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Gobbi reaparece, relembra Pato, dispara contra ex-diretor e até em Tite

Perrone

02/10/2019 04h00

Desde que cumpriu seu mandato na presidência do Corinthians, em fevereiro de 2015, Mário Gobbi perdeu o hábito de ir às reuniões do Conselho Deliberativo do clube. O ex-dirigente, porém, reapareceu na última segunda (30), em grande estilo. Os temas principais do encontro eram as relações financeiras do alvinegro com Caixa e Odebrecht. Porém, inflamado e com a língua afiada, o delegado deu um show. Atacou ex-colega de diretoria, ajudou a ressuscitar o assunto contratação de Alexandre Pato e não poupou nem Tite de suas chicotadas verbais.

A reunião começou a sair do script quando o diretor de futebol corintiano, Duílio Monteiro Alves, pegou o microfone e questionou Raul Corrêa da Silva, ex-diretor financeiro, sobre como ele não sabia quanto Pato recebia para defender o alvinegro. O cartola se referia a uma recente publicação de Raul no Facebook sobre os vencimentos de Pato no Parque São Jorge.

"O futebol não muda. Em 2012 compraram o Pato, vieram a mim e disseram que o salário era de 400 (mil reais). Quando eu disse que era o dobro, me disseram que não, que a diferença era direito de imagem e que poderíamos vender (a imagem) e recuperar. Não preciso dizer o resultado", havia escrito o ex-diretor financeiro em sua conta no Facebook.

Ele usava Pato, considerado por pelo menos parte dos conselheiros corintianos como uma das piores negociações da história do clube, como exemplo para comentar o modelo adotado pelo São Paulo ao trazer Daniel Alves, apoiado na prospecção de parceiros. Duílio não gostou do comentário e cobrou o ex-colega.

O gancho foi aproveitado em sua fala por Gobbi, que foi para o ataque contra Raul. Reclamou de seu ex-diretor criticar a contratação feita em sua gestão. Lembrou de seus quatro títulos como presidente (Paulista, Libertadores, Mundial e Recopa) e lamentou que lembrem da contratação de Pato para criticar sua administração.

O ex-presidente foi se soltando e amaldiçoou quem insinuar que houve irregularidade na compra de Pato. Conforme apurou o blog, Gobbi disse que depois da conquista do Mundial, no final de 2012, Tite pediu três contratações: Gil, Renato Augusto e Pato. Depois, adotou um tom crítico para falar do treinador que hoje comanda a seleção.

Nesse ponto, o ex-presidente lembrou da venda do zagueiro Marquinhos. Sustentou que o técnico foi até sua sala e afirmou que a revelação corintiana não jogava. De acordo com pessoa próxima ao ex-presidente, a história foi confirmada durante a reunião a pedido dele por Duílio. Na ocasião, Marquinhos, aos 18 anos, foi emprestado para Roma que exerceu a opção de compra. À época, cartolas do clube falaram que a venda foi por 5 milhões de euros. Logo, ele se tornaria um dos zagueiros mais valorizados do mundo.

Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, Tite afirmou que não comentaria o que foi dito por Gobbi sobre sua suposta participação na saída de Marquinhos do Parque São Jorge.

Porém, naquela ocasião, em 2012, o treinador afirmou a pessoas próximas que foi chamado pelo então presidente dizendo que tinha uma proposta pela revelação e queria saber o que Tite pensava sobre o jogador. Por seu relato, o técnico disse que Marquinhos jogava muito, mas, como era bem jovem, seria preciso esperar seu amadurecimento para saber qual seria sua posição ideal: lateral, volante ou zagueiro. Ainda de acordo com essa versão, Gobbi afirmou que tinha uma proposta de empréstimo.

O treinador, então, respondeu que o jovem poderia ganhar maturidade durante o período emprestado, mas deixou a decisão para a direção. Segundo esse relato, Tite nunca recomendou a venda do atleta.

O vigor de Gobbi durante a fala no conselho lembrou seus tempos de campanha eleitoral e gerou comentários entre outros conselheiros de que ele estaria ensaiando uma nova candidatura à presidência. Porém, no próprio discurso, o ex-dirigente deu sua carreira política na agremiação como encerrada.

O blog não conseguiu entrar em contato com o ex-presidente. Mas, à pessoa próxima, ele afirmou que não daria entrevista sobre suas declarações na reunião do conselho.

Por sua vez, Duílio é considerado no clube o favorito para se candidatar pela situação na próxima eleição presidencial. Procurada para que o diretor de futebol desse sua versão sobre os acontecimentos no encontro de segunda, a assessoria de imprensa do Corinthians afirmou que "as reuniões são fechadas para pessoas do conselho e os assuntos são discutidos somente entre eles. Por isso (o dirigente) não irá externar as informações colocadas em pauta da reunião e opiniões".

Já o ex-diretor financeiro respondeu ao blog por meio de mensagem de texto. "O que na verdade ocorreu foi uma dificuldade de interpretação de texto por parte do Duílio, e o Mário por sua vez entendendo que haveria uma crítica à contratação do Pato. Achei folclórico. Provocações de amigos. Nada relevante", disse Raul.

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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