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Opinião: seleção brasileira tem o que aprender com a japonesa

Perrone

21/06/2019 09h47

A seleção japonesa jogou melhor contra o forte Uruguai do que o Brasil diante da ainda fraca Venezuela, na opinião deste blogueiro.

No empate em dois gols com os uruguaios, nesta quinta (20), o Japão executou bem tarefas que o time de Tite tem dificuldade para realizar. Principalmente trocar passes verticais e se movimentar sem a bola em busca de espaços.

Os japoneses deram trabalho para o Uruguai porque quando tinham a bola trocavam passes rápidos em direção à área rival.

Isso foi possível porque quem estava sem a bola se movimentava procurando espaços. A visão de jogo e a movimentação continuavam dentro da área, criando opções de passe.

Já o Brasil abusou dos toques laterais e para trás diante da marcação venezuelana no empate sem gols.

Esse tipo de movimentação facilita a marcação. Ir para um lado e para outro e não abrir espaços indo atrás de uma bola recuada resolvem o problema defensivo.

Já a movimentação para frente tende a provocar falhas de posicionamento dos marcadores.

Perto da área, na maioria das vezes, os brasileiros paravam esperando a definição da jogada, ao contrário da antecipação de alguns japoneses.

Muitas vezes, David Neres, Firmino e Richarlison formavam uma parede fixa na região central da área da Venezuela.

Assim ficou mais fácil para a defesa rival. Era só congestionar o meio da área e ficar grudado nos brasileiros. Ainda que fiquem espaços para os laterais cruzarem, a briga pela bola na área é mais difícil para os atacantes do que para os defensores, que só precisam destruir.

A postura é de se estranhar já que o trio de atacantes de Tite se movimenta mais em seus clubes.

No Liverpool, por exemplo, Firmino costuma atrair marcadores abrindo espaços para os colegas quando se afasta da área e se aproxima da zona em que está a bola em posse de seu time.

Contra a Venezuela, dos três atacantes, Neres foi quem se movimentou mais, mas poderia ser melhor.

Os jogadores brasileiros parecem muito preocupados em guardar posição, em não abandonar uma zona específica. Os oponentes agradecem.

Prestar atenção na movimentação dos japoneses contra o Uruguai pode inspirar Tite e seus comandados.

Por mais absurdo que possa parecer, neste momento a seleção brasileira tem o que aprender com a Japonesa.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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