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Opinião: Tite volta a criar realidade particular ao avaliar Arábia

Perrone

12/10/2018 04h00

Em suas entrevistas coletivas Tite começa se especializar em criar uma realidade particular, que parece ser enxergada apenas por ele.

Um bom exemplo foi dado pelo treinador da seleção brasileira ao comentar sobre a Arábia Saudita, adversária do Brasil nesta sexta (12), às 15h30 (horário de Brasília), em Riad.

Do jeito que Tite descreveu a Arábia parece que o Brasil vai encarar a nova sensação do futebol mundial.

"Traz níveis de exigência, a Arábia Saudita é equipe móvel, de qualidade de passe, não é uma equipe estática, pragmática. Isso gera grau de dificuldade maior. Ela rompe linhas, ataca espaço, não é uma equipe pesada", afirmou o treinador.

A propaganda é tão boa que dá vontade assistir ao jogo só pra contemplar essa máquina saudita.

Mas daí você lembra que a Arábia Saudita foi eliminada na primeira fase na Copa da Rússia. Na breve campanha foi  goleada por 5 a O pelos anfitriões.

Fica fácil desconfiar que a análise de Tite não retrata fielmente as habilidades da seleção saudita.

Ele já tinha optado por caminho semelhante ao dizer que Neymar entendeu a responsabilidade de ser capitão da seleção nos últimos dois jogos. Porém, ignorou um cartão amarelo levado pelo camisa 10 por simulação.

A impressão que fica é de que Tite altera a realidade para proteger jogador, a direção, responsável por acertar os amistosos, ou até mesmo de forma preventiva em relação a uma eventual dificuldade diante de um adversário frágil.

Só que essa postura fere o manual de Tite esculpido na transparência e na verdade. Qual o problema de dizer que não foi possível encontrar um adversário mais forte? Nenhum.

Análises exóticas muitas vezes sugerem a tentativa de esconder fatos verídicos. E isso costuma irritar o torcedor.

Tite deveria ter em mente que historicamente a CBF leva em conta o desejo da torcida para tomar decisões, como trocas de técnico. A irritação com o jeitão do treinador somada a eventuais maus resultados pode fragilizar a situação do técnico no cargo.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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