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Oposição corintiana critica contas e fala em gasto de R$ 20,6 mi com Araos

Perrone

2014-04-20T19:04:00

14/04/2019 04h00

Na noite deste sábado (13), o Movimento Corinthians Grande (MCG), uma das alas oposicionistas no clube, divulgou em suas redes sociais manifesto se posicionando contra a aprovação das contas referentes a 2018. O balanço será votado na próxima segunda (15). O grupo alega falta de informações sobre os números relativos à arena alvinegra no relatório financeiro para justificar sua posição. Porém, cita preocupação com os gastos na aquisição de jogadores e aponta um investimento de R$ 20,6 milhões em Ángelo Araos, que veio da Universidad de Chile e é pouco aproveitado por Fábio Carille. Os opositores também cravam que o alvinegro desembolsou R$ 52,9 milhões na aquisição de atletas em 2018.

Apesar de pedir a reprovação do balanço, o MCG afirma que a apresentação dos números operacionais foi "detalhista, acompanhada de parecer de uma renomada auditoria sem ressalvas", além de terem sido aprovados pelos conselhos fiscal e de orientação por unanimidade. Os oposicionistas também escreveram que "não há nada que sugira qualquer deslize de conduta. Entretanto, os números mostram preocupantes problemas de gestão, que nos obrigam a ser cada vez mais vigilantes".

Matias Antonio Romano de Ávila, diretor financeiro corintiano, não confirmou os números apresentados pelos oposicionistas e disse que não pode se manifestar "antes da aprovação" do balanço. "Será aprovado com louvor, pois está tudo demonstrado com a maior transparência. Esta chapa será sempre oposição à atual administração", declarou o dirigente. Na última eleição, vencida por Andrés Sanchez, o MCG lançou Felipe Ezabella como candidato à presidência.

O MCG diz que "a despeito de nossa justa posição financeira, foram realizados diversos investimentos em atletas". Além de Araos, o comunicado descreve gastos de R$ 9,8 milhões com Richard, reserva do time, e de R$ 6,6 milhões com Douglas, emprestado ao Bahia. Também foram relacionadas compras de parcelas dos direitos federativos de Juninho Capixaba (R$ 6 milhões), Mateus Vital (R$ 5,5 milhões), Marllon (R$ 2,3 milhões) e Fessin (R$ 2 milhões). Nenhum valor foi confirmado pelo diretor financeiro.

Arena

Os opositores dizem não existir motivos para a não apresentação de informações sobre os números do estádio alvinegro no balanço. E sustentam que em 2018 o clube gastou quase R$ 8 milhões acima do previsto com a arena. Isso sem contar a receita obtida com bilheteria.

Ávila respondeu assim: "em relação aos custos e compromissos da arena, eles não passam pelo balanço do clube. São administrados pelo fundo da arena, não pelo clube.
Em relação a custos da arena estavam orçados R$ 23 milhões, mas foram gastos menos de R$ 8 milhões. Exemplos de gastos: gramado, sócio-torcedor e outras atividades que não têm nada a ver com jogos".

Abaixo, leia na íntegra o comunicado do MCG.

"Neste dia 15 de abril, o Conselho Deliberativo do Corinthians se reúne para votar as contas do clube relativas à 2018.
Desde já, o Movimento Corinthians Grande se manifesta CONTJRA a aprovação das contas pela completa falta de informações sobre os números da Arena Corinthians no Balanço Financeiro de 2018.
Não há sequer UMA justificativa para a não prestação das contas da Arena Corinthians aos conselheiros, associados, torcedores e patrocinadores.
Queremos registrar que a apresentação dos números operacionais foi detalhista, acompanhada de parecer sem ressalvas de uma renomada auditoria, além de pareceres do conselho fiscal e do CORI, aprovados por unanimidade.
Não há nada que sugira qualquer deslize de conduta. Entretanto, os números mostram preocupantes problemas de gestão, que nos obrigam a sermos cada vez mais vigilantes.
Listamos aqui:
1. Arena
O MCG, com frequência, envia ofícios de solicitação de informações analíticas da Arena, apresentação prometida até em reuniões do conselho e nunca exibidas.
As notas explicativas apresentam um resumo que não permite projeções sobre a saúde e condições efetivas de honrarmos nossos financiamentos da arena.
Uma das propostas primordiais da Arena Corinthians era a de não necessitar recursos do clube, a não ser o de bilheteria. Como se pode ler nas notas explicativas, não é o que está acontecendo. Em 2018, a arena custou para o clube quase R$ 8 milhões a mais do que o combinado.
2. Despesas
Apesar das frequentes declarações da diretoria executiva sobre a redução e contenção de despesas, a realidade de 2018 mostra-se BEM distinta.
Se compararmos 2018 com 2017, as despesas de "pessoal" no futebol subiram 11%; as de "serviços de terceiros" cresceram 22%. Na linha de "gerais administrativos", o valor subiu 36%.
No clube social, as despesas de "pessoal" cresceram 11%; as de "serviços de terceiros" subiram 7%. Os gastos com "gerais administrativo" tiveram um aumento de 19%.
É inaceitável.
3. Investimento em atletas
A despeito de nossa justa situação financeira, foram realizados diversos investimentos em atletas.
Os exemplos foram as negociações dos atletas Ángelo Araos (R$ 20,6 milhões); Richard Coelho (R$ 9,8 milhões) e de Douglas (R$ 6,6 milhões), além das aquisições de parcelas dos direitos federativos de Juninho Capixaba (R$ 6 milhões); Mateus Vital (R$ 5,5 milhões), Marllon (R$ 2,3 milhões) e Fessin (R$ 2 milhões). O total destas aquisições foi de R$ 52,9 milhões.
Esses investimentos preocupam ainda mais a partir do momento que o custo atletas/receitas gira em torno de 80%, delicado número para quem optou pela Lei do Profut. O Profut é importante porque refinancia os débitos dos times com o Governo Federal.
4. Resultados
Como consequência da não adequação das despesas, o déficit ajustado do clube, hoje, alcança R$ 40,5 milhões – equivalente a 10% da receita operacional.
5. Endividamento
Como resultado do excesso de despesas e investimentos, nosso endividamento sofreu forte impacto, que inclusive nos levou a considerar obter empréstimos de agentes de jogadores.
Carlos Leite e Giuliano Bertolucci continuam sendo nossas fontes financiadoras! (Nota do blog: o atual diretor financeiro nega que em sua gestão tenham sido feitos empréstimos com empresários.)
Baseados nos fatos descritos no balanço, mesmo reconhecendo a acuidade técnica da apresentação, o Movimento Corinthians Grande se manifesta CONTRÁRIO à aprovação das contas.
O Corinthians não pode conviver com orçamentos não cumpridos.Temos uma arena a pagar. É preciso austeridade e transparência".

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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