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Diretor do SPFC explica transformação de time que mal se cumprimentava

Perrone

11/05/2016 06h00

Em cerca de três meses o São Paulo foi de time desacreditado, detonado por sua torcida e com o vestiário rachado a candidato a único brasileiro nas semifinais da Libertadores. Como foi possível essa transformação? Quem explica na entrevista abaixo é Luiz Antonio da Cunha, que assumiu a diretoria de futebol após a saída do vice-presidente Ataíde Gil Guerreiro.

Quais os principais fatores que levaram à transformação do São Paulo?

 Tem um pouco do crescimento natural, que ocorreria de qualquer forma, mesmo sem a troca na diretoria. Mas é um pouco também pela mudança do ambiente, uma troca tão radical sempre proporciona mudanças. Muda o jeito de lidar com as pessoas. O que fizemos foi tirar a tensão do ambiente, que era muito tenso. Essa distensão ajudou muito o time.

Você fez com os outros jogadores um trabalho semelhante ao que desenvolveu com Michel Bastos, de estar sempre por perto, conversar individualmente e mostrar a importância dele para o clube?

O caso do Michel foi pontual. Não fiz isso com todos, mas fiz um trabalho coletivo para tirar a tensão. As pessoas quase não se cumprimentavam, quase não sorriam. Um sentava para almoçar do lado do outro, não cumprimentava e se levantava no final sem conversar o jantar inteiro. Isso mudou hoje por que eles estão felizes.

Por que quase não se cumprimentavam e quase não conversavam?

Por estarem tristes.

Mas como você faz pessoas que mal se cumprimentavam passarem a conversar nas refeições?

Mantendo o meu jeito de ser de quando era diretor das categorias de base, sendo pai todos os dias. Fazendo as pessoas rirem, contando causos, dividindo o peso, atribuindo o mérito, estando sempre presente. Se o ônibus tem um problema, eu lembro uma situação engraçada que já aconteceu, ajuda a tirar a tensão.

Vocês fizeram terapia de grupo?

Cheguei a pensar em fazer, mas não fiz. Procurei a psicóloga do time, trocamos ideias, e ela me deu dicas de como agir. Além disso, a psicóloga conversa individualmente com eles.

Para algumas pessoas no São Paulo, o ponto forte do time é ter jogadores cascudos, valentes para jogar a Libertadores. Você concorda?

Ninguém é candidato (ao título) numa Libertadores como nós, modestamente, somos hoje, sem valentia, mas penso que temos mais técnica do que força. São jogadores de muita qualificação. Quando desenvolvem garra e estão unidos dá muita liga.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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