areia se estiver calçado para não levar bronca. Use a passarela com piso semelhante ao usado em Copacabana, no Rio. Vá reto até encontrar vacas, aves e porcos instalados numa área com a bandeira do Palmeiras.

A paisagem excêntrica descrita acima é obra do ricaço Mário Teixeira no local de treinamentos do Audax, rebaixado em 2018 para a Série A-3 do Campeonato Paulista e presidido pelo ex-volante Vampeta.

Segundo o empresário, o cenário exótico faz parte de um projeto para abrir as portas do centro de treinamento para escolas municipais. ''As crianças vão pegar o trenzinho, conhecer a fazendinha, ver os animais, tomar um lanche com pão e todos produtos feitos aqui'', conta o dono do Audax.

O local ainda vai receber mais animais, vindos de uma de suas propriedades ou comprados especialmente para ficar na área ao lado de um dos campos de treinamento da equipe. Ele espera receber os alunos municipais já no final das atuais férias escolares. Os trâmites oficiais estão sendo finalizados com a prefeitura de Osasco, que concede a temporariamente a área para o clube, fundado por outro magnata, Abílio Diniz.

''Os porcos ficam onde está a bandeira do Palmeiras. As galinhas onde fica a bandeira do Guarani. Os peixes com a do Santos. Mas o que eu queria não vai dar pra trazer, uns bambis, são muito grandes'', conta seu Mário com um sorriso traquina no rosto. Apesar de ser o proprietário da equipe de Osasco, ele nunca escondeu sua torcida pela Ponte Preta, o que explica a associação do galinheiro com o Bugre adotando uma provocação feita pelos torcedores da Macaca ao rival.

Área para porcos no CT com bandeira do Palmeiras

Além da fazendinha, o pedaço de areia com coqueiros recentemente plantados, carrinho de água de coco, cadeiras de praia e passarelas que lembram as calçadas de Copacabana são xodós do empresário.

''Não pisem de sapato na areia, senão o seu Mário me mata. Ele fala que a areia é higienizada e pode passar bactérias'', disse um funcionário do clube ao grupo de jornalistas que aguardava a chegada de Ederson, goleiro da seleção e do Manchester City ao local na última sexta (20).

''Areia é para pisar descalço e recarregar as energias. Não pode ter sujeira. Já que tem a passarela é para usar'', diz o empresário. Ele afirma que a praia artificial foi construída para tornar o ambiente mais agradável para os jogadores que moram nos alojamentos do clube dentro do complexo. Uma nova ala está sendo construída.

Gado ao lado de campo de treinos do Audax

Mas seu Mário também tem planos de abrir sua ''praia'' para a população. ''Estamos terminando um palco (na areia). Quando os jogadores não estiverem aqui, vamos fazer shows e colocar food truck'', contou.

Deu pra visualizar o que o empresário falava mais tarde, depois de encerrada a pelada de Ederson com seus amigos. Uma enorme peça de costela assada por horas era servida aos convidados enquanto Vampeta se divertida numa tenda com uma roda de pagode. O ambiente descontraído lembrava mais uma praia do que um centro de treinamento.


Choro e silêncio: ‘Não consegui consolar ninguém’ diz Ederson sobre Copa
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A tristeza no vestiário da seleção brasileira após a queda do Brasil nas quartas-de-final da Copa da Rússia diante da bélgica marcou Ederson, goleiro do Manchester City e reserva de Tite no Mundial. Depois de uma pelada com amigos no local em que o Audax treina, em Osasco, ele falou com o blog também sobre o colega Gabriel Jesus e o retorno triunfal de Cássio após a Copa do Mundo.

Blog do Perrone- Você consegue descrever como foi o vestiário da seleção depois da eliminação diante da Bélgica? Teve mais silêncio ou choro?

Ederson – Silêncio, choro. É difícil ser eliminado de uma Copa do Mundo. Então, todos nós sentimos, foi momento de silêncio total. É difícil você procurar consolo ou consolar um amigo nessa hora.

Blog – Conseguiu consolar alguém?

Ederson – Não consegui. Não tem palavra que conforte alguém numa eliminação de Copa do Mundo, um campeonato que acontece a cada quatro anos.

Blog – O que mais te marcou naquele vestiário?

Ederson – A tristeza dos meus companheiros, mas temos que procurar levantar a cabeça.

