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Ataque de organizada confirma discurso de Raí: idolatria não garante escudo

Perrone

11/10/2018 04h00

Diretor executivo do São Paulo, Raí demonstra desconforto quando questionado se seu status de ídolo do clube serve como escudo contra críticas para diretoria, comissão técnica e jogadores. Em recente conversa com o blog, ele bateu na tecla de que o que blinda equipe e direção são os bons resultados. Disse que, se o time fosse mal, de nada adiantaria sua condição de ex-jogador idolatrado pelos são-paulinos.

Dito e feito. Depois da derrota por 2 a 0 para o Palmeiras no Morumbi e a queda do ex-líder do Brasileirão para a quarta posição, o ex-meia foi atacado em nota na última terça (9) pela principal torcida organizada do clube, a Independente. A uniformizada também não poupou Ricardo Rocha e Lugano, outros ex-jogadores que trabalham na agremiação.

Entre cartolas e funcionários do São Paulo há a convicção de que o peso de Raí como ídolo intimida eventuais críticos e que isso foi fundamental para algumas apostas darem certo. O caso mais emblemático é o da contratação do atual treinador. "Aguirre não era uma unanimidade, mas acho que quando eu falei que assinava embaixo quebrei resistências para a contratação dele", afirmou Raí no final do mês passado.

Na ocasião, ele ainda ponderou que o treinador e ele próprio enfrentariam resistências se o time não revertesse o princípio de queda que enfrentava naquele momento. "Se não tiver o resultado, não é o nome, a nossa carreira, o que a gente construiu que vai resolver", afirmou o ex-meia na entrevista. Ele se referia também a Ricardo Rocha e Lugano.

Aparentemente irritada por ver a diretoria impedir treinos abertos aos torcedores, a Independente não hesitou em atacar Raí. "Ceni vencedor, trio de ídolos perdedor", escreveu a uniformizada em sua conta no Twitter, ignorando o fato de o time ter mantido a liderança do Brasileirão durante grande parte da competição.

"Os ídolos da diretoria são os mesmos que deixaram o SPFC sem goleiro de confiança. Os milhões gastos no Jean, pra não jogar, foram coisa da diretoria de futebol", diz a nota oficial da organizada.

Antes, o texto ressalta que por três vezes a Independente tentou apoiar o time em treinos abertos, mas que a direção vetou a ideia.

Na diretoria, o fato de os portões não terem sido abertos é tido como uma decisão em conjunto, não individual de Raí, que encabeça a cúpula do futebol.

Os dois primeiros treinamentos com portas abertas rejeitados aconteceram nas vésperas dos jogos contra Botafogo e Palmeiras. Antes do clássico paulista a atividade seria numa sexta-feira. O entendimento do clube foi de que não era uma boa ideia promover o deslocamento de torcedores num dia normal de trabalho na cidade. Além disso, considerou-se o risco de o rival abrir seu treino e haver confronto entre as torcidas.

A partir daí, a diretoria decidiu estudar permitir a presença dos fãs antes do jogo com o Internacional, no próximo domingo (14), já que o trabalho acontecerá num feriado (sexta, 12). A ideia, porém foi abortada. A conclusão dos dirigentes foi a de que, após a derrota para o Palmeiras, o contato com o torcedor poderia resultar mais em pressão do que em motivação, sendo prejudicial ao time.

O clube, no entanto, enfatiza que, apesar das negativas, considera importante o apoio dos torcedores.

Ao mesmo tempo em que a envergadura de Raí como ídolo não foi suficiente para evitar os disparos da Independente, foi capaz de  gerar insatisfação de parte dos torcedores com a uniformizada. Tanto que a cúpula da torcida postou o seguinte em seu perfil no Twitter: "E para quem estiver revoltado com a nota sobre os ídolos do passado, lembre-se, estaremos em Porto Alegre, na vitória ou na derrota, com 20 ônibus, 18 horas de viagem. É logo ali. Tem coragem?"

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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