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Análise: para ser campeão, Brasil depende de Daniel Alves estar num bom dia

Perrone

07/07/2019 11h37

Quando começar a decisão da Copa América entre Brasil e Peru, neste domingo, às 17h, fique de olho em Daniel Alves. Se ele mandar bem nas suas primeiras jogadas, relaxe. É um bom sinal, caso você torça pela seleção brasileira. Agora, se o capitão começar errando, pode coçar a cabeça. O desempenho do lateral-direito tem sido um termômetro para a equipe de Tite. As melhores apresentações foram quando ele jogou o fino da bola. Quando o amigo de Neymar não se destacou, os jogos foram mais complicados.

Para ter noção de como o Brasil cresce com Dani bem na partida basta lembrar do chapéu e do drible dados por ele na jogada do primeiro gol da vitória por 2 a 0 sobre a Argentina nas semifinais, no que provavelmente foi o melhor desempenho canarinho no torneio até aqui.

No duelo do Mineirão, o lateral foi quem mais ficou com a bola durante o jogo, segundo o site "Footstats". Ela esteve sob seu domínio em 11,6% do tempo. Ele foi perfeito nos passes acertando 73 e sem errar um. Entre os brasileiros, ninguém acertou mais nas trocas de bola.

E na hora de destruir os lances argentinos? Daniel também trabalhou direito? Positivo. Saiu do jogo como o maior responsável por desarmes: 5.

Outra grande atuação do Brasil aconteceu na vitória por 5 a 0 sobre o Peru pela primeira fase. Advinha qual foi o jogador que ficou mais com a bola? Daniel Alves, que teve a posse em 8,13% do tempo. De novo, ele foi o melhor brasileiro nos desarmes (4). Acertou 62 passes, ficando atrás apenas de Arthur, que passou 76 bolas com precisão. E, claro, marcou um dos gols da goleada.

Agora vamos dar uma olhada nas estatísticas do 0 a 0 com a Bolívia, uma das piores apresentações dos comandados de Tite na competição. O capitão brasileiro foi o terceiro melhor passador do time (82), atrás de Arthur (99) e Marquinhos (86). Dessa vez, o lateral não repetiu sua excelência nas trocas de bola. Foi o segundo brasileiro que mais errou passes (5), ao lado de Arthur e Casemiro. Firmino desperdiçou um a mais.

Diante dos bolivianos, o lateral também errou as duas finalizações que tentou. Ao contrário do que aconteceu contra Argentina e Peru, não foi o jogador da seleção que mais ficou com a bola. Mas ocupou o segundo lugar nessa lista tendo a posse em 9,5% do tempo, pouco atrás de Arthur (9,95%). No apoio à defesa, Daniel Alves acertou apenas um desarme.

No empate sem gols com o Paraguai pelas quartas de final, Daniel foi o terceiro jogador da seleção a ficar mais com a bola (7,67%). Marquinhos (10,24%), foi quem mais teve a posse. O beque também foi o melhor passador de bola do Brasil, com 80 acertos. Daniel Alves ficou em terceiro na lista (67). O fato de um zagueiro se destacar nesses quesitos ajuda a explicar as dificuldades ofensivas brasileiras naquele confronto.

Contra os paraguaios, Daniel Alves errou os três cruzamentos que tentou e fez dois desarmes, abaixo de suas melhores marcas durante a Copa América.

Digerindo os números, entendemos a importância do lateral-direito no esquema de Tite. Ele costuma ser a principal opção de passes para os zagueiros quando o adversário pressiona a saída de bola brasileira. Uma vez com a redonda nos pés, tem a importante missão de iniciar a transição para o ataque. No campo de defesa do rival, ele também é fundamental para triangulações e tabelas que ajudam o Brasil a furar zagas. Assim, a tendência é que na decisão a seleção mais uma vez dependa muito dele para brilhar.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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