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Opinião: falta de transparência é duro golpe para Corinthians e BMG

Perrone

27/01/2019 12h15

A falta de transparência prejudica o início de parceria entre Corinthians e BMG na opinião deste blogueiro. Aumentar os rendimentos do clube conforme a adesão dos torcedores a produtos específicos é interessante e tem potencial para dar certo. Porém, é uma estratégia baseada na confiança. Todo terráqueo só investe seu dinheiro em algo que demonstra ser seguro. Agora, como ter confiança num projeto que parece uma coisa e você descobre de supetão que é outra? Natural ficar com um pé atrás.

Não se pode acusar a direção alvinegra de ter mentido ao apresentar o contrato de patrocínio e falar ter recebido R$ 30 milhões de adiantamento. Em nenhum momento os cartolas disseram que o banco pagaria obrigatoriamente três dezenas de milhões por ano. No entanto, houve omissão sobre o valor fixo mínimo a ser pago pela instituição financeira. De certa forma, o torcedor foi sugestionado a imaginar que haveria uma cota anual de R$ 30 milhões por ano. Um monte de gente fora da diretoria reproduzindo essa informação incorreta colou e copiou essa cifra na mente da Fiel. A culpa do clube aí foi não ter divulgado logo de cara a cota mínima.

De repente, o corintiano acordou e descobriu que o mínimo pago pelo banco é de R$ 12 milhões por ano. E com documento oficial divulgado em site do BMG destinado a seus acionistas. Daí pra frente, uma avalanche de incertezas sufocou a Fiel. A diretoria se defendeu dizendo que não divulgou essa quantia porque as partes tinham combinado sigilo. Se foi isso, pode soltar a vinheta dos Trapalhões. Como o Corinthians não foi informado de que o parceiro disponibilizaria a informação na internet? É legítimo o corintiano ávido por ajudar seu time colocando dinheiro em produtos da parceria pensa: "os caras não conseguem nem se comunicar direito, como vão cuidar bem do meu dinheiro?" ou "se esconderam isso, será que tem mais coisa que eu não sei?" ou ainda "como vou ter certeza de que minhas economias realmente vão ajudar o Timão a ficar mais forte?".

Piorando o cenário, enquanto apaixonados alvinegros derramavam sua indignação nas redes sociais, o documento revelador sumia repentinamente do site vinculado ao BMG. O cheiro de amadorismo só aumentou. Tal odor funciona como um eficaz repelente de investidores, mesmo se tratando de um bando de loucos.

Para tentar minimizar o estrago, o clube associa a parceria às contratações que  tem feito. Parte do adiantamento realizado pelo banco está sendo usado para reforçar a equipe. A aposta é convencer a Fiel de que quanto maior a receita gerada pela iniciativa mais forte ficará a equipe.

No entendimento deste blogueiro, no entanto, é pouco para apagar o trauma da surpresa de R$ 12 milhões. A melhor maneira de baixar a guarda do corintiano seria abrir o jogo de vez. Mostrar uma projeção oficial, sustentada em números do banco e do mercado, de quantos corintianos e com qual volume de dinheiro precisam aderir à parceria para gerar a sonhada receita anual de R$ 30 milhões. O corte só vai cicatrizar com doses cavalares de transparência. É a única receita.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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