Blog – Os três goleiros da seleção na Rússia cobravam pênaltis nos treinos, e você continua cobrando nos treinamentos que tem feito durante as férias. Vai virar cobrador?

Ederson – A gente estava se preprapando para se tivesse cobrança de penaltis na Copa, era para todos estarem preparados para bater. Acho que foi importante. Mas não é coisa que projeto pra mim. Continuo treinando, mas como brincadeira. Deixo as cobranças para meus companheiros.

Blog –  Viu as defesas do Cássio no jogo do Corinthians contra o Botafogo? Ficou surpreso como ele voltou em alto nível depois de ficar todo esse tempo na seleção sem jogar?

Ederson – Vi as defesas, ele foi muito bem, mas não surpreendeu. Goleiro de alto nível fica um mês sem jogar e não sente muito. Ele chegou muito bem no Corinthians e ajudou o time dele a vencer com defesas espetaculares.

Blog – Como são seus treinos nas férias antes de voltar para o Manchester City?

Ederson – Estou treinando pra manter o ritmo. Não vou fazer a pré-temporada com eles, vou chegar quase no início da temporada. Estou treinando entre uma hora e meia e duas horas por dia, bem cedo, lá pelas 7h30, quando o sol tá pensando em acordar ainda pra aproveitar a família e os amigos.

Blog – Conversou com Gabriel Jesus, seu companheiro de time na Inglaterra, sobre as críticas que ele sofreu por causa da atuação na Copa?

Ederson – Conversei, mas não sobre Copa. Acho que tá no momento dele de descansar, tentar esquecer um pouco isso. Ele é um garoto novo, mas tem experiência de seleção. Começou na seleção muito bem, se não me falha a memória é o artilheiro na era Tite. Ele foi infeliz, só faltou fazer o gol, se olhar o trabalho todo dele foi muito bom, o posicionamento dele. Mas como não fez o gol todo mundo critica. Acho que se o Brasil fosse campeão, ninguém criticaria o Gabriel.


Fagner e Pedrinho estão entre os que o Corinthians corre risco de perder
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Depois de o Corinthians vencer o Botafogo-RJ por 2 a 0, na última quarta (18), Andrés Sanchez afirmou que não poderá impedir mais jogadores que queiram deixar o clube na atual janela de transferência europeia. A afirmação reflete o sentimento da diretoria de que outros atletas podem sair, como aconteceu recentemente com o paraguaio Balbuena, agora zagueiro do West Ham, da Inglaterra.

O alvinegro corre o risco de perder pelo menos mais dois atletas: Fagner e Pedrinho. Ambos têm sido alvo de sondagens de agremiações do exterior.

Um dos que estão de olho no lateral-direito da seleção brasileira é o Napoli. Nos bastidores, a cartolagem alvinegra admite que há mais de uma sondagem sobre o atleta que terminou a Copa da Rússia como titular de Tite.

Por sua vez, Pedrinho fez o Ajax se movimentar. Giuliano Bertolucci, um dos agentes mais influentes na Europa e amigo do presidente corintiano, foi o responsável por fazer a sondagem. A informação foi dada inicialmente pelo Globoesporte.com. Conforme o blog apurou, o agente acenou com 20 milhões de euros (cerca de R$ 90,1 milhões) a serem pagos pelos holandeses. O Corinthians respondeu que só libera o meia-atacante pelo valor da multa rescisória, que é de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 225,3 milhões).

Apesar da negativa, pessoa próxima ao jogador afirma existir a possibilidade de o time europeu reabrir a conversa, mas ainda com valor inferior à multa.

O Ajax não foi o primeiro a manifestar interesse em Pedrinho. No mês passado, a Udinese sondou o estafe do jogador. Até agora, porém, a equipe italiana não reapareceu para fazer uma proposta.

O Corinthians possui 70% dos direitos econômicos do meia-atacante. A fatia restante pertence a empresa do agente do jogador, Will Dantas.


Pedidos de impeachment de Peres pressionam ex-presidente do Santos
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Por tabela, os pedidos de impeachment do presidente do Santos, José Carlos Peres, pressionam o ex-mandatário do clube Marcelo Teixeira. Hoje na presidência do Conselho Deliberativo, ele é cobrado por pelo menos parte dos membros do órgão para dar celeridade ao processo. A justificativa é de que enquanto o caso não for resolvido o clube será prejudicado porque a diretoria terá que se dividir entre gerir a agremiação e se defender. Há o receio de que o departamento de futebol seja afetado.

