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MP notifica Haddad para não colocar dinheiro em arena corintiana e na Copa

Perrone

28/03/2014 06h00

O Ministério Público de São Paulo enviou recomendação administrativa para o prefeito Fernando Haddad não colocar dinheiro público na Copa do Mundo.

Remetido pelo promotor do Patrimônio Público Marcelo Camargo Milani, o documento recomenda que o prefeito não banque as estruturas complementares necessárias para o estádio do Corinthians, não ofereça transporte coletivo gratuito para os voluntários que atuarão no Mundial, não coloque dinheiro nas fans fests (festas que a Fifa exige para os torcedores em dias de jogos) e que não compre ingressos das partidas. Ele fez a recomendação há 15 dias e aguarda uma resposta até a semana que vem.

Se uma ou mais recomendações não forem atendidas, Milani afirma que entrará com ação de improbidade contra o prefeito.

Repetindo o que tem dito, a assessoria de imprensa da vice-prefeita, Nádia Campeão, coordenadora da SPCOPA, afirmou que a prefeitura não vai bancar as estruturas complementares. Declarou também que não haverá dinheiro público nas fans fests e disse não estar em cogitação a compra de ingressos.

No entanto, a assessoria da vice-prefeita confirma que está sendo examinado o oferecimento de transporte gratuito para 1.200 voluntários da Fifa.  "Se responder que vai pagar, o prefeito vai tomar uma ação por causa disso. Espero ele pagar e entro com a ação. É um evento privado, um estádio privado, não tem nenhuma justificativa legal, econômica, nada", disse o promotor ao blog. Não há exigência contratual que faça a cidade bancar o transporte dos voluntários da Fifa.

Milani explicou que mencionou a compra de ingressos porque durante a Copa das Confederações algumas sedes adquiriram entradas para distribuir depois.

O alerta do MP também foi motivado pela indecisão sobre quem pagará as estruturas complementares do estádio do Corinthians. E pelo fato de Curitbia e Porto Alegre agirem para assegurarem a realização dos mesmos trabalhos nas arenas de Atlético-PR e Internacional , que não aceitaram a conta.

Nesta quinta, Andrés Sanchez, dirigente responsável pelo estádio alvinegro, deu entrevista ao programa "Bola da Vez", que vai ao ar pela ESPN Brasil na próxima terça, declarando que o clube vai pagar a despesa de aproximadamente R$ 60 milhões, honrando compromisso assinado. Indagado pelo blog, o departamento de comunicação do COL (Comitê Organizador Local) disse à noite que não sabia informar se o órgão foi comunicado oficialmente de que o Corinthians pagará a conta. Já o presidente do clube, Mário Gobbi, concedeu entrevista declarando achar injusto e antiético bancar obras que o clube não vai usar. Afirmou também que esse ônus não é do Corinthians, numa declaração contraditória ao depoimento de Andrés.

As estruturas complementares não têm serventia para o dono do estádio após o Mundial. Elas englobam principalmente áreas de mídia e segurança em tamanhos maiores do que os necessários para depois que a Copa passar.

Não é demais lembrar que o mesmo promotor que notificou Haddad, move uma ação contra o ex-prefeito Gilberto Kassab por causa da lei sobre os CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que serão usados pelo Corinthians para bancar R$ 420 milhões da obra de seu estádio, que já está na casa de R$ 1 bilhão.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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