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Opinião: Neymar caminha para ser craque sem torcida para chamar de sua

Perrone

15/09/2019 10h23

Teste do blog. Relacione cada craque abaixo à torcida de um ou mais clubes:

a) Zico

b) Raí

c) Sócrates

d) Falcão

e) Neymar

Provavelmente você respondeu:

a) Flamengo

b) São Paulo e PSG

c) Corinthians

d) Internacional e Roma

E na "e" você deve ter ficado em dúvida. Se ficou, é porque Neymar trilha um caminho para se transformar num craque que não terá uma torcida para chamar de sua ao final da carreira.

O brasileiro deixou seu primeiro time, o Santos, magoando parte considerável dos torcedores, principalmente por não ter jogado bem na final do Mundial, contra o Barcelona, time com o qual já tinha um acordo para se transferir.

No Barça, ele feriu o orgulho dos fãs do clube catalão ao preferir o PSG. Tanto que enquanto sua volta ao time era negociada, os torcedores mostraram divisão nas redes sociais. Parte queria o retorno e outra o rejeitava. Pela bola que Juninho, como é chamado por seu pai,  jogou por lá, deveria ser uma unanimidade.

Neste sábado (14), Neymar foi alvo de uma das maiores demonstrações de ódio de parcela de uma torcida contra um jogador de sua própria equipe. O sentimento é motivado por sua insistência em voltar ao Barcelona. Como mostrou o blog, ele chegou até a se dispor a colocar 20 milhões de euros na operação para concretizar o sonho de trocar o PSG pelo Barcelona.

O golaço feito nos acréscimos da vitória dos parisienses por 1 a 0 sobre o Strasbourg, fez grande parte da torcida o aplaudir de pé. Mas ele precisará de muitos gols, principalmente na Champions, para voltar a ser idolatrado pela maioria dos apaixonados pelo clube.

Depois da partida, o brasileiro disse que não precisa ter seu nome gritado pelos torcedores. Precisar não precisa, mas o ajudaria. Ele ganha dinheiro também com patrocinadores que pagam para ter as marcas vinculadas a suas redes sociais porque elas são lotadas de seguidores. E se esse número de fãs que o seguem diminuir ou ficar estagnado? O que acontece com seu valor no mercado publicitário?

Mais do que se preocupar com isso, na opinião deste blogueiro, ele deveria estar preocupado em encerrar a carreira com o carinho de pelo menos uma torcida. É importante para os ex-jogadores terem um clube no qual se sentem em casa. Faz parte da paixão por jogar futebol. Qual menino que sonha em ser jogador não se imagina idolatrado por uma torcida?

Neymar atualmente tem grande rejeição até entre os torcedores da seleção brasileira. Mas ele não parece se incomodar com reações adversas de quem torce pelas mesmas cores que ele defende. E isso vem de fora de campo. Seu estafe, principalmente o pai do jogador, criou um cenário em que quase todo mundo está contra seu filho. Então, ele precisa vencer contra todos. Um estilo meio Dunga de levar a vida. O golaço deste sábado deve ter reforçado a certeza no entorno de Neymar de que ele é o cara no quesito driblar adversidades.

Nessa toada, o brasileiro segue escrevendo uma trajetória pouco comum entre os grandes jogadores. Caso não mude a rota, boa parte dos torcedores de seus ex-clubes vai colocar um asterisco quando contar a história do brasileiro para as futuras gerações.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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