Blog do Perrone

Opinião: São Paulo erra ao dar contrato curto para Aguirre

Perrone

Tudo que o São Paulo não precisava era de um treinador com garantia de apenas nove meses. Assinar contrato só até dezembro com Diego Aguirre significa que a diretoria tricolor continua imediatista. Tudo bem que Dorival Júnior tinha assinado por 17 meses e ficou pouco mais da metade desse período no cargo. Mas o prazo combinado com seu sucessor não mostra preocupação com a implantação de uma estrutura de trabalho contínua. A menos que ele só esteja esquentando o banco para André Jardine assumir em 2019. No entanto, nesse caso seria melhor já dar a prancheta para o novato.

A impressão é de que a principal intenção com Aguirre é dar um choque instantâneo no elenco. E o futuro? Seja o que Deus quiser. Se ele for bem pode assinar um novo contrato no final do ano, mas se não for, de novo, os são-paulinos terão que recomeçar do zero. Ou da metade do caminho, se o auxiliar Jardine for escolhido como herdeiro de Aguirre.

Primeiro, o novo treinador precisa sobreviver mais do que seus antecessores. Rogério Ceni caiu com seis meses de trabalho. Dorival durou cerca de oito meses.

Além de mostrar que não pensa a longo prazo em Aguirre, a diretoria tricolor dá motivos para sua torcida ficar com um pé atrás. O torcedor tricolor pode se perguntar por que ofereceram um contrato curto ao técnico? A direção desconfia da capacidade de quem acabou de contratar?

O compromisso só até dezembro com o novo treinador, também pode ser sinal de uma inversão preocupante. Será que em vez de Raí mudar o pensamento de seus chefes, os cartolas é que estão mudando as convicções do ex-jogador? Afinal, até aqui, o que se sabia era que o ex-meia defendia trabalhos mais duradouros.