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Comissão eleitoral alega ser alvo de pressões no Corinthians

Perrone

A comissão eleitoral do Corinthians tem sido alvo de pressão de associados e conselheiros que tentam interferir em suas principais decisões antes do pleito. Na mira estão os julgamentos do órgão sobre a eventual impugnação de candidaturas à presidência e ao Conselho Deliberativo.

O pleito está marcado para 3 de fevereiro e o grupo pretende anunciar até a próxima segunda um pacote de decisões.

Na última sexta, a comissão chegou a mudar o local em que se reúne para tentar evitar a pressão de integrantes das alas políticas que abordam os membros do órgão a caminho das sessões.

''É muita pressão no clube e isso dificulta nosso trabalho. Quando a gente aparece, fica muita gente em volta pressionando. Mas vamos concluir nossas análises com tempo para a eleição e seguindo o estatuto [sem interferências]'', disse Miguel Marques e Silva, presidente da comissão eleitoral.

Ele não revelou quem faz pressão e nem se as cobranças são por impugnação ou absolvição de candidatos.

Entre os principais casos analisados está um pedido de impugnação da candidatura do opositor Antonio Roque Citadini. O argumento de um sócio palmeirense  é de que como membro do Tribunal de Contas do Estado ele não pode ocupar cargo administrativo na agremiação.

O candidato de oposição alega que há jurisprudência favorável à candidaturas de integrantes do órgão a postos em clubes. Além disso afirma que tem tempo de serviço para se aposentar caso seja eleito e ainda que a queixa deveria ter sido feita no TCE, já que o estatuto alvinegro não veta candidatos na posição dele.

Investigações importantes também estão sendo feitas pela comissão sobre candidatos supostamente terem pago para associados inadimplentes regularizarem suas situações. Postulantes à presidência e ao conselho são investigados.

Um dos envolvidos é Paulo Garcia. Pretendente ao cargo máximo no clube, ele admitiu ter quitado taxas de regularização para associados em atraso. O estatuto alvinegro é omisso em relação à situação.

A comissão também alega que R$ 200 mil enviados para a conta do Corinthians pelo empresário Carlos Leite foram usados para regularizar as situações de inadimplentes. O órgão quer saber quais são os candidatos envolvidos na suposta operação. O agente nega envolvimento com eventual manobra eleitoral e diz ter feito um empréstimo ao alvinegro.

Um dos suspeitos de coordenar pagamentos é Eduardo Ferreira, ex-diretor de futebol e homem de confiança de Andrés Sanchez, candidato à presidência. Ele rechaça a suspeita. O órgão responsável pelas eleições corintianas tirou da lista de votantes os associados que aproveitaram um desconto de 50% para regulamentarem suas situações. O entendimento foi de que a promoção caracterizou anistia parcial, benefício proibido a partir de 12 meses antes da votação. Por sua vez, a diretoria alega que a anistia só se configuraria com o desconto integral.