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Ele já levou 7 tiros e foi bicheiro. Conheça o 1° vice do Corinthians

Perrone

14/02/2015 06h00

andreEle é o novo primeiro vice-presidente do Corinthians, já trabalhou com jogo do bicho, sobreviveu aos disparos de sete tiros e promete ser o primeiro presidente negro do clube. As histórias sobre André Luiz Oliveira são tantas que muita gente não sabe se são lendas ou fatos verdadeiros.

O cartola atuou com diversos presidentes, como Vicente Matheus ["que não deixava ninguém fazer nada"], Alberto Dualib e o agora deputado federal Andrés Sanchez [de quem é chefe de gabinete em São Paulo]. Mas André se considera pupilo de Nesi Curi, falecido vice-presidente da gestão Dualib. Nesi e Alberto não conseguiram levar o último mandato até o fim por causa da acusação de usarem notas fiscais frias.

Eleito com o presidente Roberto de Andrade, André cuidará da parte administrativa do clube e diz que sua prioridade é conseguir completar o projeto do CT das categorias de base. Ele se considera o mais polêmico dirigente corintiano. "É porque eu falo a verdade", afirma.

Quer saber o que ele diz ser verdadeiro ou lenda sobre sua vida? Leia abaixo.

É lenda ou verdade que você é o maior puxador de votos do clube?

Verdade. É porque eu sou o cara que dá atenção para as pessoas. Consigo desagradar um monte de gente. Mas agrego mais do que todos os outros. Tenho palavra e respeito as decisões do meu grupo.

É lenda ou verdade que você vai ser o próximo candidato a presidente da situação?

Verdade.

É lenda ou verdade que seu grande sonho é ser o primeiro presidente negro da história do Corinthians?

Verdade. Do Corinthians só não, talvez do futebol mundial, tirando os países africanos. Já sou o primeiro vice-presidente negro da história de um time grande no Brasil. Parece que no Bahia teve um presidente negro, mas no eixo Rio-São Paulo nunca teve nem vice. Meus netos, brancos, poderão ter orgulho disso.

É lenda ou verdade que você é um grande crítico da gestão de Mário Gobbi?

Lenda. Nunca falei nada. Como vou falar? Ele ganhou muitos títulos. Falam que ele gastou muito, mas não se ganha título com cofre cheio. Teve contratação que não deu certo, acontece. O Pato, por exemplo, até você contrataria.

Pelo que pagaram, não sei se eu contrataria.

Criticar contratação é discurso de oposição.

É lenda ou verdade que você vai interferir até no futebol?

Lenda. Se eu quisesse o futebol, teria acertado com o Roberto [de Andrade] antes. Futebol é para quem quer aparecer. Eu não quero. E não sou de colocar os outros para falar por mim. Nunca vou ter laranja. Se quisesse interferir no futebol, eu estaria lá.

É lenda ou verdade que a situação financeira do Corinthians é extremamente crítica?

É verdade que a nossa situação financeira é tão difícil quanto a dos outros clubes. Mas nós vamos nos levantar, e eles [outros times] não, vão acabar. A diferença é que o Corinthians é grande. Esse ano será difícil, mas tudo voltará ao normal no ano que vem. E vamos provar que nós [a diretoria] somos f…, vamos resolver todos problemas, você vai ver.

É lenda ou verdade que você sofreu uma tentativa de assassinato a tiros?

Verdade. Você sabe que é verdade. Levei sete tiros. Mas o importante é que estou aqui para te contar a história.

Então me conta.

Não sei se foi assalto, o que foi. Fiquei 20 dias internado. E, que eu me recorde, não pegaram quem foi. Mas é página virada, coisa do passado. Um dia vou escrever um livro e conto os detalhes.

É lenda ou verdade que você trabalhou com jogo do bicho?

Verdade. Fui cambista de jogo do bicho.

Por quanto tempo e até quando?

Prefiro não falar mais sobre isso.

É lenda ou verdade que você tem 20% dos direitos econômicos do seu filho, André Vinícius (emprestado pelo Corinthians ao União da Madeira de Portugal)?

Já te expliquei isso. Vou explicar de novo. Lá atrás [quando atuava no departamento amador] decidimos dar porcentagens dos direitos econômicos para os jogadores. Eles queriam mais dinheiro. No lugar de dinheiro, demos as porcentagens e dividimos os riscos com eles. No caso do meu filho são 10% e pertencem a ele. Se ele vender, o dinheiro fica com meu filho. Até porque não preciso. Posso falar como procurador dele, mas o dinheiro não é meu.

O que acha de o Corinthians ter tantos jogadores fatiados e de dar porcentagens a empresários que emprestam dinheiro para o clube?

Acho que a Fifa já resolveu isso proibindo empresários de terem esses direitos. E muita gente critica as coisas no Corinthians sem saber o que acontece, sem saber do que está falando. É como eu querer falar de jornalismo. É como se eu falasse que você poderia escrever um texto bacana, fazendo uma homenagem ao primeiro negro vice-presidente de um clube grande no Brasil. Sei que você não vai escrever sobre isso.

Vou escrever tudo.

Mas não vai dar ênfase a isso. Você poderia dar, para os negros que lerem terem orgulho, mas você vai preferir a polêmica. Vai dizer que eu fui bicheiro e que levei sete tiros.

Está arrependido de dar a entrevista?

Não, claro que não, nunca me arrependo.

 

Leia Também: Como a briga entre Corinthians e construtora de estádio ficou insustentável

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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