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Crise política do Santos respinga no São Paulo por meio de conselheiro

Perrone

A crise política no Santos respingou no São Paulo por conta de José Edgard Galvão Machado. Ele é membro do Conselho Fiscal tricolor e advogado de defesa do José Carlos Peres, presidente santista. O dirigente alvinegro enfrenta nesta segunda uma votação de conselheiros sobre pedidos de impeachment contra ele.

O tsunami no clube do litoral começou a refletir no Morumbi quando a ''Folha de S.Paulo'' publicou reportagem mostrando que José Edgard assina documentos em ações na Justiça informando o endereço de seu escritório como sendo o mesmo da Hi Talent. A empresa agencia jogadores e já teve como um de seus donos ex-sócio de Peres.

Éder Militão, que recentemente foi vendido ao Porto depois de não aceitar proposta do São Paulo para renovar contrato, é um dos clientes da Hi Talent.

A simples presença no Conselho Fiscal de alguém que usa em documentos o mesmo endereço de uma empresa que negocia jogadores causa desconforto em conselheiros do São Paulo. Porém, Edgard também foi chefe de gabinete do ex-presidente Carlos Miguel Aidar. Em 2015, o cartola renunciou ao cargo após uma série de denúncias.

No último dia 5, um grupo de conselheiros se reuniu para discutir medidas como a elaboração de requerimento para que seja levantado no clube se o São Paulo realizou operações com a Hi Talent e checar se Edgar cometeu ato que fere o estatuto.

Um dos participantes do encontro afirmou ao blog que recebeu a garantida de diretor tricolor de que serão examinados contratos desde a era Juvenal Juvêncio até hoje em busca de negócios com a Hi Talent e seus sócios. Se forem encontradas irregularidades, elas serão encaminhadas aos Conselhos Deliberativo e Fiscal, por conta da ligação de Edgard com a empresa.

O conselheiro não quis ser identificado e também não informou com qual dirigente conversou. Ele disse que com a promessa de investigação, ao menos por enquanto, não será apresentado requerimento. A assessoria de imprensa do clube, no entanto, afirmou desconhecer que exista decisão da diretoria sobre investigar o assunto.

Por sua vez, Edgard declarou que não comentaria o tema. À ''Folha de S.Paulo'' ele respondeu que seu endereço aparece como o mesmo da empresa por causa de uma confusão causada por papéis antigos usados por seu escritório. Segundo o advogado, seu endereço de trabalho é outro.

Atualização

Depois de o post publicado, Jose Edgard Galvão enviou ao blog nota publicada abaixo.

''Ricardo Perrone,
Como você sabe, milito no direito desportivo há quase 20 anos e, bem por isso, sou procurado todos os dias por atletas, associações desportivas, agentes, torcedores, colegas de profissão e empresas do ramo, do Brasil e do exterior, que, naturalmente, tendo em vista minha vasta experiência no mercado, procuram por meus préstimos profissionais.
Sua publicação preferiu trazer que estive Chefe de Gabinete da Presidência do SPFC, função que vc sabe ter sido por poucos meses, mas deixou de citar que gerenciei o departamento jurídico por mais de 12 anos, de 2002 – levado ao clube pelo vitorioso, honrado e saudoso Marcelo Portugal Gouvêa, até 2014, período em que participei ativamente dos negócios do futebol, notadamente até o ano de 2009, com inúmeras contratações de atletas, cuja citação seria extensa.
Que fique bem claro que as duas funções acima sempre assumi com muita honra, mas minha marca, em função do próprio tempo (superior a uma década), ficou mesmo, evidentemente, à frente do jurídico do clube.
Atualmente ocupo o cargo eleito de Conselheiro Fiscal e não será nenhuma ilação ou patrulha sem fundamento que irá retirar ou diminuir minha atuação em prol dos interesses da instituição, aliás, justamente meu conhecimento acumulado no mercado do futebol, ao contrario de atrapalhar, contribui para o desempenho da nobre função.
Quanto à empresa citada na sua matéria, para sua informação e a quem mais tenha interesse, te digo que NUNCA tratei de NENHUM negocio junto ao SPFC ou qualquer outro clube. Entendido!?
No mais, aproveito para informar que minha atuação profissional se dá de forma absolutamente dinâmica e em função de bem atender meus clientes, sendo que, em época de trânsito caótico e tecnologia cada vez mais moderna, já de algum tempo, deixei de atender no escritório, fato que, convenhamos, é estritamente pessoal.
E quem me conhece sabe, onde quer que o direito e uma causa justa me chamem, não olvidarei em defender, sem receio algum de trilhar o nobre oficio de advogar''.

José Edgard Galvão Machado
Advogado

Colaboraram Bruno Grossi e José Eduardo Martins, do UOL, em São Paulo