Dois requerimentos que pedem o afastamento já foram apreciados pela comissão de inquérito e sindicância e entregues à mesa diretora do conselho, que agora deve marcar uma reunião extraordinária para que os pareceres sejam votados pelos conselheiros. Uma reunião ordinária está prevista para o dia 14 de agosto. Nela não serão votados os pareceres sobre o impeachment. O fato de ainda não existir previsão sobre quando acontecerá o encontro específico para discutir o futuro de Peres, gera a pressão de sobre Teixeira.

''São centenas de conselheiros, todos falam disso o tempo inteiro. A demora para resolver isso atrapalha a vida do clube. Ele (Teixeira) tem que tratar isso da maneira mais célere possível, adiar o que é ordinário e resolver essa questão prioritariamente. Não sei qual é a posição dele, mas acredito que vai ser isenta. E ser célere é ter isenção nesse caso'', disse o conselheiro Esmeraldo Soares Taquínio de Campos Neto. Ele é autor de um dos pedidos de impeachment.

O presidente do conselho confirmou que os pareceres sobre os requerimentos relativos ao possível afastamento foram recebidos pela direção do conselho e que não há previsão de quando haverá encontro do órgão para tratar do tema. Ele não disse se ambos são favoráveis à destituição do presidente, como asseguram conselheiros alvinegros.

''Ainda não analisamos (o segundo parecer), foi protocolado após a reunião da mesa (diretora). Não há previsão de pauta para o Conselho Deliberativo já que estão definidos os assuntos prioritários para a próxima reunião, que será no dia 14 de agosto'', disse Teixeira ao blog.

Para Tarquínio, mesmo sem estar na pauta, o tema do afastamento de Peres vai dominar a reunião ordinária. ''O que você acha que vão falar quando chegar a hora dos assuntos de interesse geral do clube? Vão falar do impeachment, eu vou falar, todo mundo vai falar. Atrasar essa discussão não vai diminuir a fervura, isso vai é jogar álcool no carvão'', disse o conselheiro. Ele presidiu o conselho entre 2000 e 2001, quando Teixeira ocupava o cargo máximo do clube.

Por sua vez, Teixeira argumenta que está seguindo os trâmites regulares. ''Nossos procedimentos são coerentes e seguem um rito normal. Para você organizar uma reunião do Conselho Deliberativo deve ter antecedência. As pautas já estão definidas, inclusive com assuntos prioritários, como o novo parecer do balanço de 2017. Não funcionará pressão porque somos imparciais e não queremos privilegiar ninguém, a não ser os interesses do clube e as bases estatutárias'', declarou o ex-presidente santista.

As normas estatutárias do Santos não estipulam um prazo para ele marcar a sessão após receber os pareceres. As recomendações da comissão serão votadas pelos conselheiros, mas o afastamento de Peres ainda teria que passar pelo voto dos associados.

No pedido de impeachment que encabeçou, Tarquínio alega, principalmente, que Peres feriu o estatuto por ter assumido a presidência do clube e de seu Comitê de Gestão enquanto era sócio da Saga Talent Sports & Marketing, empresa criada para, entre outras atividades, gerir a carreira de jogadores e intermediar negociações de atletas. As regras estatutárias do Santos vetam que membros do comitê sejam sócios de empresas que atuem com jogadores.

Peres nega que tenha cometido irregularidades. Ele sustenta que a Saga Talent, apesar de aberta até o blog revelar a participação do dirigente nela, não exercia atividades.

Outro pedido de impeachment elaborado pelo conselheiro Alexandre Santos e  Silva também cita a ligação com a empresa de marketing esportivo como suposta irregularidade cometida por Peres.

 


Palmeiras descarta conversar com Dudu sobre felicidade
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A recente postagem de Dudu em rede social dando margem para a interpretação de que ele está infeliz por não ter sido vendido para a China causou revolta entre parte dos torcedores, mas será ignorada pela diretoria do Palmeiras.

A direção alviverde descarta chamar o jogador para conversar sobre o assunto. Procurar saber se ele de fato está infeliz, explicar a importância de jogar em alto nível ou até mesmo mostrar descontentamento com o post, modificado na sequência, são  temas que não estão na pauta da diretoria. Um aumento para o atacante com o objetivo de compensar a oferta rejeitada também está fora de cogitação.

