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Briga entre Palmeiras e FPF envolve até repúdio a comentarista da Globo

Perrone

10/04/2018 10h16

A postura crítica de Maurício Galiotte, presidente do Palmeiras, em relação à Federação Paulista por considerar seu time prejudicado pela arbitragem na final estadual contra o Corinthians tende a gerar uma série de reflexos. Veja abaixo os principais efeitos que a postura já causou ou pode causar.

Atrito com a Globo

Pelo menos três conselheiros palmeirenses defendem que Paulo César de Oliveira, comentarista de arbitragem da Globo, seja considerado persona non grata no clube. Eles alegam que desde quando era árbitro, Oliveira tem antipatia pelo time e prejudicou a equipe com supostos erros em suas atuações. Agora alegam que os comentários dele durante as transmissões costumam ser desfavoráveis ao alviverde. As opiniões dele sobre o jogo do último domingo se transformaram no estopim para ele ser colocado no pacote retaliações proposto por membros do Conselho Deliberativo. O ex-juiz opinou que foi um acerto a arbitragem voltar atrás no pênalti marcado para os donos da casa, mas criticou a demora para a decisão ser tomada. Eles ainda reclamam que o irmão de Oliveira, Luiz Flávio, também teria prejudicado a agremiação em suas atuações. Esses conselheiros tentam convencer colegas a criar um abaixo-assinado para convocar uma reunião do conselho a fim de votar sobre o comentarista ser considerado persona non grata. O objetivo é constranger a Globo e fazer com que ela evite escalar o ex-árbitro para trabalhar em jogos da equipe no Allianz Parque. Outro problema que envolve a principal rede de TV do país é o pedido de conselheiros para que o Palmeiras não dispute o Paulista com sua equipe principal. O contrato do clube com a emissora determina que na maior parte do torneio devem ser usados os principais atletas.

Antipatia dos árbitros

Carta de conselheiros para Galiotte pede, entre outras medidas, que os integrantes da equipe de arbitragem que trabalharam no segundo jogo da decisão do Paulista sejam vetados em todas as partidas do Palmeiras. A medida inclui até o diretor de arbitragem da federação, Dionísio Roberto Domingos. Veto a juiz por parte de clubes costuma causar irritação na classe. Para piorar, parte dos árbitros trabalha com a informação de que o Palmeiras vetou Raphael Claus no sorteio para o segundo jogo da decisão estadual. O árbitro expulsou Jailson no confronto entre os rivais na primeira fase. O clube nega interferir na escolha dos juízes.

Perda de apoio da federação

Em nota oficial, Galiotte divulgou que o clube ficará rompido com a FPF se uma série de exigências não for cumprida pela entidade. Em tese, o rompimento deixaria o Palmeiras em situação desconfortável para fazer na Federação pedidos como alterações na tabela e mudanças de horários de partidas, além de eventual lobby para tentar impedir a presença de determinado árbitro em suas partidas, por exemplo.

Eleição

Galiotte deve ser candidato à reeleição em novembro. Suas atitudes na briga com a FPF já são avaliadas politicamente por conselheiros. A maioria aprova a decisão de peitar a entidade, mas também há quem critique o cartola. As críticas são por ele ter sido, na opinião de alguns, deselegante ao ter autorizado a equipe a não receber as medalhas de vice-campeão e por supostamente usar o episódio para encobrir problemas do time. Outra queixa é de que o presidente teria demorado para agir contra a federação.

Conselheiros em xeque

A briga deixa em posição delicada conselheiros palmeirenses que atuam na federação. A carta que cobra medidas do presidente pede que a diretoria palmeirense determine que eles se desliguem de seus cargos na entidade. Um dos que ficam em posição delicada é Américo Calandriello  Júnior, o Ameriquinho. Além de conselheiro palmeirense, ele é vice-presidente de relações institucionais da FPF. O cartola está na entidade desde os tempos de Marco Polo Del Nero e terá dificuldade para cumprir a exigência, se ela for cobrada por Galiotte. Uma prova disso é o fato de ele ter furado o boicote palmeirense à festa de encerramento do Paulista na última segunda comparecendo como dirigente da federação.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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