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Opinião: 'caso Sidão' é prova de fogo para Luxa dentro e fora de campo

Perrone

2013-05-20T19:13:43

13/05/2019 13h43

Vanderlei Luxemburgo chega ao Vasco cercado de desconfiança por parte de torcedores e jornalistas, apesar de sua história vencedora. O histórico recente e o fato de não dirigir um time desde outubro de 2017, quando deixou o Sport, pelo qual conquistou o Pernambucano daquele ano, geram os questionamentos.

O experiente treinador assume efetivamente a equipe justamente após a humilhação enfrentada por Sidão, eleito por internautas como craque da derrota por 3 a 0 para o Santos em votação feita pela Globo.

Dentro e fora de campo, o episódio representa uma prova de fogo para Luxa. Nas quatro linhas, seu trabalho é preparar melhor todo o time do Vasco para sair tocando a bola da defesa em momentos de marcação sob pressão feita pelos adversários.

O lance que originou o primeiro gol santista e a posterior bizarra premiação dada pela Globo ao goleiro mostrou despreparo de Sidão para enfrentar a famosa marcação alta.

Acuado, ele tomou a decisão mais arriscada. Preferiu sair jogando pelo meio de dois adversários. Tinha um companheiro livre à sua esquerda, na lateral. Por ali, apesar de a bola ainda poder ser interceptada no meio do caminho, a chance de sucesso era maior na opinião deste blogueiro. A alternativa mais segura era recorrer a um chutão para o alto.

São várias situações a serem analisadas em curtíssimo intervalo de tempo. Cabe ao treinador preparar os atletas para fazer a escolha certa. Olhar o mapa do campo no momento e tomar a melhor decisão requer muito treino. Não só por parte do goleiro, mas dos demais jogadores que devem se movimentar para oferecer a ele caminhos mais seguros.

Isso é só parte do trabalho. É preciso também a repetição à exaustão das trocas de passe com marcação dura. Se conseguir harmonizar tudo isso, Luxemburgo ganhará muitos pontos.

Fora do campo, treinador terá que mostrar o quanto ainda tem poder para fortalecer mentalmente seus comandados. Suas estratégias são as mesmas do passado e estão defasadas? São idênticas mas ainda dão resultados? Ou ele aprendeu novas e poderosas técnicas?

A resposta será dada com Sidão, jogador que Luxa encontra sob imensa pressão. Se o goleiro tiver equilíbrio emocional acima da média, pode até se livrar dessa sem a participação decisiva do técnico. Mas o apoio do treinador, feito de forma eficiente, certamente fará com que a recuperação do goleiro seja mais rápida e menos dolorosa.

Nesse cenário, a sacanagem cometida por torcedores na internet com Sidão, e a decisão infeliz da Globo de entregar o troféu a ele, nos fazem olhar ainda com mais atenção para o trabalho de Luxa em São Januário.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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