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'Perdi mais do que lucrei no Corinthians', diz agente de Malcom e outros 8

Perrone

2030-01-20T16:06:00

30/01/2016 06h00

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Ele é chamado por torcedores e críticos dentro do clube de dono do Corinthians pela quantidade de jogadores que tem lá. Mas afirma que contabiliza prejuízo, não lucro no Parque São Jorge.

É visto por seus detratores como um mal para o alvinegro, porém, diz que ajudou o clube até emprestando dinheiro para o pagamento de uma dívida com Pato.

Foi vítima de zombaria de colegas por demorar a vender Malcom, agora afirma que o atacante de 18 anos em breve estará entre os Top 10 do mundo após se transferir para o Bordeaux.

É agente de André, atacante contestado por seu currículo na noite, entretanto, atesta que o cliente hoje é exemplo de jogador que sabe se cuidar.

Abaixo, saiba mais sobre as negociações e o que pensa o empresário Fernando Garcia, um dos agentes mais influentes na equipe da Zona Leste e irmão de Paulo Garcia, ex-candidato à presidência do clube. Fernando concedeu entrevista ao blog na noite desta sexta, por telefone.

O Corinthians vai ficar com 15% dos 5 milhões de euros que o Bordeaux vai pagar pelo Malcom já que vocês venderam só 50% dos direitos econômicos? O clube receberá 15% dos 50% de uma futura venda certo?

Você é jornalista esportivo ou econômico pra falar de valores e porcentagens? Não fica falando de valores, é perigoso, tem risco de sequestro.

Outros empresários falaram que você não conseguia vender o Malcom…

Vendi. Foi um tapa em quem falava isso. Pede pra esses que te falaram isso serem homens e se apresentarem. Falem quem são, que jogadores venderam. Você deveria publicar o nome de quem falou. Você não pode trabalhar com a informação pela metade. Falou meu nome, fala o deles também.

A venda do Malcom foi feita por meio dos dois empresários (um alemão e um português) para quem você tinha prometido metade da sua comissão?

Não. Vendi com o Charles, um amigo francês que mora no Brasil. Eu estava trabalhando faz tempo nessa venda. Eles (representantes do Bordeaux), estiveram aqui no ano passado pra ver o Malcom contra o Santos pela Copa do Brasil. Mas ele foi mal. Em seguida, viram o jogo com o Cruzeiro. Daí ele foi bem, e começamos a conversar. Agora anota aí, mudo de nome se o Malcom não estiver entre os Top 10 do mundo com 23 anos.

Como ficou a divisão da venda dos 50%?

Eu tenho 40% dos direitos, o Corinthians 30% e não sei quem tem mais 30%. Todos venderam a metade que tinham e receberão a outra metade numa futura venda. O Corinthians ainda vai ficar com mais uma porcentagem que é do mecanismo de solidariedade da Fifa, que protege o clube formador. Eu paguei R$ 2,5 milhões por 30% do Malcom quando ninguém queria o jogador. Você acha que estou ganhando muito? Não é bem assim, faz tempo que comprei, tem que fazer a correção. E ninguém fala dos prejuízos que eu tive com outros jogadores, todo empresário tem.

Que jogadores?

Paguei R$ 400 mil pelo WillianArão e coloquei de graça no Corinthians. Só que ele saiu de graça também. Não ganhei nada. Quanto ele vale hoje? Em 2009, investi R$ 350 mil no Bruno Donizete pra jogar no Corinthians, também acabou saindo de graça. Põe em dólar aí pra ver quanto eu perdi.

Mas você ganhou mais do que perdeu. Não ficaria nesse ramo perdendo mais do que ganha.

Eu já perdi pra caramba. Vocês acham que são só flores, mas não são. Quer outro exemplo? O Marlone, quando estava no Vasco, todo mundo queria. Fui lá e comprei do clube e do procurador dele. Paguei 3 milhões de euros. O Alexandre Mattos (atualmente dirigente remunerado do Palmeiras) me pediu pra levar o jogador pro Cruzeiro, que pagaria R$ 2,5 milhões de reais por uma porcentagem. Pagaria, mas não pagou e não usou o jogador. O Mano Menezes (em 2014) me pediu o Marlone, e eu levaria de graça para o Corinthians porque ele não era aproveitado no Cruzeiro. Fui pra Belo Horizonte, falei com o Mattos e com o presidente do Cruzeiro. Eles disseram que tinham conversado com o treinador e que ele seria usado. O Marlone ficou lá e não foi usado. Daí voltei e tirei de lá, rescindi. Outra história com o Cruzeiro. O Dedé, pagamos (ele e parceiros) oito milhões nele. Teve oferta, mas o Cruzeiro não deixou vender por 12 milhões de euros. E o nosso investimento, como fica? O investidor é quem se f… na maioria das vezes.

