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Itaquerão terá acabamento provisório na Copa para 'Fifa não estragar luxo'

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12/03/2014 06h00

O estádio de abertura da Copa do Mundo de 2014 será entregue com acabamento provisório em vários setores. No lugar de carpete importado, granito ou outros artigos de luxo, algumas áreas ostentarão materiais bem mais baratos.

Porém, segundo gente envolvida no projeto, a simplicidade não será reflexo de um possível atraso nos trabalhos, como temem até integrantes da diretoria do Corinthians, dono da arena. E nem resultado do aperto financeiro vivido pelo alvinegro. A explicação do estafe que trabalha em Itaquera é de que o clube teme que os materiais mais caros sejam danificados durante a Copa.

Depois do Mundial, a versão mais barata será retirada para a instalação do acabamento de luxo previsto no projeto corintiano.  Assim, o dono do estádio evita o risco de ter prejuízo e de entrar em atrito com a Fifa por causa de um piso caro danificado, por exemplo, ou de vidros das escadas rolantes quebrados. Até algumas das quinas de paredes exibirão uma versão mais modesta. Uma das áreas afetadas irá receber instalações de imprensa enquanto o estádio estiver em poder da Fifa. Nas mãos do Corinthians, no entanto, será um dos locais mais requintados.

A tese é de que os espaços na arena são compactos, o que dificulta a passagem de carrinhos de serviço para a instalação de materiais que serão usados apenas durante o Mundial. Por isso, o risco de acidentes é considerável. Outra justificativa para a decisão é que algumas áreas de estádios usados na Copa das Confederações teriam sido danificadas.

Há também setores em que as exigências da Fifa impedem que o acabamento definitivo seja instalado, pois os projetos são diferentes.

O ponto negativo da operação é que depois do Mundial novas obras terão que ser feitas para a substituição do acabamento.

A luxuosa versão definitiva destoa da crise financeira prevista por cartolas corintianos por conta da arena. Eles temem conviver por pelo menos duas décadas com times sem grandes contratações por causa das dificuldades para quitar a dívida gerada pela construção do estádio, como mostrou o blog nesta terça.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.