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Santos topou comissão de R$ 1,6 mi para intermediário de acordo com Doyen

Perrone

24/03/2018 04h00

Com Samir Carvalho, do UOL, em Santos

Para fechar acordo com  a Doyen Sports Investments, responsável por viabilizar a ida de Leandro Damião para Vila Belmiro e credora do clube, o Santos topou pagar 400 mil euros (cerca de R$ 1,6 milhão) para um intermediário. Ficou acertado o pagamento da bolada para Augusto Ricardo Cabral Cajueiro, que fez a intermediação entre as duas partes até que o trato ficasse definido.

Além disso, o alvinegro assumiu o pagamento de 2.750.000 euros (R$ 11,2 milhões) ao escritório de advocacia Bonassa Bucker, que atuou no caso. Os dados sobre o pacto, feito em 29 de setembro de 2017, estão em relatório do Conselho Fiscal do Santos sobre as contas do clube naquele ano. Por outros motivos, o órgão recomenda que, na próxima segunda, o Conselho Deliberativo rejeite as contas desse período sob a presidência de Modesto Roma Júnior.

Entre as razões citadas pelo parecer para pedir a reprovação das contas, está o fato de o clube ter aceitado pagar sucumbência (princípio pelo qual a parte derrotada num processo arca com as despesas processuais) para o escritório de advocacia.

Indagado pelo blog sobre o motivo de ter aceitado pagar comissão milionária a um intermediário, Modesto afirmou que não havia alternativa. "Quando duas partes estão em uma disputa numa câmara de arbitragem, como nós estávamos, elas não podem conversar diretamente. É obrigatório ter um intermediário. Essa pessoa nos procurou para fazer a intermediação e aceitamos", declarou o ex-presidente.

Beneficiário da comissão, Cajueiro chegou a dar entrevista no Brasil em 2011 como porta-voz de Sandro Rossell, ex-presidente do Barcelona preso no ano passado sob as acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O blog apurou que o intermediário tem bom relacionamento com a direção da Doyen.

Segundo relatório da Macso Legate Auditores Independentes, que auditou o balanço do Santos referente a 2017, o trato foi fechado em R$ 87.399.000 (23.350 milhões de euros na ocasião), "incluindo as despesas inerentes ao fechamento do acordo e comissão de intermediação".

"A parte do escritório de advocacia está dentro desse valor", afirmou Modesto.

Também conforme a auditoria, foram pagos pelo Santos em 2017, R$ 48.703 milhões. Segundo o relatório do Conselho Fiscal, devem ser pagas ainda duas parcelas de 5 milhões de euros (R$ 20.410.00 em valores atuais) em 30 de setembro de 2018 e de 2019.

O órgão registra em seu parecer que o Santos entendia dever 19 milhões de euros (R$ 77,5 milhões pelo câmbio atual) para  parceira, que calculava o débito em 51 milhões de euros (cerca de R$ 208,1 pela conversão da última sexta). Os débitos se referiam a operações envolvendo Damião e Felipe Anderson, além de valores relativos a direitos econômicos de outros jogadores cedidos para a Doyen na gestão de Odílio Rodrigues.

O Conselho Fiscal  ressalta que a empresa responsável pela auditoria do balanço alvinegro registrou como uma de suas ressalvas às demonstrações financeiras de 2017 o fato de não ter recebido carta de confirmação externa referente a R$ 39,6 milhões devidos para a Doyen pelos cálculos de dezembro. Segundo a Macso Legate, as respostas a esses pedidos são essenciais para as conclusões da auditoria.

"Isso é comum em balanços. Muitos escritórios deixam de responder aos pedidos da empresa que faz a auditoria", afirmou Modesto. No caso santista, a DIS, braço esportivo do grupo Sonda, também não respondeu sobre crédito de R$ 6,4 milhões que tem junto ao clube.

Pelo acordo, ficou ajustado que se ocorrer inadimplência de pelo menos uma das parcelas o Santos será multado em 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 40,8 milhões), além de correção de 3% ao ano sobre as prestações restantes.

Abaixo, veja um dos trechos do parecer do Conselho Fiscal do Santos que explicam o caso Doyen.

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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