Na análise da direção a proposta chinesa por Dudu faz parte do passado (a janela de transferências para o país asiático está encerrada) e não faz sentido conversar com um atleta para pedir que ele dê o seu melhor. É obrigação de todo jogador e pronto.

''Feliz ou não, é a lei da vida. Seguir em frente com a cabeça erguida. Superando tudo o que está por vir'', escreveu o camisa 7. Minutos depois, ele apagou a parte da mensagem que tratava sobre felicidade.

O Shandong Luneng acenou para Dudu com R$ 2 milhões por mês e luvas de aproximadamente R$ 30 milhões por um contrato de quatro anos. Imediatamente, o Palmeiras avisou Dudu que não aceitaria a proposta, pois em janeiro planejou sua permanência pelo menos até o final de 2018.

Se Dudu ficou infeliz com o desfecho da investida chinesa, o sentimento da diretoria palmeirense foi inverso. O clube comemora ter mantido um de seus principais jogadores e ainda negociado Roger Guedes, que estava no Atlético-MG, com o Shandong. A agremiação paulista desfalcou um rival e ainda recebeu cerca de R$ 20,4 milhões.


Folga
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Este blogueiro está de folga após cobrir a participação da seleção brasileira na Copa da Rússia e retoma suas atividades normais no próximo dia 18.


Quase ausência de fãs brasileiros negros e pardos na Rússia constrange
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Foi muito bonita a festa da torcida brasileira na Copa da Rússia. Músicas novas, batucada e animação. Mas um olhar atento revela algo constrangedor: as quase ausências de negros e pardos. Era assim sempre que havia uma aglomeração de brasileiros. Quase todos eram brancos. Muitas vezes todos eram. Nos estádios, a maior parte das exceções fazia parte das famílias dos atletas.

Em Kazan, um dia antes da derrota para a Bélgica, este blogueiro demorou cerca de 10 minutos para encontrar um negro na torcida que fazia festa para os jogadores na chegada ao hotel. No grupo de 23 atletas que retribuía protocolarmente à calorosa recepção aparentemente havia mais negros do que nas centenas de torcedores.

A quase totalidade de brasileiros brancos em Mundiais fora do país não é novidade. Mas indica nossa incapacidade de diminuir o abismo social e econômico que faz o Brasil sangrar. Já vivemos copas do Mundo com nossa economia forte, fraca e mais ou menos. Sempre fomos representados quase só por brancos. Mas parar, olhar e pensar diante de uma multidão de turistas praticamente sem negros e pardos nos constrange e preocupa como cidadãos. Ou pelo menos deveria causar sentimentos que nos façam refletir sobre isso.

A presença quase que totalitária de brancos não reflete a cara do país. Segundo dados disponíveis no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa), em 2017 a maioria dos brasileiros declarava se considerar parda. Foram 96.946.000 moradores de diferentes regiões do país se dizendo pardos, e 90.379.000 afirmando serem brancos. Outros 17.835.000 se identificaram com a cor preta (é assim que está na pesquisa, cor preta, não raça negra).

O fato de os brancos terem mais condições de fazer uma viagem cara como essa não é culpa de quem teve dinheiro para realizar um sonho e seguir a seleção em território russo. Esse cara não merece ser demonizado, rotulado de coxinha ou levar na cara outras expressões preconceituosas. A culpa é do país como um todo, que cotidianamente dá de ombros para a desigualdade social dramática instalada em nossas cidades. O mais triste é que não há como vislumbrar mudança nesse cenário nem a longo prazo.

 


Opinião: Tite terá que lidar com pressão maior se ficar na seleção
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A CBF quer continuar com Tite. Por sua vez, o treinador já indicou que a ideia de permanecer na seleção brasileira o agrada. Porém, caso renove seu contrato, o técnico viverá uma fase de mais pressão do que enfrentou até aqui.

Tite é um dos comandantes do time nacional menos criticados após uma queda em Copa do Mundo. Aparentemente, a maior parte da torcida e da imprensa aprovam a sequência de seu trabalho.

Mas as críticas existem. Como por exemplo por não dar a vaga de Gabriel Jesus para Firmino. Os deslizes em solo russo serão anotados por torcedroes e profissionais da imprensa no prontuário de Tite. Assim, ao contrário de quando assumiu a seleção com a ''ficha limpa'', ele carregará alguns desgastes desta Copa do Mundo para a sua nova fase no comando da equipe nacional, se de fato ficar.

