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Blog do Perrone

Com receita recorde, futebol do Palmeiras gastou R$ 181,8 mi a mais em 2018

Perrone

20/03/2019 04h00

Campeão Brasileiro de 2018, o Palmeiras gastou R$ 590,5 milhões com seu departamento de futebol no ano passado. O número representa um aumento de R$ 181,8 milhões nas despesas em relação a 2017, quando o alviverde foi vice-campeão nacional. No ano retrasado, esse custo havia sido de R$ 408,7 milhões.

Dados referentes ao balanço do alviverde, aprovado pelo Conselho Deliberativo na última segunda (18), foram divulgados pelo site "Sempre Palmeiras", criado pelo conselheiro Roberto Fleury Bertagni. A diretoria de comunicação do clube confirmou ao blog a veracidade dos números, mas discorda da análise feita pela página (leia no final do post as respostas do clube sobre o assunto na íntegra).

O aumento do gasto no futebol veio acompanhado do recorde de arrecadação palmeirense em um ano. Foram arrecadados em 2018 R$ 688.572.176,00. Porém, o superávit obtido pelo clube, levando-se em conta todas as áreas, caiu de cerca de R$ 57 milhões em 2017 para aproximadamente R$ 30 milhões no ano passado. A despesa total palmeirense na última temporada foi de R$ 657.884.006,00. Em sua resposta, o departamento de comunicação palmeirense afirma que o superávit ficou próximo do valor previsto no orçamento para 2018. Isso porque, apesar de a despesa ter sido superior ao que se esperava, a receita também foi maior. Ou seja, para os responsáveis pela administração, não houve desequilíbrio financeiro.

O texto assinado pelos conselheiros Domingos Antonio Ciarlariello e Fleury e publicado pelo "Sempre Palmeiras" diz que a dívida com empréstimos a longo prazo aumentou de R$ 22 milhões em 2017 para R$ 142.684.560,77, apesar de ter sido quitado o débito com o ex-presidente Paulo Nobre. Segundo o clube, esse valor se refere à operação com a Crefisa e será pago com a venda dos jogadores envolvidos no acordo com a parceira.

Os dois conselheiros ainda fazem críticas à maneira como o Palmeiras é administrado: "aumento de receitas não pode estar atrelado ao automático aumento de despesas, pois o clube fica com passivo cada vez maior. Para se ter uma ideia, o orçamento deste ano (2019) não seria suficiente para pagar as despesas do futebol de 2018. A administração do clube precisa ser repensada!". Por sua vez, o Palmeiras alega que atingiu o superávit previsto em orçamento, honrou todos os seus compromissos financeiros e ainda conquistou o título brasileiro do ano passado.

Abaixo, leia as perguntas do blog e as respostas do departamento de comunicação do alviverde sobre o assunto.
Pergunta – Os dados referentes ao balanço de 2018 publicados pelo site "Sempre Palmeiras" estão corretos?
Resposta – Os números estão corretos. A análise está distorcida.
Pergunta – Por que o clube não conseguiu manter o superávit em nível semelhante ao do exercício passado? Caiu de R$ 57 milhões para
R$ 30 milhões. Em 2016 havia sido de R$ 90 milhões. A cada ano diminui. Por quê?
Resposta – O orçamento aprovado no Conselho Deliberativo em 2017 para 2018 foi de superávit de R$ 33 milhões. Atingimos superávit de R$ 30 milhões. Há, portanto, um resultado compatível com o previsto.
Pergunta – O gasto com o departamento de futebol subiu de R$ 408,7 milhões para R$ 590,5 milhões. O que levou o clube e a optar por gastar essa quantia? O orçamento previa gasto de quanto?
Resposta – O orçamento do futebol em 2018 previa R$ 390,9 milhões de despesas e R$ 437 milhões de receitas, com superávit de R$ 46 milhões. O realizado atingiu R$ 590,5 milhões de despesas e R$ 636 milhões de receitas, com superávit de R$ 45,4 milhões. O orçamento de resultado foi cumprido pelo futebol.
Pergunta –  Os empréstimos a longo prazo saltaram de R$ 22 milhões em 2017 para para R$142,6 milhões em 2018. Por quê?
Resposta – Refere-se a operação com a Crefisa, a qual está atrelada ao pagamento da dívida coberta quando da venda dos jogadores ou dois anos após o término dos respectivos contratos.
Pergunta – Segundo os conselheiros Domingos Ciarlariello e Roberto Fleury Bertagni, "o aumento de receitas não pode estar atrelado ao automático aumento nas despesas, pois o clube fica com passivo cada vez maior. Para se ter uma ideia, o orçamento deste ano não seria suficiente para pagar as despesas do futebol de 2018. A administração do clube precisa ser repensada". Qual a opinião da diretoria sobre esse comentário?
Resposta – Atingimos o superávit orçado para 2018 e fomos decacampeões brasileiros, além de cumprirmos com todas as obrigações previstas (correntes) e passivos diversos (trabalhistas, cíveis, tributários e outros). Os números, aliás, foram apresentados da reunião do Conselho Deliberativo na última segunda-feira e aprovados sem ressalvas por 201 conselheiros ou cerca de 80% dos presentes. O aumento do faturamento nos possibilitou investir em um elenco competitivo, tanto no profissional como nas categorias de base, tornando os atletas valorizados financeiramente e desportivamente, nos credenciando a atingir de forma permanente o objetivo da SEP: Ser protagonista, ter equipe competitiva, disputar todos os títulos e gerar satisfação aos nossos torcedores.
Continuaremos com a meta de aumentar o faturamento ano a ano para ampliar investimentos em todas áreas do clube, assim como, de forma responsável, cumprir com todas as obrigações correntes e passivos diversos.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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