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Opinião: falta mais preparo físico do que raça ao Corinthians

Perrone

22/09/2019 09h52

Depois da derrota por 2 a 0 para o Independiente del Valle, torcedores organizados do Corinthians cobraram raça do time. Estavam revoltados com a apatia no primeiro duelo com os equatorianos pelas semifinais da Sul-Americana. Pode até ser que tenha faltado garra, mas uma análise mais profunda aponta dificuldade maior em relação ao preparo físico.

O jogo da última quarta-feira (18), foi mais um em que os corintianos não tiveram velocidade para surpreender a defesa adversária e nem para impedir contra-ataques. Neste sábado, na vitória por 2 a 1 sobre o Bahia, na primeira metade do primeiro tempo os alvinegros sufocaram os baianos com avanços rápidos, triangulações e movimentações ofensivas em boa velocidade. Porém, o gol demorou a sair e os comandados de Carille diminuíram o ritmo. Não conseguiram mais atingir a mesma rapidez até o final da partida.

Sinal de desgaste físico maior foi dado no empate com o Ceará por 2 a 2, em jogo iniciado às 11h, após o alvinegro paulista abrir dois gols de vantagem. A metade final da segunda etapa, quando os cearenses reagiram, foi constrangedora para os corintianos, pregados no campo de defesa em sua própria arena. Ninguém tinha fôlego para nada. Parecia até que o Corinthians jogava com um a menos, tal a concentração de jogadores na defesa. Nas vezes em que conseguiam atacar, os corintianos não acompanhavam os adversários ao perderem a bola. Mais inteiro fisicamente, o Ceará chegou ao empate.

A falta de gás torna o alvinegro uma presa fácil porque a equipe não consegue fazer as transições ofensivas e defensivas em alta velocidade. E impede que os jogadores se movimentem para dar opção de passe a quem está com a bola, o que é um dos maiores problemas do time, na opinião deste blogueiro. Sem movimentação, o time abusa de passes laterais ou para trás. Isso ficou evidente contra o Bahia, enquanto o jogo estava empatado em um gol em Itaquera. Os donos da casa trocavam inúteis passes laterais em linha no meio-campo, de uma extremidade à outra, sem progredir.

Cabe à comissão técnica detectar o motivo dessa falta de energia do time e atacar o problema. Os treinos físicos não estão sendo feitos de forma adequada ou os jogadores não estão se aplicando como deveriam nessa parte? Ou as duas coisas? As causas podem ser várias, mas o diagnóstico precisa ser feito rapidamente. Sem vigor físico, nenhum esquema tático vai funcionar. Não vai adiantar cobrar raça de quem não tem pernas para chegar na bola antes dos oponentes.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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