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Opinião: suspensão de Del Nero pouco muda na CBF

Perrone

A suspensão de pelo menos 90 dias imposta pela Fifa a Marco Polo Del Nero, não deve provocar mudanças significativas na CBF e muito menos diminuir o poder do presidente.

Del Nero já não precisava da cadeira para dar as cartas quando Marin era o número 1 da confederação. A estrutura montada pelo cartola permite o controle à distância. Coronel Nunes, vice que assumirá o posto, não tem força política para proclamar sua independência. Mas a tendência é que ele seja dócil em relação ao titular.

Na prática, Rogério Caboclo, diretor-executivo que Del Nero parece preparar para sua sucessão, deve tocar a entidade seguindo os planos do presidente suspenso.

A alteração mais importante durante o período de suspensão deve ser a disputa política pelo controle do futebol brasileiro em caso de queda definitiva de Del Nero. Além de Caboclo, Reinaldo Carneiro Bastos, presidente Federação Paulista e influente na Conmebol, aparece como candidato a novo superpoderoso. Porém, o estatuto atual prevê que em caso de vacância na presidência da CBF o vice mais velho (hoje, o coronel Nunes) complete o mandato. Uma nova eleição pode ser marcada a partir de abril de 2018, um ano antes do fim da atual gestão.

Del Nero, por sua vez nega as acusações feitas por testemunhas no processo em que José Maria Marin e outros dirigentes são julgados em Nova York. Ele é suspeita de receber propinas em vendas de direitos de transmissão de TV. O dirigente emitiu nota sobre o assunto nesta sexta-feira.