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Cota fixa de 12 milhões do BMG deixa direção do Corinthians pressionada

Perrone

26/01/2019 10h00

Imagem: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

A descoberta de que o BMG pagará R$ 12 milhões anuais fixos ao clube, além de parte da receita obtida com serviços oferecidos para seus torcedores, deixou a diretoria do Corinthians  pressionada por conselheiros da oposição, sócios e torcedores. Opositores já fazem uma série de questionamentos e pretendem debater o caso na próxima reunião do Conselho Deliberativo. A principal queixa é de que a direção não teria sido transparente. Isso porque só confirmou a quantia após a revelação de que a ata de uma reunião de acionistas do BMG, divulgada em um site do banco, tornava público o montante.

Umas das primeiras reações foi do grupo oposicionista denominado Frente Liberdade Corinthiana. Essa corrente encaminhou para Andrés Sanchez um requerimento solicitando do presidente alvinegro esclarecimentos sobre qual o valor anual a ser pago pelo banco. Encabeçado pelo conselheiro Maurício Nale Pinto Ferreira, o documento também pede um detalhamento sobre a forma de gerenciamento da parceria e dá prazo de três dias para a resposta. O comunicado ainda cita que os dirigentes têm o dever de divulgar de forma transparente informações sobre a administração do clube sob pena de praticar gestão irregular ou temerária aos olhos da lei.

Outra ala que se manifestou rapidamente foi o Movimento Corinthians Grande, que tem entre seus líderes Felipe Ezabella, um dos candidatos derrotados por Andrés na última eleição. O grupo publicou um texto em sua conta no Facebook no qual diz que "mais uma vez a falta de transparência impera nas negociações" do clube.

Em entrevista coletiva para detalhar o acordo, a direção havia afirmado que o BMG antecipou R$ 30 milhões, confiando no sucesso do formato que prevê um pagamento mínimo pelo patrocínio no peito da camisa, além de 50% dos lucros obtidos com investimentos feitos pelos torcedores por meio de uma plataforma específica. Porém, a diretoria não explicou que a taxa fixa é de R$ 12 milhões.

"Nas próximas reuniões do Cori (Conselho de Orientação) e do Conselho Deliberativo todos vão querer ver o contrato para entender o que eles não quiseram explicar", disse Ezabella ao UOL Esporte. Para o conselheiro Fran Papaiordanou, os membros do órgão ficaram em situação constrangedora ao saberem pela imprensa que a cota fixa é de R$ 12 milhões. "Ridículo, foi vexatório para nós. Eles falam uma coisa e depois descobrimos que fazem outra", declarou Fran.

O anúncio do patrocínio aliviava a tensão sobre Luís Paulo Rosenberg, diretor de marketing e que tinha a sua saída pedida pela oposição sob a crítica de não conseguir patrocinador máster e nem negociar os naming rights do estádio. Os acontecimentos desta sexta (25) acabaram com esse alívio.

Nas redes sociais, torcedores mostraram contrariedade com o caso e se disseram confusos mesmo depois de o clube divulgar uma nota oficial afirmando que na entrevista não revelou o valor da cota fixa porque havia sido combinado sigilo com o banco e explicando novamente detalhes da parceria.

Indagada pelo blog sobre os questionamentos feitos por conselheiros, a assessoria de imprensa do Corinthians afirmou que as respostas serão dadas aos conselheiros, não via imprensa.

Com Arthur Sandes, do UOL, em São Paulo

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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