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Horror no Ninho deveria mudar forma como autoridades e clubes tratam base

Perrone

09/02/2019 12h00

A tragédia com os garotos do Flamengo deveria ser encarada por dirigentes de clubes e autoridades como um alerta. Ser o que o desastre em Mariana deveria ter sido para mineradoras e órgãos fiscalizadores, mas não foi. E vimos o horror se repetir em Brumadinho.

Até que as investigações sejam encerradas, não se pode afirmar que Flamengo e/ou órgãos responsáveis por fiscalizar as condições do centro de treinamento foram negligentes. Não dá nem pra cravar que houve negligência, ainda. Mas está mais do que comprovado o sofrimento de jovens atletas pelo Brasil inteiro no caminho para alcançar  o futebol profissional. Sobram vilões nesse roteiro. Já os mocinhos são raros.

Infelizmente, é comum candidatos a craque em diferentes cantos do país trombarem com uma turma barra pesada. A gangue tem pedófilos, agentes picaretas, especialistas em adulterar certidões de nascimento, dirigentes corruptos e irresponsáveis e toda a sorte de aproveitadores. Também não é raro ouvirmos relatos de alojamentos insalubres. O próprio centro de treinamento flamenguista já era alvo de uma ação do MP e de notificações da prefeitura.

O deprimente cenário está aí há décadas. Vez por outra denúncias ou fiscalizações colocam o dedo na ferida. Mas, na maior parte do tempo, os garotos sofrem sem serem notados.

A consternação geral com horroroso acidente no Ninho do Urubu deveria empurrar autoridades e cartolas na direção da cruel realidade encarada por boa parte dos postulantes à carreira de estrela do futebol. Condições de alojamentos e CTs por todo o país precisam ser checadas. Novas e rígidas regras deveriam ser criadas. Os estudos dos jogadores precisam ser priorizados. Criminosos que rondam crianças e adolescentes devem ser identificados e punidos. Uma rigorosa investigação sobre o que aconteceu no CT do Flamengo poderia ser o ponto de partida para a transformação da caminhada dos moleques em algo mais humano e seguro.

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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