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Opinião: final argentina convida cartola brasileiro a pensar sobre gastos

Perrone

10/11/2018 06h51

A final da Libertadores entre Boca Juniors e River Plate, a partir deste sábado, é como um beliscão que acorda o futebol brasileiro de gostoso sonho.

Os dois argentinos destruíram a esperança de uma decisão brasileira tirando da disputa o melhor elenco do país (Palmeiras) e a equipe de jogo mais agradável do território nacional (Grêmio), na opinião deste blogueiro.

Até outro dia, Felipão falava em conquistar quatro títulos pelo alviverde em 2018. Praticamente ninguém contestava o treinador, pois, dada a qualidade dos jogadores de seu plantel, não era uma meta inatingível.

Até outro dia, Renato Gaúcho parecia o comandante de um time invencível, graças a objetividade e eficiência do Grêmio.

Mas, ao som do tango argentino, dançaram as duas equipes candidatas a dar baile nos rivais em 2018.

O Boca mostrou ao Palmeiras e ao Brasil, de novo, que ter mais dinheiro para investir não é sinônimo de títulos. Com menos aporte financeiro desbancou o clube brasileiro mais endinheirado do momento.

Pelos investimentos que fez, a superioridade alviverde no continente poderia ser incontestável. Não é. As contratações milionárias e altos salários sugeriam no início do ano que o Palmeiras, líder do Brasileirão, poderia ter uma vantagem bem maior sobre seus adversários também em território nacional.

A lição dada pelo Boca convida a direção palmeirense a refletir sobre os motivos que impediram o clube de transformar seus investimentos em supremacia na América do Sul. Sem crise, claro. A fase ainda é ótima com o caminho pavimentado para conquistar o Campeonato Brasileiro.

Do lado gremista, o chacoalhão que o River Plate deu diz respeito à avaliação do trabalho de Renato Gaúcho nesta temporada. O time argentino já mostrou que o treinador não havia montado uma indestrutível máquina de jogar bola, como sua confiança às vezes pode sugerir.

É hora de a direção do Grêmio enxergar os defeitos de Renato e ajudá-lo a evoluir. Como no caso palmeirense, sem crise. Ele ainda é o melhor treinador para o Grêmio. Só não demonstrou ser nesta temporada o número 1 da América do Sul.

A final argentina serve não só para gremistas e palmeirenses, mas para dirigentes de todos os outros grandes clubes do país pararem e pensarem. Eles precisam buscar resposta principalmente para essa pergunta: por que o futebol brasileiro é tão mais caro que o dos vizinhos, mas não consegue abrir vantagem sobre eles? A disputa com a turma argentina é sempre equilibrada.

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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