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Corinthians e Palmeiras não queriam juiz paulista no clássico

Perrone

21/10/2010 11h08

Corinthians e Palmeiras venceram uma batalha contra árbitros paulistas. Não queriam no clássico de domingo um juiz de São Paulo. E não têm do que reclamar. A Comissão Nacional de Arbitragem colocou o gaúcho Carlos Eugênio Simon (desafeto dos palmeirenses)  e Heber Roberto Lopes, do Paraná, no sorteio. Deu Heber, e todos ficaram satisfeitos.

Ninguém admite pressão sobre a comissão de arbitragem, mas os dois lados do clássico não escondem suas insatisfações com juízes paulistas. Depois da desastrosa atuação de Sálvio Spinola no jogo com o Guarani, os corintianos deixaram bem claro para a CBF que não querem mais paulistas em seu caminho.

Cartolas dos dois clubes acreditam que têm sido sistematicamente prejudicados por erros de árbitros de São Paulo. No primeiro turno, o clássico foi apitado pelo paulista Paulo César Oliveira, que saiu de campo crivado de críticas palmeirenses.

O Palmeiras também teve problemas com Cléber Wellington Abade, outro de São Paulo. Como quarto árbitro, ele foi o responsável pela expulsão de Felipão no jogo contra o Atlético-PR.

Luiz Felipe Scolari também não engoliu uma expulsão em clássico estadual (a derrota para o São Paulo) apitado por um paulista (José Henrique de Carvalho). Na ocasião, Felipão chegou a insinuar que os juízes de São Paulo tinham má vontade com seu time pelo fato de o presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, hoje licenciado, não se dar bem com a Federação Paulista. José Henrique, aliás, é outro nome que o Corinthians não quer ver pela frente. Briga antiga, coisa do Paulistão.

Se um paulista fosse indicado para o clássico, provavelmente os dois clubes reclamariam de incoerência da CBF, pois Santos x São Paulo teve juiz "forasteiro":  Sandro Meira Ricci, de Brasília. Corintianos e palmeirenses, portanto, exigiam tratamento igual.

Mesmo com seus árbitros na berlinda, Marcos Marinho, responsável pela Comissão de Arbitragem da FPF, diz ter aprovado um juiz de fora no clássico. "Em determinados momentos do campeonato é melhor você colocar juiz de outro Estado. Eu prefiro, evita um desgaste maior dos nossos árbitros com os times paulistas. A Comissão Nacional de Arbitragem agiu corretamente", afirmou Marinho ao blog.

Sua tese é a de que se alguém de São Paulo apitasse o jogo de domingo e errasse, ele teria dificuldade para escalar o mesmo juiz em partidas da equipe prejudicada no Paulista. "Erro de árbitro de outro Estado os times esquecem mais rapidamente", comentou.

O certo é que a ausência de um juiz de São Paulo foi uma prova de prestígio dos dois clubes na CBF. Mas isso não quer dizer nada. Afinal, ter um juiz considerado do primeiro time paulista como Sálvio em um jogo que não era clássico, contra o Guarani, também foi sinal de prestígio dos corintianos. E deu no que deu.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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