Isso significa que sua margem de erro sem fortes cobranças será menor. A situação fica mais difícil pelo fato de a Copa América de 2019 ser no Brasil. O fator casa aumenta a cobrança por um título.

Na CBF, a pressão também deve crescer já que ele teve praticamente tudo o que quis e não trouxe o caneco.

É natural que a capacidade de resistir à pressão seja menor depois de uma eliminação em quartas de final de Mundial. Agora é bem maior a parcela da torcida que vê Tite como o melhor ou um dos melhores treinadores brasileiros, mas não como um dos mais eficientes do mundo.

O tom professoral e a fala que parece ensaiada, também tendem a enjoar o torcedor a longo prazo. Tite precisará mudar seu jeito de se comunicar com a torcida, principal referência da cúpula da CBF para tomar decisões.

Dentro de campo, o técnico terá como uma de suas dificuldades renovar a equipe em alguns setores, principalmente nas laterais. Não será fácil preparar substitutos para Daniel Alves e Marcelo, dois dos maiores joadores da posição na seleção em todos os tempos. Reformular também representa risco de bater de frente com parte dos atletas que defenderam o Brasil na Rússia. E não é segredo que Tite gosta de ficar abraçado com jogadores de sua confiança. Ele precisará aumentar a sua dose de desapego.

Existe também o outro lado da relação de confiança entre jogadores e treinadores. Será que depois dos erros que cometeu na Rússia e da difculdade em sair da armadilha peparada pelos belgas nas quartas de final não abalaram a fé dos jogadores no técnico? Confiança no treinador é algo fundamental para um time ser vencedor.

Toda essa combinação fará de Tite, caso renove com a CBF, um técnico da seleção brasileira mais semelhante a seus antecessores. Sem a beatificação que ganhou até chegar à Copa do Mundo, ele ficará mais exposto às cobranças.


Opinião: insistência com Jesus e Marcelo. Os erros de Tite
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Provavelmente você já ouviu que acidente de avião não tem uma causa. É consequência de vários fatores. Assim foi com a queda do Brasil diante da Bélgica nas quartas de final da Copa da Rússia. Abaixo, veja as falhas cometidas por Tite e que resultaram na eliminação da seleção brasileira.

Intensidade

Em sua entrevista coletiva antes do jogo pelas quartas de final , Tite voltou a falar sobre a importância dos treinos intensos. Horas depois, foi anunciado o corte de Danilo por ter se machucado sozinho na véspera do duelo com os belgas. Talvez, o trabalho no dia anterior à partida decisiva devesse ser mais leve, sem movimentações que colocassem em risco a integridade dos jogadores. Danilo já havia se machucado em outro treinamento. Renato Augusto ficou bom tempo no estaleiro por causa de uma sobrecarga muscular. Douglas Costa também sofreu lesão. Claro que ter jogadores lesionados atrapalhou a seleção. Douglas Costa, convocado em fase de recuperação, por exemplo, voltou a se machucar depois de entrar bem no time. Renato se destacou ao entrar no segundo tempo contra os belgas. Se não tivessem enfrentado lesões, eles teriam sido mais úteis.

Reação tardia

Tite demorou a reagir após o Brasil levar dois gols da Bélgica. Ele já deveria ter mexido no time no primeiro tempo para corrigir as falhas. Só fez alterações após o fim da etapa inicial, e a reação ficou pela metade. Fernandinho, por exemplo, deveria ter sido sacado antes de ir para o vestiário.

Insistência com Gabriel Jesus

Tite acreditou demais no discurso de que o centroavante brasileiro era muito importante taticamente sem a bola, marcando os adversários, mesmo sem fazer gols. Jesus foi mal em todos os jogos. Firmino sempre entrou bem. Deveria ter virado titular. O treinador não colocou em prática a meritocracia que tanto prega.

Insistência com Marcelo

O lateral-esquerdo titular do Brasil não fez partida boa na Rússia. Sua participação no desastre em Kazan foi crucial. Os belgas cansaram de explorar o lado esquerdo da defesa do Brasil. No primeiro tempo, quase sempre sobrou um belga por lá. Filipe Luís foi bem quando jogou. Atuou melhor do que Marcelo defensivamente e não foi pior do que o titular no ataque. Tite errou ao não fazer a troca.