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Del Nero, Tite, arbitragem: entenda os desafios do novo presidente da CBF

Perrone

09/04/2019 04h00

(Com Pedro Lopes, do UOL, no Rio de Janeiro)

Nesta terça (9), Rogério Caboclo, que já vinha liderando a CBF, pois o atual presidente, coronel Nunes, pouco agia, assumirá oficialmente a presidência da entidade. Abaixo, veja os principais desafios do cartola.

Distância de "padrinho"

Uma das principais missões do novo presidente é descolar sua imagem da de Marco Polo Del Nero. Para parte dos cartolas de federações e clubes, caboclo ainda ouve seu antecessor e padrinho político. O dirigente nega. Antes da posse do novo presidente, que já liderava a confederação, houve o rompimento com alguns parceiros comerciais dos tempos do ex-chefe, banido pela Fifa e que recorre da punição. Del Nero foi o articulador da eleição de Caboclo, até então seu braço direito.

Resgaste de imagem

Na esteira de mostrar independência em relação a Del Nero, Caboclo tem como desafio dar credibilidade à CBF. Além do último ex-presidente, José Maria Marin, preso nos Estados Unidos, e Ricardo Teixeira sofreram acusações de cometerem atos irregulares. Todos negam.

Arbitragem

A CBF tem sido muito pressionada para melhorar o nível dos árbitros. A cobrança valeu disparos de dirigentes de clubes à arbitragem. Uma das primeiras medidas de Caboclo a serem anunciadas por ele como presidente deverá ser a troca do coronel Marcos Marinho pelo ex-árbitro e comentarista Leonardo Gaciba no comando da arbitragem na confederação. O uso do VAR em todos os jogos do próximo Brasileirão já foi anunciado.

Globo x Estaduais

Caboclo terá que conciliar interesses contrários entre a Globo e as federações estaduais. A entidade quer a diminuição da duração desses campeonatos. A redução afeta presidentes das federações que dependem dos votos dos clubes, assim como o cartola da CBF precisa do apoio político dos dirigentes estaduais. O futuro presidente já encaminhou, com a concordância das federações, redução de 18 datas dos estaduais para 16. A alteração agrada ao grupo Globo.

Tite

Quando chegou à seleção brasileira, o ex-técnico do Corinthians era quase que unanimidade nacional. Depois da eliminação na Copa da Rússia, nas quartas de final, e de maus resultados em amistosos recentes, ele tem sido muito criticado por imprensa e torcedores. Um eventual fracasso na Copa América, deve gerar pressão para sua demissão. Cabe ao novo presidente administrar a situação.

Base

Outra desafio para Caboclo é fazer a seleção brasileira voltar a ser forte em todas as categorias de base, após seguidos resultados negativos. Um passo nessa tentativa já foi dado: a contratação de André Jardine (ex-São Paulo), como técnico da equipe sub-20.

Clubes e atletas

Uma antiga reivindicação dos presidentes de clubes e jogadores, não atendida pela CBF, é de que eles tenham mais participação nas decisões que os afetam, principalmente na eleição para presidente da entidade. Entre parte dos cartolas paulistas há ligeiro otimismo sobre Caboclo ser mais sensível a seus anseios em relação às administrações anteriores. "Seria muito importante a CBF formar uma pauta de unidade dos clubes, fazer a revisão de todo o processo legislativo, criar uma espécie de organização melhor corporativa, dar voz para os clubes, que os clubes possam fazer pauta corporativa dentro da própria entidade, ter seus processos administrativos com bastante transparência, bastante clareza, e ter os processos de gestão bastante organizados. Acho que são pautas muito boas e a gente tem uma expectativa enorme de que isso aconteça com o presidente Caboclo", disse ao blog, Romildo Bolzan, presidente do Grêmio.

Brasília

Na lista de metas do novo presidente, está reorganizar a bancada da bola na Câmara. Nas últimas eleições, a entidade sofreu baixas. Marcus Vicente, vice-presidente da confederação, não conseguiu se reeleger, e Vicente Cândido, ex-diretor da CBF e agora dirigente do Corinthians, nem se candidatou.

Fifa

Desde a explosão de denúncias contra Marin e Del Nero, a CBF perdeu força na federação internacional. O ex-presidente passou a se ausentar das reuniões da entidade, pois evita sair do país. Há o receio de ser preso. Caberá a Caboclo tentar recuperar o espaço perdido. Uma oportunidade de agir nesse sentido será durante sua posse, já que Gianni Infantino, presidente da Fifa, confirmou presença.

Briga com MP e Romário

Caboclo ainda precisa vencer o Ministério Público que pede a anulação da assembleia que o elegeu por supostas irregularidades negadas pela CBF. O ex-jogador e senador Romário também entende que a reunião deve ser anulada.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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