Na maioria das vezes não, se fosse assim, não existiriam investidores mais.

Ganha e perde pra caramba. Em dois anos, nossa empresa (Elenko Sports), está no vermelho. Não dependo do futebol, ainda bem.

Sei, você não precisa de dinheiro.

Precisar, sempre vai precisar, o homem é ganancioso, ganancioso do lado bom. Mas se eu dependesse do futebol não teria comida para colocar na mesa. Perdi mais do que ganhei no futebol, mas os melhores ativos no Brasil hoje são da nossa empresa e já fizemos bons negócios.

E no Corinthians, mais ganhou ou perdeu?

Perdi.

Mas você acaba de vender o Malcom? Não está no lucro agora?

Eu ainda não recebi o dinheiro do Malcom. E quando receber, não vai chegar a dar lucro, porque paguei R$ 2,5 milhões nele lá atrás. Quanto daria isso em euros naquela época?

Como você obteve 40% do Malcom?

Quando ele tinha 14 anos, fui ver o Corinthians jogar em Guarulhos. Ele era reserva, mas naquele dia jogaram os reservas. Em dois toques vi que ele era craque. Virei procurador, ajudei a família e fiz um acordo para ficar com 10% dos direitos dele quando virasse profissional (se o clube concordasse em dar essa fatia ao jogador). Depois, comprei 30% do Corinthians porque ninguém tratava o Malcom como joia lá, só eu. Demoraram três meses pra assinar o primeiro contrato profissional dele depois que ele fez 16 anos, poderia ter ido pro São Paulo. Falei pra mãe dele que ele tinha que ficar, fiquei com ela no sol duas horas esperando pra assinar contrato.

Quantos jogadores você tem hoje no Corinthians por meio de suas empresas.

Tenho oito. Walter, que eu comprei por R$ 1,8 milhão, Uendel, que sou procurador mas não tenho porcentagem, Guilherme Arana, que tenho 26%, Matheus Pereira, que tenho 42,5%, Vilson, 33%, Marlone, 15% ou 16%, Lucca, que tenho só a procuração, André e tinha o Malcom.

Na base do Corinthians você tem muito mais jogadores, não?

Não. Não é mais meu perfil. Tenho um terço da procuração do Maycon (que acaba de ser promovido para o time principal), então nem falo que tenho.

Mas muitos torcedores o criticam, você é chamado de dono do clube, dono da base.

É desinformação, acontece porque alguns palhaços escrevem qualquer coisa.

Você também é criticado por ser conselheiro do clube (o estatuto proíbe conselheiros de terem relação comercial com o Corinthians).

Não sou mais, faz tempo.

Você tinha pedido licença.

Estou afastado definitivamente.

Mas negociou com o clube enquanto era conselheiro.

Tem tanta gente que compra e vende outras coisas lá e ninguém fala nada. Eu ajudei o clube, emprestei dinheiro e não recebi tudo ainda. Fiquei dois anos e meio na fila, recebi a maior parte, mas o clube ainda me deve muito. Se a venda do Jadson deu lucro para o clube foi porque eu ajudei. Deviam para o Pato quando acertaram a troca, mas precisavam acertar a dívida para ele poder ir pro São Paulo. Eu emprestei e não recebi tudo ainda. Confio na diretoria. Se precisarem de novo e eu tiver, estou aí para ajudar.

Você confia muito no sucesso do Malcom na Europa. E do André no Corinthians?

O André mudou totalmente de um ano pra cá, mudou a forma de ser fora de campo, passou a se alimentar decentemente, a dormir as horas necessárias, tomou consciência de que é um profissional. Não tenho dúvida de que vai fazer um monte de gols. Veio praticamente de graça e o Corinthians vai fazer milhões com ele.

Veja também: Malcom viaja para França ainda neste sábado, mas saída divide o Corinthians

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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