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Opinião: por que Tite fecha treinos como Dunga sem causar mesma irritação?

Perrone

02/06/2018 04h00

Nesta sexta (1º), este blogueiro começou a acompanhar a preparação da seleção brasileira em Londres para a próxima Copa do Mundo. No primeiro dia, foi impossível dar uma espiada no trabalho de Tite e seus comandados. O treino foi 100% fechado para a imprensa.

Foi impossível não lembrar da irritação de grande parte dos jornalistas em 2010, na África do Sul, quando Dunga cansou de fechar treinamentos e dar apenas alguns minutos para os profissionais credenciados trabalharem, algo que Tite também tem feito.

Diferentemente do que aconteceu em solo sul-africano, quando até patrocinadores se queixaram da pouca exposição de suas marcas com os treinos "secretos", o método escolhido por Tite não tem gerado indignação na maioria dos jornalistas.

Em minha opinião, tanto o atual treinador como Dunga tiveram motivos para afastar a mídia de seus treinamentos. Técnicos e atletas precisam de privacidade. Mas há explicação para a atitude do atual treinador ser mais bem aceita.

Primeiro, a imprensa brasileira está mais acostumada com os treinos fechados do que estava em 2010.

Outros fatores, porém, têm mais relevância. Um deles é o histórico dos técnicos em questão. Dunga já era desafeto de parcela considerável da imprensa nos tempos de jogador. Seus atos como treinador do time nacional soavam na maioria das vezes como provocação. Talvez boa parte não fosse. Mas ficou esse clima bélico.

Para piorar, Dunga em muitos dos treinamentos deixava a imprensa assistir só o aquecimento. Depois acontecia a cena contrangedora: um exército de profissionais batendo em retirada.

Por sua vez, Tite carrega um histórico de bom relacionamento com os jornalistas desde os tempos de clubes. Já na seleção, o técnico tratou de ampliar essa sintonia com a imprensa. Dialogou explicando o quanto precisa de privacidade.

Por fim, ele costuma abrir os trabalhos no final. Assim, ninguém é retirado no meio do treinamento. Foi o que aconteceu na última quarta, depois de a imprensa mostrar uma leve insatisfação por não conseguir assistir às atividades da seleção.

Assim, o atual comandante da seleção faz o que Dunga fez (vetar jornalistas em parte dos treinos) sem angariar a mesma antipatia que seu antecessor, menos irritado com os repórteres em sua segunda passagem pela equipe do Brasil.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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