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Secretário de Andrés e mais 13 vão responder por morte de palmeirenses

Perrone

2018-03-20T15:06:00

18/03/2015 06h00

Em 12 de fevereiro, Alex Sandro Gomes foi nomeado secretário parlamentar do deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP). Nesta terça (17 de março), ele se transformou num dos réus do processo relativo às mortes de dois membros da Mancha Alviverde.

Minduim, como é conhecido na Gaviões da Fiel o assessor de Andrés, está entre os acusados de coautoria dos assassinatos dos palmeirenses André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira a pauladas e golpes de barra de ferro no dia 25 de março de 2012. Os crimes ocorreram durante uma das mais terríveis batalhas entre as duas torcidas organizadas, na Avenida Inajar de Souza, na Zona Norte paulistana.

Ninguém foi acusado de dar os golpes que provocaram a morte, pois foi impossível identificar os autores. Mas a denúncia do Ministério Público aponta Minduim e outros corintianos como organizadores e participantes do confronto. Além de convocar membros da torcida para a batalha, eles teriam acompanhado o deslocamento dos brigões por rádio e celular.

O agora funcionário público federal nomeado pelo ex-presidente do Corinthians e mais 13 integrantes da Gaviões vão responder em liberdade às acusações de homicídio qualificado (por motivo torpe, artigo 121 do código penal) e formação de bando ou quadrilha (artigo 288).

A denúncia feita pelo MP de formação de bando ou quadrilha contra 11 integrantes da Mancha que participaram da briga também foi aceita pelo juiz Paulo de Abreu Lorenzini, da 2ª Vara do Júri de São Paulo. Entre eles está Tiago Alves Lezo, irmão de um dos assassinados.

O blog telefonou para Minduim no gabinete de Andrés em São Paulo, onde ele trabalha, para falar sobre a acusação na semana passada, quando por um erro foi publicado no site do Tribunal de Justiça que a denúncia já havia sido aceita. O secretário parlamentar falou que desconhecia o assunto. Disse que não foi nem interrogado durante as investigações e pediu para receber por e-mail o número do processo. Após ser atendido, enviou mensagem anunciando que não comentaria o caso. O deputado não fala com o blog, por isso não foi ouvido.

De acordo com dados oficiais da Câmara, o cargo de Minduim faz jus a R$ 2.091 mensais, pagos pelo Governo Federal e que sofrem descontos obrigatórios como todo salário.

Entre os outros réus corintianos estão o atual presidente da Gaviões, Wagner da Costa (o B.O), e os ex-presidentes Douglas Deungaro (Metaleiro) e Antônio Alan Souza Silva (Donizete). Rodrigo de Azevedo Fonseca (Diguinho), candidato à presidência da torcida no próximo dia 21 também, está entre os réus. Ainda neste mês ele deverá ser julgado por ser acusado de matar outro palmeirense, em 2005.

 

Em destaque, nomeação de assessor de Andrés no Diário oficial. Agora ele é réu em processo por morte de palmeirenses

Em destaque, nomeação de secretário de Andrés no Diário oficial.

 

David Gebara, advogado da Gaviões, também disse que não daria entrevista. O blog não localizou os advogados dos palmeirenses.

Seis dos corintianos acusados (Minduim não está nesse grupo)  e dois integrantes da Mancha terão que se apresentar à Polícia Militar duas horas antes dos jogos de seus times no Brasil enquanto responderem ao processo.

Apesar de a maior parte de sua denúncia ter sido aceita, a promotora Cláudia Ferreira Mac Dowell vai recorrer porque as acusações contra três torcedores foram rejeitadas. Ela listou 22 testemunhas para serem ouvidas. Duas delas estão sob proteção e seus nomes não aparecem no processo.

"Vamos caçar os porcos"

Segundo a promotora, o fato de os autores dos golpes mortais não terem sido identificados não impediu a denúncia porque, para o MP, está comprovado que os denunciados participaram da organização da briga, que tinha como finalidade vingar a morte do corintiano Douglas Karim da Silva, em 2011.

"Ninguém quis falar quem deu os golpes. Eles têm um código de honra distorcido: ninguém fala quem foi para poder executar a vingança depois. Está comprovado que a Gaviões foi executar uma incursão de vingança. Eles queriam caçar os Lezo por acreditar que mataram o Douglas. Mas ele morreu afogado. Não se sabe se foi jogado no rio ou se resolveu se jogar para fugir dos palmeirenses", disse Cláudia ao blog.

Na acusação ela conta com detalhes como os corintianos se prepararam para a briga, levando dois ônibus cheios para perto do local escolhido e um arsenal. "Eles passaram a madrugada num estabelecimento esperando a briga. Os celulares foram recolhidos e meias de mulher entregues para serem usadas como toucas ninja", contou a promotora.

Um dos trechos mais chocantes da denúncia reproduz o momento em que líder da Gaviões não identificado sobe numa mesa de bilhar e diz como seus colegas devem agir na batalha.

"Todo mundo aqui, hoje a gente vai pegar o Lezo e vingar a morte do nosso irmão, vamos pegar os porcos. Não é pra ninguém correr, vou fazer parte da linha de frente e é pra todo mundo me empurrar. Mesmo se eu apanhar, também vou estar batendo. Se ver que tamos (sic) no prejuízo, é pra empurrar e dar soco, mas não é pra correr. Vamos caçar os porcos", relata parte da denúncia.

Ainda de acordo com a acusação, os corintianos usaram batedores que monitoravam o posicionamento dos palmeirenses e passavam as informações por rádio. Assim, os membros da Gaviões conseguiram surpreender os palmeirenses chegando por trás. Mas a Mancha reagiu, pois também tinha armas e estava preparada para o confronto, de acordo com a promotora. "Tanto que eles falaram para PM que sairiam para o jogo à tarde, mas partiram de manhã", afirmou Cláudia.

Segundo ela, os corintianos pararam de bater depois que espancaram um dos Lezo até a morte. A vingança estava consumada.

Ainda de acordo com Cláudia, Minduim, secretário de Andrés, e os outros réus corintianos, não podem ser considerados "massa de manobra porque estavam na organização da batalha".

Agora eles vão iniciar suas defesas no que deve ser um longo processo.

Veja abaixo reprodução do despacho em que o juiz aceita a denuncia.

 

 

Reprodução

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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